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ברוך ה"ה







sabato 27 settembre 2008

do RIO, do MONTE e das PEDRAS ou, da Poesia o ano inteiro

do RIO, do MONTE e das PEDRAS ou, da Poesia o ano inteiro

por Pietro Nardella-Dellova

Vá, amore mio, siga o curso desse rio
e se lance ao mar (eu olho à distância) Avance!
devo ficar junto à fonte durante o dia
e à noite diante da mesa em que molho o pão em vinho
enlevado de poesia que nasce neste monte.

Vá, querida, siga seu sol, sua lua e sua estrela,
e deixe-me, que venho de lugares remotos (pra onde torno)
e não tenho nem sol nem lua nem estrela
porque fui lançado no universo sem fim, com a alma nua...
e trago perto a fonte da delicadeza
e nas mãos, apenas, a bênção para formigas.
Trago nas mãos (entre os dedos) só a poesia – é pouco!
...nenhuma pedra, nenhum dia, nenhum passado, nenhum futuro...

Vá, mulher, porque sou do monte e não do mar;
sou do universo e desconheço este sol...

ai de mim, mulher, que não sou desse mar
que amanheço entre pássaros cantando,
e desconheço esse sol, essa lua e essa estrela...

Vá, amiga, neste monte eu sou o rei – no mar, um perdido!
(aqui, os pássaros vêm e fazem ninhos – e cantam...)
Vá, porque o rio não pára e o mar se abre sem piedade!
(ali, os pássaros não fazem ninhos – apenas comem...)

Vá, porque no monte tem uma fontana – ela é minha-
E diante dela eu paro sem ontem nem amanhã, somente hoje.
Porque a vida é breve
E, ai de mim, que não quero perder-me no mar...
Não! Eu paro à margem desse rio, mas ele não me leva
Porque a vida é breve – não completa sequer uma viagem...

A vida é breve! E o tempo é o exato tempo de amar.
Vá ! O que é a treva ? O que é a luz ?
... o rio conduz, envelhece, bate e se despeja ...
No monte, às vezes, neva –e eu faço uma fogueira que aquece-
E a barba e os cabelos crescem - o que importa?
Sou eu, o monte, a fogueira e os apelos da poesia
que urra, rasteja, ilumina e bate à porta –ninguém entende-

Vá! O vapor desta água preparando o café não se vende,
O sabor do café desfazendo a mágoa enquanto não chega o verão
- porque o mar é dono do mundo – e outono é um tempo estranho-
E o rio segue...

Não! Eu não me lembro daquela que o rio levou... - quem é ela?
Setembro é primavera! Não haverá frio, somente flores...
Não! Nada sei dos odores daquela pele colada à minha
Nem da espuma daquela boca grudada ao meu corpo,
Nem do fogo da sua morada íntima nem dos olhos ao meio
(nem como ela e a poesia juntaram-se em uma)
fogo e brisa - e tomaram-me pelas mãos...
-quem é ela? por que cheira poesia?

Não! Eu não me lembro daquela que o rio levou...
Nem de como seu umbigo e seios amanheciam
delicadamente cobertos do vinho dos meus interiores,
Porque me beijava tanto, e me desejava tanto,
E tanto gemia quanto, por vezes, adormecia,
Sem perder o corpo da boca, por vezes, dos dentes.

Não! Eu não me lembro daquela que o rio levou,
Nem do manto, nem da água, nem do pranto,
Nem da escova, nem da brisa, nem do banho,
Nem da alcova
E, no entanto, do alto monte olho o rio
buscando l’amore mio.


Vê aquele monte, principessa ? – aquele à distância?
Nele buscarei o silêncio de que tenho fome
subirei ao alto antes que mais eu desça (disforme)
porque a loucura, o desprezo e a ânsia,
eu venço naquele monte!

Vê aquele monte, principessa ? – aquele à distância ?
Nele beberei da fonte de águas frescas de que tenho sede
porque ela é uma fonte antiga – livre e sem parede -
profunda, vigorosa e simples:
a alegria daquele monte !

Vê aquele monte, além dos mares? - aquele à distância?
Vê? Principessa ?
Nele eu fui criado entre pessoas de olhar marcante e forte,
E ouvi gemidos que carregam os ares -plenos de morte-
E ouvi risos, tarantelas, besteiras
E outros coisas do monte...

Vê aquele monte, amor da minha vida?
Vem! Eu mostro...
Porque daquele monte os meus olhos são seus
E ali minhas asas se abrem e me erguem para sempre:
eu venço os mares, e busco, e cheiro, e aqueço,
e beijo – e prendo você com as mãos, agora...

Vem, e vê: meu peito é seu – meu monte é seu!

Ah, amor da minha vida, eu tenho uma fonte...
E uma ponte – venho e vou: de um lado, a dor; do outro, a flor!

porque sobre o mar pintei, no meu silêncio, um arco-iris...

Vê, principessa, este monte ? É seu!
Porque as águas insaciáveis desse rio, loucas que sejam,
Desconhecem a fúria e o silêncio da poesia e do amor...
Ah, amor’ della mia vita, vê os meus olhos?
São seus!

Um dia minha boca caminhava nos cantos da sua boca
E por entre os trigais do seu corpo – meus olhos reluziram...
A face rosada, o corpo nu, a alma em canto...

Porque o mundo será levado pelo rio ao mar
–e não haverá mais pedras-
faremos nossa cama entre folhagens
e beberemos do orvalho dos nossos próprios corpos.

Vê, amor da minha vida, este fogo?
Nele aqueceremos nossas almas
e na sua brasa esconderemos nossas batatas doces.


Vem, amor, Vê estas pedras?
Lançadas às águas turbulentas...
Ouça gemidos de almas partidas
E nada é mais triste que a força das águas
Batendo em pedras ao mar!

Vem, amor, sente-se aqui e olhe ao longe...
É um só o mar!
-aquelas ilhas, estes ventos – tudo!
nada muda! Vê aqueles navios?
-não levam pessoas - somente coisas...

Vem, amor, junte as pernas junto ao peito,
Descanse a cabeça sobre os joelhos (abraçados)
E sinta esta brisa - é o preço!
Porque a música e o beijo nada valem
E os ossos - nem eles terão paz.

Vem. O que vê agora?
-penhascos, pedras e o bramido do mar?
-há homens e mulheres (desde sempre)
que subiram estes penhascos,
que gritaram - e também lançaram-se em gritos
e os seus olhos foram devorados.

Vem, amor. Vê, sente-se e junte as pernas
E olhe ao longe...
E só!

Nissan, 5762

© copyright do autor: NÃO COPIAR SEM EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela US. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Advogado e Professor universitário.

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