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ברוך ה"ה







martedì 17 giugno 2008

DA IDIOTIZAÇÃO ou, abaixo o Prometeu Acorrentado


DA IDIOTIZAÇÃO ou, abaixo o Prometeu Acorrentado
Pietro Nardella-Dellova


...e o que diz o vento?...muita coisa...
-Mentira! O vento não diz nada
(Alberto Caeiro, in O Guardador de Rebanhos)


Desconfio que o Renascimento, enquanto um movimento cultural e espiritual humano, ainda não ocorreu, pois nos sufocamos, por séculos, em um mundo de conceitos-frankenstein do tipo “atenas-persia-roma-meca-wittenberg”, que se tornaram preconceitos de brancos (de todas as cores), negros (de todas as tribos), orientais (com ou sem petróleo), bárbaros-convertidos (com ou sem graal), gregos (atenienses ou espartanos), romanos-germânicos (com cruz ou suástica), afro-americanos (pastores ou pugilistas), afro-brasileiros (pregadores ou predadores), hispano-americanos (generais ou sindicalistas). E hoje são, por desgraça coletiva, divulgados e impostos - via missionários, professores e loucos de todo gênero - aos quatro ventos (e mais alguns) como conceitos originais (riso, muito riso, sinal da cruz, um passe e língua estranha!!!)

Estamos completamente minados de falsas idéias, de espasmos educacionais, de loucuras programáticas, de um tosco senso de superioridade bacharelada e, temo em afirmar, que os homens das cavernas estavam bem melhor, pois, ao menos, não estavam enganados quantos aos verdadeiros obstáculos e as lutas cotidianas por sobrevivência. Saíam para enfrentar o tigre e caçar a gazela. Defendiam o fogo como se fora sua própria essência (e era...). Não sofriam de depressão, solidão, inveja, consumismo, não visitavam a caverna do vizinho, não faziam culto ao mercado, não comiam isopor e plástico, não arrastavam cruzes na Via Dutra nem se explodiam para ganhar virgens celestiais, não entregavam “lições bíblicas” nas rochas e, sobretudo, não faziam cursinhos preparatórios. Além disso, não faziam sexo virtual nem desenhavam mulheres nuas em uma rocha qualquer! De fato, eles não freqüentavam lojas de “adultos” (gargalhadas!!!)

E por que lutam ou vivem as pessoas hoje? Por nada. As pessoas não lutam, elas vão acordando, a muito custo, para mais um dia (que precisa logo terminar), na cópia insana de seres abstratos, de personagens insípidas, chorando o choro desconhecido, o choro oriundo da oscilação psicológica. É um sofrimento pobre (que causa risos e gargalhadas), e que passa quando termina o capítulo, o funeral e o efeito de vinhos feitos em laboratório, pois faltam os ursos, os tigres, os leões levando crianças. Estamos em uma sociedade pobre, que ama estar no vazio. As estruturas educacionais, culturais, econômicas, políticas e jurídicas (e por que não dizer as miseráveis estruturas religiosas) primam pelo absolutamente idiota e idiotizante!

Há uma necessidade mecanicamente visceral de meios artificiais de prazer ou de percepção de mundo. Há uma glória, incontrolável e orgásmica, por exemplo, em saber lidar com os variados recursos de um celular (aplausos). O cheiro é artificial. O que se vê é virtual. O que se saboreia é um misto de “alguma” coisa com “alguma” coisa. O que se ouve é eletrônico. E o toque é o encontro da mão de espuma com a superfície de concreto...(cara de choro...)

Experimentar um “renascimento” humano, deveria começar pela defesa da caverna e do fogo. É preciso voltar a reconhecer o cheiro natural (será que alguém sabe qual é o cheiro do encontro entre um homem e uma mulher?). É preciso quebrar todos os celulares e recuperar o grito, o urro e o gemido, verdadeiramente orgásmicos, que afastavam ursos, leões e hienas...e ecoavam pelos espaços na terra...É preciso revisitar a nossa própria humanidade sem a imagem artificial, e voltar a comer coisas que tenham o seu gosto, morder a fruta e a carne sem componentes cancerígenos e transgênicos. E, sobretudo, desligar os aparelhos que produzem o som retardado, e tentar ouvir a voz, a vibração, o timbre, até que o cantante desmaie e faça desmaiar...É preciso reaprender a tocar, com o dedo, com a língua, com o tecido epitelial, como fazem os animais e sentir que aquilo que se toca é aquilo mesmo!

Mas, sobretudo, é preciso “fuzilar” (ou melhor, mandar para o espaço) todos os educadores que vivem fazendo comércio da Educação, todos os artistas acometidos de nulidades absolutas, todos os economistas que não puderam resolver o problema básico do pão (infelizmente francês), e todos os juristas (formados até aqui), sejam advogados, delegados, sejam promotores, sejam juízes ou qualquer outro aventureiro, pois não conseguiram fazer o povo acreditar na Justiça (aliás, contribuíram com a inércia, superficialidade e mercenarismo, para o estado de “medo e desconfiança”). Afinal, as pessoas têm medo de advogados, delegados, promotores e juízes e, por culpa deles, não sabem distinguir o que é justo e injusto, o que é verdade e o que é mentira, o que é autoridade e o que é violência. Por culpa deles, o Direito virou ração de porcos! (aplausos!!!)

Porém, aos políticos e líderes religiosos (os piores de todos), deve ser reservada a prisão perpétua e, perpetuamente devem ser obrigados, diuturnamente, de modo incessante, continuado e impiedoso, a ouvir seus próprios discursos, suas loucuras, suas blasfêmias, suas mentiras, suas interpretações loucas de textos antigos. É preciso que saibam, com exatidão, que criaram para o povo alucinações das quais mil anos será pouco, para a devida purificação...(muitos aplausos!!!)

E, por fim, quebrar as correntes do Prometeu (matando-o ou libertando-o) e espantar os abutres que lhe comeram o fígado esses séculos todos. Não há razão para sofrer quando se transfere o conhecimento, quando a luz é entregue, quando o amor reina e quando o homem descobre o seu caminho...(correria, risos e aplausos!!!)

Roma (Isola Sacra Fiumicino), Itália, 20 de Sivan, 5768 (23 giugno, 2008)

© do autor - Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP e pela PUC/SP. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor universitário.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com

A MARA ou, sobre as vidas lançadas ao mar


A MARA ou, sobre as vidas lançadas ao mar

por Pietro Nardella-Dellovada
da Sinagoga Scuola, Beith Midrash

...e o mar dará os seus mortos...
(Yochanan, in Patmos)

Mara, parece difícil atravessar o mar noturno, bravio e determinante, em que as vidas se desfazem em inglória morte, perdendo, assim, a luz que se avizinha de cada um de nós, em cada manhã, em cada momento de oportunidade singular. E, por fim, vencidas pelo cansaço, são arrastadas ao fundo, ainda, carcomidas pelas suas próprias fragilidades, entregues à sorte dos seres que se arrastam e vivem de cadáveres...

Pois o mar somente é bravio e determinante, porque nós o vemos assim, e o concebemos e o mantemos taciturno. E reforçamos esta escuridão a cada momento em que nos permitimos às nossas fragilidades, seja de que natureza for. E, desta forma, com uma concepção equivocada de contexto somada a uma fragilidade permitida, criamos o ambiente propício para a nossa própria amargura, para a nossa própria aflição e para o nosso próprio desfazimento.

Nós mesmos criamos o aspecto negativo deste mar e nós mesmos nos fragilizamos! Pois o mar é somente o mar, em sua natureza, e nós somos seres que pensam, que sentem e que criam. O mar deveria ser apenas o ambiente propício para nos capacitarmos ao desenvolvimento integral. E as nossas fragilidades, apenas termômetros indicativos!Mas, por faltar a simplicidade de ação, imobilizamos nossas vidas.

E pensamos em coisas pequenas, rasteiras e massificadas, comumente tratadas em salões, botecos, casamentos, sindicatos, salas, MSN, e-mails e churrascos e, assim, nos tornamos pessoas pequenas, rasteiras e massificadas!. E desenvolvemos sentimentos de vitimização, de crendices, e outros, bem, outros indizíveis, projetando nossas forças no abstrato, nos santos, profetas, messias e deuses (sobretudo, a desfalecida e idolàtrica deusa do amor), nos céus dos céus, nas reuniões de preces coletivas, gritos e espasmos, e nas mensagens virtuais ilimitadas, nos amuletos, no ópio religioso e no ópio das baladas (duas faces do mesmo rosto), nas novelas e nas canções populares, enfim, tudo o que está (emocionalmente) para além da realidade de nós mesmos e, assim, nos tornamos pessoas sem sentimentos próprios, sem razão de ser, pois não temos lágrimas nem sorrisos originalmente nossos!
Por fim, criamos este mar e criamos, também, as nossas fragilidades na soma de tudo que deveríamos abandonar, com vigor, simplicidade e determinação!

Talvez, em um momento de lucidez, ainda que distante, e em um encontro no "em-si-mesmo" de energia última de movimento, para o grandioso que está ali mesmo, possamos afogar esses pensamentos, esses sentimentos e essas criações todas, no mesmo mar que nos agride, que nos arrasta e que nos condena às profundidades para, dessarte, serena e tranquilamente, boiarmos, de bunda e costas ao mar, vendo um manto de luzes e estrelas!

© do autor

Fondi, Itália, em 18 de Sivan, 5768 (21/6/2008)

autorizado para o Campinas Café e suas Revistas
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Prof. Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP e pela PUC/SP. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor universitário.

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Contato: professordellova@libero.it