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ברוך ה"ה







domenica 16 novembre 2008

Das RELAÇÕES CONJUGAIS



DAS RELAÇÕES CONJUGAIS
Por Pietro Nardella Dellova



"Que belos são os teus amores, esposa minha...mel e leite estão debaixo da tua língua...o teu umbigo é como uma taça redonda na qual não falta vinho...beije-me ele com os beijos da sua boca...eu sou do meu amado e o meu amado é meu..."Shir Harishim (Cânticos dos cânticos)

É preciso avançar. Descobrir algo mais que a futilidade dos dias e a superficialidade dos casamentos, sobremodo as relações de homem e mulher. Superando os obstáculos cotidianos, é possível entender que esta relação é, ou na verdade, deveria ser, um encontro. Encontro de humanos que constróem um diálogo: humanizam. O encontro estabelece, vez por todas, a perfeição, em que emissor/receptor se confundem, se plenificam e se compreendem, num processo único e intenso de mensagem/resposta, por códigos verbais/não verbais. Principalmente, não verbais, pois que outro código é necessário, quando naturalmente as pupilas dos olhos e os lábios da boca dilatam-se, numa demonstração convidativa? É como ouvir, olhando estas pupilas e estes lábios: “entre, ilumine e acomode-se na intimidade da minha casa”.

Por que portas se pode entrar? Por todas as que a natureza deu aos seres humanos: pois eles se vêem, eles se ouvem, eles se cheiram, eles se beijam e, finalmente, eles se tocam num toque suave e inconfundível. E não se despreze nenhuma destas portas sob pena de morte, porque cada uma, e todas elas, conduzem à intimidade, ao mais profundo, ao centro da pessoa amada, enfim, ao que ela é –ninguém sabe quem ela é, senão quem ama, entra e ilumina. A isto os judeus chamam bênção de D’us, plena de substância que é, a um só tempo, entranhavelmente bom, muito bom, e universalmente maravilhoso.

Não é sem motivo que o vinho seja a expressão deste encontro (ninguém em sã consciência bebe do vinho sozinho). Vinho é bebida para dois que se encontram e tornam-se um, transformando suas bocas e seus umbigos em cálices: pois é na boca e no umbigo que se derrama do vinho e dele se bebe. O vinho que é, o vermelho da sua cor, o perfume da sua essência, o sabor das suas uvas, o toque que enche a boca e o brinde dos corpos que se abençoam. Quem for apressado, infeliz e ébrio, beba aguardente, conhaque, cerveja e outros venenos, mas, no umbigo e na boca dos que se amam apenas vinho e, na casa íntima, somente os que portam a luz e a poesia: a chave!

Porque eles, os que se amam, não são o balcão de um boteco, onde os insípidos, os trêmulos e os egocêntricos buscam ouvidos para as suas mágoas e um copo qualquer em que possam afogá-las. Os que se amam são a mesa aparelhada e posta, na qual dedicam seus ouvidos (e seu íntimo) e oferecem suas mãos, para com elas, abençoarem o encontro, e somente com elas, partirem o pão e, embebendo-o no vinho, o depositarem na boca do ser amado.


É um processo de vida, no qual cada raiz será recoberta com boa terra, e cada boa terra ungida com água fresca e, a alegria indizível e inegociável, é ver as flores se abrindo às borboletas e às abelhas e, o fruto, tomando forma e cor, substância e paladar, oferecendo-se a todos os sentidos: às mãos, à boca, aos olhos, ao nariz e ao ouvido, ligados por alma, espírito e corpo: pelo amor. Em que cada poro não é desconhecido, nenhuma mudança de cor ou temperatura passa despercebida, e o pulsar do peito se converte em notas ao ouvido do músico-poeta, e somente ele as ouve e as pinta na partitura.

É a harmonia: o humano se respeita e se reconhece gente apenas. A presença de um e de outro é não menos que um acontecimento vivificador : e ao menor sinal de aproximação a menor parte do corpo estremece, se robustece e se agiganta e a alma se abre como um manto, que se faz céu, que se faz universo sem medida e sem fim. E nada perturba, nada incomoda, nada se interpõe, nada falta. Tudo é belo: tudo é estado de graça!


É, então, o amor de entrega, a comunhão, a ternura, a leveza da alma e do corpo, o convite, o pão e o vinho, o caso, a leitura de Vinícius e Sh’lomo, o beijo íntimo e demorado, a lua e pilhas de estrelas que se contam calmamente, o verde da serra, a brisa do mar azul, a audição de J. S. Bach, o caffè, o respirar, o peito e a alegria das águas que saltam de fontes.

E se não for assim, exatamente assim, é, então, o estupro tolerado, a conveniência, a tortura, a morte da alma e do corpo, a violação, o churrasco e a cerveja, o descaso, a novela, a fita pornô e pilhas de filmes da promoção, a fila sebosa e interminável para o litoral, a areia nos cabelos, a discussão de contas, o shopping center, o ronco, as costas e o peso dos rios que se arrastam.

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor de Direito.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato/Autorização: professordellova@libero.it

7 commenti:

ricardonespoli ha detto...

Rav!

Anonimo ha detto...

Prezado Rav Dellova, simplesmente um texto único, maravilhos e intenso, como todos os outros.
Obrigada por compartilhar conosco.
Shalom
Mirian

Anonimo ha detto...

SALVE!!!!!
TENHO FEITO UMA ANALISE, DOS SEUS TEXTOS ATRAVÉS DO BLOG, NO QUAL REVELA A PROFUNDIDADE DOS SENTIMENTOS, ENTRE UMA VIDA CONJUGAL, NO QUAL NOS VAMOS DESCOBRINDO ATRAVÉS DO NOSSO VIVER, BUSCANDO SEMPRE ESTAR EDIFICANDO ESTA RELAÇÃO COM BASES SOLIDAS PARA QUE POSSAM SOBREVIVER EM DIAS DIFICEIS E EXPLODIR DE ALEGRIA EM MUITTSSSSSSIIIIIMOS, MOMENTOS.
ABRAÇÃO DO SEU AMIGO MOISÉS "ADARA".

Shimon Kepha ha detto...

Amaro Rav,

Simplesmente divino esse comentário. Maravilhoso.
Grato por liberar, a nós, homens e mulheres que precisamos entender e viver essa relação na sua verdadeira essência.

Shalom

Shimon Kepha

Anonimo ha detto...

Prof.Dellova,Primeiramente,parabéns pelo brilhante trabalho. Não obstante,sinto a necessidade de fazer um cometário prévio sobre a palestra que tivemos na São Francisco sobre a Consciência Negra. Ao término tomamos café e fizemos algumas observações em relação ao tema. Percebo nos textos que li, uma preocupação incomensurável de sua parte de abarcarmos o processo de humanização que seria salutar para o universo no âmbito geral. No entanto,precisamos nos desprender de nossas origens para que possamos nos ver não só como pessoas de direito e obrigaçôes, mas como seres em evolução. Entretanto,devemos perseverar e mostrar a nós mesmos que a todo momento podemos mudar a nossa história.
OSMAR PEREIRA BARRETO

Anonimo ha detto...

Queridíssimo Prof. Dellova, o que poderia lhe dizer ao se aproximar seu Aniversário? Que vc é uma Pessoa singular? Que vc é um Poeta singular? Que vc é um Professor singular? Que vc é um Rabino singular? Que vc é um Amigo singular? O que eu poderia dizer a uma Pessoa intensa, a um Poeta profundo, a um Professor "Mestre", a um Rabino que ama sua Torá e a um Amigo com "portas abertas"? Nada poderia dizer, pois vc é o senhor das "boas" palavras. Digo apenas que em 29 de Novembro ou no dia comemorado em seu calendário judaico, nasceu um SER HUMANO, cuja vida tem sido um exemplo, cuja ética tem sido uma orientação. Um SER HUMANO cujos olhos verdes trazem algo de "alma-mar" e cujo sorriso é uma pintura que não deve perder o colorido...Sorria sempre com o seu sorriso e olhe sempre com esses seus olhos verdes.
Com respeito e carinho
Mazel Tov, Júlia Carla

Anonimo ha detto...

Caro Rav,
Faço minha, as palavras da Júlia. Estou a um bom tempo tentando dizer alguma coisa para o Rav. Ecco. Faccio mie le parole di Julia Carla e le offro anche io, a te caro Rav.
Ricardo Nespoli