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ברוך ה"ה







venerdì 13 marzo 2009

TITANIC ou, da atual crise financeira e econômica, dos economistas, dos profetas, curandeiros e massa dos porões


TITANIC ou, da atual crise financeira e econômica, dos economistas, dos profetas, curandeiros e massa dos porões

por Pietro Nardella-Dellova

Assim como sucedeu com o Titanic, o navio que nem “deus” poderia afundar, a atual crise financeira e econômica começou sendo a expressão do desprezo de alguns poucos por todos. Há quase cem anos, os construtores daquele navio, bem como, uma pequena elite, abusaram de sua ascendência sobre uma grande massa, transgredindo normas básicas de segurança, entre as quais, a não disponibilização de botes salva-vidas para todos!

Enquanto naquelas salas luxuosas, homens e mulheres, movidos pela sua vaidade, ausência de princípios e apego desenfreado pelo dinheiro, fumavam e bebiam, dançavam e ostentavam a arrogância própria dos covardes (que mandam), abaixo, nos porões, centenas de pessoas eram levadas pelo sonho de “fazer a América”, ainda que isso signifique lavar as latrinas dos grandes estelionatários!

Na atual crise, o desprezo pelo mundo real veio dos bancos, grandes e pequenos, dos governos financiados pelos bancos, dos presidentes de bancos centrais do mundo todo, dos agiotas, oficiais ou não, que vivem da saúde alheia, e dos economistas, todos os economistas, cujos “dipromas” não foram suficientes para lhes preparar o cérebro e afinar-lhes a crítica, sejam eles, professores de Economia ou simplesmente comentaristas de plantão e, sobretudo, dos representantes do povo! A competência dos economistas é medida na exata proporção do tamanho da crise, assim como a do médico em diagnosticar uma grande enfermidade em seu paciente!

Abaixo, nos porões, a massa sendo levada a “fazer a América”, comprando de modo doentio, endividando-se de modo desordenado e dando “glórias” a um falso deus chamado “Mercado”! Das tribunas, monarcas em postos de presidente, alcoolizados e enlouquecidos, dizendo: “comprem, comprem,comprem!” Ao seu lado, curandeiros fazendo farra com o dinheiro público, pagando horas extraordinárias a vagabundos que, normalmente, não trabalham nem em horário normal! Alguns nem existem! E, nos arredores das duas Casas de Jogatina, profetas da Avenida Paulista, com suas rezas: “dá, dá, dá!” E a massa cantando, cantando, incansável, dando seus dízimos para meliantes consagrados na Praça da Sé. A mesma massa que criou tantos “messias” idolátricos esperava que do Quênia viesse um novo messias! Por isso mesmo, passou a noite, a madrugada e o dia em orações fervorosas!

E, como cantou Drummond: “no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra...” Pois bem, a vaidade, o desprezo, a avareza, o materialismo e a sensação de eternidade sob os pés, encegueceram construtores, investidores e dirigentes do Titanic diante de uma pedra de gelo perdida no meio do mar. Mas, também, estavam cegos os criadores de messias, os crentes do deus Mercado, os pequenos investidores de dízimos, os fazedores de souvenir, de bandeirinhas, copinhos, comedores de hambúrgueres nos metrôs metropolitanos, os espiões do BBB e os que depositam sua fé e força no além!

Finalmente, a pedra naquelas águas gélidas afundou o Titanic. Morreram mais de 1500 pessoas – a maioria presa aos porões ou na estupidez de seus messianismos e crendices! Os grandes, os freqüentadores dos salões inimagináveis, na sua maioria, encontrou a salvação, não em crenças ou no fervor das vigílias, mas em botes salva-vidas, exclusivamente, preparados para eles, só para eles! A crise financeira já está resolvida, os bancos salvos, os monarcas com seus empregos mantidos, as Casas da Jogatina continuam com o dinheiro público saindo pelo ladrão (ou ladrões) e os profetas paulistanos com seus bolsos atenuados!

Enquanto isso, a crise econômica continua: vinte milhões de chineses voltam para suas valas comuns, milhares de lavadores de latrina devem deixar os bueiros de New York e idiotas de todo gênero perdem seus empregos na maioria das metrópoles de todo o mundo! Acabou o tempo de produzir souvenir “made in china”. Mergulhemos no gelo dos mares do Atlântico Norte!


© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO, ADSUM e FIO DE ARIADNE (org.), das traduções FILOSOFIA DEL DIRITTO PRIVATO (de P. Cogliolo) e GIUSTIZIA (de Z. Zini), bem como, das teses A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (PUC/SP) e A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (USP). Professor de Direito.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato/Autorização: professordellova@libero.it

1 commento:

Ricardo Nespoli Coutinho ha detto...

Bom paralelo caro rav,
porém não nos esqueçamos de rezer pelos líderes desse mundo. Presidentes, juizes, Rabinos. Que HaShem lhes de sempre sabedoria para que o mundo criado por Ele, esse planeta que está em pleno céu, não céu cristão, mas o da astronomia possa avançar. E principalmente líderes ter líderes capazes de dar aos que precisam , necessitam , carecem referências da Torá.