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ברוך ה"ה







venerdì 26 giugno 2009

PÓS-MODERNIDADE ou, A HORA E A VEZ DOS RATOS


PÓS-MODERNIDADE ou, A HORA E A VEZ DOS RATOS
Pietro Nardella-Dellova

Os ratos também ficam em pé, sobrinho!
(Rav Giam, em um encontro)

Após tantos milênios em busca da própria humanidade, vencendo déspotas de todo gênero, opressores multifacetados, canibais famélicos, aristocratas perdidos na Ágora, homens-deuses enfurecidos, psicóticos medievais, senhores e reis enlouquecidos, descobridores e colonizadores impiedosos, exploradores de mão-de-obra branca, negra, indígena, amarela, azul e verde, manipuladores e destruidores de vidas e famílias inteiras, religiosos obscenos, mentirosos em cátedras, tribunas, púlpitos e praças, legisladores psicopatas, governantes delinqüentes e juízes fúteis, finalmente, perdemo-nos. Após todas as lutas, deixando mitos soterrados, reis comendo a grama entre animais, opressores guilhotinados, religiosos limitados a espaços ínfimos e porões de rezas, perdemo-nos, tristemente, na mediocridade. E as vitórias se transformaram em lixo...

Após tanta filosofia, tantos debates acadêmicos, tanto progresso econômico, entregamos, por fim, nossas almas para os nazistas e fascistas, sob as bênçãos das cruzes, dos padre-nossos e das políticas ocidentais. E, depois de tanto sangue derramado, em nome da democracia e da liberdade, deixamos que os fabricantes de armas e comerciantes de petróleo dominassem o mundo. Enquanto parecia ainda ecoarem as vozes de Luther King e Gandhi, entre as linhas de “Imagine”, fuzilamos milhões de civis, de todas as cores e credos. Enganamos todos e tudo e, quando a grande bolha criou feridas nos nossos olhos incautos, investimos trilhões de dólares para salvar instituições que nos matam a cada dia, em cada fatura e em cada extrato!

Quando pensávamos que Geni e o Zepelim se referissem aos desmandos das marionetes militares, descobrimos que servem, tanto quanto, para o baixo clero, alto clero e respectivos. Enquanto ainda falávamos dos cafés impedidos no Largo de São Francisco, descobrimos que centenas de delinqüentes, escondidos sob a vestimenta do inspirador nome de Congresso, por omissão ou por ação, por negligência, imprudência ou imperícia, violava o pressuposto básico da boa-fé e destruía, por completo (e por tempo duradouro) o princípio de não causar prejuízo a outrem! Enquanto ensinamos o sistema jurídico pouco eficaz, os seus criadores usavam o dinheiro público, tirado de forma violenta e indefensável do salário (que nunca será renda!), para o pagamento das viagens (e das orgias) de suas mães, de seus irmãos, de seus correligionários, dos sem-terra, dos com-terra, dos sem-teto, dos com-castelo, das namoradas e de suas prostitutas televisivas!

Transformamos um sonho delicado e poético em concreto sufocante, sufocante, sufocante... O sonho e a poesia foram de graça, espontâneos; o concreto, roubado!

E medimos o amor pelo tamanho da conta bancária e tudo que era sagrado, humanamente sagrado (jamais, religiosamente sagrado!) foi coisificado, reificado, reduzido a coisas! E transformamos o corpo, em uma imagem, distante e vazia. E trocamos o abraço, próximo e intenso, por salas virtuais, grupos virtuais, encontros virtuais, por bonequinhos idiotas que riem sem parar, sem razão e sem verdade. E tudo o que era suor e saliva, perfume e sons da pele, foi deixado em uma tela, e transformado em resíduo cancerígeno e asfáltico!

E o que era sábio e inteligente, pulverizou-se e perdeu-se entre milhares de livros-lixo em estantes de mercado. Obras inteiras, pagas com o tempo diuturno de estudiosos dedicados, foram esquecidas e substituídas por resumos, sinopses e cópias de esquina. Conduzimos às cadeiras dos antigos mestres da literatura, alguns pervertidos esotéricos, alguns senadores hipócritas e donos de redes de televisão, e deixamos passar velhos poetas, ainda que “passarinho”, e os deixamos morrer em algum quarto do Sul. E as nossas mentes reduziram-se a pó, plástico, imagens e outras invenções noturnas e bestiais!

Rompemos o diálogo aberto e pontual, profundo e analítico, programático e ético, com os professores de nossos filhos, porque queremos que eles os elogiem, digam algo que legitime nossas condutas indesculpáveis. Porque precisamos de boletins com notas para justificar o preço das escolas e não importa quais os critérios pelos quais se obtenham tais notas, afinal, o fins justificam os meios! Não queremos saber o quanto nossos filhos cresceram por dentro, o quanto se tornaram éticos ou o quanto podem interromper a destruição que iniciamos do planeta. O mais importante, afinal, é que sejam melhores do que todos os outros, mais fortes, mais sedutores, com celulares mais modernos, que ostentem o poder de booling sobre todos os outros, como sinal ariano de superioridade. Por isso mesmo, fazemos fila dupla na frente das escolas e buzinamos (às vezes até gritamos), para que os guardinhas vejam nossos carros, para que os professores vejam nossos carros e para que todos vejam os nossos carros. A escola foi transformada em um curral!

Esquecemos a noção e o conceito de estudo, de pesquisa, de investigação! Rezamos por iluminação, queremos que a divindade nos ilumine! Queremos títulos, diplomas e certificados de participação em cursos, ainda que tenhamos passado o curso inteiro trocando mensagens ao celular, colando e falando mal uns dos outros (e todos do professor). Ainda que não tenhamos elaborado uma única questão ou criado uma única idéia original, verdadeiramente original, queremos, mesmo, que o mundo diga que somos instruídos, por isso mesmo investimos nas colações de grau e nos bailes de formatura, nos anéis de formatura (colocados em garras) e nos álbuns, reais ou virtuais! Por isso mesmo, investimos em becas e togas, para nos cobrirmos e escondermos a vergonha da ignorância e as tendências vampirescas. Não queremos ser esclarecidos, não queremos pensar, não queremos desenvolver nenhum raciocínio crítico. Não queremos aperfeiçoar nada. Não queremos trabalhar em projeto algum. Queremos o projeto alheio, baixado da internet! Apenas precisamos de uma imagem, de uma fantasia e de uma personagem. Não queremos discutir o direito material, substantivo nem seu sentido nas relações humanas, queremos, apenas, saber como se faz uma petição inicial (para iniciarmos um processo do qual nunca mais nos ocuparemos). Não queremos explicar a quem nos procura quais sejam os seus direitos, mas queremos que ele saiba profundamente sobre os nossos honorários! Não queremos desenvolver uma inteligência e uma ética social, queremos apenas um emprego público e estável. Não queremos pagar, queremos apenas receber! Não queremos o café que nos inspire às grandes idéias e projetos, queremos apenas a oportunidade de falar qualquer coisa que seja simplesmente mal da vida alheia. Porque descobrimos, agora, que nada é descartável, mas deletável!

Aliás, precisamos mesmo nos alimentar da maledicência infecciosa, da sujeira que formamos no curral, do pó e do plástico noturnos, do serviço público, do resíduo, da lágrima de quem teve seu direito violado e jamais reparado, das pétalas de flores murchas que entregamos no dia da formatura, do guardinha que esmagamos na porta da escola, dos preservativos usados pelos delinqüentes no estupro contra a pobre Geni, da mediocridade e do lixo (ainda que virtual), e das ruínas do Judiciário, usado de forma pessoal, econômica e política, para sentirmos, em plenitude evolutiva, a vida vibrante em nossa longa cauda, escura e escamosa, desprovida de pêlos, responsável pelo nosso equilíbrio sobre os varais das roupas socialmente sujas!


São Paulo, 26 maio, 2009 – 3 Sivan, 5769!

© Prof. Pietro Nardella-Dellova רב בן עבדיה. Mestre em Direito pela USP. Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola - בית מדרש‎ - Beit Midrash. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Poeta, autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), das traduções FILOSOFIA DEL DIRITTO PRIVATO (de P. Cogliolo) e GIUSTIZIA (de Z. Zini), bem como, das teses A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (PUC/SP) e A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (USP). Professor, Palestrante, Coordenador de Curso de Direito e Judaísmo e Consultor Jurídico e Acadêmico, desde 1989.
Mais informações, veja CV LATTES/CNPQ/MEC: http://lattes.cnpq.br/1306316250021237
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11 commenti:

alan ha detto...

Visceralmente verdadeiro... como uma "Síndrome do Emputecimento Progressivo", revisitando Furio Lonza nos tempos da Chiclete (estou ficando velho). Aguardarei seu contra ponto, afinal, tem que ter alguma coisa no fim do túnel, que não seja o próprio trem...

fatimapombophotos ha detto...

ate parecia que eu estava "vendo"na minha sala de aula, o comportamento
dos colegas e da professora de Sociologia, que em todas as aulas cita como exemplo programas absurdos das tvs brasieliras.Sem contar com a tremenda gafe que comentou ao se referir a data de seu proprio aniversario, como tendo nascido num dia cuja pessoa (não cito o nome por extenso mas que foi uma aberração que usava bigodinho e que levou ao Holocausto milhões de pessoas...)
era uma grande personalidade,
eu quase cai da cadeira com isto....

Fernanda Dutra ha detto...

Querido professor Dellova, logo após ler o seu belissimo texto, que deveria ser publicado em todos os jornais e revistas do País, eu li uma matéria no jornal, Estado de São Paulo, sobre "casos de gravidez na infância crescem com abusos sexuais. Meninas com idades entre 10 a 14 anos". O que será de nossas crianças? O pós-modernidade será o futuro de nossas crianças? Me sinto completamente incapaz diante desses ratos que ficam em pé, sim!!!!! vejo vários todos dias o tempo todo!!! que vestem roupas e sapatos de "grife", que falam (discursos)e o pior eles (os ratos) se reproduzem rápido, viram uma peste!Concordo com o amigo Alan, "tem que ter alguma coisa no fim do túnel". Que não seja RATOS!!!!
Abraços

Maria Thereza ha detto...

Professor,
Que palavra incrivelmente afetada de infecção o senhor pronunciou. Maledicência!
Parece-me que tudo vem depois dela. Como se tudo começasse a ruir, infectar, desmoralizar,...
Temos que continuar tentando manter um mínimo de ética moral, respeito, consideração, compaixão, mas pergunto: Como? Verdade, os ratos se proliferam muito mais rápido do que tentamos. Receio que o amigo Alan possa estar com razão, deve haver alguma coisa no fim além do que vemos. Mas confesso que temo não saber mais se o que vem não é o trem.
Tenho pânico só de ver e conviver com jovens que não sabe quem foi... (qualquer um que tenha trabalhado efetivamente para melhoria da educação ou mesmo do social, neste país), eles só conhecem o cara da musica tal, o passante de energia branca da escola e quantas grades possuem seus condomínios. Entendo muito bem a preocupação da Fátima.
Professor, o senhor realmente acredita que UM DIA, vamos colocar em praticas regras simples de respeito ao outro? Vamos esperar mais quanto tempo para ver resultado? Mas como, se os ratos andam muito mais rápidos e são anos luz mais “Safos”. É aí que mora o meu medo e insegurança!
Professor, parabéns pelo texto e por nos permitir raciocinar e relatar inseguranças, medos, revoltas e exaustão no tentar resolver.
Abraços

Leila ha detto...

Salve,Dellova!
Li seu texto, refleti sobre cada palavra e cada exposição. Creio que respondeste a minha pergunta.
Parece-me que realmente a PAZ está muito longe de ser conquistada.
Então me perguntei: O que está por traz da megalomania: - Sonhos frustrados de meninos rejeitados por seus pais?
Lembrei-me da quadro “Narciso” , e da figura mitológica que o inspirou, e pensei:
“Talvez o Narciso até deixe de olhar para si quando perceber que seu reflexo é a mais pura lepra destruidora, mascarada pela boa vontade dos superiores, jogando migalhas aos cachorrinhos morrendo de fome.”
Mas, como boa Cristã talvez com uma alma de Judia, perdoe-me colocar assim: Mas foram suas próprias palavras que me disseram isso. Creio que ainda florescerão homens verdadeiramente de boa vontade após o extermínio pela conscientização do povo, dos megalomaníacos.
Essa conscientização se faz pouco a pouco com textos e atitudes como as suas. Fernando Pessoa diz: “ A história acontece com as nossas ações.”
A cura dos males só acontece com a conscientização, essa talvez seja a Luz no fim do Túnel.
Quem tem um pouquinho de consciência, muda sua história, a história de sua comunidade, de sua cidade, do seu pais e por fim do mundo. Essa conscientização deve provocar mudanças na raça, na diversificação de valores, na justiça, na economia e no social, de forma que o indivíduo assuma sua dignidade humana.
Cabe a cada um colocar os pingos nos iis e cuidar do que é nosso, através da reeducação dos adultos, dos jovens, para que, a educação das crianças seja baseada na ética, que altera o que podemos vislumbrar no fim do Túnel... UM FUTURO BRILHANTE. Recuso-me a ser pessimista, pois como a águia creio que estes momentos são de transformação para podermos voar em direção da Linha do Horizonte.
Não posso crer que um lugar chamado Brasil que significa ILHA DO PARAISO PERDIDO, se mantenha pela eternidade perdido nesse caos.
Penso e peço a Deus que permita que futuros professores e mestres, tenham a alma como a tua, pessoas ideológicas e humanistas como tu, para orientar o povo nessa profissão de Brasileiro a desenvolverem a razão, a fala e o compromisso, para que haja a expressão de valores do bem num País mais Ético, tendo essas pessoas também, como diz a música; “Uma ideologia para viver”. No nosso caso é necessário uma ideologia ética para mudar.

Abraço.

Guilherme R. Fauque ha detto...

Fantástico texto! Ganhaste um leitor assíduo do blog.

Jbernardo ha detto...

Fecundo, erudito,verdadeiro?!Uma sensibilidade macrocósmica?Não sei não!Sou apenas um espírito com olhos voltados para o conhecimento. Não poderia dizer nada que realmente este merece.
Meu espírito se sentiu vivo ao entrar em contato com esta arte.

Moderador ha detto...

então, coma Merda - milhões de Moscas não podem estar enganadas!!Ahhhh, e seja feliz !!![frase FANTÁSTICA do Mestre Dellova que retirei de seu perfil no orkut]

Mestre, coloquei a frase no meu orkut e na comunidade dedicada a sua homenagem no orkut, respeitado o direito autoral ao seu nome.

Bjs e continue nos iluminando com seus pensamentos e frases

Sash ha detto...

AO MESTRE DELLOVA:



Lamento pelos seus alunos...perderão, de modo irreparável! Mas, quando descobrirem que perderam, será tarde demais...Lamento, também, porque a Educação Jurídica está longe de formar pessoas de bem. Comumente são formados oportunistas e, no meio desta "merda" toda, de quando em quando, surgem MESTRES de sua evergadura, de seu talento e com um senso de Justiça e Formação a toda prova!
Parabéns por ser o que é!
Lamento pelos alunos franciscanos que te perderam!
Deploro a direção que não enxerga o que está fazendo!
Abraços Acadêmicos

Anonimo ha detto...

Prezados,
E estou aproveitando por meio deste para colocar "lenha na fogueira" na questão dos "ratos e das moscas."
Todos nós sabemos que estes roedores tem em alguns países, como a ìndia, uma condição especial, tem tratamento especial num templo próprio, aceitando como ofertas, doces. Ver um rato albino é para os hindus que visitam este templo, sinal de boa sorte. Mas o pior vem agora, os ratos devastam a agricultura deste país, porque não são destruídos, porque na cultura religiosa do Hinduísmo, eles são os veículos da encarnação dos gurus. Ou seja o rato é o veículo vivo que carrega consigo a alma dos sábios e dos professores deste povo. Quanto a multiplicação dos roedores nas regiões urbanas, deve-se à falta de predadores naturais existentes na zona rural, e a abundância de alimentos. Mas também a política de ocupação urbana mal feita. Moshê menciona na Torá, as consequências de alterações do eco-sistema pela ocupação humana sem racionalidade - a multiplicação dos animais selvagens e nocivos e a sua luta contra o Homem pelo espaço.
Quanto às Moscas, elas também já foram elevadas ao patamar de deuses na antiguidade oriental, o deus padroeiro da cidade estado filistéia de Econ, hoje na faixa de Gaza, era conhecido como Baal Zevuv, senhor da Mosca. O livro dos Reis, ao abordar os profetas orais ou populares, principalmente o ciclo de Eliahu, menciona que o rei Acazias, doente, mandou emissários de Israel para a faixa de Gaza para consultar os sacerdotes desta divindade. Sendo duramente censurado pelo profeta: Não há D'us em Israel para se consultar Baal Zevuv, deus da cidade de Ecron?
Quanto as moscas, Moshê deixa uma importância advertência higiênica para Israel no deserto, o uso da pá para cobrir dejetos humanos, a instituição da latrina primitiva. Porque os dejetos ou alimentos em decomposição, são os criadouros de futuras moscas. Isto sem falar nas questões do lixo e de sua contaminação física e espiritual.
Quanto aos ratos e moscas relacionados para fins de relativização de valores culturais, religiosos, etc, as observações dadas por Moisés servem como instrumento para evitar o crescimento dos mesmos. Se vc der condições materiais ou espirituais propícias para a reprodução delas, elas vão dizer obrigado, e vão depois atacar vc.
Atenciosamente,
Prof. Wlson F. Jecov (História)

Café & Direito ha detto...

Recessão leva 90 milhões de pessoas à extrema pobreza, diz ONU

Por Robert Evans

GENEBRA (Reuters) - A recessão econômica reverteu 20 anos de declínio da pobreza mundial e deve colocar em 2009 mais 90 milhões de pessoas no ranking dos que passam fome no planeta, um aumento de seis por cento em relação aos dados atuais, informou a ONU nesta segunda-feira.

A estimativa, apresentada num relatório sombrio sobre um programa desenvolvido há dez anos pela ONU para conduzir países pobres ao desenvolvimento até 2015, indica que 17 por cento dos 6,8 bilhões de habitantes do mundo estarão classificados como extremamente pobres no fim de 2009.

"Em 2009, entre 55 a 90 milhões de pessoas a mais do que o previsto antes da crise estarão vivendo em extrema pobreza", diz o relatório, apresentado em Genebra pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon.

Intitulado "Relatório de Metas de Desenvolvimento do Milênio", o documento também alerta que o recente declínio na ajuda externa -- apesar das promessas de países ricos de aumentar o fluxo de recursos -- provavelmente vai causar mais doenças e agitação social no hemisfério sul.

Em um discurso no Conselho Econômico e Social da ONU (Ecosoc, na sigla em inglês), Ban fez um apelo às nações industrializadas do Grupo dos Oito para que aumentem a ajuda, especialmente para a África, no próximo ano, dizendo que as promessas feitas por eles anteriormente ficaram aquém do anunciado.

"Faço um chamado ao G8 para explicitar, país por país, como os doadores ampliarão a ajuda à África no próximo ano", disse Ban em um discurso voltado para o encontro do G8 entre 8 e 10 de julho, em Aquila, cidade no centro da Itália, do qual ele participará.

"A credibilidade do sistema internacional depende de quanto os doadores aportarão", acrescentou. "A decência humana e a solidariedade mundial exige que nos unamos pelos pobres e os mais vulneráveis entre nós", afirmou Ban, em outra reunião, mais tarde.

Em uma cúpula na Escócia, em 2005, líderes do G8 prometeram elevar a assistência aos países em desenvolvimento a cerca de 50 bilhões de dólares até 2010, da qual metade iria para a África. Mas a ajuda continuou sendo de pelo menos 20 bilhões de dólares a menos do que a meta fixada em Gleneagles, na Escócia, disse ele.

Os recursos poderiam ajudar a mudar muitas vidas, mas o atraso na entrega combinado às mudanças climáticas e à crise financeira estão reduzindo o progresso nos países pobres, afirmou Ban no início de três semanas de reuniões do Ecosoc, em Genebra.

As pessoas que vivem na pobreza -- definida pela ONU como as que têm rendimentos de menos de 1,25 dólares por dia - já sofreram bastante com a crise financeira e econômica nos últimos dois anos.

De acordo com dados da ONU, em 1990 a proporção de pessoas que passavam fome era de 20 por cento da população mundial, mas em 2005 caíra para 16 por cento -- número que refletiu o aumento da prosperidade, especialmente na Ásia, estimulada pela expansão do comércio mundial.

A reversão começou em 2008, em parte como consequência do aumento dos preços dos alimentos no mundo, diz o relatório. Embora o custo dos produtos básicos tenha voltado a cair por volta do fim do ano passado, isso não tornou os alimentos mais acessíveis para a maioria das pessoas no mundo.

(Reportagem adicional de Stephanie Nebehay e Laura MacInnis)