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ברוך ה"ה







venerdì 27 febbraio 2009

A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS ou, como pendurar a cabeça do amado num espeto

A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS
ou, como pendurar a cabeça do amado num espeto




por Pietro Nardella-Dellova

Não há mais passado
que resista ao esquecimento {cimento}
Não há mais amada
que se vista de ternura
...rasgou-se a partitura,
quebrou-se o violino...
...foi-se a fada (e o seu bellino)
arrastada pelo bumbo e rolo...
nada justifica o caminho
–não há caminho certo, aberto:
só deserto!
vencem o concreto, o tijolo, a areia e o ouro:
Bravo!
e o que semeia poesia é um estranho tolo
- recebe paulada!
-nem amado nem prado nem alado
- nem amada nem ninho-
apenas pó e aspereza
(nem pão nem vinho)
{a morte na estrada}
a falta de canto, de encanto, de manto
–tanto faz...
Por que a morte na estrada?

A louca com satisfação deseja paz:
está morta a amada! -viva em paz!!!
a porta bate, o cão late, late, late – e rouba o chocolate!
–ai!!! mate o cão que late!
ma-ma-ma-ma-tem o cão que late
Ai... late! Ai... late! Ai... late! E... late!
morde e late - e lambe mio caffellatte!
por que o cão morde e late?
A louca com satisfação deseja paz:
está morto o amado! -viva em paz!!!

Porque se perde a noção
de distância e de isolamento
E o toque,
o riso, o choro, o sangue, a saliva, o cuspe,
A dor, a alegria, o enfoque
– não há poesia nisso!
Não há poesia na perdição das pedras
{só fantasia}
agora se perdem de vista
o penhasco, o abismo e a dor,
e se perdem o contentamento e o amor
–amor de pele...
e se perdem, ainda,
o coração,
a ânsia, o vento, o frasco, a flor,
sem lamento, sem emoção,
sem calor...

Por que se perdem o coração,
a ânsia, o vento, o frasco, a flor?

-porque o mercado abre suas portas
e ai daquele que se esconde!

-porque o cimento sufoca o mundo
e ai daquele que planta um jardim!

-porque o concreto tudo esconde
e ai daquele que ama amar
sem fim!

-porque a tumba tudo apaga e derrete,
tudo verte em pó!

e ai de mim que não acredito em reencarnação
nem em santinhos !
e ai de mim que não acredito em macumba
nem em encruzilhadas!
Gargalhadas!
As bundas, tetas e barrigas se erguem da tumba...
Não há seios, há tetas
- branquinhas, amarelinhas e negrinhas...

...as mortas voltaram...
e se agrupam no pátio festejando,
se mijando de rir...

as mortas voltaram...
e riem, fotografando, psicografando
– satisfeitas -

...as mortas voltaram...
e chupam o sangue da carne
malpassada pelos poros...

...as mortas voltaram...
e mostram as tetas!
- e carregam o amado no espeto,
e gritam,
as mortas gritam:
-Temos o amado no espeto!

Quanto vale o amado agora ?
{uma mexerica}
e as mortas ao som do bumbo
se pintam de dois sonoros vivas:

está morta a amada – Viva!!!
está morto o amado – Viva!!!

...o riso é riso mesmo,
o choque é choque mesmo...
o riso o riso o riso o riso o riso
o riso o riso o riso o riso o riso
isso, isso!
[A esmo o riso das mortas e sou pisado]

não me deram um franguinho assado
no natal
nem cebolas assadas
no natal
nem farofa nem fanta
nem bolinhos de queijo nem groselha
nem palitos de dente
no natal
nem uma pinguinha
nem uma espumante
nem uma cervejinha
nem um pente
–só uma escova-
ai de mim
que ganhei uma escova
para os dentes!

Ai de mim que gosto de banana
e me deram uma mexerica,
nem um paõzinho português, francês,
árabe, judeu ou italiano,
não me deram um chocolate na páscoa
–nenhum bombom-
nem um sabonete nem um alfinete
nem um tapete
-ai de mim
que não ganhei um tapete:

está morta a amada – Viva!
está morto o amado – Viva!

Guardinhas da noite,
empregadas domésticas, faxineiras ,
venham!
venham, agora, e vejam:
horrores e açoite!
E vejam amores de beco
com flores na bunda
corredores vazios
...abunda o silêncio...

Prostitutas do beco,
venham, agora, e vejam:
a luta acabou!
...abunda o silêncio...

Rios, muitos rios:
os rios de todos,
os lodos e os rios...
O que importam
os rios perdidos nos mares ?

donos da noite, venham!
venham todos!
Venham e cantem!
donas da noite, venham!
venham todas! Venham e comam!
construtores, malfeitores,
festeiros, chacareiros, venham!
cantem, comam, bebam, dancem:
contem o ouro!
- as horas passaram
e os amores não venceram –

ai de mim
que os amores perderam:
comam e bebam!
Principalmente comam!
-
Venham todos:
alegrem-se, festejem, toquem, comam
espetinhos malpassados,
verduras, tomates e moscas
e bebam... fanta!

-é festa!
A poesia e o amor perderam - Viva!
A amada está morta!
Está morto o amado - Viva!

Donos e donas
dos prostíbulos arrendados,
prostitutas do beco
e guardinhas da portaria, o que vêem?
-Penhascos, pedras, mares
(muitos mares, todos os mares)

Por que lançaram
o corpo do amado neste penhasco, entre pedras?
Por que penduraram
a cabeça do amado num espeto?
E dividem a carne da amada
entre as mortas e os pedreiros!
E o grito seco...
a festa acabou!

Venham todos!
O que vêem, agora? – Nada!

O poeta
não come carne, verdura e tomates
com moscas
Nem morre entre pedras
no penhasco:
O poeta não morre...
o poeta é alado!

ah, principessa,
tire esta carne malpassada dos dentes...
venha, todos já se fartaram
(estão calados, fecharam as portas)
venha, escovemos os dentes
porque de repente lançaram o poeta,
mas o poeta não morre
entre pedras e entre mortas
–o poeta é o seu anjo!




Campinas, são Paulo, 10 giugno 2002

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor de Direito.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato/Autorização: professordellova@libero.it

8 commenti:

Oliveira Reis Steca ha detto...

Ufa! Bravo!Bravo!Bravo!

Sua alma transbordou!

Rafaela ha detto...

Palavras, que palavras usar para um texto tão lindo Mestre.

Irene ha detto...

Caro Mestre, seus textos têm a profundidade milimetricamente estabelecida pela mão de um POETA!
Parabéns!
Este texto, em especial, traz em si a força da poesia. Apesar das pauladas, o POETA NÃO MORRE ENTRE PEDRAS OU ENTRE MOSCAS - O POETA VIVE! VIVE PARA SER UM ANJO!

Parabéns!

No aguardo do seu livro

Irene

RUBIANY PALMIERI ha detto...

Salve!!!!

É uma honra , poder estar aqui deixando uma mensagem.
Suas palavras, suas atitudes são obras maravilhosas, inesquecíveis.
Sou muito grata por ter um amigo como você , meu amigo, meu professor, um grande Mestre.
Melhor ainda poder ter a oportunidade de participar em seu lançamento de um lindo livro.(de vários)
Estarei la .Pode contar com a minha presença.

Continue assim, parabéns !!!!

Sua sempre aluna Rubi

CELIA BOLSAS ha detto...

Salve!!!!

É uma honra , poder estar aqui deixando uma mensagem.
Suas palavras, suas atitudes são obras maravilhosas, inesquecíveis.
Sou muito grata por ter um amigo como você , meu amigo, meu professor, um grande Mestre.
Melhor ainda poder ter a oportunidade de participar em seu lançamento de um lindo livro.(de vários)
Estarei la .Pode contar com a minha presença.

Continue assim, parabéns !!!!

Sua sempre aluna Rubi

Rubiany Palmieri ha detto...

Salve!!!!

É uma honra , poder estar aqui deixando uma mensagem.
Suas palavras, suas atitudes são obras maravilhosas, inesquecíveis.
Sou muito grata por ter um amigo como você , meu amigo, meu professor, um grande Mestre.
Melhor ainda poder ter a oportunidade de participar em seu lançamento de um lindo livro.(de vários)
Estarei la .Pode contar com a minha presença.

Continue assim, parabéns !!!!

Sua sempre aluna Rubi

Anonimo ha detto...

BRAVO...BRAVÍSSIMO...
linda a poesia,amei amei...vc é um poeta e tanto...
Nardella-Dellova continue os dias, as tardes, as noites e tb as madrugadas a escrever....pois para nós e um previlégio ler os seus textos...MARAVILHOSOS...PARABÉNS..meu querido ...
tenha uma boa noite e até mais ..
abraços
SANDRA FANGER (Charlotte, USA)

Coisinha do pai ha detto...

A força de uma palavra

Há sempre uma palavra dentro da palavra
um gesto por exemplo
ou o zumbir dum inseto a
levantar o vento morto

Traz uma mensagem fugidia, uma essência,
que luz ao ritmo do tumulto da claridade
só perceptível pelos reflexos da própria luz transparente interior das coisas
Daqueles cujo domínio próprio não controla
São como bisturi, ferem a aorta contundente.
Provocam grandes terremotos, vítimas fatais
Corações destroem, intrinsecamente.
A sua transcendência identifica o fogo,o perfil exterior e seus artifícios intemporais

E apenas se lê em sinais indicativos
de virtuosos alquimistas procurando o ouro
na flecha no círculo dum arco íris caindo
magnânimo sobre o cinzento da terra

(A.Sanchez)