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ברוך ה"ה







giovedì 30 luglio 2009

Ao GOLEM ou, avante na escuridão, com sete passos e três letras na testa


Ao GOLEM ou, avante na escuridão, com sete passos e três letras na testa

por Pietro Nardella-Dellova

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Há uma sensação de que a luta cotidiana vai perdendo o sentido e que o número de concorrentes é por demais grande, além das forças do que seria normalmente uma regular competição. Cria-se uma perspectiva totalmente enganosa, entre névoas de equivocados conceitos, pois todos vão desaprendendo o caminho do pensamento crítico e perdem os ângulos da oportunidade, porque, afinal, todos amam escadas rolantes e se aglomeram ali. Não param e não reagem, não pensam e não criticam esta marcha insana, comum, massificada e desumana.

Sim, desumana! É desumano caminhar e existir pelo impulso de outrem, pelos conceitos de outrem e pelas fantasias generalistas, bem como e, principalmente, sem se dar aquele momento único, no qual o milagre da individualidade acontece. Um homem (e não, o homem!) é dotado de algo mais, ao menos, um sopro à mais. Não significa que saiba disso e que tenha plena consciência de que o nome em sua testa seja único e efetivamente maravilhoso. É preciso parar diante da escada rolante e decidir-se por não entrar ali, apenas porque todos estão indo por ali. É preciso sorrir neste momento, com despeito, com altivez, com superioridade e com aquela sensação singular de que se está vendo a massa rolar adiante de seus olhos. Daí, o milagre do sucesso individual é a decisão de subir por escadas convencionais, que não param ao toque dos mecânicos. Veja ali, ninguém sobe por elas – estão vazias!

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Eu caminhava, em passos rápidos, alternando às vezes com uma leve corrida. Normalmente, no parque, vou para a direita porque para a esquerda a maioria vai, e vão, também, os dirigidos por personal trainer. Quando atravessei a área mais escura, encontrei um casal trocando beijos entre as mesinhas que estão por ali, pouco se importando se haja ou não carrapatos. E sorri com satisfação de ter visto um casal trocando beijos, sem que os carrapatos incomodem ou sejam suficientemente importantes para inibir o beijo.

Mais adiante, encontrei os trilhos. Trilhos! E, de repente levantei a cabeça naquele momento em que precisamos aspirar, retomar a energia interna para avançar na corrida. Mas, parei. À direita estavam os trilhos; à esquerda, a lagoa com capivaras. Parei, porque ao levantar a cabeça e aspirar, antes de dar o impulso à corrida naquela fase, deparei com a lua, cheia, maravilhosamente cheia, por entre as folhas de árvores que estão ali. Parei o tempo infinitamente necessário para descobrir que aquela lua era minha, só minha e ninguém mais poderia vê-la, tendo os trilhos à direita, a lagoa à esquerda e aquelas folhagens, e aquele ar, e aquele caminho de terra batida – aquela lua e aquilo tudo era o quadro pintado diante dos meus olhos, era meu, só meu!

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Por isso mesmo, é preciso entender esta verdade na testa, como verdade própria. A de que, na neblina da noite, por entre inimigos cruzados, encapuzados, falsas crises, bolhas midiáticas, discursos corporativistas desbotados, imbecis virtuais e idiotas esotéricos, matriculados felizes por não haver aula em tempos de pragas e uma massa que avança – sem sentido – em câmera lenta, arrastando-se pelo deserto ou, simplesmente, seguindo rumo às escadas rolantes, aos bingos e aos parques temáticos, é possível parar e dizer: vou por aqui, porque por ali todos vão!

Deixe os trilhos à direita e a lagoa das capivaras, à esquerda – veja a sua lua! Os concorrentes são fracos, portanto, use a neblina (para que seus inimigos não lhe vejam). Exercite seus sentidos, pelos quais tudo se percebe ao redor – veja melhor, escute melhor, toque mais delicadamente, saboreie com calma e perceba os odores variados! Avance e vença, afinal, as corporações são numerosas, mas sem recurso moral e sem bagagem intelectual. Lembre-se, a maioria de seus colegas de classe não estudam – apenas copiam e reproduzem falas de usurpadores das cátedras. Vá pelas escadas convencionais, então, descobrirá que não há muitos contra os quais concorrer. Olhe a lua, pois a maioria esta encapuzada, perdendo tempo com gritarias religiosas ou anestesiados com terços nas mãos e rezas sem fim. Finalmente, outro tanto se perdeu nas vigílias virtuais madrugada adentro ou em maledicências infindáveis.

Vê? Seus concorrentes são fracos demais – numerosos, mas fracos! A massa em câmera lenta é fraca, esotérica e perdida! Os matriculados são apenas matriculados, não estudantes. E os inscritos em corporações são apenas inscritos em corporações – esqueça deles! A lua pode ser apenas sua!


São Paulo, 30 de julho, 2009

© Prof. Pietro Nardella-Dellova מסטר בן עבדיה. Mestre em Direito pela USP. Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. מסטר Mestre na Sinagoga Scuola - בית מדרש‎ - Beit Midrash. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Poeta, autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), das traduções FILOSOFIA DEL DIRITTO PRIVATO (de P. Cogliolo) e GIUSTIZIA (de Z. Zini), bem como, das teses A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (PUC/SP) e A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (USP). Professor, Palestrante, Coordenador de Curso de Direito e Judaísmo e Consultor Jurídico e Acadêmico, desde 1989.

Mais informações, veja CV LATTES/CNPQ/MEC:
http://lattes.cnpq.br/1306316250021237

Clique no link e veja outros textos do Prof. Nardella-Dellova:
RELAÇÃO DE TEXTOS PUBLICADOS NO CAFÉ & DIREITO

Contato:
professordellova@libero.it ou cafedireito@libero.it

6 commenti:

Anonimo ha detto...

Maravilhoso texto. Como é bom ler palavras que demonstram o valor do questionamento, o valor da opnião própria, pois D-us ama a diversidade dentro da unidade.

Juliana ha detto...

Professor , este texto como todos os outros seus é muito inspirador !Eu estava hoje justamente pensando sobre isso, sobre o fluxo das massas e sobre não seguí-lo.Descobri ao ler um livro de Anita Novinsky que sou uma herege , sim , pois todos os que pensam e os que escolhem algo diferente do que é imposto para as massas torna-se um herege. Um termo tão usado para intimidar e assustar , tornou-se em um consolo pra mim , por saber que desta forma estou vivendo uma vida autêntica e jamais autômata !
Obrigada por todas suas postagens , por permitir que usufruemos de sua sabedoria e assim nos elevarmos e inspiramos!
Juliana Basoli de Mello

Daiane ha detto...

Excelente texto ...de certa forma me tranqüiliza, vi que continuo sendo orientada (acabaram com os cafés, mas não com as relações ali enlaçadas). E o que mais me impressiona é como, mesmo à distância, continua a abrir meus olhos, a apontar o caminho, ainda que indiretamente, muito embora, em alguns de seus textos eu sinta como se a mim fossem dirigidos, tamanha a descrição que faz dos meus anseios.
Sei que não sou a única alma que tuas palavras alcançam (ainda bem), mas quando me tocam me sinto única, como a lua do seu texto. E que o que vejo, não vejo sozinha, não ouço só, não percebo só,....
É muito bom sentir que continua meu mestre, embora eu o tenha como tal, sendo uma pobre mortal, às vezes preciso ser lembrada. E este momento ocorre quando leio teus textos a ponto de conseguir ouvir tua voz..., enfim, adorei o texto. Abraço

Guilherme R. Fauque ha detto...

Muito bom! Adoro ler este blog!

Te convido a conhecer o meu blog também.

http://philosophia-aton.blogspot.com

Será uma honra.

Coisinha do pai ha detto...

Comentarei com o trecho de dois Textos:

“Quase...

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a
desilusão de um quase.
...
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida
morna; ou melhor, não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
...
Não deixe que a saudade sufoque que a rotina acomode que o medo
impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando,
vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."
(Luiz Fernando Veríssimo)

Afinal...
A alma dos diferentes é feita de uma luz além.,."
Arthur da Távola

Abraços

Dagoberto ha detto...

Dr. Nardella-Dellova, reconheço que sua atuação no mundo jurídico, seja como Procurador, seja como Advogado e, principalmente, como Educador, fizeram e farão, por longo tempo, a diferença entre o grande e o pequeno, entre o antiético e o ético, entre o estudo e a reprodução, entre o mercenarismo e a justiça!
Parabéns a todos os perfis jurídicos adicionados ao seu Orkut, mas, ao senhor, cuja elegância e sabedoria são indiscutíveis, parabéns em dobro!
Saudações jurídicas
Dr. Dagoberto