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ברוך ה"ה







mercoledì 31 dicembre 2008

DISCURSO DE FORMATURA EM DIREITO, de 1990


Texto para DISCURSO na CERIMÔNIA DE FORMATURA EM DIREITO, de SETEMBRO 1990


de Pietro Nardella-Dellova



Senhores e Senhoras:

Há tanto por que falar. Há tanto por discutir. E há tanto por que sorrir, e há tanto por que se lamentar, e há tanto por que ficar silentes.

Todo caminho que se inicia, senhores, certamente nos traz a fantasia e nos traz a ilusão. E as perspectivas são sempre as melhores.

Não obstante serem os sonhos bons, em cuja defesa, algum dia, há cinco anos, levantamo-nos eufóricos, inexperientes e apaixonados. Seduzidos, também, pela oratória, então, envolvente, de homens cujos cabelos brancos espelhavam o tempo. Não o tempo vencido pelo crescimento da sabedoria, mas o tempo vencedor que aniquila as pessoas e delas faz títeres de uma emoção arcaica e enterra o conhecimento ultrapassado. Não o tempo vencido pela simplicidade de viver, de acompanhar a evolução do espírito humano, de participar das renovações de caráter intrínseco do Direito, mas o tempo vencedor que petrifica as pessoas com bandeiras nas mãos, que faz eco em nacionalismos derrubados pela consciência humana.

São bons, apenas, os sonhos. Enterrados a cada curva, neste caminho, perdidos a cada descida, abandonados a cada subida... E nesta nos sentimos cansados, naquela desgovernados.

A força das primeiras e entusiasmadas defesas se perdeu no vazio de cinco anos. E à semelhança dos soldados de Napoleão que, depois de tantos planos de grandeza, tantos discursos, foram conduzidos ao deserto africano, esmorecidos, esgotados em si mesmos, na fadiga e no cansaço da jornada, numa cavalgada trôpega, com as próprias vidas alquebradas, com as faces cerradas na seriedade de quem se pergunta se valem, ainda, a luta e o desafio. Alimentados tão-só pelo que simbolizavam as pirâmides egípcias e pelo que descobriram ser naquele instante. Eles venceram.

Entretanto, senhores, mais... muito mais que terem vencido os norte-africanos, eles venceram antes e com maior alegria as próprias limitações de seus corpos e de suas almas.

Conduzidos, assim, estudantes de Direito a um deserto e, igualmente, duvidosos da espada que temos, da exatidão da balança e, tendo um símbolo mais perene que o daquelas grandes pirâmides: A JUSTIÇA! Não a Justiça com vendas rasgadas, com espada traiçoeira, com balança de dois pesos. Não a Justiça inerte, cujas pedras o tempo deixou em ruínas, cujos fundamentos perderam a força. Não a Justiça da eloqüência e da hipocrisia discursiva. Não a Justiça do corporativismo inconseqüente. Não a Justiça da elite jurídica!

Qual Justiça?

A Justiça irradiante da sinceridade. A Justiça notória, e clara, e constante, e abrangente, e participativa, e contagiante. A Justiça do caráter! A Justiça como o sol de Fernando Pessoa, que aquece a vida da Terra, cujo encanto faz com que todos os homens, pelo menos uma vez ao dia, o contemplem e que, por isso mesmo, se tornam irmãos e participantes do júbilo da claridade.

Destarte, movidos pela busca deste sol e com as forças que nossa consciência possa ter, ainda, conservadas, na busca do que somos agora! Na busca do que representamos. Abandonadas a euforia dos primeiros anos e paixão inconseqüente pela Academia e pela retórica, com as faces cerradas na sinceridade da reflexão madura, com a certeza de que bem pouco, senhores, conseguimos carregar deste caminho, e do pouco subsistem o apelo e a lembrança.

Que subsista o apelo às nossas consciências, porque, sobretudo, acreditamos em nós e acreditamos na visão dos nossos olhos, e na força dos nos braços. Acreditamos na renovação do Ensino Jurídico ao ressurgimento de Cursos não divorciados da nossa realidade, ao advento de homens que não flutuem no espaço vazio, e que estejam nesta cátedra como mestres apenas. Certamente, não se faz necessário a presença de magistrados, e de promotores, e de advogados. Mas, que a aura do espírito de mestre, a unção, pertencente apenas aos que se comprometem com a Educação, com a formação, e com a dinâmica do Ensino, possa revestir os catedráticos. E ao advento da concepção, do modo de pensamento, da atitude digna de se resgatarem as Ciências Jurídicas e Sociais da indiferença e, quiçá, da mediocridade e, com isso, resgatar-se o tempo que aqui dedicamos.

Que subsista a lembrança dos amigos que aqui conquistamos, da oportunidade que aqui tivemos de trocar experiências de vida e de pensamento. A boa lembrança da convivência acadêmica e das venturas. E com esta lembrança, a certeza de que a futura amizade, de que o companheirismo porvir, de que a convivência, então, profissional, já existe hoje plantada.

Senhores, que estes laços extra-acadêmicos não sejam friamente cortados, que os “nós” aqui apertados não sejam desfeitos, quando lançarmos raízes, cada qual por uma das várias atividades às quais permite o Direito. Porque, embora sejam vários os caminhos, este bacharelado nos garante a igualdade de ação (ia dizendo, igualdade de poder).

Outrossim, não nos deve importar a atual situação de desrespeito ao Direito. Nós somos os depositários, como já disse, da confiança à renovação no tempo que se chama “agora”. Que não saiam desta Casa, apenas Advogados, Promotores Públicos, Magistrados ou quaisquer outros Juristas, pois, na verdade, muitos nestas condições já saíram deste convívio. Mas, que saiam deste Lugar, Homens e Mulheres de Bem!

Oferecido aos formandos da Faculdade de Direito de São Bernardo, São Paulo, SBC, em setembro de 1990

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor de Direito.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato/Autorização: professordellova@libero.it

3 commenti:

Anonimo ha detto...

Estimadíssimo Rav Pietro Nardella-Dellova, bom dia!
Li o discurso que o sr. escreveu em 1990 e pergunto a mim mesma: "por que este discurso parece ter sido escrito ontem?" tão a sua contemporaneidade!
Imagino o seu sofrimento, o sofrimento de todo sábio, em ver o tempo passar e a JUSTIÇA não ser realizada.
Parabéns pelo texto, parabéns pela sua alma e por sua pessoa!
Com respeito
Júlia Carla

Anonimo ha detto...

Hoje, pela manhã, ouvi pela CBN sobre a prisão de juristas do Espírito Santo, entre os quais, Desembargadores. Há dois dias tinha lido o seu texto, o Discurso de Formatura de 1990! E, com as noticias da CBN, resolvi abrir logo cedo o seu blog e fazer este comentário.
Suas palavras, prezado Prof. Dellova, são as palavras de um profeta de "grita no deserto".
Mas, saiba que apesar do deserto exitem pessoas te "ouvindo"...
Um forte abraço
Pedro

Anonimo ha detto...

Prezado Dr. Dellova, quanta sensibilidade em suas palavras, quanta exatidão e que visão, cirúrgica, dos centros acadêmicos que formam juristas!
Parabéns pelas suas palavras, lançadas há 18 anos, mas chegando a nós hoje!
Abraços
Humberto