alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







mercoledì 2 luglio 2008

Pensando na CAVERNA DE PLATÃO ou, diálogos virtuais pela manhã entre o viajante e um ragazzo





Pensando na CAVERNA DE PLATÃO ou, diálogos virtuais logo pela manhã entre o viajante e um ragazzo





por Pietro Nardella-Dellova


Não tem jeito, ragazzo, não tem jeito, você está colado ao asfalto da sua própria sorte e resistência. E, muito provavelmente, não passará pelos dissabores do deserto. Mas, olhe para aquelas crianças, elas não precisam morrer no deserto nem entregar suas vidas aos fantasmas que vêm com os ventos noturnos...

Será que nos recuperaremos do excremento/fossa/asfalto/lixo em que fomos jogados até o naso? Seria possível transformar o lixo em ouro e o excremento em algo proveitoso? É uma sensação de que ele, o excremento, vai invadindo seus pés, pernas, tronco e, finalmente, com o lixo, encontra sua boca. E, depois, entra em sua alma, em seu espírito e vai se tornando uma unidade com você, com sua vida e com o seu modus vivendi.

É um processo de fragilização, em função do qual, os sentidos perdem sua capacidade de discernimento e, no avançar das horas (de uma noite que não termina), a fumaça, os aparentes fogos, os sons e ruídos, misturam-se, confundem-se e se transformam em abandono. São os longos anos de lutas, de loucuras, de bestialidades, que nos convertem em seres estranhos, bastante estranhos. Até o espelho é estranho!

Perder o brilho, a energia e a poesia, é ser condenado aos vermes, às moscas e tudo...Pois, ao longo dos anos, a dignidade, a honra e a Presença do Eterno também se perdem... E você não faz idéia, ragazzo, o que seja para uma águia ficar no chão ou para um leão fugir de hienas. Você não sabe o que é Moshé ficar suspenso entre o alto e o baixo, entre a Liberdade plena e a ânsia dos seus pares por bezerros de ouro...
A uma pessoa é dada a possibilidade de perder quase tudo, mas não deve perder a energia vital, o brilho e a grandeza...

Va bene, encontrarei amigos em Firenze e querem que eu fique com eles, mas não ficarei, senão o tempo necessário para um café, um sorriso e um abraço. Firenze é linda, e os amigos são maravilhosos, mas, é preciso estar só, completamente só, absolutamente só. As pessoas não mudam e os lugares, por causa das pessoas, são iguais sempre, não importa seja a América, seja Firenze ou outro lugar.

Na Itália, ragazzo, é preciso descobrir o que seja próprio. No lixo da rua, na mulher que caminha, no velhinho diante de um Bar, no coco do pombo, não importa. Na Itália, lixo, mulheres e velhinhos são iguais, como em qualquer outra parte do mundo. Mas ali, essas coisas dizem respeito ao que é próprio...são minhas...E, não importa tanto o que seja belo ou feio, porque ali eu me vejo dentro em uma normalidade integral. Estou no meio do meu povo!

Por isso mesmo, após o café em Firenze (talvez uma pizza), vou deixar aqueles amigos, e continuar minha jornada ao centro da terra, ao centro de mim mesmo, e visitarei os vazios que se criaram na alma e falarei com a escuridão que teima, espessa e bruta, em assombrar meu espírito, pois estou cansado... De fato, ragazzo, cansei. Cansei! Realmente cansei! Estou profundamente cansado de carregar o mundo nas costas, de empurrar, de gritar aos quatro cantos, de ser um eco no deserto. Cansei, apenas cansei! E agora, se não me cuidar, eu me cansarei de mim mesmo, e começarei a fazer talhos em minha carne...

Criei um poder de fogo, de luta, de sobrevivência, sobre bases, conceitos sólidos e princípios. Criei a vida sobre o amor ao conhecimento e ódio à ignorância e idiotices. E descobri os perfumes da vida, da própria vida! É a Poesia! Ah, ragazzo, é a poesia...e o modo de ver com poesia... O modo de ver poeticamente é ver por dentro, na substância, na essência, compreende? Não é o jogo das palavras, rimadas ou não, mas a quebra do discurso, retilíneo e frio, a quebra do excesso de palavras, e a descoberta...

Mas, a Poesia arruína o diálogo. Não há diálogo com Poesia, apenas solidão...pois vendo por dentro o poeta é condenado a uma eternidade de solidão...Poetas falam para si mesmos... A Poesia arranca o homem das profundezas e o lança diante do brilho do sol, dá-lhe asas, e vigor, desde o modo de caminhar, da quebra do giz a um café universitário.

Porém, mesmo com o fogo da Poesia, não é permito a um homem, sábio e poeta, cometer o irremediável erro da inocência. O erro da inocência faz este homem rastejar, ruminar o pó da terra... Sim, sim, você tem razão. Afinal a experiência com o pó da terra pode ser boa, pode fazer amadurecer e descobrir a vida. Mas, a inocência é a crença no improvável diálogo com o ser humano.

Acreditei que seria possível o diálogo, o encontro dialógico, a descoberta do “tu”, do café e da ternura. O diálogo é possível, o “tu” é possível e o café e ternura são possíveis, mas não o tema que propus. Foi diante do tema proposto por mim que desfiz minha inocência e errei, em um processo de autodestruição, de vergonha, de enfraquecimento, de lente-opaca e de pasmo.

É preciso deixar o “sábio” levar o “poeta” (e a simplicidade levar a ambos), para que alguns aspectos sejam compreendidos, capisce? Agora o tempo, meu caro, o tempo é exíguo...Eu havia proposto avançar nas coisas grandes, do alto, do Eterno, da Poesia Substancial, da Intensidade e da Infinitude.

Acendi Sete Lâmpadas, sobre a mesa. Uma era o Espírito de HaShem, o centro, o equilíbrio, o encontro da Justiça com Misericórdia. Depois, eu fui acendendo as outras, conforme havia café na xícara, pão sobre a cesta, sorrisos nas faces e bilhetinhos de amor entre as páginas. Acendi as lâmpadas do Conhecimento, e da Sabedoria, e do Entendimento, e da Coragem, e da Força e do Temor ao Eterno... Mas, errei pela inocência...

Não, eu não perguntei se aqueles que lá estavam, queriam o diálogo em torno das Sete Lâmpadas. Ademais, não dei tempo para descobrir o que as pessoas queriam ouvir. Assim como no Mito da Caverna, de Platão, saí entusiasmado para dizer para os meus pares sobre a liberdade, sobre o sol, sobre a vida, e fui violentamente surrado. Saí pelas ruas e pelos cantos vomitando, com as mãos trêmulas, empalidecido e desacreditado...

Achei possível todos mergulharem em livros, nos estudos e pesquisas, todos gostarem de Ópera e amarem Poesia e verem Jerusalém diante de suas portas, tocando suas Mezuzot. Pensei fosse possível amarem o Pão Justo, prendendo à mão seus Tsitsiot! Achei que todos viveriam de sebo em sebo, enchendo suas casas de livros. Pensei que transformariam o vinho em música e a música em Hallel. Mas, não perguntei isso a eles...e eles nada sabem sobre isso... Odeiam bibliotecas e confundem ruído com notas musicais, e suas Mezuzot são símbolos de sepulcros, saqueiam o mercado e entregam o pão maldito nas mãos de seus pais, com largos sorrisos, e seus Tsitsiot são enfeites (não sabem o que são nem o que representam). Seu Hallel se converteu em música de Cabaré e seu vinho no meu vômito. Seus Talitot são mortalhas e os véus...os véus, meu caro, não reservam a face da beleza e da santidade, mas escondem a lepra e a vergonha de rostos desfigurados, de olhos esbugalhados e de bocas enfermas...

E vai custando, agora, a alma, o espírito, o corpo e a vida inteira. Mas, por que custa tanto? Porque o tema matou o diálogo e as Lâmpadas assustaram. Tudo lhes era mais simples diante do “pó da terra”, tudo era mais fácil com um sermão ou uma prece, um churrasco e um jogo de futebol. Era mais fácil esconder as fraquezas de toda ordem, em máscaras criadas em sexta-feira, quando as velas da mortandade são acesas. Eis a dor da surra!

Ah, ragazzo, agora vem o aprendizado. O meu aprendizado! Preciso reaprender a viver, do início, ou ficar sobre um monte, esperando que o Eterno me faça um sepulcro e um funeral do qual ninguém possa participar...A soberba e a inocência andam de mãos dadas. É imperdoável acreditar que todos possam desabrochar. Vieram alguns, mas eu queria todos!

E fico um pouco desorientado, por não saber mais quais são os parâmetros que separam o de cima e o de baixo. Por isso ando como quem anda entre cadáveres insepultos, tantas as fraquezas, fragilidades, banalidades, mediocridade, falta de perspectiva, infantilidades, falta de caráter e banalização da presença humana.

Sim, meu caro, é a face da humanidade que eu não enxerguei, acreditando que todos pudessem ser melhores. Mas, todos não podem, não todos. Por isso mesmo o erro estava em mim, pois as pessoas são só pessoas.

Agora é tarde, tarde demais, para estar com as mesmas pessoas. Ficará sempre a marca, a triste marca, de estar ali, ali mesmo, passando um Poeta, um Profeta, um Sábio, que esmaga os seres pequenos e não tolera a fragilidade, porque as pessoas querem apenas ser vistas pelo que são na sua própria mediocridade e não pelo que poderiam ser. Os Patriarcas, Moshé, o Poeta, o Profeta, o Mashiach, passam a ser odiados, quando as pessoas percebem que eles se tornam uma referência. Sim, uma referência que exige de todos, por si mesmos, um movimento dantesco para sair da areia e do pó. Uma referência que exige de todos bater contra sua própria pedra e formar um ser. E Sarah, Rivkah, Leah e Rahel, ah, ragazzo mio, elas perturbam o sono de quem não pode ser como elas, de quem não pode chamá-las de "nossas mães", nem fazer o pão que faziam, nem olhar para o Alto como faziam...

Essa é a natureza do gigante e essa é a natureza das pessoas. Não é possível ser a salvação das pessoas, exceto se você levar em mãos uma “vitrola”, um diário impertinente, partituras cifradas, cerveja e a notícia das últimas novelas. Diante de tanta média, somente o silêncio, a tolerância e a compreensão de que as pessoas são meio que imutáveis. Mas, para o Mestre é tarde, é tarde demais.

Afinal, quem aprende? O discípulo ou o mestre? Os muitos anos, talvez, fossem necessários para aprender que, enfim, valem mais as vendedoras de prazer da estrada, os compradores e vendedores de diplomas, os que comem a gordura do povo e os que escondem em seus bolsos coisinhas furtadas na prateleira do mercado. Valem mais os estelionatários e aqueles que se apropriam de um giz sem ter o que ensinar... De fato, valem mais os desonestos e os medíocres!

Ficarei, então, com as pombas, com os ratos, com as formigas, com os cães, com os gatos e com as minhocas, mas devem ser pombas, ratos, formigas, cães, gatos e minhocas italianos!
Você é um ragazzo que se fez homem, de verdade!

Vamos, então, e tomemos o vinho em qualquer lugar da Itália, menos em Napoli, porque em Napoli eu me reservo, tranquilamente, para reencontrar a alma da mulher amada...


Freehold, USA, 28 Sivan, 5768 (1º luglio 2008)

© do autor - Pietro Nardella-Dellova. Mestre em Direito pela USP – Universidade de São Paulo e, Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor universitário.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato: professordellova@libero.it

1 commento:

Renato Dellova ha detto...

Caríssimo Mestre,
Na maioria das vezes, vive-se o que se quer viver, mas apenas não nos damos conta disso, e acreditamos que queríamos viver outra coisa, talvez o ideal, mas é na realidade que o ideal passa a ter algum sentido, pois ameniza a dor de saber onde vivemos!
Textos profundos e complexos, repletos de experiências indizíveis!
Um forte abraço,
Renato Dellova