alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







domenica 27 aprile 2008

Entre amar e ser amável ou, do movimento para a completude


Entre amar e ser amável ou, do movimento para a completude

Prof. Pietro Nardella-Dellova
Rav na Sinagoga Scuola, Casa Degli Spiriti


Proclama-se aos quatro ventos, de forma artificial e retilínea, o mito de amar o próximo como a si mesmo. Embora o enunciado ואהבת לרעך כמוך “ve’ahavat lere’aha kamokha” tenha sido cunhado entre as pedras e o pó do Sinai, em período superior a três mil anos, distante dos gregos e dos romanos e das estranhezas medievais, foi apropriado indevidamente por eles e pelos desdobramentos convergentes dessas culturas e, hoje, serve como um discurso, vazio e incompreensível, ou, ainda, como a coroa hipócrita das mensagens de reconciliação entre pessoas ou povos. As pessoas ouvem, religiosa e sistematicamente, que “devem” amar o próximo como a si mesmo, considerados aí, por um lado, o amar como algo abstrato, subjetivo e fluído e, do outro, o próximo, bem, o próximo, como sendo todo mundo (toda e qualquer pessoa, indiscriminadamente)!

Mas, a expressão amar o próximo como a si mesmo traz em si, pelo menos, três categorias distintas, enunciáveis apenas em modo circular (e não retilíneo). São elas, o amar (e não o amor); o próximo, ou seja, o ser amável (e não todo mundo); e o amar a si mesmo (e não atos masturbatórios ou de culto a si mesmo). E, por ser circular, mas não fechada (pois é espiral), a expressão permite a análise em qualquer ponto. Então, parece mais oportuno que, primeiramente, alguém saiba o que significa a si mesmo! Voltar os olhos para o universo do si mesmo é um encontro, uma descoberta multifacetada!

Voltar os olhos para si mesmo não é contemplar-se diante do discutível espelho, mas passar em revista, com todos os recursos analíticos, a integridade do seu eu. Em outras palavras, perceber o corpo em sua plenitude (de qualquer tempo), sem medo de encontrar-se, seja aos dezoito ou aos setenta anos. Sem fugas ou projeções deprimentes e sem suicídio cotidiano. Percepção que resulte em um estado de paz e de harmonia com cada parte, com cada osso, como cada músculo, com cada célula, com cada poro e com cada gota de sangue. E, ao mesmo tempo, perceber seu universo subjetivo, com todos os rancores, mágoas, ansiedades, escaninhos, traumas, criações fantasiosas, marcas, impressões, sentimentos, de tal forma, que seja possível lançar ali uma bateia e buscar o ouro perdido na areia, buscar o elemento vital, perdido na hipocrisia em que se educam as pessoas. E mais, aprofundar-se no elemento criativo, no poder intelectivo, na capacidade de ser um pequeno deus (elohim), na competência de discernir e julgar, de separar, de valorar. Descobrir-se assim é, revelar-se em um corpo (adam), em uma alma (nefesh) e em um espírito (ruach).

O amar é a relação possível entre duas pessoas que se conhecem como adam-nefesh-ruach. Amar o próximo é o movimento em direção a determinadas pessoas que se perceberam e se valorizaram de forma integral. É o levar e presentear com o corpo que se conhece, com a alma que se percebe e com o espírito que cria. E encontrar reciprocidade! Mas, não havendo reciprocidade, não havendo o si mesmo, não haverá próximo. Uma pessoa que não se conhece a si mesma não é amável e nem é próximo! É alguém, apenas um alguém que deve ser mantido à distância!

Amar o próximo como a si mesmo é o movimento, circular, de completude, de cumplicidade, em direção ao ser amável. Ou seja, em direção ao próximo! As muitas relações impõem discernimento e julgamento. Há relações que são profissionais, e só! Há relações de vizinhança, e só! Há relações que são acadêmicas, e só! Há relações que são comerciais, e só! Há relações que são políticas, e só! Há relações que são esportivas, e só! Há relações que são jurídicas, e só! Há relações que são religiosas, e só! Há relações de consangüinidade, e só! E há relações que são matrimoniais e só! Nenhuma delas permite ou inibe o amar o ser amável. Nenhuma delas, por si mesma, cria o próximo (o ser amável), pois o profissional, o vizinho, o aluno, o professor, o colega, o vendedor, o comprador, o político, o atleta, o sujeito de direito, o religioso, o gerado, a gerada, o colateral, o genitor, a genitora, o cônjuge e a cônjuge, o convivente, a convivente, não são, necessariamente, pessoas próximas, ou seja, amáveis!


© do autor, em 22 Iyar, 5768 (27/5/2008)

Publicação autorizada no Jornal Campinas Café

Prof. Pietro Nardella-Dellova. Mestre em Direito pela USP e em CRe pela PUC/SP. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor e Consultor de Direito
Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato: professordellova@libero.it

4 commenti:

Mirian Baller ha detto...

Prezado Rav Dellova, parabéns pelo seu texto. Único e expressivamente verdadeiro.
Abraços
Mirian

ricardonespoli ha detto...

Caro Rav, amare l'autro é pur troppo dificile come amare a si próprio. Peró, chiedo che continue ancora a scrive su questo punto. I suoi testi sono sempri vicino alla veracità, o al profumo della Torá. Grazie ! Me fa bene, purtroppo, piangere in questo momento.
Ti saluto e sempre BaruchHaShem.
Ricardo

Herbert ha detto...

Olá Prof. Dellova,
Belíssimo texto. Ele nos fez recordar todas as conversas e reflexões sobre o "Eu e tu" do Martin Bubber lembra-se? Grandes debates...

Forte abraço,

Herbert

Patrick F. Vaz ha detto...

Grande Professor Dellova,
Salve.
Até que, enfim, descobri seu blog.
Boa leitura com fácil acesso.
Grazie.