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ברוך ה"ה







domenica 27 aprile 2008

Midrash sobre a Parashá Emôr ou, de como estar diante de HaShem


Midrash sobre a Parashá Emôr ou, de como estar diante de HaShem

Por Pietro Nardella-Dellova
Da Sinagoga Scuola, Casa degli Spiriti


Ontem, 5 de Yiar, Dia da Independência de Israel (Iom Haatzmaút), pudemos refletir, na Sinagoga, acerca da Parashá de EMÔR (declare!), em Vayicrá (Levítico) 21 a 24.

Informei os presentes a diferença entre "Vaiomer" e "Veidaber". O primeiro, como expressão do discurso, comum, superável e transitório, parte de todo e qualquer discurso, com o significado: "E disse"! O segundo, como expressão da fala, substancial, essencial, entranhável, significando: "E falou"! Alguém que diz, apenas comunica algo comum. Mas, falar é tirar de dentro, é fazer brotar dentro.

Da perspectiva desta diferenciação, o começo da Parashá, referente aos descendentes sacerdotais, traz o "vaiomer". Mas, à partir do perek 23, o Eterno fala (veidaber) e determina que Moshè se dirija aos "b'nei Yisrael" e fale com eles (daber). Por duas vezes no pasuk 1 aparece a expressão "daber" para referir-se às Festas Judaicas (8 no total da Torá; 10, na tradição judaica). O mesmo ocorre no perek 24:1 aparecendo a expressão "veidaber", para referir-se à Menorá (ícone dos Sete Espíritos de HaShem) e no pasuk 13 "veidaber", para referir-se ao pecado de blasfêmia contra o "Nome" do Eterno.

Reflitam sobre isso!

É relevante saber que os kohanin (ou, cohanin) deveriam, desde o ventre, estar preparados e desenvolver, à luz de outros sacerdotes, a habilidade de intermediação, a fim de que todo o serviço pudesse ser feito de forma "educativa", "lógica" e "continuada". Isso se devia, como se deve ainda, ao fato da transgressão às Mitzvôt (palavras-princípio) levar o transgressor à área de "perigo", à área de "sujeição" e "decadência" e a um “status” de fragilidade plena. O enfraquecimento se dá exatamente pela transgressão às Mitzvôt e, em linhas gerais, à Torá inteira, não como “pena”, mas como desdobramento, como resultado.

Lembremos que as Mitzvôt estão na Torá. Esta é a que contém; aquelas são contidas! A Torá porta, entre outros aspectos e valores, todas as 613 Mitzvôt. E, por via oblíqua, as Mitzvôt mantêm o judeu, natural ou convertido, em conexão com a Torá e com as "brachôt" (bênçãos) dela decorrentes.

Portanto, transgredir as Mitzvôt é, por via oblíqua, desprezar a própria Torá. Em outras palavras, é maldito (ou seja, sem bênçãos ou sujeito ao pó desértico) aquele que não ergue a Torá (em todos os sentidos, seja na prática ou no simples ato do Serviço da Torá na Sinagoga).

Daí que o serviço sacerdotal, de modo organizado e organizador, de modo organizativo e organizante, exige pessoas preparadas, afeitas à Torá e dela guardiãs. Pessoas que podem, com seu exemplo, ajudar a conduzir o sacrifício ao Mizbeach (altar), por si mesmo e pelos judeus em geral.

Mas, esta é apenas a primeira parte da Parashá Emôr, caracterizada pelo discurso, conforme o resumo que postei. Caracterizada pelo "vaiomer" (com o sentido de discurso passageiro, transitório e superável). É assim que começa essa primeira parte dirigida aos sacerdotes, os Kohen (ou cohen), como um discurso que deva ser suplantado, a fim de que se prepare a segunda parte.

A segunda, argüida longamente em Midrash, na Sinagoga, deixa de ser o discurso para se tornar a "palavra". Veidaber, como começa a segunda e terceira partes da Parashá, tem a ver com a palavra substancial, com a essência. É a palavra que vem de dentro, que está dentro, é a constituição de uma pessoa. É a palavra que permanece. Por isso mesmo, a segunda parte destaca as Festas Judaicas. Assim como está na Torá, as Festas de HaShem são, não como "encontros" festivos, mas como manifestação do Ser Finito diante do Ser Infinito, na busca incessante de recuperação e organização "cósmica", na busca incessante da “infinitude”.

Na primeira parte, cujo foco é, aparentemente, o sacerdote e os descendentes de Aharan, estamos diante do transitório, do que deve ser suplantado. Estamos diante de um "processo" sacrificial cujo objetivo é a conscientização dos equívocos e transgressões, da necessidade de retomar o caminho perdido, o rumo esquecido. Estamos diante da fraqueza, da fragilidade, do reconhecimento das perturbações intrínsecas, da decadência humana. Mas, na segunda parte, estamos diante do perene, do perpétuo, da expressão de força, graça e comunhão com o Eterno, B'H. Na primeira parte, é estar cabisbaixo e chorar. Na segunda parte, é o levantar a cabeça, abençoar o Nome do Eterno, dançar e festejar o "encontro", a saúde integral e integrativa. A redescoberta do Finito no Infinito. Por isso mesmo, as Festas, como lá estão, são do Eterno. São os tempos propícios para o Encontro e Comunhão com HaShem.

Encontramos em todo o Tanach, especialmente, nos Nevi'im, que o Eterno não tem prazer algum no sangue de animais, no sacrifício cotidiano, posto que expressam apenas a fragilidade. Mas, encontramos, também, o quanto que o Eterno é honrado por intermédio das Festas Judaicas!!!!
É o Shabat. É Rosh Chodesh. É o Pessach com HaMatzôt. É Bikurin. É Shavuot. É Rosh Hashaná/HaShofar. É Yom Kipur. É Sucot. E, ainda, para celebrarmos ocasiões específicas, o Purim e Chanuka! As primeiras OITO Festas referentes a HaShem e as DUAS últimas como antecipação do tempo de Mashiach. O total é de DEZ, como não poderia deixar de ser!

E, é nessa perspectiva, que podemos entender a terceira parte da Parashá, a saber, a blasfêmia contra o Nome do Eterno. Porque o Eterno é Um (Ad-nai Echad) e, pelas Festas (que são dEle) encontramos o ápice da comunhão, em que podemos, de fato e de coração, "abençoar o Nome do Eterno", como "daber" (bênçãos, palavra que vem de dentro) e não como "omer" (discurso).

A negligência, o desprezo, o desrespeito, em relação à celebração do Shabat, do Rosh Chodesh, do Pessach (com HaMatzôt), de Bikurin, do Shavuot, do Yom HaShofar (Rosh Hashaná), do Yom Kipur e de Sucot, caracterizam-se como blasfêmia ao Nome do Eterno, pois são Festas dEle! São os tempos e as oportunidades, integradas, indivisíveis, irrenunciáveis, de manifestar o daber por HaShem. São Festas semanais (Shabat), mensais (Rosh Chodesh), anuais (as outras) que, em perfeita harmonia ao procedimento DIÁRIO, isto é, à recitação e interiorização do SH’MÁ YISRAEL completam os ciclos, as oportunidades de dar "Kosmos" ao "Caos".

É o período ciclicamente completo de estar sob as Mãos de HaShem, em comunhão com Ele e em Sintonia com "a" Ruach HaElohim, também, indicada na mesma Parashá Emôr, quando da menção da Menorá, da Lâmpada de Sete Luzes ou, dos Sete Espíritos do Eterno!

Manter a integralidade das Festas (e não somente uma ou outra delas) é manter a Menorá acesa, é manter a relação com HaShem em tempo oportuno, é estar sob a "unção" da Ruach HaElohim (Espírito de Ad-nai, Espírito de Conhecimento, Espírito de Sabedoria, Espírito de Entendimento, Espírito de Conselho, Espírito de Coragem, Espírito de Temos a HaShem). E é, sobretudo, evitar a blasfêmia ao seu Santo Nome, tendo em vista que o Eterno é honrado por intermédio das Suas Festas.

A negligência, o desprezo e o desrespeito às Festas implicam em "blasfêmia", em grave transgressão e sujeitam o transgressor ao afastamento da comunidade judaica e dos "b'nei Yisrael", condena à morte, por apedrejamento (ou seja, morte lenta, simbolizando "caos", decadência, dor, sofrimento, angústia, depressão, isolamento e desfazimento do ser).

Estar distante da comunidade dos “b’nei Yisrael” é ficar no vazio, no pó do deserto.

(c) do autor (não reproduzir sem expressa autorização)

Nas bênçãos do Eterno
Em 5 Yiar, 5768
Pietro Nardella-Dellova
Sinagoga Scuola, Casa Degli Spiriti

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