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ברוך ה"ה







domenica 19 luglio 2009

AO ELIJAH AMADEO ou, VENHAM E VEJAM MINHA MARRETA E MINHAS BORBOLETAS!


AO ELIJAH AMADEO ou, VENHAM E VEJAM MINHA MARRETA E MINHAS BORBOLETAS!

Pietro Nardella Dellova
da Sinagoga Scuola - Beith Midrash







para que é preciso ter um piano?
o melhor é ter ouvidos e amar a natureza.
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro), 1914.


א
Não escreverei sobre os famigerados políticos nem sobre a CPI da Petrobras. Não falarei do abismo que separa, tristemente, o Rio de Paris, dois lugares mágicos. Não abordarei a notícia de aproveitadores que usurpam o poder público e a mídia para falarem sobre a dor que jamais sentiram. Não considerarei nada que diga respeito aos livros (quase) pornográficos distribuídos pelo governo paulista aos alunos da rede pública. Não permitirei, por agora, que os perpétuos Renans e Collors, Sarneis e Gilmares, estraguem este texto. Nem me ocuparei do plástico que cobre o mundo e, muito menos, das loucuras coreanas e iranianas! Há pessoas que odeiam árvores, plantas, flores, cães, gatos, pombos, passarinhos, terra, abraços, crianças, pobres e outras pessoas. Eles cobrem o planeta de concreto, asfalto e mentiras, fiscalizam a vida alheia e espalham o fermento da sua estupidez, maldade e perversidade, roubando o tempo vital. Não, não falarei dos canalhas hoje!
ב
Estou cansado da sordidez e quero, agora, visitar as maternidades e escrever sobre parteiras, sentar-me à mesa no boteco com gente boa e caminhar pelos corredores com alunos e professores que tenham lido alguma coisa e feito algo pela Educação. Quero simplesmente meu café na xícara de ferro esmaltada, coado em coador de pano e o perfume do pão feito pela mamma, sua bisnonna!
ג
Va bene, piccolo italiano, em sua homenagem escreverei das borboletas! Porque os seus olhos azuis, meu sorridente menino, completos um ano agora, têm a simplicidade e a inocência dos que buscam a paz, e o seu rosto, afetuoso, traz nele a força da comunhão, e nos seus sorrisos germinam continuamente as bênçãos: daquelas que tiram o homem adulto do mais profundo abismo!
ד
Certa vez, peguei uma marreta de 43 kg, pintada de verde, branco e vermelho, antigo presente do meu babbo, seu bisnonno, e tirei o concreto da minha calçada, onde estava uma árvore cortada, sem dó, por um vizinho maledetto. Quebrei-a de ponta a ponta, deixando apenas uma faixa para pedestres... (eu odeio concreto, mas respeito os seres humanos!). E deixei à mostra a terra vermelha, preciosa, da qual os homens de bem foram formados, e nela, bem ao centro, plantei um ipê-amarelo. E plantei, também, beijinhos, manjericão e herbáceas (do jardim que meu babbo, seu bisnonno, cultivou durante 38 anos). Mas, deixei ali, bem visível, o tronco da árvore e suas raízes de 43 anos!!!
ה
Depois, fui depositando ao profundo, dia após dia, o adubo orgânico, sem nenhuma química ou outra perversidade: depositei cascas e bagaços de laranja e limão, restos de mamão, de batata, de banana, de maracujá, de feijão. E pus, também, um pouco de terra nova, escolhida e preparada, e pó de café, muito pó de café da cantina da Universidade, onde ensino o Direito e a Filosofia, e da casa dos meus irmãos onde, tantas vezes, atravesso a noite ensinando Moshè rabenu, Elyahu hanevi e Shir HaShirim de Mélech Sh'lomò (principalmente, os Shir HaShirim “Catares”) e, também, o pó do café de casa, onde criei meu filho, seu babbo, entre livros, música e poesia...
ו
Pus tudo o que ali pudesse ser aproveitado para promover a vida, e honrar a terra, e abençoar D'us: tudo foi depositado, profundamente, sem que o maledetto vizinho e seus filhos, pudessem ver, pois enquanto eu quebrava o concreto com a marreta de 43 kg , eles riam o riso mecânico dos que pensam dominar o mundo com arrogância, mentiras e violência! E eu esperava ver apenas o ipê-amarelo, os beijinhos multicores e o perfumado manjericão florescendo em torno do tronco com raízes profundas (agora, aos 49 anos). Porém, aquele pequeno espaço tornou-se um Éden: e, da terra adubada nasceram, também, cinco mamoeiros, dois limoeiros, uma dama-da-noite, duas amoreiras, três raízes de maracujazeiro, um pinheirinho, três moitas de bananeiras ornamentais e a presença única do Eterno! Colhi, algum tempo depois, vinte e dois mamões e, conduzindo o maracujazeiro desde o chão por um caibro e fios, cobriu-se o muro de graça, e verde, e flores, e abelhas (pequenas e grandes), e besouros, e mamangavas, e vespas, e borboletas. E quanto mais insetos, mais flores!.
ז
E nas folhas, ovos de borboleta (milhares de ovos!) e dos ovos centenas de lagartas e mandruvás (peludas, lisos, coloridas, escuros, vermelhas, pequenos, grandes!) e passarinhos, e formigas, e vida: vida em abundância! E, com a vida, colhi setenta maracujás!!! Por fim, eu e a minha bambina Luigia, recolheramos centenas de lagartas e as colocamos, respeitosamente, em caixa arejada e aberta e, por vários dias, demos folhas para seu alimento, até que, crescidas, buscaram um espaço e se transformaram silenciosamente em crisálidas!
ח
E um dia, poucas semanas depois, chamei a Luigia, a Thaís e a Gabriela, três crianças que vêm, ainda, do sopro do Eterno sobre o Sinai, com as quais protegemos, ainda, a Arca na Sinagoga, e elas puderam testemunhar as crisálidas rompendo-se e, delas, borboletas abrindo asas e abençoando nossos olhos com leveza, e colorido, e vida, e esperança. As borboletas, assim nascidas, deram-lhes um sentido para a Torá!
ט
E naquele momento, eu lhes disse, e digo, agora, para você, também, pequeno Elijah Amadeo: "estão vendo tudo isto? - a isto tudo, nas mãos de vocês, chamamos salvação!!!"
י
Va bene, você completa um ano agora e deixarei um futuro presente para você (não agora, porque a uso ainda!!!). Deixarei a minha marreta de 43 kg, que pertenceu ao meu babbo, seu bisnonno!
-
5 Iyar 5764 (dedicado, ao Elijah Amadeo, em 11 de junho 2009 (5769), por ocasião do compleanno de seu primeiro ano de vida)

© Prof. Pietro Nardella Dellova Mestre em Direito/USP (1996). Mestre em Ciências da Religião/PUC-SP (1993). Pós-graduado em Direito Civil (1990). Pós-graduado em Literatura Brasileira (1991). Formado em Filosofia (1995) e em Direito (1986). Membro da União Brasileira dos Escritores – UBE (1989). Rav na Sinagoga Scuola -בית מדרש - Beit Midrash (1986). Autor dos Livros AMO (1989), NO PEITO (1989) e ADSUM (1992), entre outros. Ex-Membro da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB/SP (2002). Advogado, Consultor e Palestrante. Coordenador de Curso de Direito e Pós-Graduação em Direito (2003-2008). Professor de Direito Civil, Ética e Filosofia do Direito (1990). CVLattes: http://lattes.cnpq.br/1306316250021237

e-mail: professordellova@libero.it
veja outros textos em nosso ARQUIVO DE TEXTOS

12 commenti:

Maria Thereza ha detto...

Olá professor,
Como me sinto feliz lendo seu texto! Beleza pura!!!
Meu mundo tem Salvação!!!!
Fazendo a minha parte.
Se cada um de nos fizesse um pouquinho, só um pouquinho, pensando no outro também o quanto maravilhoso seria nosso espaço vital e certeza na esperança.
Fez bem em não falar dos fatos que nos são derramados constantemente no dia a dia. Sabemos que existem, mas temos que fazer os outros também, não? Acho que é isso que estamos esquecendo ou apenas nos deixando levar pelo desânimo e acomodação... Não sei!
Professor, obrigada por me lembrar que posso, sim! Só depende de mim ser o que quero ser e ter meus direitos respeitados, mesmos os coletivos, e não dos outros e suas infames constâncias maledetta!
Abraços

Sash ha detto...

QUE TEXTO MARAVILHOSO!
QUE DESCOBERTA DA SIMPLICIDADE E DAS RELAÇÕES AFETIVAS ENTRE AMIGOS E PAIS/FILHOS!
P A R A B É N S!!!!

Sash

Leila Uzzum ha detto...

Salve Dellova!

Neste mundo gaiola, não se conhece mais a beleza...Seu texto e seus atos, comprovam que a mudança é possível sempre.
E que então há salvação, quando passamos a ser objetos de criação.
A infância tem seus espaços físicos eleitos como lugar de diversão, segurança e aprendizagem que criam espaços mentais evocando sonhos e devaneios.
Cultivar o jardim é uma forma de inverter a imagem caótica e fria da nossa atual realidade, para uma imagem quente,colorida e vibrante da beleza da vida que proporciona a presença do criador.
Transformar verdades racionais solidificadas na escolha por atitudes contrárias em favor da vida.
Resultarão em novos indivíduos de valores estáveis, onde a memória fixará a felicidade e mais tarde influenciará a percepção e compreensão do presente.
Na reedição das ações de bem, de calor e de amor a vida.
É querido professor és poeta até no agir.

Abraços.

Jbernardo ha detto...

Ah professor!Por favor sempre nos escreva!O mundo está pobre de palavras assim. De sentimentos nobres.Aqui em casa tem árvores, mato, planta, bichos soltos e pássaros cantando.Pisamos na terra professor.Meu espírito se emocionou.
Esses dias fui em uma casa bem confortável.Mas lá só tinha concreto, tudo pavimentado.Só agora entendi o porquê de eu sempre ficar inquieto quando lá estou.
Obrigado...

Priscilla ha detto...

Shalom Mestre!
Um texto realmente gostoso de ler! Enquanto lia pude avistar aquele jardim, cada árvore, cada fruto, cada borboleta, todas as cores, perfumes e a marreta!!
São esses simples acontecimentos e comprovação de vida que nos trazem esperança e conforto ao coração!
Bacio.

Prof. Nardella-Dellova רב בן עבדיה ha detto...

Salve, cara Priscilla!
A visita feita por você e sua mamma à minha casa, foi como a visita daquelas mulheres que vinham de longe ao encontro dos Estudiosos da Torá, em plena Idade Média, sempre com sorriso nos lábios. Visita de duas pessoas muito especiais, sobretudo, portando uma torta de bananas... Se ficassem madrugada adentro, arrastaria você por entre aqueles milhares de livros e falaria de hoje...e dos paradoxais aspectos da Poesia e da Sabedoria....nos processos da alma, intelecto, corpo e intersecções dialógicas...de Bereshit a Sh'lomò, passando pelos risos incontidos de Ytzchak e por acordes indescritíveis dos Tehilim de David... Veja como a simplicidade colore os portais... Às vezes, a entrada ao mundo da Poesia e do Saber, da Torá e dos Nevi'im, depende apenas de uma torta de bananas, um sorriso e um movimento positivo e delicado, assim como, a torta que trouxeram para adoçar a alma deste Rav encantonado e o sorriso, doce, com que coloriram minhas Mezuzot... As portas continuarão abertas, a alma posta e na mão uma indicação, indelével, para os Mundos Superiores, onde a Ruach brilha em Sete Cores perenais, porque, afinal, desde sempre, os Sábios e Poetas que vagueiam pelo mundo, portando a Torá e a Música, o Direito e a Filosofia, não querem mais que uma torta de bananas, uma xícara de café, uma tigela de coalhada e o brilho de um sorriso...
Beijos poéticos, Bênçãos judaicas!
Rav Nardella-Dellova

Leila Mutton ha detto...

Ah!!! É muito cutt,cutt!!!
O texto, não lembro...
Mas o rostinho linnnndooo desse Principe é inesquecível!!!!

Eu

Izilda ha detto...

Mestre amado, lindo texto! Não nos prive nunca da sua poesia... e se possível, da sua presença. bjs com carinho e respeito.

CELIA BOLSAS ha detto...

Salve!!!!

É uma honra , poder estar aqui deixando uma mensagem.
Suas palavras, suas atitudes são obras maravilhosas, inesquecíveis.
Sou muito grata por ter um amigo como você , meu amigo, meu professor, um grande Mestre.
Melhor ainda poder ter a oportunidade de participar em seu lançamento de um lindo livro.(de vários)
Estarei la .Pode contar com a minha presença.

Continue assim, parabéns !!!!

Sua sempre aluna Rubi

Gilberto ha detto...

Caro Rav! Sei que posso chama-lo assim....Já conhecia parte desse texto e dessa história nos nossos infindáveis cafés , madrugada a dentro falando das coisas de HaShem e da Torá. Mas cada vez que entramos em contato com seus textos descobrimos mais perfume, mais colorido e ficamos mais felizes com a simplicidade da vida que teimamos em complica-la.....Eu como pai da Gabriela, que viu o transformar das crisálidas em borboletas, me sinto especialmente comovido e feliz!! Obrigado meu Rav querido!!
Gilberto Zucco Junior

Gilberto ha detto...

Caro Rav! Sei que posso chama-lo assim....Já conhecia parte desse texto e dessa história nos nossos infindáveis cafés , madrugada a dentro falando das coisas de HaShem e da Torá. Mas cada vez que entramos em contato com seus textos descobrimos mais perfume, mais colorido e ficamos mais felizes com a simplicidade da vida que teimamos em complica-la.....Eu como pai da Gabriela, que viu o transformar das crisálidas em borboletas, me sinto especialmente comovido e feliz!! Obrigado meu Rav querido!!
Gilberto Zucco Junior

LUIZA ha detto...

Prof. Pietro Nardella Dellova
MUITO LINDO SEU TEXTO PROFESSOR ESPECIAL
Cada amigo que conquistamos,
é uma flor no jardim da nossa vida,
porque amizade se conquista
aos poucos ao dia a dia.
Essa flor é pra lembrar a você que estou
presente sempre...
Mesmo distante.
E mostrar pra você,
que sua amizade é importante pra mim!!!
Uma flor para
............. / .\. \.....Alegrar o seu dia,
........... / . . \ ..\ ..Para perfumar
......... / . . . `\ ..\ A tua alma
........ |. . . . . |. ..|Encher o
......... \ . . . ./ . ./.Teu coração
........... `=(\ /.=´.De Amor...
............. `-;`.-' ...Para te alegrar...
................ || _.-'| .Uma flor para
............. ,_|| \_,/ ..Te mostrar o mundo
........ , .... \|| .' ....Pleno de Amor,
...... |\ |\ ,. ||/ ......Felicidade,
....,.\` | /|.,|Y\, ....Amizade,
.....'-...'-._..\||/ ....Carinho
......... >_.-`Y| .....E Paz!
.............. ,_|| ......Uma flor para
................ \||.......Te desejar
................. || ......Tudo de bom!