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ברוך ה"ה







martedì 3 febbraio 2009

Entre Nicéia, Wittenberg e Gaza ou, RESPOSTA A VÁRIOS TEXTOS ANTI-SEMITAS

Entre Nicéia, Wittenberg e Gaza ou,
RESPOSTA A VÁRIOS TEXTOS ANTI-SEMITAS
por Pietro Nardella-Dellova

Resposta aos seguintes textos foram postados no grupo virtual de ex-alunos do Programa de Ciências da Religião da PUC/SP, em fevereiro de 2009.


Ao texto “A morte de Deus na faixa de GAZA”, pelo Prof. Eduardo Oyakawa (sociólogo, professor de religião no curso de Relações Internacionais da ESPM, Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP), e a resposta ao mesmo, pelo Dr. Ariel Finguerman (doutor em Estudos Judaicos pela USP e Universidade de Tel Aviv);


Ao texto “Que Guerra é Essa? Árabes Contra Judeus ?”, de Dom Robinson Cavalcanti, ose (Bispo Diocesano, Secretaria Episcopal, Diocese do Recife - Comunhão Anglicana), postado por Reverendo Ivo Xavier (divulgando o texto do “seu” bispo).


Pois bem, senhores, vamos à resposta.


Os textos do Prof. Oyakawa e do bispo Dom Robinson Cavalcanti, seriam mais bem aproveitados no púlpito de suas Igrejas, católica ou protestante, e não em grupo virtual de ex-alunos “cientistas” da Religião da PUC/SP, pós-graduados estes, de variadas correntes e formações! São textos esvaziados de sentido, sem análise objetiva e sem consideração multifacetada. Pobres em descrição geográfica e distorcidos em relação à História! Quando muito, sua leitura é apenas panfletária!!! Em que pese o respeito que devo a quaisquer pessoas e, neste caso, aos mencionados autores, antecipo não me referir a eles, mas aos TEXTOS!


São textos pobres e temerários, de construção escorregadia e superficial e absolutamente inoportunos, arrogantes e sem méritos!


Ao receber, e ler tais textos, fiquei pensando se o “silêncio” não seria a melhor resposta aos mesmos, mas, por respeito à minha inteligência, e a todos os participantes do grupo, Mestres e Doutores, muitos dos quais ex-colegas de módulos acadêmicos, e cafés nos corredores da PUC/SP e neste meu “mui querido programa de pós-graduação”, resolvi, então, responder.


O texto de autoria do bispo pretende informar que há uma História começando a partir dos anos 40, quando, na verdade, a História de Israel começa há 4.000 anos! E, desde sempre, Israel tem sido o alvo de ataques e insultos, vale dizer, desde Avraham avinu aos nossos dias. Nossa História não começa a partir dos anos 40, do século passado, mas há quase 40 séculos! Esse texto foi construído pelo sacerdote, como se a História Judaica estivesse em suas mãos, como se o universo judaico, cultural, religioso, jurídico e político, estivesse sob as mãos cristãs, quando, na verdade, é o contrário! O Judaísmo, sim, emprestou, até certo ponto, as bases para o Cristianismo inaugurado no Concílio de Nicéia, no ano 325 da era comum.


Este presente teria sido um grande avanço e uma grande conquista para os povos pagãos, sobretudo, os romanos (instituidores da Religião Cristã) não tivessem deformado o que receberam da Cátedra de Rabinos que viviam em Roma (mas, não eram de Roma), com inserções da, então, decadente Filosofia grega, dualismos religiosos persas e misticismos celtas, no mérito dos quais não entrarei agora, mas, fico à disposição para encontros mais científicos.


Esta mistura de categorias, conceitos e mitos gregos, própria dos romanos, vai inspirar Maomé (Muhammad) e seus seguidores na formação do Islamismo (ou dos Islamismos), em 610 da era comum, vez que esta Religião também aproveita fantasias pagãs gregas, persas e árabes, além de, como os cristãos, desvirtuarem as Escrituras. Refiro-me ao Tanach!


Mas, em vez de recebermos a gratidão pelo legado do monoteísmo, pelos princípios, pelos avanços científicos e pelo conhecimento geral, fomos perseguidos e massacrados. Bastaria lembrar que expoentes do Pensamento Filosófico e Científico moderno, beberam, todos, enquanto judeus que eram, nas mesmas fontes judaicas, ou seja, na Torá, nos Profetas, nos Cabalistas e em nossos Sábios. Vale citarmos, como exemplos, os Estudos de Karl Marx, na Economia; de Albert Einstein, na Ciência; de Freud e Fromm, na Psicanálise; de Hannah Arendt Arendt e Hans Kelsen, na Política e Direito.


E, ao contrário do que se pressupõe, enquanto os gregos, verdadeiros inspiradores do pensamento eclesiástico medieval, estavam se destruindo em suas várias “polis”, ou formando sua aristocracia excludente, nossos pensadores, os Nevi’im, muito mais antigos, séculos antes, já discutiam e abordavam questões como Justiça, Economia, Direito, Bem-Estar social, Reforma agrária e inclusão social. E mais, muitos séculos antes dos pré-socráticos Tales, Heráclito e Empédocles, nós já sabíamos sobre os elementos básicos, tais como fogo, terra, água e ar, e de sua composição orgânica!


Enquanto os romanos, formadores do Cristianismo, estavam arrancando raízes dos solos da península itálica, nossos Reis, David e Sh’lomò compunham Poesia e Louvor ao Eterno e à mulher amada, construíam Templos e julgavam com Justiça! E o que mais dizer? Talvez, que quando Constantino, fundador da Igreja, imaginava como salvar seu reino, nós já tínhamos, fazia mais de dois mil anos, nossa Legislação, nossa Jurisprudência, nossa Literatura e nossa Doutrina, ou seja, já tínhamos a Torá, os Nevi’im, os Ketuvim, o Talmud e uma vasta rede de Escolas, as nossas Sinagogas!


Mas, tudo isto que foi dado, como presente, aos pagãos romanos, não teve gratidão. E por que não citar o próprio Jesus, que nasceu, morreu e foi sepultado como judeu, a quem os romanos enlouquecidos transformaram em “deus”, em uma de suas lições, enquanto Rabino: “dez receberam, mas, apenas um voltou a agradecer”! Apesar de nós, judeus, ensinarmos “coisas escondidas desde a fundação do mundo” não tivemos o respeito devido. Nós, verdadeiros (e únicos) portadores da Instrução do Eterno, fomos esmagados durante toda a Idade Média, tanto por cristãos, quanto por islâmicos! Fomos expulsos de nossas casas em Portugal, Espanha, Europa oriental e, finalmente, enquanto “cristãos” católicos e protestantes cantavam “Glória, Glória...” nas capelas e igrejas alemãs, os alunos de suas Escolas Dominicais nos destruíam, levando 6 milhões dos nossos à morte insana e covarde!


Quando pareceu que os que de nós sobreviveram teriam paz, após o Holocausto, sob dos coturnos nazistas e fascistas, ocorreu que em nossas próprias terras e em meio às nossas preces fomos, e somos, atacados por grupos árabes, persas, islâmicos ou não! A diferença é que nos defendemos, e defendemos nossos filhos e filhas e a tantos que vivam, ou queiram viver, em Israel!


O texto do bispo, ainda, pretende apresentar os Judeus como divididos em askhenazim, sepharadies, falashas e, na explicação, aponta, ainda, judeus-cristãos. Obviamente, trata-se de um imperdoável equívoco, de desconhecimento inaceitável de alguém que se pretende líder de uma Comunidade religiosa. Existem, sim, judeus ashkenazi (oriundos do leste europeu), judeus sefaradi (oriundos da península ibérica),mas, existem os judeus ebrei (oriundos da Itália “que não são sefaradi”), judeus persas (que vivem desde os tempos de Esther no atual Irã), os judeus etíopes (negros), os judeus indianos (de uma antiga tribo, possivelmente, de Menassè), apenas para citar os mais expressivos! Não existe essa classificação de “judeus-messiãnicos” ou judeus-cristãos e, sim, cristãos com alguns costumes judaicos, com objetivos pérfidos de converter judeus ao cristianismo!


Ademais, é preciso conhecer geográfica e juridicamente Israel. É preciso andar nas ruas de Israel, de norte a sul, visitar as cidades israelenses para falar de Israel! Israel não é apenas uma “mesquita de cúpula dourada”, nem cavernas em que se pressupõe ter sido alguém sepultado ou outro ambiente turístico e religioso. Israel é mais, bem mais que isso!


Entrando em alguns museus, como o do Holocausto, é possível sentir o cheiro de morte de 6 milhões de judeus queimados, sob os olhos “piedosos” de religiosos nazistas! Entrando em outros, é possível encontrar “ossários” de pessoas que viveram e “morreram” nas primeiras décadas desta era comum, inclusive, de alguns pescadores, carpinteiros e suas respectivas esposas.


Em todos os textos citados, para os quais respondo, nada se fala de “irmandade muçulmana”, da qual fazem parte ou nela se inspiram, os grupos terroristas do Hamas, do Hisbolá, da Al-Qaeda, do Talibã, entre outros. Nada se menciona do odioso “Estatuto do Hamas” e, maliciosamente, fala-se em “palestinos”, quando Israel nada tem contra os palestinos, mas, contra os terroristas do Hamas e dos seus grupos fratricidas.


Ainda, como ato de absoluta injustiça nos textos, citam-se ícones do Judaísmo, como Martim Buber e Baal Shem Tov, sem nenhum conhecimento das obras destes luminares “judeus”, colocando-os de forma descabida ao lado de terroristas que se escondem, covarde e violentamente, atrás de mulheres e crianças, na Faixa de Gaza!


Entre as impertinências do texto do bispo, indicam-se cinco itens sob o título “o Novo Povo de Deus”, o autor apregoa o fim “do povo judeu”, tomando dele sua “Escritura”, e, assim como fizeram seus correligionários mais antigos, os romanos, “integram” o patrimônio judaico ao romano, dando-lhe a forma, ia dizendo, a deformação, que quer e o chama de “novo”, demonstrando absoluto desconhecimento de suas próprias origens. Aliás, este é, também, o discurso do Islã, atribuindo-se a si mesmo, a soberania e a substituição do Povo Judeu, por qualquer que seja ele, “islâmico” ou não, substituindo, em seus textos, por exemplo, Itzchak por Ishmael!


Mas, diferentemente dos cristãos e dos islâmicos, NÓS, judeus, não pregamos nossa Fé, nossa Cultura nem entregamos nosso D’us! Não queremos que o mundo se converta ao Judaísmo nem queremos dominar o mundo, objetivos, sim, destas agremiações cristãs e islâmicas. Apenas, queremos viver em paz com nossas famílias, educando nossos filhos na cultura e tradição judaicas, fazemos nossas preces diante do Eterno e, muitos de nós, esperamos que um dia o Mashiach venha! Os islâmicos já têm seu “messias”,a saber, Maomé. Os cristãos, também, criaram (ou recriaram) seu messias (ou seu deus), Jesus.

Nós, judeus, temos as nossas próprias convicções acerca do que seja “Mashiach”, temos a nossa Torá, fonte maior da nossa Educação e Cultura (mas, não é a única) e pretendemos viver, onde quer que nos encontremos, em absoluta paz com nossos vizinhos. Os nossos que vivem em Israel e o governam, têm meticuloso respeito pelos muitos cristãos e muçulmanos que lá vivem, pelos seus lugares sagrados e de culto! Nada obsta que tais pessoas pratiquem sua religião em Israel!


Pois, em Israel, somos um Estado de Direito. Temos uma Constituição e todos as Instituições democráticas. Também, temos, como qualquer país, as nossas Forças Armadas que demonstraram, mais de uma vez, que o Eterno está conosco! Toleramos e vivemos bem com os palestinos e outros povos que vivem em Israel, sejam ou não judeus, mas odiamos, com ódio implacável, os terroristas, sobretudo, terroristas que matam seu próprio povo, as suas próprias crianças,as suas próprias mulheres e, covardemente, convertem seus familiares em “escudo humano”!


Obs.: caso queiram receber o textos dos autores citados,contra os quais, foi escrita esta “resposta”, pedimos que solicitem no e-mail abaixo!


SP, 3 de fevereiro, 2009


© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor de Direito.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato/Autorização: professordellova@libero.it

4 commenti:

Renato Dellova ha detto...

Caríssimo Professor, salve!
O texto é oportuno, pois esclarece, sem deixar dúvidas, a conduta de Israel frente àqueles que são contra à vida, bem como demonstra a convivência harmônica com quaisquer povos, inclusive, dentro do Estado de Israel.
Um forte abraço e Shalom!
Prof. Renato Dellova

Tânia ha detto...

Agradeco o convite em partipar e ter melhor conhecimento de um assunto tao polemico.
Rcebam meu comprimentos,
Tania Spinelli Voogd.
taniaspinelli@yahoo.com

Maria Thereza ha detto...

Caro Professor, pouco sabia sobre a história do povo Judeu. Tenho noção do tempo da historia, claro, mas não de tanto tempo. Como o senhor mencionou, os fatos e o tempo da história me parecem sempre equivocados. Claro, são colocados de acordo com a necessidade dos que deles falam ou retratam.
Confesso que o assunto Palestina e Israel sempre me deixou muito intrigada com o tamanho do ódio e revolta. De onde viriam e há quanto tempo? No entanto, agora, diante do seu texto acredito que deverei procurar saber mais, pois percebo que, perante os fatos, o pouco sei não se parece muito com o explicado pelo senhor. Como sempre, fatos históricos manipulados! Como nossa juventude poderia escapar disto, uma vez que dependemos de escolar para nos educa?
Prezo o ser humano, seja de que religião ou nacionalidade for. Acredito também que assim como o Povo Judeu, o Povo Palestino tem direito. Sinto que não me cabe dizer aos povos como se controlar ou conduzir e sinto também, e acredito que a violência não vai ser resolvida com a mesma!
No que entendi no seu texto, o senhor acredita que isso não terminará, ou se extermina o Hamas e seguidores ou nunca se verá paz nestes povos.
Senhor, fui educada como Cristã, sei que muito da minha religião foi manipulado e é exatamente isto que se vê na tentativa medíocre de um membro da igreja Cristã, no ato em questão. Só posso dizer que sinto muito e espero que a mente humana possa, talvez com o tempo de vida e experiência, não se deixar envolver por questões que dizem respeito à vida de paz, sem muito estudo e conhecimento.
Admiro o desejo de união entre os povos vindos do povo Judeu. Acredito que assim deva ser com todo e qualquer ser.
Senhor, muito obrigada pelos fundamentos históricos. Faço minhas suas palavras no defender a paz entre os povos!
Parabéns pelo texto, por demais explicativo!
Muita Luz
Maria Thereza

Ricardo Nespoli ha detto...

Caro Rav,
muitos escrevem, muitos acreditam, muitos são professores, mas poucos querem ser filhos de Avraham.