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ברוך ה"ה







giovedì 5 marzo 2009

O FEMININO ou, um olhar sobre o filme VICKY CRISTINA BARCELONA



O FEMININO ou, um olhar sobre o filme VICKY CRISTINA BARCELONA
por Pietro Nardella-Dellova



O filme VICKY CRISTINA BARCELONA é de um desenho poético e substância humana próprios de Woody Allen, seu diretor. Nele, a voz masculina vai soltanto o fio narrativo como o de Ariadne, querendo manter o controle ou simplesmente não ser devorado pelo universo feminino, que se impõe com personagens vívidas, vigorosas e intensas, especialmente, as de Maria Elena (Penélope Cruz), Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson).


Por outro lado, as figuras masculinas são caracterizadas em quatro sentidos. A de Juan Antonio (Javier Bardem), como pintor que depende da inspiração e presença da ex-mulher e de movimentos externos; a de maridos cujo foco de assuntos gira em torno das futilidades cotidianas das mentes americanizadas e cocacolizadas, criando-lhes um comportamento insensível e impermeável; a de um velho (o pai de Juan) cujos textos servem apenas para demonstrar seu ódio pelo mundo e, lógico, a “voz” que verbaliza as relações como em um confessionário. Assim, o homem ou o masculino, aparece apenas como alguém que diz, verbaliza, como no caso do convite de Juan Antonio ou do isolamento de seu pai. E as outras pesonagens masculinas despontam no filme como quem oferece um discurso vazio do mercado (computers, casas, viagens, dinheiro, instituições). Mas, é a presença e ações femininas que determinam a vida das relações.


Nas personagens Maria Elena, Vicky e Cristina, Allen aponta para o melhor da tradição semítica, renovando a roupagem dos três perfis femininos: Lilith, Eva e Miriam, ou seja, a mulher em uma humanidade anterior, a mulher mítica de Adam e a irmã de Moshè (Moisés), que o salva nas águas egípcias.


Mas, ainda no nome de Maria Elena, Allen dá as chaves do mundo helênico, inicialmente, para a figura de Helena (a bela mulher responsável pela Guerra de Tróia) e, assim, como a personagem Maria Elena, influenciando uma nova ordem de relações e descobertas e abrindo caminho para uma compreensão dos perfis femininos. E é da Mitologia grega que Allen atualiza para suas três personagens, os perfis das Cáritas (as três graças). Aglaia, Eufrosina e Tália (claridade/esplendor, alegria/júbilo e poesia/flores).


Assim, as personagens se revestem do semítico e do grego. Maria Elena/Lilith/Aglaia, Vicky/Eva/Eufrosina e Cristina/Miriam/Tália.


Maria Elena é o fogo abrasador e inspirador. A loucura apaixonante de um homem, Juan, dependente dela em todos os sentidos. Ela pinta e cria, mas não há sofrimento em sua arte que, sob os pés, vai se colorindo e plenificando. A obra, neste sentido, é ela, e não a tela! Maravilhosamente senhora de si, como Lilith ao partir, deixa um homem que vai encontrar nos braços perfumosos de Cristina o conforto tolerante de uma mulher que busca algo além dos padrões americanos ou machistas.


Cristina procura em Juan, em sua pintura e em sua provocação, o sentido de sua vida, a poesia e a música, e ele a leva para sua casa, para seu mundo e para suas telas. Mas, o sentido que Cristina procura, ela encontra apenas quando Maria Elena retorna, de modo dramático e único. É com ela, Maria Elena, Aglaia dos encantamentos e claridade, que Cristina aprende a olhar o mundo externo humano ou não. É com ela que aprende a fotografar e, na aparente escuridão do trabalho fotográfico, ela encontra o talhe perfeito, sensual, intenso e poético de Maria Elena, a quem passa a fotografar, vale dizer, a quem passa a ver, enxergar e observar, e com quem passa a se relacionar, como notas e pentagrama, de modo afetivo.


Em Maria Elena ela aprende a ver sua própria feminilidade, a alegria, o mundo externo e o exercício da afetividade. Ao lado de Maria Elena, ela se descobre Miriam em música, com cânticos de quem ultrapassa o Mar de Juncos e em poesia e flores de Tália. Mas, recusa a condição de uma vida aprisionada no triângulo lúdico. Finalmente, descobrindo-se a si mesma, por intermédio de Maria Elena, ela consegue se superar, decidir, questionar como Miriam, e superar a presença de Maria Elena, essa Lilith espanhola.


Em outro sentido, sua amiga Vicky, provocada, como o foi Eva, à descoberta amorosa pelo mesmo Juan, recusa o encontro com a recusa de quem não quer recusar. Com as dúvidas de quem encontra dois mundos antagônicos: o de seu casamento com a figura amarelada do seu noivo e o mergulho em um mundo de amores e afeição, sem institutos ou regras. E quando a flexa de Eros a atinge, a despeito de sua visão quadrificada, ela cede, como Eva e Eufrosina, com alegria e júbilo, ao amor e à ternura da experiência do encontro de si mesma, entre os arbustos de algum jardim edênico de Espanha.


Vila Velha, Praia da Costa, ES, 31 dicembre 2008 - Tevet 5769.


© Pietro Nardella-Dellova. É Mestre pela USP. É Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. É Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor de Direito e Consultor.VEJA OUTROS TEXTOS LOGO ABAIXO, À DIREITA,no Archivio Blog/Articoli/ArtigosMais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/Contato/Autorização: professordellova@libero.it

4 commenti:

Juliana ha detto...

Shalom , professor , tive a felicidade de encontrar seu blog tão rico ! Gostaria de manter contato com o senhor !

Sérgio Jacomino ha detto...

Shalom, mestre!
Penso que nesta vida nossos caminhos se cruzaram. Se quem imagino que seja é a pessoa que conheci, não existem coincidências.
Um forte abraço do

Sérgio "Banana" Jacomino

Fernanda ha detto...

Salve, Dellova!Assisti o filme e relendo o seu texto,Vicky Cristina Barcelona,voltei no tempo!No ano de 1999, onde percorri todo o norte da Espanha e vivi intensamente experiências únicas.Hoje me dou conta que carrego comigo essas três mulheres,Vicky Cristina e Maria Elena, me vejo em cada uma delas.Gracias por todo! Bjs

glaucy ha detto...

VI O FILME, GOSTEI BASTANTE DO QUE POSTOU E ADOREI O SEU BLOG.