alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







domenica 27 aprile 2008

בחוקתי BECHUCOTAI ou, PORQUE EU NÃO QUERO MORRER

בחוקתי BECHUCOTAI ou, PORQUE EU NÃO QUERO MORRER
(Midrash da Parashá Vayicrá (Levítico) 26:3 a 27:34)

...não me ensina a morrer/ que eu não quero/
...é como se perder de D’us/ e eu não quero/...
in Perdão Você in cd Marisa Monte

Um dia, com os pés sobre o Sinai, o Eterno chamou as almas judias (nefesh iehudim) em sua Mão e contemplou-as com seus olhos de fogo, dando-lhes o elemento vivificador. Tomou-as em suas mãos, concentrando-as, iluminando-as e provendo cada uma delas de capacidade de movimento e discernimento, lançando-as, por fim, como um semeador, em todos os tempos e lugares, para que se realizassem integralmente e criassem ambientes propícios para a humanização.

A voz de HaShem, convertida em Torá תורה , ecoou desde os tempos de Avraham avinu e se fez retumbante diante de Moshè. Fez-se davar! Fez-se humana! Fez-se próxima! Fez-se única e imortal!

E porque a misericórdia dEle é duradoura, fez sua Torá תורה imprimir-se nessas almas concentradas, então, em suas Mãos e, ao lançá-las em um tempo/espaço humanizáveis, orientou cada uma delas com Mitzvôt, ou seja, com Palavras-Princípio. São elas, as Mitzvôt, que garantem a saúde do corpo, da alma, do espírito e das relações sociais. São elas que fazem um homem e uma mulher erguerem suas cabeças e seus olhos e possuírem seu tempo! São elas que nos alinham com HaShem e com todas as forças da creação. São elas que nos possibilitam a integridade de todos os setores de nossas existências. E, ainda, são elas que nos dão a força necessária para empurrarmos nossos filhos para adiante, para um futuro em que não estaremos, no qual dependerão exclusivamente das Mitzvôt para sobreviverem.

As Mitzvôt nos garantem o sereno planejamento da nossa economia, a tranqüilidade das transações, uma energia suplementar para o abrir as janelas, a supremacia sobre o tempo, sobre as oportunidades, porque elas nos ensinam a contar. Contamos horas, dias, meses e anos! Contamos entre uma Festa e outra e utilizamos o tempo a nosso favor. Elas nos garantem um domínio singular sobre as necessidades básicas, de alimentação e vestuário, sobre as oportunidades de trabalho e de descanso. Com elas escolhemos a dedo o que queremos pôr em nossas mesas, em nossas casas.

Com elas, criamos um ambiente propício, em que a massa do pão cresce e o seu perfume, ao forno, percorre todos as salas, quartos e vidas. Com elas, olhamos em direção ao sol (mas, não para o sol) e vislumbramos Yerushalaim e, irresistivelmente, cantarolamos o Sh’má...

E quando nos encontramos em situações-limite, em situações de opressão e perseguição, em problemas cotidianos, apenas com elas, as Mitzvôt, nos levantamos, sem excitação, sem perda de energia, e descobrimos as perspectivas diante de nossos olhos! Com elas não ficamos sem perspectivas!

Por isso mesmo, HaShem usou, em uma das mãos a sua Justiça אלהים e, em outra, a Misercórdia יהוה , para nos legar as Palavras-Princípio, ou seja, as Mitzvôt. Com elas vivemos e sem elas, morremos! Com elas conseguimos passar adiante, sem que nos sintamos sufocados, com o peito fechado e a respiração ofegante. Com elas não trocamos o pão pelo lixo, nem nos sentimos compelidos a um suicídio cotidiano, não precisamos de elementos artificiais em nossas relações inter-pessoais. Com elas não temos pressa nem jogamos nossos recursos ao vento, não ficamos excitados pelo vazio e mantemos, pontualmente, o discernimento lê chaim (para a vida)!

Bechucotai בחוקתי é o movimento em direção à luz. É um simples e atento movimento em direção ao que está posto em nossas almas, em nossos olhos, em nossas vidas (a vida inteira). É o passo necessário para não nos afligirmos na ansiedade, na depressão, na excitação e na perda das perspectivas. Baruch HaShem!

E, assim, fortalecidos, amadurecidos e resolvidos pelas Mitzvôt, sentimos, à distância, a voz de HaShem, porque nesse momento, ela nos faz sentido! E ouvimos as vozes de Avraham, Ytzchak e Ya’akov, e a voz de Moshè, e as vozes de Sarah, de Rivka, de Leah e de Rahel, as nossas matriarcas nos legando leveza e robustez. Sabemos o caminho de ida e de volta!

© do autor, Contagem do Ômer, em 1 de Sivan, 5768 (3/6/2008)

Pietro Nardella-Dellova. Mestre em Direito pela USP e em CRe pela PUC/SP. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor e Consultor de Direito
Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato: professordellova@libero.it

1 commento:

Jônatas Félix ha detto...

Maravilhosa esta visão da torá, bem longe de ser um peso, que é aquilo que se pensa dela.