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ברוך ה"ה







sabato 27 settembre 2008

do RIO, do MONTE e das PEDRAS ou, da Poesia o ano inteiro

do RIO, do MONTE e das PEDRAS ou, da Poesia o ano inteiro

por Pietro Nardella-Dellova

Vá, amore mio, siga o curso desse rio
e se lance ao mar (eu olho à distância) Avance!
devo ficar junto à fonte durante o dia
e à noite diante da mesa em que molho o pão em vinho
enlevado de poesia que nasce neste monte.

Vá, querida, siga seu sol, sua lua e sua estrela,
e deixe-me, que venho de lugares remotos (pra onde torno)
e não tenho nem sol nem lua nem estrela
porque fui lançado no universo sem fim, com a alma nua...
e trago perto a fonte da delicadeza
e nas mãos, apenas, a bênção para formigas.
Trago nas mãos (entre os dedos) só a poesia – é pouco!
...nenhuma pedra, nenhum dia, nenhum passado, nenhum futuro...

Vá, mulher, porque sou do monte e não do mar;
sou do universo e desconheço este sol...

ai de mim, mulher, que não sou desse mar
que amanheço entre pássaros cantando,
e desconheço esse sol, essa lua e essa estrela...

Vá, amiga, neste monte eu sou o rei – no mar, um perdido!
(aqui, os pássaros vêm e fazem ninhos – e cantam...)
Vá, porque o rio não pára e o mar se abre sem piedade!
(ali, os pássaros não fazem ninhos – apenas comem...)

Vá, porque no monte tem uma fontana – ela é minha-
E diante dela eu paro sem ontem nem amanhã, somente hoje.
Porque a vida é breve
E, ai de mim, que não quero perder-me no mar...
Não! Eu paro à margem desse rio, mas ele não me leva
Porque a vida é breve – não completa sequer uma viagem...

A vida é breve! E o tempo é o exato tempo de amar.
Vá ! O que é a treva ? O que é a luz ?
... o rio conduz, envelhece, bate e se despeja ...
No monte, às vezes, neva –e eu faço uma fogueira que aquece-
E a barba e os cabelos crescem - o que importa?
Sou eu, o monte, a fogueira e os apelos da poesia
que urra, rasteja, ilumina e bate à porta –ninguém entende-

Vá! O vapor desta água preparando o café não se vende,
O sabor do café desfazendo a mágoa enquanto não chega o verão
- porque o mar é dono do mundo – e outono é um tempo estranho-
E o rio segue...

Não! Eu não me lembro daquela que o rio levou... - quem é ela?
Setembro é primavera! Não haverá frio, somente flores...
Não! Nada sei dos odores daquela pele colada à minha
Nem da espuma daquela boca grudada ao meu corpo,
Nem do fogo da sua morada íntima nem dos olhos ao meio
(nem como ela e a poesia juntaram-se em uma)
fogo e brisa - e tomaram-me pelas mãos...
-quem é ela? por que cheira poesia?

Não! Eu não me lembro daquela que o rio levou...
Nem de como seu umbigo e seios amanheciam
delicadamente cobertos do vinho dos meus interiores,
Porque me beijava tanto, e me desejava tanto,
E tanto gemia quanto, por vezes, adormecia,
Sem perder o corpo da boca, por vezes, dos dentes.

Não! Eu não me lembro daquela que o rio levou,
Nem do manto, nem da água, nem do pranto,
Nem da escova, nem da brisa, nem do banho,
Nem da alcova
E, no entanto, do alto monte olho o rio
buscando l’amore mio.


Vê aquele monte, principessa ? – aquele à distância?
Nele buscarei o silêncio de que tenho fome
subirei ao alto antes que mais eu desça (disforme)
porque a loucura, o desprezo e a ânsia,
eu venço naquele monte!

Vê aquele monte, principessa ? – aquele à distância ?
Nele beberei da fonte de águas frescas de que tenho sede
porque ela é uma fonte antiga – livre e sem parede -
profunda, vigorosa e simples:
a alegria daquele monte !

Vê aquele monte, além dos mares? - aquele à distância?
Vê? Principessa ?
Nele eu fui criado entre pessoas de olhar marcante e forte,
E ouvi gemidos que carregam os ares -plenos de morte-
E ouvi risos, tarantelas, besteiras
E outros coisas do monte...

Vê aquele monte, amor da minha vida?
Vem! Eu mostro...
Porque daquele monte os meus olhos são seus
E ali minhas asas se abrem e me erguem para sempre:
eu venço os mares, e busco, e cheiro, e aqueço,
e beijo – e prendo você com as mãos, agora...

Vem, e vê: meu peito é seu – meu monte é seu!

Ah, amor da minha vida, eu tenho uma fonte...
E uma ponte – venho e vou: de um lado, a dor; do outro, a flor!

porque sobre o mar pintei, no meu silêncio, um arco-iris...

Vê, principessa, este monte ? É seu!
Porque as águas insaciáveis desse rio, loucas que sejam,
Desconhecem a fúria e o silêncio da poesia e do amor...
Ah, amor’ della mia vita, vê os meus olhos?
São seus!

Um dia minha boca caminhava nos cantos da sua boca
E por entre os trigais do seu corpo – meus olhos reluziram...
A face rosada, o corpo nu, a alma em canto...

Porque o mundo será levado pelo rio ao mar
–e não haverá mais pedras-
faremos nossa cama entre folhagens
e beberemos do orvalho dos nossos próprios corpos.

Vê, amor da minha vida, este fogo?
Nele aqueceremos nossas almas
e na sua brasa esconderemos nossas batatas doces.


Vem, amor, Vê estas pedras?
Lançadas às águas turbulentas...
Ouça gemidos de almas partidas
E nada é mais triste que a força das águas
Batendo em pedras ao mar!

Vem, amor, sente-se aqui e olhe ao longe...
É um só o mar!
-aquelas ilhas, estes ventos – tudo!
nada muda! Vê aqueles navios?
-não levam pessoas - somente coisas...

Vem, amor, junte as pernas junto ao peito,
Descanse a cabeça sobre os joelhos (abraçados)
E sinta esta brisa - é o preço!
Porque a música e o beijo nada valem
E os ossos - nem eles terão paz.

Vem. O que vê agora?
-penhascos, pedras e o bramido do mar?
-há homens e mulheres (desde sempre)
que subiram estes penhascos,
que gritaram - e também lançaram-se em gritos
e os seus olhos foram devorados.

Vem, amor. Vê, sente-se e junte as pernas
E olhe ao longe...
E só!

Nissan, 5762

© copyright do autor: NÃO COPIAR SEM EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela US. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Advogado e Professor universitário.

venerdì 26 settembre 2008

ROSH HASHANÁ 5769 ou, o dia em que a humanidade foi beijada


ROSH HASHANÁ 5769 ou, o dia em que a humanidade foi beijadapor
Pietro Nardella-Dellova


e o homem foi feito alma vivente (Bereshit, Torá)


Neste dia 29 de setembro, após o entardecer, as mesas postas com toalhas perfumadas, adornadas de pães e pratos especiais, doces, vinho, maçã e mel. A luz da vela, acesa por uma mulher consciente de seu papel no processo de humanização, iluminando os rostinhos das crianças ávidas pela doçura de uma vida plena e as faces dos anciãos marcadas de uma esperança que se renova a cada ciclo. Todos cantam, todos se abraçam no abraço humano, feito de calor e amizade, força e vida e todos ouvem o som do Shofar. É Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico de 5769!

Mas, ainda que comemorado apenas entre judeus, não é apenas uma Festa Judaica. É uma Festa da humanidade! Uma Festa em que se comemora o dia em que a Alma do Universo olhou um estranho ser na terra, nas regiões horizontais, nos vazios mesopotâmicos, um ser apavorado com os ruídos bestiais e com a escuridão noturna, escondido nos buracos em que se protegia dos uivos macabros, da densidade e das sombras, e o tomou pela mão...

Neste dia, Ruach haElohim o tomou pela mão e o colocou em pé, olhou nos seus olhos esbugalhados, nos seus lábios cortados e aproximou-se dele, beijando-o nas faces e soprando sobre ele aquele fogo de vida. E, assim, do encontro dessas forças da “Creação” com o estranho ser, e do beijo e do perfume do vento, surgiu Adam, a Humanidade, feita de pó e sangue, de fogo e vida, de medo e coragem, de fome e inteligência. Desse encontro surgiu “ish-ishá”, a Humanidade com suas faces masculina e feminina, com a força e com a poesia, com a guerra e com a música.

E seus olhos se abriram para enxergar, e seus ouvidos para escutar e, erguendo-se, forte e vertical, suplantou o medo, venceu as bestas, transpôs obstáculos e foi dando nomes para tudo, porque tudo era seu. E cavou buracos no chão para dominar a semente. Ali estava ela, a Humanidade, criadora da beleza, porque são os olhos dela que criam a beleza. Ali estava ela, criando parâmetros de convivência, porque ela cria o Direito.

E o homem (ish) e a mulher (ishá) desta Humanidade se olharam e inventaram brincadeiras, e descobriram que seus corpos se cobriam com um tecido finíssimo de pele humana, capaz de responder ao toque, ao beijo, ao sopro. E eles se olharam e viram que suas pupilas se dilatavam quanto mais se olhavam e que seus lábios se abriam quanto mais se tocavam. E a mulher (ishá) tomou o homem (ish) pela mão e, cantando, o ensinou a ser gente, o ensinou a descobrir segredos, a experimentar, a se mover. Agora ele era Adam (terra e sangue). E ele, o homem, abriu a sua boca para criar poesia intensa, chamando-a Havá (mãe da vida).

Foi o primeiro Rosh Hashaná, o dia em que a Humanidade começou a ser a imagem e a semelhança do Eterno e, desde então, o homem deixou de rosnar para cantar. Desde então, ele deixou de fugir para enfrentar. Ele deixou de se esconder para dominar. E trocou a cópula, instintiva, pelas expressões de amor e ternura, e deixou de cobrir a mulher para envolvê-la num manto de intensidade, fogo e vida. Foi em Rosh Hashaná que a humanidade se espelhou no Eterno!

Shaná Tová (Feliz Ano Novo)!

Elul de 5768, Véspera de Rosh Hashaná

© copyright do autor: NÃO COPIAR SEM EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Membro da UBE. Autor de vários livros. Professor de Direito e Literatura.


lunedì 22 settembre 2008

Do MASHIACH ou, de um Rabi Desconhecido


Do MASHIACH ou, de um Rabi Desconhecido


Rav Pietro Nardella-Dellova
Da Sinagoga Scuola – Beith Midrash


Como pastor apascentará o seu rebanho;
entre os seus braços recolherá os cordeirinhos,
e os levará no seu regaço:
as que amamentam ele guiará mansamente...
Yeshayahu 40:11


Andamos perdidos nas sombras de tantos séculos, sem direção nem contentamento, porque o sentido de Mashiach tornou-se um peso milenar e o talhe do teu reino mal pode ser reconhecido. Nos últimos milênios fizeram-no com mil faces e, sendo tantas, ninguém a conhece. Ninguém o espera e nem pode ouvir a sua voz.

Mas, os que esperam Mashiach verão quão suaves serão sobre os montes de Israel os seus pés anunciando a renovação, a Teshuvá e a Face de HaShem Sua voz que fará ouvir a paz, que anunciará o bem, que fará ouvir a plenitude e que dirá à Sião: O Eterno יהוה reina! E dirá à Judá: celebra as tuas festas e cumpre os teus votos... porque...em nossa terra e entre nós nasceu um homem, o filho de David, o Rei, e sobre seus ombros estará o reino do conhecimento, e ele será chamado o Conselheiro maravilhoso, o Guerreiro valente, o Mestre definitivo e o príncipe da paz..." Ele será a imagem e a semelhança de HaShem e nele serão soprados os Sete Espíritos do Eterno. E, com ele, o Reino será ligado à Coroa...

Quando ele vier, o Eterno se alegrará de sua Justiça, de sua Mansidão, de seu Conhecimento de Torá, de seu Cântico e de seu Halel e, nele, as obras da “creação” serão terminadas. Sob seu Reino os homens encontrarão as fontes de conhecimento, da sabedoria e da inteligência e não haverá fome sobre a terra, nem terror, nem injustiças. O cego não errará o caminho e o surdo não será privado de entendimento e ninguém será enganado, pois ele ensinará o equilíbrio e como suplantar a “árvore do aprofundamento do bem e do mal”, como vencer as inclinações para o bem e para o mal e, assim, levará ao caminho de volta à “árvore da vida”, e apontará o Temor de HaShem, a Coragem e a Força!

Então, ouviremos a voz de HaShem plena de alegria ecoando pelo espaço: “...é muito bom...” e o Eterno finalmente ficará plenamente satisfeito...

Mas, por agora, ninguém conhece o seu perfume, os seus olhos, as suas mãos, os seus cabelos, a sua barba, o seu caminhar, o seu partir do pão e do peixe, e o seu delicioso vinho. Ninguém sabe como será aquela que ele amará como esposa nem como serão seus filhos, porque ele trará em si os olhos e a música de David e a poesia e juízos de Sh’lomò, de cuja descendência nascerá. Ninguém viu, ainda, o seu sorriso, o seu modo de abençoar, o seu cântico, a sua amizade, a sua presença, o seu sangue, o seu espírito e, não obstante, ele é o desejado de todas as nações.

E por que ainda não o conhecem? Porque vêem mal, com os olhos enceguecidos da religião, das teologias e das intrigas medievais, vêem com más intenções, e por isso não enxergam; não ouvem e não escutam, porque ouvem mal, conforme as conveniências e, se o encontrassem não lhe reconheceriam. Provavelmente, o desprezariam, porque não seria grego ou romano, não seria russo nem alemão. Desprezariam porque ele seria um judeu – o melhor dos judeus! Desprezariam porque ele não nasceria em um calendário pagão, como querem os homens platônico-aristotélicos, nem seria um judeu nascido em terra estranha, como querem algumas escolas e grupos.

Desprezariam porque ele teria em um dos braços a Torá e no outro, os Nevi’im. De um lado o acompanharia Moshè rabenu; do outro, os Profetas. Desprezariam Mashiach porque o seu coração é a força dos Tehilim e a sua alma formada nas deliciosas Festas Judaicas e nas Canções que enchem nossas vidas de contentamento.

E somente aqueles que ouviram, repetidas vezes, o seu pai declamando delicadamente os versos dos Cânticos de Sh’lomo para sua terna esposa; e ouviram, também, a voz e a força dos Provérbios e da Meguilat Ester, quando estavam junto com seus irmãos, ao redor de uma mesa, iluminada pelas chamas de um Candelabro e perfumada pela delícia das Chalôt, poderiam saber como será o Mashiach.

Os outros o desprezariam e o odiariam porque na sua boca e no seu coração os Ensinamentos jamais seriam uma nova religião: mas a luz, a renovação, o azeite, o ser humano pleno que nos falta: a perfeita leitura e interpretação da vontade do Eterno יהוה: “...que os homens sejam feitos à nossa imagem e semelhança...”, superando as faces do bem e do mal, com a unção e o fogo da Ruach HaElohim!

Os homens maus, poderosos, senhores do império de ouro, prata, ferro e barro, mataram milhares de crianças judias pelos milênios, esperando que ele fosse morto – e continuam matando crianças e comendo a carne de seus filhos, com seus votos ao vento! E hoje, vestidos de Babilônia, de Roma e Edon, culpam-nos de uma cruz forjada na ignorância dos ecos do Coliseu e, insistem, que devemos morrer por ela. E em dois mil anos de necrofagia que não termina, num discurso de morte que não termina, numa procissão mórbida que não termina, em cruzadas genocidas que não terminam, em inquisições necrófilo-religiosas que não terminam, em holocaustos que não terminam, em bombas que não se calam – embriagados do nosso sangue, exigem que nos dobremos diante dos seus deuses pagãos e profetas tresloucados! Exigem que ouçamos seus missionários delinqüentes e nos dão o fel da exclusão!

E as filhas, orientais e ocidentais, desta grande prostituta, estejam ou não cobertas, vendem a ilusão in memoriam (aos pedacinhos) nas praças, nos salões alugados, nos templos de isopor, nos canais de rádio e televisão mal adquiridos, nos campos de futebol, nas capelas, nas basílicas, nas igrejas, nos terreiros, nos centros, nas encruzilhadas, nos sagrados Shopping Centers, nas Bolsas de Valores, nos chaveiros, nas lojas, nas passadas Torres Gêmeas, nas peregrinações, na estampa maledetta do dinheiro, nos porta-aviões, nos discursos vazios, nas lojas de hambúrgueres, nas árvores, nas bolinhas de natal, nas ceias de natal e no frango assado de natal e nos dias de dezembro (aliás, dezembro e novembro inteiros, porque os pedacinhos da ilusão devem mover o comércio!)

Ah, esse Rabi desconhecido, o Mashiach, se os homens o encontrassem em quaisquer lugares, certamente o desprezariam (porque não nasceu em dezembro!) porque será do sangue hebreu de Abraham, Itschak e Ya'akov, e porque seria instruído/instruindo por Moshè rabenu, e porque é o coração e o gemido de Yehoshua, dos Shoftim, dos Melajim, de David, de Sh’lomò, de Yeshayahu, de Yirmiahu, de Yejezkel, de Daniyel, de Hoshea, de Yoel, de Amós, de Ovadiá, de Yoná, de Mijá, de Najum, de Javacuc, de Tz'faniá, de Jagai, de Zejariá, de Malají e de todos os Yehudim de todos os tempos. Porque é a plenitude: a perfeita Creação/Creador; porque chora desde sempre, com gemidos de quem quer estar em Jerusalém – e ninguém pode amá-lo ou compreendê-lo se não souber amar Jerusalém, o Beit HaMikdash e a Torá!

Ah, esse Rabi, meu irmão, jamais poderia ter nascido de Atenas, em meio às festas e bacanais, porque não é filó-sofo: é a própria Sabedoria. Jamais poderia ter nascido de Roma ou de suas Províncias, em meio aos festins e orgias, porque não é jur-ista: é a própria Justiça. Somente poderá nascer em Judá, em meio às Festas de Pessach, e Shavuot, Yom Kipur e Sucot, e na alegria de um Shabat: porque ele será Shalom!

Choramos e esperamos nesta triste Galut, o tempo de seu reino. No “quatiere ebraico” da Via Olmo Perino, de Fondi, Província de Latina, na Itália, há uma antiquíssima Sinagoga que se chama Scuola, conhecida pelos italianos como Casa Degli Spiriti. Às vezes, quando caminho por aquele “quartiere” e paro no pequeno pátio florido diante da Sinagoga (ali, minha família viveu por séculos), meus olhos se enchem de luz e esperança. Enquanto fico ali, diante da Sinagoga, fora do “quartiere”, às minhas costas, exatamente atrás, ficam as três Igrejas Católicas de Fondi: Santa Maria Assunta, San Pietro e San Francesco. Mais distante, do outro lado da cidade, à minha esquerda, ficam duas Chiese Evangeliche di Fondi, e à minha direita, um grupo de muçulmanos. E eu, parado ali, sinto um calor invadir meu peito e é impossível não chorar, porque ouço das vias deste “quartiere ebraico” o clamor das vozes de centenas de judeus, levados e mortos, pelos religiosos de fora, pela sua inquisição, pelos fascistas, nazistas e outros canalhas injustos. E ouço, também, como auto-condenação, os sinos badalando incessantemente e alguma gritaria conjunta de igrejas evangélicas e vozes islâmicas.

Mas, do silêncio estranhamente respeitoso da Sinagoga, ouço a voz inconfundível de Mashiach, dizendo-me: “...o Espírito de HaShem יהוה está sobre mim, porque Ele me ungiu, para pregar aos mansos e revigorá-los: enviou-me a restaurar os chorosos de coração, a proclamar liberdade aos escravizados, e a abertura de prisão aos presos...”

Texto dedicado à memória de centenas de vidas que tombaram diante do furor bestial eclesiástico, nazista e fascista, durante os séculos no Ghetto do Lazio, Itália, cujo sangue e fé honro em cada uma das linhas da Torá. Às vozes judaicas que teimam em não calar pelos séculos e séculos até que possamos estar com Mashiach em Yerushalaim!

27 novembre 2003 – 2 kislev 5764 © copyright do autor


NÃO COPIAR SEM EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela US. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Advogado e Professor universitário.
Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato: professordellova@libero.it

martedì 2 settembre 2008

Da CONSCIÊNCIA ou, segredo do vinho no umbigo


Da CONSCIÊNCIA ou, o segredo do vinho no umbigo

por Pietro Nardella-Dellova

Nesta hora em que homens cuja inteligência e cérebro só funcionam para o plástico, cujos passos e atitudes sujam os lençóis da sua própria cama e o alcance indevido de suas mãos transformam as rendas dos vestidos da mulher em trapos, em assédio, em humilhação...Nesta hora em que muitos, tristemente, atraem uma pessoa à mesa e lhe vendem o pão, a amizade e o sorriso e o desonram na conduta mais rudimentar. O envergonham e o desprezam ao toque de uma corda desafinada... Por quê?

Porque sua mãe tornou-se a folha que o vento leva e seu pai, desprezados os princípios, transformou tudo ao seu redor em coisa comestível. A honra, a dignidade, o respeito, o limite, o apreço, a fidelidade, a reverência, tudo enfim, foi jogado em algum canto da casa...São os casos em que toda a construção, todo investimento, todo o tempo despendido, toda reunião, toda lágrima, todo sorriso, toda bênção, toda movimentação e toda música são, simplesmente, despejados na esquina.

Um dia terminará esta fase de lutas, de mal-estar, de antipática intolerância, de dúvidas, de desrespeito, de excitação e de ignorância. Um dia, entenderemos a diferença entre o amigo próximo e o inimigo; entenderemos que de cada ação resulta uma conseqüência que somente a nós interessa e que somente nós devemos experimentar! Um dia entenderemos a responsabilidade de cada ato, de cada palavra, de cada advertência, de cada negócio, de cada atitude...

Não se perca, nem permita que sua família se perca, nas “discussões teológicas de portão”, não permita que sua família se perca à mesa, não permita que sua família se perca na coisificação que, no mais das vezes, levam apenas a intrigas, à escuridão e ao afastamento do Eterno... Não se perca na indolência nem na inércia. Caminhe, seguro e liberto, dos fantasmas, dos ecos que atravessam suas décadas, das maldições conhecidas e desconhecidas, conexas e desconexas. Caminhe para o Alto, pelo deserto da liberdade e para o Monte... E suba o Monte para receber a Instrução, para sentir-lhe o fogo e receber o beijo dos ventos que batem contra pedras e inserem nelas a vontade do Eterno...

E ao atravessar estes desertos, e ao abandonar estas vozes que sussurram o hálito da maldade, e ao descer deste Monte, abençoe, sem perda de tempo, seus filhos em cada manhã, em cada tarde e em cada noite. Fale do Eterno para eles; ajude-os a amar o Eterno; ajude-os a entender a construção de cada dia; ensine-os a ganhar o pão justo e honesto a cada dia. Aponte-lhes as estrelas, e a lua, e o Sol, e os mares, e as flores, e os pássaros, e os animais, e os montes, e os jardins e, assim, somente assim, saberão o porquê de tudo ser “bom”, e o porquê do homem completo ser “muito bom”.

E ao construir sua cabana aos pés do Monte, olhe nos olhos da sua mulher como nunca antes, abrace sua mulher nos ventos que cortam as rochas e esfriam as areias do vazio e abençoe sua mulher, como se fosse a única bênção possível em sua vida. Como o braço que te segura e te dá a resistência cotidiana. Apresente a ela as flores de que ela é formada. Apresente a ela o perfume que a reveste. Cante para ela o Cântico dos Cânticos de Sh’lomo (Salomão) em cada dia, em cada madrugada e em cada noite e beba em seu umbigo o vinho de amores inimagináveis. Apresente a ela a coroa que a legitima como rainha de sua casa e a aplauda, e a louve, e a reverencie, porque ela é o braço do Eterno no seu mundo: é a sua mulher e a mãe de seus filhos!

Que os seus olhos sejam dela e os dela sejam seus! Que as suas mãos possam trazer o fruto do seu trabalho, do seu suor, da sua honestidade e da sua boa-fé e possam abençoar sua casa com o pão, fruto do seu apreço, do seu reconhecimento e do seu amor.

Partamos disto, exatamente disto: sem a mulher seremos pisados e nos faremos como o sal insípido e seremos como a lâmpada apagada. Sem ela desapareceremos no vácuo e nos desintegraremos no vazio da coisa nula!

© do autor São Paulo, 29 Kislev, 5766 (dicembre 2005) revisitado em Elul de 5768 (settembre 2008)

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre em Direito pela USP. Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e formado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Advogado titular do Escritório Pietrobuono, Nardella e Dellova Advogados, e Professor Universitário (Direito).

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lunedì 1 settembre 2008

Contribuição para o Midrash sobre a Parashá RÊE – in Devarim (Deuteronômio) 11:26 a 16:17


Contribuição para o Midrash sobre a Parashá RÊE – in Devarim (Deuteronômio) 11:26 a 16:17

Tendo feito a Bênção da Torá (pág. 357 do Sidur), desenvolvemos o Midrash sobre a Parashá Rêe, destacando quatro pontos fundamentais da Porção:

Abaixo uma síntese do Midrash!

1) A reafirmação da alimentação Casher e o corpo humano, como expressão máxima do cuidado com o próprio corpo (somos o que comemos!!!). O Eterno fez primeiramente o "corpo" e o considerou bom e muito bom, por isso mesmo o cuidado com o mesmo, o asseio, a alimentação, os exercícios, manifestam o respeito que temos com o nosso próprio corpo. Ao contrário do pensamento "comum" ocidental (não judaico) o corpo deve ser valorizado, respeitado e cuidado, pois é parte do "homem integral": corpo, alma, espírito e relações sociais! O corpo deve ser valorizado a fim de que a alma e o espírito se completem! Escolher a boa alimentação "casher", os relacionamentos saudáveis e "permitidos" por HaShem e respeitar-se enquanto um "ser humano" são manifestações do nosso processo de respeito e adoração a HaShem! Voltar-se contra o corpo, violando-o e permitindo que seja aviltado com relações ilícitas, é dar as costas a HaShem!

2) As duas faces da criação: Brachá (Bênção) e Kalala (Maldição), sintetizadas no trecho Devarim 11: 26-28, colocam cada judeu e cada judia em estado de "responsabilidade" a fim de optarem por uma ou outra situação. A Bênção (Brachá) está intimamente relacionada com a prática das Mitzvôt e a Maldição (Kalala), com a desobediência! Foi lembrado que todas as coisas já estão "creadas", feitas e constituídas, sobretudo, as "energias" que determinam a "bênção" e a "maldição". A questão não é de "vingança" de HaShem, mas, ao contrário, de Misericórdia, tendo em vista que Ele nos deu a Torá e as Mitzvôt para, primeiramente, Instrução e, em segundo lugar, constituição, formação! Ao negarmos uma Mitzvá, negamos todas, e negamos HaShem, pois, na passagem, em hebraico, de Devarim 11:27 (vide na parte em hebraico) aparecem três expressões significativas: Mitzvôt HaShem e Mitzvá!!! Ou seja, os Mandamentos (Mitzvôt, no plural) são de HaShem. Por isso mesmo são 613=1 (Echad): O Eterno é Um! No trecho, encontramos a expressão Mitzvôt de HaShem (Mandamentos de HaShem). No final da frase do pasuk (versículo) 27 encontramos a expressão Mitzvá (Mandamento) no singular dando o fechamento. Ou seja, é uma Mitzvá única o conjunto das Mitzvôt (613)! Baruch HaShem!

Ao nos voltarmos contra HaShem e contra as Mitzvôt ficamos "deformados" fisicamente, emocionalmente, espiritualmente e socialmente. Nossa face demonstra o defeito da desobediência e a conseqüente situação de "kalala" e deterioramos nossa vida pois, como ensina o Tanach (Torá, Profetas e Escritos) "...um abismo atrai outro abismo..."
Enfatizei que é um estado de infantilidade espiritual e imaturidade na experiência com a Torá querer, movido por forças emocionais, determinar uma bênção sobre qualquer pessoa (estranho ou parente) que, por vontade própria, coloque-se em "atrito" com as Mitzvôt, vez que a "bênção" possível a uma pessoa é cumpri-las (as Mitzvôt) em sua vida individual!

3) Os profetas idólatras! (Devarim 13: 2-6). É possível haver "profetas ou sonhadores" que mostrem sinais ou façam milagres! Fazer sinais ou milagres não é característica de um Profeta de HaShem! Ao contrário, o Eterno "nos testa" com manifestações mágicas, diante de profetas ou sonhadores "milagrosos" a fim de sabermos qual o nosso estado de "obediência" à Tora, diante de HaShem!

4) Os missionários idólatras! (Devarim 13: 7-12). É possível aparecer no nosso meio, social ou familiar, pessoas de nossa relação de amizade ou afeição (por exemplo, membros, filhos, filhas, esposas etc...) que, movidas por qualquer razão desconhecida, tentam desviar o foco, procurando conduzir os outros para distante do Eterno, das Mitzvôt e do Judaismo! O estado de missionário, nestes casos, é um defeito de caráter! Muitas pessoas têm a necessidade de "conduzir" outros, dominar sobre outros, influenciar outros! Não são apenas missionários "declaradamente idólatras", mas os que, de modo secreto, incentivam os membros de um grupo social judaico a descumprirem quaisquer das Mitzvôt (lembramos que são 613)! No mais das vezes, o mau incentivo do missionário idólatra (pois seu deus é seu "ego") relaciona-se a "idéias", "conceitos", "lashom hará" e uma influência contra os ensinamentos saudáveis transmitidos na Sinagoga!

Este é o resumo do Midrash! Baruch HaShem!

Nas bênçãos,

Rav Pietro Nardella-Dellova