alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







domenica 27 aprile 2008

Caso Isabella ou, retrato de uma sociedade decadente


CASO ISABELLA OU, RETRATO DE UMA SOCIEDADE DECADENTE

por Prof. Pietro Nardella-Dellova

O caso Isabella, homicídio da menina que foi, “como tudo indica”, morta pelo próprio pai, digo, genitor, e madrasta”, é conhecido, explorado, comentado, abusado por tantos (quase todos) e, apesar dos dissabores do tema, tem revelado mais uma vez as muitas faces da sociedade brasileira, no que ela tem de pior. Revela este defeito de “olhar pela fechadura alheia”.

Há uma tendência vergonhosa de cuidar da vida alheia ou dela tomar conhecimento, de saber do outro, de criar “episódios”. De fato, é uma característica brasileira transformar a vida alheia em “episódios”, sejam de boas ou más informações. E este caso é típico, daí o porquê de estar em cada página, cada vídeo, cada tela, em todo minuto, em todo instante.

Os comentários que se ouvem são como os comentários pós-jogos de futebol. Do tipo “ele marcou o gol”, “poderia ter marcado o gol”, “a polícia acha que foi o pai”, “a polícia acha que foi a madrasta” etc etc...

Talvez não seja nada disso. Pode ser a característica criminal, os dados criminais, o contexto criminal. Parece haver uma projeção da maioria das pessoas no caso criminal, como se lhes dissessem respeito, como se fosse algo que os chamassem para si mesmos. Aquelas pessoas todas, aqueles repórteres, aqueles comentários de sofá e balcão, tudo, parece revelar a face oculta da maioria das pessoas: a besta criminal! Parece que cada um gostaria de ter lançado “algum filho ou filha” por aquela janela. E um processo pelo qual Alexandre Nardoni e sua esposa se transformassem em “heróis”. Como são “corajosos”: conseguiram fazer o que a maioria faz de outro modo!

O destaque remete ao caso do “Chico estuprador”. Aquele caso em que um motoboy de São Paulo levou para uma determinada mata “reserva”, ao lado da Via Imigrantes, mais de uma dezena de jovens, desejosas de serem atrizes, modelos e sei-la-o-quê, todas mortas por asfixia violenta e após “amadas” pelo, então, herói! Foram meses de destaque, meses de projeção das variadas pessoas “do público” que se viam, ora como o “chico”, ora como as meninas cheias de ilusão, ora como as mortas “amadas”...Ao final, o Chico foi preso e, convertendo-se, tornou um “missionário das boas-novas” na cadeia.

Talvez, agora, o pai (melhor dizer o genitor). Pois bem, o genitor é o ícone, o paradigma, de tantos outros “apenas genitores” que lançam seus “filhos e filhas” pela janela. Droga! Quase tudo deve ficar entre aspas! E entre aspas ficam as pessoas sedentas de “episódios” como o da menina lançada ao vento, porque gostariam de fazer o mesmo com seus filhos. Como o do “chico estuprador”, porque gostariam de fazer a mesma coisa. Entre aspas ficam os episódios do Congresso buscando dossiês de cartões corporativos. Entre aspas ficam os advogados criminalistas de plantão ou, de porta de cadeia. Entre aspas ficam os advogados civilistas que, ao atuarem em casos de separação e divórcio, deixam de fazer o que deveriam fazer, ou seja, deixam de orientar seus clientes acerca de pensões alimentícias e dos desdobramentos de determinadas ações ou reações.

No mais, o processo como um todo e os destaques abrangentes reforçam a necrofia de uma sociedade, a brasileira, que se alimenta de cadáveres, que se alimenta de estupros, que se alimenta de cocaína, que se alimenta de sermões pregados nas esquinas e praças públicas, que se alimenta de “deuses” mortos, que se alimenta de más notícias (e as cria), que se alimenta de episódios diários, diuturnos, recriados mil vezes, em que alguém deva matar alguém.

No caso Isabella, a menina, agora convertida em uma “boneca policial”, é morta a cada dia por cada pessoa que gostaria de estar no lugar de seu genitor!

© do autor, em 23 de Nissan, 5768 (28/4/2008)

Prof. Pietro Nardella-Dellova, Mestre pela USP e PUC/SP
Rav na Sinagoga Scuola. Professor de Direito
http://nardelladellova.blogspot.com/
professordellova@libero.it

5 commenti:

mauricio ha detto...

Prezado Mestre,

De fato, como o texto muito bem articulado revela, o caso Isabella está ressaltando e trazendo à tona o que de pior há no ser humano. Sim, pois na coletividade que se manifesta sobre o tema, temos que considerar cada pessoa individualizada que tenta se pulverizar na massa, na tentativa de garantir anonimato a fim de exteriorizar aquilo que pessoalmente não teria coragem. Exatamente como você bem retrata: - pessoas atuando em bando/grupo ou sei lá o quê nos remetendo às manobras de muitos animais carnívoros. Parece mesmo que a sociedade brasileira, pesada pela falta de uma identidade própria que lhe marca com peculiaridade singular vive mesmo da fechadura alheia e, por via comparativa, da hemorragia alheia também, sem qualquer aparente perspectiva de avanço para coisas mais elevadas, sejam da ordem que forem!

obrigado por compartilhar seu artigo,

abraço,

maurício

Marcia Regina de O.Reis ha detto...

Estimado mestre:

Conseguiu transformar em palavras o que a minha alma senti diante desse fato.
Sei que foi uma tarefa dificil manifestar-se sobre esse horrivel caso.
O correto é manter-se silente e deixar que a polícia cumpra seu dever.
Grata!

Giuliano Rocha ha detto...

Caríssimo Professor, Mestre de Muitos, Salve!

Leio seus textos frequentemente, e aguardo ansioso os que advenham dos seus estudos e constatações.

Essa e todas as demais desgraças, sobretudo as q se tornam públicas, fazem brilhar os olhos das pessoas.
Será uma expressão acanhada de "prazer" por parte do animal que somos? Será q somos, na essência, animais? Ou às vezes, apenas, agimos como tal? Ou estamos, todos, realmente sensibilizados? Ou será uma mistura das duas sensações?

Anonimo ha detto...

Prezado Prof. Dellova, temos assistido, nos últimos dias, envergonhados e abismados, a desonra, a maldade, os mexericos, enfim, os ratos aplaudirem e sorrirem...Como isso é possível?
Como o senhor sempre nos ensinou,e muito bem, o mundo é mesmo de milhões de moscas e, dando-lhes a oportunidade, demostraram sua força, sua sugeira e o excremento de que se alimentam.
Estamos sempre ao seu lado, pois temos no senhor uma marca, um ícone e um modelo de profissionalismo, ética e robustez de caráter.
Com o respeito que apenas lhe é devido!
Quinto Ano do "moribundo" Curso de Direito da FAJ

Anonimo ha detto...

BRAVISSIMO !!!!JONNHYBENZE