alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







martedì 17 giugno 2008

A MARA ou, sobre as vidas lançadas ao mar


A MARA ou, sobre as vidas lançadas ao mar

por Pietro Nardella-Dellovada
da Sinagoga Scuola, Beith Midrash

...e o mar dará os seus mortos...
(Yochanan, in Patmos)

Mara, parece difícil atravessar o mar noturno, bravio e determinante, em que as vidas se desfazem em inglória morte, perdendo, assim, a luz que se avizinha de cada um de nós, em cada manhã, em cada momento de oportunidade singular. E, por fim, vencidas pelo cansaço, são arrastadas ao fundo, ainda, carcomidas pelas suas próprias fragilidades, entregues à sorte dos seres que se arrastam e vivem de cadáveres...

Pois o mar somente é bravio e determinante, porque nós o vemos assim, e o concebemos e o mantemos taciturno. E reforçamos esta escuridão a cada momento em que nos permitimos às nossas fragilidades, seja de que natureza for. E, desta forma, com uma concepção equivocada de contexto somada a uma fragilidade permitida, criamos o ambiente propício para a nossa própria amargura, para a nossa própria aflição e para o nosso próprio desfazimento.

Nós mesmos criamos o aspecto negativo deste mar e nós mesmos nos fragilizamos! Pois o mar é somente o mar, em sua natureza, e nós somos seres que pensam, que sentem e que criam. O mar deveria ser apenas o ambiente propício para nos capacitarmos ao desenvolvimento integral. E as nossas fragilidades, apenas termômetros indicativos!Mas, por faltar a simplicidade de ação, imobilizamos nossas vidas.

E pensamos em coisas pequenas, rasteiras e massificadas, comumente tratadas em salões, botecos, casamentos, sindicatos, salas, MSN, e-mails e churrascos e, assim, nos tornamos pessoas pequenas, rasteiras e massificadas!. E desenvolvemos sentimentos de vitimização, de crendices, e outros, bem, outros indizíveis, projetando nossas forças no abstrato, nos santos, profetas, messias e deuses (sobretudo, a desfalecida e idolàtrica deusa do amor), nos céus dos céus, nas reuniões de preces coletivas, gritos e espasmos, e nas mensagens virtuais ilimitadas, nos amuletos, no ópio religioso e no ópio das baladas (duas faces do mesmo rosto), nas novelas e nas canções populares, enfim, tudo o que está (emocionalmente) para além da realidade de nós mesmos e, assim, nos tornamos pessoas sem sentimentos próprios, sem razão de ser, pois não temos lágrimas nem sorrisos originalmente nossos!
Por fim, criamos este mar e criamos, também, as nossas fragilidades na soma de tudo que deveríamos abandonar, com vigor, simplicidade e determinação!

Talvez, em um momento de lucidez, ainda que distante, e em um encontro no "em-si-mesmo" de energia última de movimento, para o grandioso que está ali mesmo, possamos afogar esses pensamentos, esses sentimentos e essas criações todas, no mesmo mar que nos agride, que nos arrasta e que nos condena às profundidades para, dessarte, serena e tranquilamente, boiarmos, de bunda e costas ao mar, vendo um manto de luzes e estrelas!

© do autor

Fondi, Itália, em 18 de Sivan, 5768 (21/6/2008)

autorizado para o Campinas Café e suas Revistas
Veja outros textos abaixo no link Archivio blog - Articoli/Artigos

Prof. Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP e pela PUC/SP. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor universitário.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/

Contato: professordellova@libero.it

Nessun commento: