alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







giovedì 25 dicembre 2008

FIDELIDADE CONJUGAL ou, um erro de interpretação



FIDELIDADE CONJUGAL ou, um erro de interpretação
por Pietro Nardella-Dellova






eu dormia, mas o meu coração velava;
eis a voz do meu amado, que está batendo:
abre-me...

(Cânticos de Sh'lomò)


Uma das colunas da relação matrimonial, do modo como está na Legislação brasileira, é a fidelidade. Mas, há um erro de origem. Primeiramente, confundimos “relação matrimonial” com “relação conjugal”. A primeira é simplesmente a relação jurídica, o ato jurídico, enfim, o casamento; a segunda, é a relação humana entre um homem e uma mulher que se permitem ao encontro amoroso, seja ou não casamento. Daí, encontrarmos a relação conjugal, também, na União Estável! Mas, a fidelidade aparece em todas!

Entretanto, não seguiremos por este caminho. O que importa neste curto espaço é desenhar a “fidelidade”. Fidelidade é uma palavra cuja raiz é “fides” e, neste caso, é uma qualidade. A qualidade de uma relação da qual se esperam atitudes, movimentos, cumplicidade! Pois bem, na interpretação mais “rasteira”, as relações conjugais são pautadas pela “fidelidade” no sentido de esperar que um e outro cônjuge, ou convivente, não se relacionem sexualmente com outra pessoa, ou seja, que não tenham uma relação extraconjugal!

Mas, seria isso mesmo a fidelidade? Não! A fidelidade não é isso, ainda que se leia assim pela maioria dos juristas ou sacerdotes, ávidos por notícias escandalosas! Ser fiel ao outro é movimentar-se em direção ao encontro de corpos, de sentimentos, de descobertas! Quando alguém se propõe a estar em uma relação duradouramente conjugal, espera que o outro se movimente, trazendo a doçura, o encanto, a poesia, o fogo, o amor, a emoção, o ardor, a vida, enfim! É o que ambos devem portar em suas “mãos”. A oferta de si a fim de que o outro se torne participante de delícias, que voe, que avance e que seja humano ao ponto máximo!

Ninguém se casa por amor ao “ato jurídico” “casamento! Ninguém permanece em uma União Estável, por “amor” à relação jurídica. Casamento e União Estável são apenas roupagens jurídicas de relações que não espelham absolutamente nada! Apenas juristas ou sacerdotes conservadores vêem o casamento como algo “sagrado”. Mas, estão errados!

Se houver algo sagrado é o encontro! A descoberta de dois seres, envolvidos pelo afeto, compromissados em entregar algo, como um tesouro trazido de longe! A fidelidade é esta entrega, este despojamento, esta intensidade de seres que se permitem à felicidade!

Há pessoas que se casam para alcançar objetivos materiais. Há pessoas que se casam para alcançar objetivos religiosos. Há pessoas que se casam para alcançar objetivos sociais ou profissionais! Mas, em todos estes casos (apenas para citar alguns), dificilmente haverá “encontro”, “cumplicidade”! Na maioria dos casos, a relação, fria e jurídica, traz apenas desfazimento do ser, desconstituição dos sentimentos, aborrecimento e perversidade! São relações de autodestruição!

Para além das interpretações comuns, horizontais, jurídicas ou religiosas, está a experiência humana do afeto e do amor, da poesia e da intensidade. Esta é a experiência da fidelidade que se jura! Ser fiel, ou viver em fidelidade, é manter a própria humanidade, o amor próprio, a dignidade individual, a intensidade poética e a integridade física e emocional completamente protegidos! Muito protegidos, ainda que seja contra a relação matrimonial, pois para além da “formalidade” jurídica, está a essência humana que busca não o culto ao falso sacramento, mas o vigor do afeto, sem o qual não somos humanos, não estamos vivos e somos infiéis a nós mesmos!

Campinas, São Paulo, 10 de novembro, 2008

© não copiar sem expressa autorização do autor (veja o e-mail abaixo)

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor de Direito.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato/Autorização: professordellova@libero.it

5 commenti:

Oliveira Reis Steca ha detto...

Querido Professor Dellova:

Você explicava acerca do casamento e do encontro nas aulas que ministrava para a minha turma. De modo infeliz a minoria compreendeu.
O ato jurídico do casamento é uma coisa e o encontro de dois seres que se amam é outra completamente diferente...
Abraços,

Shimon Kepha ha detto...

Amado Rav Pietro,

Que preciosidade de material,tanto para a matéria do Direito, como para estudo de casais...

Muito obrigado por tão excelente material.

Shimon Kepha

Fernanda Abreu ha detto...

Incrível surpresa encontrar um texto tão profundo e ao mesmo tempo tão simples a respeito da fidelidade conjugal, objeto da minha pesquisa hoje.
Obrigada pela contribuição!
Um grande abraço

Anonimo ha detto...

Rav Dellova sem condições de comentários!
Texto simplesmente único!
shalom

Anonimo ha detto...

Rav Dellova sem condições de comentários!
Texto simplesmente único!
shalom

MIRIAN BALLER