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ברוך ה"ה







domenica 27 aprile 2008

Ganância e Decadência; Sensibilidade e Sucesso: reflexão sobre a Parashá de Behar בהר



Ganância e Decadência; Sensibilidade e Sucesso: reflexão sobre a Parashá de Behar בהר

por Pietro Nardella-Dellova
da Sinagoga Scuola


É curioso que o Eterno tenha dado a instrução que se encontra nesta Parashá Behar (no Monte) de Vayicrá 25:1 até 26:2, ainda no Monte Sinai, ou seja, como parte integrante do Sêfer HaBrit (Livro da Aliança).

O ímpeto com que nossos pais se dirigiam à Canaã poderia levá-los a um processo de insensibilidade e cegueira. Encontrar uma terra onde se encontrava “leite e mel” poderia despertar neles um dos piores vícios. Refiro-me à ganância!

A ganância ou o processo pelo qual as pessoas trabalham diuturnamente, a fim de juntarem riquezas, torna a vida sem graça e as relações frias. Relações em que as pessoas passam a ser uma coisa, um objeto patrimonial. Nunca, como nos dias atuais, presenciou-se com tal força o processo de coisificação (a coisa se torna sujeito; o sujeito se torna coisa).

Como judeus, aprendemos desde cedo que há um tempo, uma oportunidade, para todas as coisas. Também, como judeus, aprendemos que desde tempos imemoriais, o Eterno inaugurou o Shabat com o propósito de dar uma lição por intermédio dele. Assim, por mais que lutemos, estudemos e procuremos o desenvolvimento cultural, intelectual e patrimonial, temos um momento semanal para a reflexão e para o descanso: o Shabat! Quando vimos apontar a primeira estrela no final do sexto dia, é o aviso que as nossas atividades cotidianas devem parar. É preciso parar e com tranqüilidade sair do horizontal e mergulhar no vertical, de onde tiramos nossas energias, nossas forças e nossa luz!

O Shabat é a oportunidade que têm todo homem e mulher livres. O momento em que sentimos alargar-se pela casa o delicioso perfume dos Chalôt (pães especiais), e vimos, também, cobrir a mesa nossas as toalhas branquíssimas, e os adornos dos castiçais, das taças de vinho, dos variados pratos preparados para este momento em que, cantando e sorrindo, podemos contemplar nossos filhos na calma de um tempo singular! E saboreamos cada um dos pratos, recostados em nossas cadeiras, sem pressa nem espanto, e bebemos nosso vinho, sem lamentos nem prantos. As pessoas são pessoas. As coisas são coisas!

Assim como ocorre semanalmente, o Eterno nos indica o procedimento da Shemitá, ou seja, da necessidade de cultivarmos nossas terras, plantarmos, colhermos e desfrutarmos das bênçãos do trabalho na terra, durante seis anos. Mas o sétimo ano é o ano de descanso da terra,em que nada deve ser cultivado ou plantado. Já não é um dia da semana, mas um ano após seis de trabalho! Conforme a orientação e a promessa de HaShem, haverá colheita suficiente no sexto ano para, após o ano de descanso, estaremos ainda comendo daquela safra e, mais ainda, estaremos comendo daquela safra quando colhermos o que for plantado à partir do oitavo ano!

O trabalho incessante, sem pausas, sem reflexão, sem verticalização, sem consciência, tem levado pessoas a um estado avançado de envelhecimento, de enfraquecimento, de debilitação e decadência. Normalmente, as pessoas que trabalham diuturnamente, com o afã de enriquecimento rápido e constante, perdem, ao final, seus filhos (que não vêem crescer), perde aquele elemento de aproximação, aquele vínculo afetivo, com o marido ou mulher! E, quase sempre, faz-se a seguinte pergunta: o que eu fiz para que ocorresse isso com a minha vida? Resposta simples! A falta de tempo, de oportunidade e de cumplicidade, de descanso e de entretenimento leva ao distanciamento!

Nada suplanta a consciência singular de descanso reflexivo, de descanso na unidade, de descanso festivo!

Mas, no processo, mesmo com Shabatôt e Shemitá, as pessoas vão ficando ansiosas e, a cada tempo, perdem um pouco de seu patrimônio, de sua saúde e de sua integralidade espiritual. Por isso mesmo, a cada 50 anos, no Jubileu ou Yôvel, proclama-se a redenção. Exatamente no Yom Kipur do 50º ano, contanto-se sete ciclos completos de anos sabáticos (shemitá) há que se proclamar a liberdade e o retorno ao ponto de origem. A redescoberta!

Curioso, também, que o Jubileu ocorre exatamente em um tempo que coincide com a maturidade humana: 50 anos! Pois é bem esclarecedor considerando que há um primeiro tempo em nossas vidas que vai, mais ou menos, do nascimento até os treze anos, em que somos dependentes de nossos pais.

Após esta fase, alcançamos a condição de sermos filhos do mandamento (barmitzvá), para começarmos um novo período que vai, normalmente, até os 30 anos! Tempo marcado intensamente pelos estudos e aplicação ao conhecimento. E, à partir daí, isto é, dos 25/30 anos até os 50, dedicamo-nos aos filhos e à sua criação, estabelecemos nosso patrimônio e consagramos nosso trabalho e nossas técnicas profissionais.

Espera-se de uma pessoa que chegou aos 50 anos, maturidade, serenidade, discrição, comedimento, temperança, solidariedade, humanidade, largueza de coração, profundidade de espírito, leveza de julgamentos, sabedoria e paciência! São todas as características de um momento marcado pelo “som do chifre do carneiro” que proclama liberdade a todos!

Alguém que chega aos 50 deve experimentar um estado de espírito superior, um estado físico sem conflitos, um estado emocional equilibrado, além, claro, de um discernimento ímpar no que respeita ás relações sociais!

© do autor

Nas bênçãos, em 18 de maio, 2008 – 14 Iyar, 5768

Pietro Nardella-Dellova
Sinagoga Scuola, Casa Degli Spiriti/Beit Midrash

2 commenti:

Eduardo Meirelles Grecco. ha detto...

Soube da criação do seu blog de forma que o visito regularmente.
Muito embora não nos vejamos freqüentemente, envio essa mensagem para cumprimentá-lo pela criação do blog (deste e do Café & Direito), ambos fontes importantes de cultura e saber em diversas áreas do conhecimento humano.
Até hoje em muitas situações aqui no escritório eu me recordo de seus ensinamentos e com eles consigo solucionar os problemas que surgem.
Tenho lido seus artigos e os ensinamentos hebraicos nos momentos em que posso parar a "correria" do dia a dia e dedicar-me à espiritualidade, o que gosto de fazer porque me dá força e vigor!
Um abraço Professor, e que o Pai Eterno continue derramando suas bênçãos sobre o sr. dando-lhe forças para continuar na difícil tarefa de ensinar.
Do seu aluno,

Eduardo Meirelles Grecco.
"Carpe diem et inutilia truncat".

Eduardo Meirelles Grecco ha detto...

Não consigo fazer a cópia exata da mensagem que lhe enviei através do seu blog, mas o fiz porque soube do blog e sempre que tenho tempo eu entro e leio seus textos e ensinamentos.

Até hoje eu me lembro de suas aulas e, acredite, consigo solucionar vários problemas aqui no escritório graças aos princípios que aprendi com o sr.

Gosto muito das informações e indicações trazidas em suas páginas (blog e café & direito).

Deus o abençõe sempre.

Seu aluno,

Eduardo Meirelles Grecco.