alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







venerdì 18 luglio 2008

Entre o MURO e a CASA ou, relações entre Tamuz תמוז e Av אב estando diante do Vesúvio


Entre o MURO e a CASA ou, relações entre Tamuz תמוז e Av אב estando diante do Vesúvio



pelo Rav Pietro Nardella-Dellova
da Sinagoga Scuola, Beit Midrash


Estamos no mês de julho de 2008 e, no calendário hebraico, no mês de Tamuz de 5768. Estamos no meio de Tamuz. O próximo mês é de Av! Façamos uma leitura, ainda que rápida, pois me encontro em viagem, relacionando os valores numéricos, as Parashiot indicativas e as aproximações pertinentes, com uma reflexão ao final.

Escrevo esta mensagem olhando, de onde estou, diretamente para o Vesúvio, em cuja cratera estive nesta semana, assim como, nas duas cidades Pompéia e Herculano, por ele destruídas no ano 79 e.c.. O que tem o Vesúvio com Tamuz e Av? Nada! Exceto pelo fato de ter sido na mesma ocasião, no ano 70 e.c., a destruição do Beit HaMikdash (Templo de Jerusalém). Andiamo, alla lettura...

TAMUZ é o quarto mês, contando de Nissan ou, da Saída do Egito. Mas é, também, o décimo mês em anos comuns e, neste ano bissexto, o décimo-primeiro, a contar de Rosh HaShaná. E, em qualquer caso, contanto com ele, Tamuz, faltam três meses para Rosh HaShaná. Em aproximações numéricas, 4 ד , 10 י , 11 יא ou 3 ג , temos, sempre em relação a Tamuz, os números 9 ט ou 8 ח . O mês de Tamuz de 5768 exige a leitura da 18ª Parashá, ou seja, Mishpatim משפטים (Shemot 21:1 a 24:12)

AV é, então, o quinto mês, contanto de Nissan ou, da Saída do Egito. É, outrossim, o décimo-primeiro mês em anos comuns e, ainda, neste ano bissexto, o décimo-segundo, a contar de Rosh HaShaná e, em qualquer caso, contanto com ele, Av, faltam dois meses para Rosh HaShaná. Em aproximações numéricas, 5 ה , 11 יא , 12 יב ou 2 ב , temos sempre em relação a Av, os números 1 א ou 9 ט . O mês de Av de 5768 exige a leitura da 19ª Parashá, ou seja, Terumá תרומה (Shemot 25:1 a 27:9)

Considerando os dois meses, Tamuz e Av, pois estão umbilicalmente ligados, temos, finalmente, em anos bissextos, como o de 5768, os números 9 ט e 1 א . Nos outros anos, temos os números 8 ח e 9 ט .
Assim considerando, neste ano temos o número 10 י, que é 1 א. A leitura final é de Bereshit בראשית (Bereshit 1:1 a 6:5)

Tamuz também significa ponderação (diálogo interior e exterior) e não conclusão...Tamuz não permite conclusão! Tamuz é um movimento reflexivo em direção ao princípio, a Bereshit e ao Beit e, portanto, ao descanso. O movimento de ir, avançar, com segurança e fidelidade ao Eterno.

É preciso ter cuidado! A letra TAV ת , com a qual começa a palavra Tamuz, é uma das letras “duplas” pois, emite dois sons: um forte e positivo e outro, fraco e negativo

ת = 400
מ = 40
ו = 6
ז = 7
Total 453 = 12 = 3 (indicação da 3ª Parashá Lech Lechá לך־לך , Bereshit 12:1 a 17:15, Vai...Lech Lechá significa movimento)

3 = ג

Mas o resultado do número de Tamuz é a letra ג “guímel” com a qual uma das formações da Árvore Sefirótica é começada: GUEVURAH (potência)

Este mês possui 29 dias (29 = בט). Significa que nos leva para o duplo, para o dois, para a letra ב (bet) (de valor 2) e para a letra ט (tet) (de valor 9). Portanto, para o dois (2), ou seja, novamente para o ב (bet). Ou, ainda, novamente, para o Beit (para a casa, para o templo, lugar de descanso, de acomodação e de purificação). Neste sentido, a leitura é a segunda Parashá, Noach נח. Mas, observemos bem a Torá (vide a parte em hebraico), em que a Parashá reforça a expressão Noach duas vezes, conjuntamente נח נח, Bereshit 6:9 a 11:26. Noach significa “descanso”. Mas, por haver ali um reforço do bet (2), percebemos a possibilidade de um repouso distinto de qualquer outro que possamos conhecer! Shalom!

O mês de Av אב.
א = 1
ב = 2

Total 3 (a mesma indicação de Parashá de Tamuz!!!! Ou seja, indicação da 3ª Parashá Lech Lechá לך־לך , Bereshit 12:1 a 17:15, Vai...Lech Lechá significa movimento)

Av começa com a primeira letra do alfabeto hebraico "alef" (para escrevermos esta letra precisamos dois yuds (um encima, outro embaixo), separados por um vav (veja a letra). Yud é a letra inicial do "tetragrama", no Nome do Eterno e é, também, a letra inicial de Yisrael, de Yerushalaim. Seu valor é 10 (um) por o Eterno é "echad" (um). Yisrael e Yerushalaim também são únicas, insubstituíveis e eternas. Há uma estreita ligação entre o Yud superior (Eterno) e o Yud inferior (Yerushalaim) e, por isso mesmo, quando proferimos nossas preces o fazemos em direção a Yerushalaim (quem está no Ocidente olha para o Oriente e vice versa) e, começamos sempre, nossos dias com o Sh'má Yisrael, Ad-nai Elohenu, Ad-nai Echad!

A letra "alef" necessita, então, de dois "Yuds", cortados por um "vav", cujo valor é seis. Seis é o número da Maguen David (escudo de David ou, vulgarmente conhecida como "estrela de David"). Seis para o Yud de cima é igual a Sete. Seis para o Yud de baixo é igual a sete. Em todas as direções, seja superior ou inferior, o sete em "alef" é presente, como que indicando o caminho para obtenção dos Sete Espíritos de HaShem: Espírito de Ad-nai, Espírito de Conhecimento, Espírito de Sabedoria, Espírito de Entendimento, Espírito de Coragem, Espírito de Força e Espírito de Temor a HaShem. Seis é o número do homem incompleto, necessitado do "yud" (do mais um) para a plenitude.

E, ainda, a palavra "Av", que começa com o "alef" faz avançar para o "bet" (a segunda letra do alfabeto hebraico). E ''bet'' é a letra com a qual escrevemos "beit" (casa) e "bereshit" (no princípio). Av nos aponta o Beit (individual, familiar e sinagogal)! E é no Beit individual, familiar e sinagogal, que acendemos nossa Menorá (castiçal de sete lâmpadas)!!!

E o resultado numérico de Av, também, é a letra ג “guimel” com a qual uma das formações da Árvore Sefirótica é começada: GUEVURAH (potência)

TAMUZ e AV nos levam para a mesma Parashá! E, no conjunto delas, para Toledot תולדת. Ainda é Potência em movimento, com o cuidado, agora, reforçado das facetas fraco/forte positivo/negativo, pois Toledot começa com ת Tav e termina com ת. Nas mesmas mãos, em Toledot, Ytzchak avinu, tem dois movimentos: Ya’kov e Esav, um forte, outro fraco; um positivo, outro negativo.

O mês de Av possui 30 dias o que reforça a leitura de Lech Lech, a terceira Parashá! E, nos remete para קדשים KEDOSHIM (santificados), a trigésima Parashá! Lech Lechá (sai, vai, ande...). Kedoshim (santificados, formados, constituídos, purificados).

E, assim, tanto a na palavra אב Av, como seu número, bem como, na quantidade de dias disponíveis neste mês, temos as seguintes Parashiot: בראשית Bereshit, נח Noach, לך־לך Lech Lechá, קדשים Kedoshim! E encontramos o Beit, a Menorá e a Força!

Considerações especiais:

Em ambos os casos, Tamuz e Av, encontramos indicações lógicas de Bereshit, Lech Lechá, Kedoshim, Noach e Bereshit (nesta ordem)

O mês de Tamuz é especialmente utilizado para reflexão das nossas fragilidades (achar-se forte quando se está fraco é uma fragilidade). O dia 17 de Tamuz é dedicado a um Jejum de profunda reflexão (Shivá Assar Be-Tamuz), pois neste dia os romanos começaram a destruir as Muralhas de Jerusalém para, depois de 22 dias, em 9 de Av, destruir o Templo (ב). Mas, os romanos destruíram mesmo ou nós permitimos que eles destruíssem? O olhar não deve estar sobre aquele que destrói, mas sobre aquele que se permite destruir. Ecco, a visão judaica!

O dia 9 de Av é, entre outros motivos, um dia especialmente dedicado a outro Jejum de reflexão (Tishá Be-Av) por conta da destruição do primeiro e do segundo templos (ב ב) (as duas destruições nos remetem ao número 4 (para a letra ד) ou seja, para Melech David e, por conseqüência, para Mashiach ou época de Mashiach. Tais destruições ocorreram neste dia (9 de Av). A primeira, nos levou ao cativeiro de Babilônia, de conseqüências terríveis. A segunda, nos levou à morte, a morte de milhares de judeus e a uma dispersão, na qual ainda estamos sofrendo! A primeira destruição nos atingiu no corpo; a segunda, no corpo e na alma!

Uma das razões pela destruição das muralhas de Jerusalém, em 17 de Tamuz foi o ódio entre nós, judeus, o processo de helenização (leia-se, assimilação) de Jerusalém e ao abandono das Mitzvôt. A outra, a falta de critério em medir a própria potência, os próprios recursos e, portanto, as próprias fragilidades. Para muitos judeus, bastava a ascendência em Abraham avinu (Abraham nosso pai) para alcançar a misericórdia e a presença do Eterno. Mas, é um engano. Abraham mostrou o caminho, lançou a seta. O caminhar é de cada judeu, ou seja, cada um de nós é responsável por sua vida e o que nos fortalece e norteia nossa existência, diferenciando-a de tantos outros povos, é a prática das Mitzvôt.

Destruídas as muralhas, o caminho para destruição do Templo/Casa (Beit) era só uma questão de dias...

O ódio, a mágoa, a tristeza e falta de solidariedade, atingem as 613 Mitzvôt em seu âmago, nas Luchot HaBrit (Pedras do Pacto), ou seja, nas Dez Palavras. Daí, todas as outras 603 Mitzvôt ficam enfraquecidas. Sem as Mitzvôt estamos com nossas Muralhas destruídas. Falta pouco para a destruição da Casa (Beit).

Entramos em um processo de servidão no Egito por conta das nossas odiosas relações. Saímos do Egito (Nissan) em direção ao lugar de elevação, Hallel e Shalom (Jerusalém/Beit), mas, tendo que passar por Sinai (Torá/Mitzvôt/Formação).

O desrespeito continuado, o desprezo e a desatenção pelas Mitzvôt, é o enfraquecimento de nossas “muralhas”. É, portanto, o mês de Tamuz! Continuando o processo em que nos prendemos às mágoas, ao ódio, às perversidades de toda ordem, o nosso Beit (centro), a nossa Casa (lugar de paz) será violentamente atingido, com repercussões inimagináveis: dispersão, desagregação, distanciamento de HaShem, opressão inimiga, escravização de nossos filhos e filhas, enfraquecimento.

Portanto, Tamuz e Av, além das considerações acima (em função das Parashiot), nos indicam a reflexão sobre o estado em que nos encontramos e em que se encontram nossos muros, nossas muralhas.

Em outras palavras, pergunto, como estamos nós em relação às Mitzvôt? Conforme o Eterno nos legou: “viverás por estas Mitzvôt...”. Então, vivemos pelas Mitzvôt?

Em Av, o acento reflexivo se intensifica! Agora, já não é o muro apenas. É o Beit, a Casa, o Templo! Permitir destruir o “beit” é destruir o centro de apoio, dos processos de pacificação cotidiana (no Templo, os processos eram continuados) e, na destruição, encontrar a dispersão, a fragmentação e enfraquecimento. É estar longe do Hallel (louvores), dos Chalôt (a parte do pão especialmente dedicada no Templo), do repouso!

Há um muro individual. Há Mitzvôt nossas, de cada um de nós!
Há Mitzvôt familiares, como os processos de purificação de toda a família!
Há Mitzvôt sinagogais, como as que se referem às Festas, ao Minyan, aos Midrashim!

Há um “beit” (casa) individual. Dentro de nosso peito há uma casa individual e, conforme as Mitzvôt sejam cumpridas, vamos fortalecendo este “beit”, protegendo-o e mantendo-o à luz da nossa própria Menorá!
Há um “beit” (casa) familiar. Lembrando Vinícius Moraes “a casa de um homem bom é o seu templo...”. O lugar familiar da mesa, do espaço vital, do encontro entre pessoas ligadas pela “bênção nupcial” e de pessoas ligadas pelo sangue e pelo afeto. O lugar de expressão afetuosa e de construção de vínculos.
Há um “beit” (casa) sinagogal. O lugar onde nos encontramos com outras pessoas, para a troca de experiências diante de HaShem. O lugar onde respiramos o Hallel, onde aprendemos os Midrashim e onde tocamos o Sêfer Torá!

É preciso cuidar do “muro” (Mitzvôt) em todos os sentidos para podermos manter o “beit” (Casa) em todos os sentidos!

Nas bênçãos

Napoli (Piazza Garibaldi), Itália, em 15 de Tamuz, 5768 (18 de luglio, 2008)

© copyright do autor, não reproduzir sem expressa autorização!

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre em Direito pela USP – Universidade de São Paulo. Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Rav na Sinagoga Scuola/Beit Midrash. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO, ADSUM e de Centenas de Artigos na Coluna Café & Direito ®. Autor das Teses “A Crise Sacrificial do Direito” (USP) e “A Palavra Como Construção do Sagrado” (PUC-SP). Professor universitário de Direito.

Mais informações, profilo, textos (abaixo e arquivo), links etc.:

Café & Direito ® do Prof. Nardella-Dellova
http://nardelladellova.blogspot.com/

Contato:
professordellova@libero.it (e-mail)
sinagoga.scuola@libero.it (e-mail)
nardella.dellova@terra.com.br (MSN)
Nardella-Dellova (orkut)

Nessun commento: