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ברוך ה"ה







mercoledì 13 maggio 2009

IETZER HATOV, IETZER HARÁ e LIVRE-ARBÍTRIO ou, das inclinações graduais para o bem e para o mal e seus processos decisórios

IETZER HATOV, IETZER HARÁ e LIVRE-ARBÍTRIO ou, das inclinações graduais para o bem e para o mal e seus processos decisórios

Pietro Nardella-Dellova




Sou homem livre –livre para voar- e estar, e andar:
livre para viver
(NO PEITO, 1989, pág 40)

Os seres humanos são caracteristicamente inclinados aos atos bons e aos atos maus. São inclinados para o bem e para o mal! É uma característica apenas humana, alheia a quaisquer outros seres da natureza. Assim, o ser humano, e apenas ele, possui um poder decisório, conhecido como “livre-arbítrio”, cujo desenvolvimento se faz especialmente na experiência cotidiana, diuturna, e plural, com os atos de bondade e com os atos de maldade.

Nada há para além do homem e da mulher, que seja bom ou mau. Não há substância ou personificação do bem e do mal. Nada há, seja real, ficcional ou virtual, que possa ocupar-se das inclinações exclusivamente humanas, apenas (e tão-somente) a própria experiência humana, fundamentada no livre-arbítrio, ou seja, nos julgamentos e decisões que impulsionam o homem adiante ou o atrasam morbidamente! Reflitamos sobre o insuperável mito edênico da árvore do conhecimento do bem e do mal, registrado no Livro de Bereshit, na Torá. Na verdade, no texto hebraico, a tradução melhor é: “árvore do aprofundamento no bem e no mal” ou, simplesmente, “árvore da experiência com o bem e com o mal”, cuja mensagem primordial é o das inclinações para o bem e para o mal ou, em hebraico, Ietzer Hatov e Ietzer Hará.

Bom ou mau são categorias morais (de movimento). Bem ou mal (nada de letra maiúscula) são categorias indicativas e éticas (de comportamento). Movimento e comportamento, indicados pelo livre-arbítrio, traduzem a diferença, aliás, a única diferença entre seres humanos e outros seres da natureza!

Portanto, é no comportamento, na atitude, na realização continuada, na resposta face ao dia-a-dia, na maneira de abordar uma situação ou nos critérios de julgamento profissional, jurídico, familiar, religioso, empresarial, econômico, financeiro, acadêmico, social, que verificamos, de modo inequívoco, o nível de ietzer hatov ou de ietzer hará, de uma determinada pessoa! Quanto mais envolvida com práticas negativas e alheia a princípios bons, tanto mais as atitudes e os critérios de ação de uma pessoa serão negativos ou desprovidos de lastro moral ou ético bons.

Em outras palavras, a prática constante de atos maus, cria o ambiente propício para a formação de uma pessoa que, no tempo-espaço, não terá recursos para decidir e agir pelo bem. E neste universo de ietzer hatov e ietzer hará vale a graduação. Eu explico melhor.

Não importa qual seja o ato/atitude para o mal ou para o bem. Seja o ato de cortar uma flor, de esmagar um inseto, manter peixinhos em aquários, de responder rispidamente, de faltar a um compromisso, de lançar um papel de bala à via pública, de mencionar o nome de alguém ausente; seja o de destruir florestas inteiras, atirar uma pedra contra um passarinho ou prendê-lo em uma gaiola, matar golfinhos ou baleias, difamar ou desmoralizar uma pessoa, descumprir um contrato ou obrigação, lançar produtos químicos na terra, ar ou água ou caluniar alguém; seja destruir o planeta, matar uma pessoa (em todos os sentidos) ou não se importar com o que ocorre ao redor, ou qualquer outro ato/atitude negativos, tudo, tudo mesmo, está ligado em uma linha de graduação do comportamento humano para o mal ou de comportamento mau. Lançar um papel de bala à via pública ou lançar produtos químicos nos rios, terra ou atmosfera, é a mesma coisa. Esmagar um inseto, prender um passarinho ou manter no aquário um peixinho e matar uma pessoa, dizimar espécimes ou matar golfinhos e baleias, é a mesma coisa! Mencionar o nome de uma pessoa ausente, difamar outra, caluniar uma terceira e matar alguém, é a mesma coisa! Comer hambúrguer, com os dentes cheios de pão e carne é a mesma coisa que consentir que milhares de animais sejam maltratados, violentados, torturados e mortos com requintes de crueldade!

Seja o ato de não jogar sementes das frutas que comemos no lixo ou de investir no replantio de florestas inteiras, é a mesma coisa! Não ligar um carro desnecessariamente é a mesma coisa que plantar uma árvore. Salvar uma abelha que caiu no copo de suco e proibir a caça de qualquer animal em qualquer tempo, é a mesma coisa! Ser criterioso com o destino das coisas que não nos interessam é a mesma coisa que não destruir o planeta inteiro. Não falar o nome de alguém ausente é a mesma coisa que propiciar a vida das pessoas. E cumprir a obrigação cotidiana vale mais que reclamar no Judiciário! Qualquer ato/atitude de caráter benéfico está ligado a um ambiente de ietzer hatov, de comportamento para o bem ou, simplesmente, comportamento bom.

Quanto mais tempo alguém viver comportamentos negativos, em qualquer graduação, mais difícil será a experiência com o bem ou experiência boa. Assim, também, quanto mais tempo alguém viver e experienciar atitudes boas ou para o bem, em qualquer graduação, mais difícil será que se encontre em um ambiente maléfico ou negativo.

Pois o Ietzer Hatov ou o Ietzer Hará, inclinações para o bem ou para o mal, caracterizam, de fato, a pessoa humana, mas, no início da vida, nos primórdios, na infância, é apenas como o broto de bambu, leve e até comestível. É na sua infância que os seres humanos vão, com graduação, aprendendo a usar o livre-arbítrio para disciplinar suas inclinações. Mas, ninguém aprende ouvindo ou rezando, aprende fazendo, realizando. Enfim, ninguém, em sã consciência, diria de uma criança, adolescente ou um adulto, sobretudo, na terceira idade: “ele tem um bom ou mau coração e seus pensamentos são do bem ou do mal”. Em sã consciência, o que pode ser dito é: “ele tem uma atitude boa ou má e resolve seus problemas diários com critérios e princípios do bem ou do mal”. Pela experiência com a árvore do aprofundamento do bem e do mal, as pessoas desenvolvem, gradualmente, uma moral e ética, do bem ou do mal!


São Paulo, 13 maio, 2009 – 19 Iyar, 5769 (34º dia do Ômer)

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO, ADSUM e FIO DE ARIADNE (org.), das traduções FILOSOFIA DEL DIRITTO PRIVATO (de P. Cogliolo) e GIUSTIZIA (de Z. Zini), bem como, das teses A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (PUC/SP) e A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (USP). Professor de Direito.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com
Contato/Autorização: professordellova@libero.it

5 commenti:

Ricardo Nespoli ha detto...

Coisas boas acontecem a pessoas boas, e coisas más acontecem a pessoas más porque aqueles que são bons vivenciam aquilo que lhes acontece como sendo bom, e pessoas más sentem o que lhes acontece como sendo mau.

Fernanda Dutra ha detto...

Salve, Dellova.
Somos responsáveis por nossas atitudes.Não podemos transferir nossas responsabilidades para o próximo.Sem julgar e sim ajudar, refletir sobre o nossa função e responsabilidade aqui no mundo. Infelismente nos deparamos com pessoas que se preocupam em fazer o mau, talves, nem percebam o mau que fazem para si próprio. Um grande e forte abraço. Agradeço, professor Dellova, a oportunidade de poder ler os seus belíssimos textos, tem acrescentado muita sabedoria em minha vida
Bjs.

Atie Cury ha detto...

Dellowa,
Você e uma pessoa especial para Deus.
Meu curso de Direito não teria sido o mesma sem voce como professor.
Você e o Cara.
Abraços
Atie Cury – USF 1994.

Maria Thereza ha detto...

Professor,
Concordo com o amigo Ricardo,vivenciamos aquilos que espargimos ao nosso redor. Se bom, tudo de muito bom nos voltará e se mal...
O principal, no meu entender, é não saber-se no mal. Não ver o que realmente é mal nos nossos atos. Apesar de tanta informação e poder de sabedoria, muitos são aos que preferam se deitar ao mal por achar que é menos trabalhosos. O estar e fazer o bem parace-nos muitas vezes penoso e demorado. Talvez aí se fala tanto do "jeitinho..."
A verdade é que precisamos estar atentos todos os dias , segundos , minutos e horas em nossos atos para usar o livre-arbitrio no sentido do melhor para nos. E entender que tudo tem uma resposta, seja quais forem os nossos atos....o principal: Assumi-los!
Muito obrigada pela oportunidade de ler seus textos, são fantasticos!

Leila Uzzum ha detto...

Salve Dellova!

Penso que, a escolha entre o bem e o mal, entre o mau e o bom depende exclusivamente do tipo de educação.
Falo da educação baseada em princípios éticos, morais e ligação com o eterno, na expressão do amor ao próximo.
Esta educação deve estar acima do medo, deve ser fundamentada no respeito a si e ao próximo.
Porém educar é uma atividade que exige algo além de palavras. É preciso ser exemplo. Como ensinar ou exigir algo que não se pratica?
Portanto fazer escolhas é um exercício constante para a transformação das vicissitudes, trazidas por situações da vida, como oportunidade de escolher o bem, o bom, o belo e o agradável.
A vivência exige que façamos escolhas todos os dias, entre o certo e o errado, porém o errado é sempre aquilo que é mais fácil, descer a ladeira é fácil, subir é difícil, é uma tarefa árdua, porém no alto se encontra a beleza, a verdade e o êxtase. Portanto é necessário vencer as Resistências e procurar os picos mais altos, e isso certamente é difícil. Contudo as nossas escolhas implicam em responsabilidades que nos conferem liberdade de ser o que quisermos.
Entretanto o mais difícil, o mais trabalhoso é sempre a melhor escolha.Afinal as conseqüências quem experiênciara será sempre o próprio indivíduo.Até que faça escolhas inteligentes de coração.

bjs