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ברוך ה"ה







mercoledì 14 aprile 2010

DA IGNORÂNCIA MÓRBIDA ou, coma-se merda, milhões de moscas não podem estar enganadas!

DA IGNORÂNCIA MÓRBIDA ou, coma-se merda, milhões de moscas não podem estar enganadas!

por Pietro Nardella-Dellova


Todo processo de desenvolvimento social ou individual passa, necessariamente, por relações dialógicas, ou seja, para que se alcancem novos postos no conhecimento humano, os vários saberes até aqui conquistados devem dialogar, em um confronto saudável, cujo resultado é um avanço, ainda que apenas conceitual (mas, mesmo assim, um avanço), nunca uma anulação!

Oxalá, pudessem os conhecimentos, integrados – e avançados - concretizar-se em conquistas, em realizações à humanidade, como um todo. 

Humanidade é um termo amplo e complexo demais? Va bene, pudessem realizar-se para benefício da sociedade ou de um bom contrato social.

A ideia de desenvolvimento é que, a cada geração, novos avanços pudessem se observar e todos conseguissem, afinal, desfrutar de alguma coisa boa. Mas, para esse resultado, tudo o que se tem à mão deveria sinalizar o caminho – sempre para adiante! É como fazer uma determinada trilha em lugar desconhecido, na qual a cada trecho percorrido, vai sendo marcado com fitas amarradas às árvores e plantas. Não podemos desprezar o caminho ou nos perder das realidades plurais dos trechos!

Após o percurso de anos (décadas mesmo) o que se percebe é o andar em giros, não em torno de um determinado ponto, mas ao léu, em um tempo de cegueira - com os méritos a Saramago!!! Não há caminho de volta e não há caminho de ida, nem tanto porque o caminho (ou estrada) não foi sinalizado, mas por uma razão ainda mais dramática (o termo me parece oportuno), pois, há um culto desqualificado, uma excitação incompreensível, um estado de comunhão com o desconhecimento e fumaças do caminho. Para muitos (quase todos!) é bom estar assim, idiotizado, sem rumo, sem alcance e sem meta!

Assim como ocorre com o peso (refiro-me ao corpo humano) em que se chega a um ponto de “obesidade mórbida”, diante da qual nenhuma esteira ergométrica funciona – exceto a cirurgia, ocorre com o estado de ignorância mórbida. É aquele estado, em função do qual, nenhum grito, reunião, clamor, encontro, seminário, exames, testes, provas, aconselhamento, sentença, embargo e outros meios de “tentativa de comunicação”, funciona razoavelmente!

A ignorância do próprio estado de ignorância levou ao desmanche do diálogo (ou possibilidade de diálogo) e, giramos, então, sem sinalização no caminho (trilha ou mata fechada). 

E, bem pior que o estado de ignorância do próprio estado de ignorância, é o processo pelo qual todos (ou a maioria) vivem, ou seja, alimentando-se da própria ignorância. O grande “deus” da atualidade é mesmo o “deus ignorância” que, como outros deuses ditos pagãos, vai exigindo, cada vez mais, sacrifícios humanos (e desumanos!), cultos, estado de sonolência, energia enfim, a vida toda...

Ignorância básica em relação à organização social e política. Ignorância básica em relação à história. Ignorância básica em relação ao estelionato religioso. Ignorância básica em relação ao mundo (ou submundo) jurídico. Ignorância básica em relação aos governos. Ignorância básica em relação aos relacionamentos humanos (principalmente, o sexual). Ignorância básica em relação ao toque feminino e seu poder criativo. Ignorância básica em relação aos processos de humanização do mundo. Ignorância básica em relação à educação dos filhos. Ignorância básica em relação à higiene pessoal (e social). Ignorância básica em relação à Ética. 

Ignorância básica em relação à ignorância básica!

Por isso mesmo, idiotas eleitos (ou não) se tornam chefes de nossas casas. Por isso mesmo, o número de religiosos aumenta, quando deveria diminuir, caso vivêssemos um tempo de clareza e conhecimento e, proporcionalmente, aumenta o número de líderes religiosos, como resultado de uma massa disforme que azurra apenas entre um curral e outro. Por isso mesmo, as rezas são ensinadas, cada vez mais, quando deveríamos simplesmente viver sem rezas (pois foi isto que o Eterno determinou: vida!). Por isso mesmo, o mundo jurídico tornou-se uma caixa vazia ou um conjunto de instrumentos desafinados e desarmônicos (inclua-se aí, com veemência, o Ensino Jurídico). Por isso mesmo, não há projeto político e os candidatos são, a um só tempo, exterminadores e coveiros exemplares. Por isso mesmo, os relacionamentos são (e cada vez mais) um processo de autodestruição, vampirismo e virtualidades. Por isso mesmo, nossos filhos estão entregues, geralmente, nas mãos de genocidas. Por isso mesmo, estamos em um tempo de “máscaras e álcool gel”. Por isso mesmo, perdemos nossas vidas em uma “existência” idiotizada na ignorância e na falta de ação!

Va bene. Que os vírus dos porcos mexicanos, e os vírus das galinhas chinesas, e os vírus dos produtores de álcool, e os vírus dos pecuaristas, e os vírus da Internet, e os vírus de todos os legislativos, e os vírus de todos os executivos, e os vírus jurídicos, e os vírus dos laboratórios, enfim, que todos os vírus dos vírus sociais, coloquem, ainda mais, máscaras sobre as máscaras da ignorância, e matem todos, embriagados no álcool gel

Enfim, coma-se merda, milhões de moscas não podem estar enganadas!


Setembro, 2009 (12 Elul, 5769 – Ki Tavô Devarim 26:1 - 29:8)


© Pietro Nardella-Dellova. Em 2009 era Professor de Direito e Literatura. Mestre em Direito pela USP. Mestre em CRE pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil, Processo Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores e do Gruppo Martin Buber (Roma/Napoli). Autor dos livros AMO (1989), NO PEITO (1989), ADSUM (1992)  e FIO DE ARIADNE (org./co-aut.,) (1994), das traduções FILOSOFIA DEL DIRITTO PRIVATO (de P. Cogliolo, 1996) e GIUSTIZIA (de Z. Zini, 1997), bem como, da A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (PUC/SP, 1998) e A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (USP, 2000). Autor, também, do livro A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS (2009). Consultor de Direito.





12 commenti:

Sandrinha ha detto...

unisfShowww... Amei o texto. Precisamos de CONHECIMENTO que saiamos da Ignorância Mórbida. Ao invés de Máscaras para proteção da gripe, alguns deveriam usar Máscaras para protejer a tão Lisa Cara-de-pau.
Abraços, professor. Parabéns!!!

Fernanda Dutra ha detto...

Ter você como Mestre e ler seus belíssimos textos, para mim, é um estado de alegria plena. Querido Dellova, você é a LUZ, que precisamos para seguirmos em frente nestes caminhos escuros.

“Nós vos pedimos com insistência: nunca digam – Isso é natural!
Diante dos acontecimentos de cada dia. Numa época em que reina a confusão, em que corre o sangue, em que o arbitrário tem força de lei, em que a humanidade se desumaniza....
Não digam nunca: Isso é natural!!!!!
A fim de que nada passe por ser imutável”.

Bertholt Brecht

Maria Thereza ha detto...

Que Texto!!!
Até consigo vê-lo escrevendo, de fortaleza que passa! Percebe-se que estas cansado Mestre, mas mesmo assim, ainda quer lutar pq acredita!
Maravilhoso...estou hipnotizada!
Não sou sua aluna, queira Deus me conceder esta graça, sou seguidora do Blog... e que blog!
Faço minhas as palavras que a Fernanda colocou, sitadas pelo querido Berthold Brecht
Fascinante!!!!
Parabéns Sr. Mestre!
Abraços e muito obrigada pela oportunidade de ler algo verdadeiramente bom!

Sash ha detto...

MESTREEEEEEE, SIMPLESMENTE MARAVILHOSO O SEU TEXTO "DA IGNORÂNCIA MÓRBIDA ou, por que não conseguimos dialogar?" !!!!!!!!! M A R A V I L H O S O!!!!!!!!!!
SEU BLOG É UMA VOZZZZZZZ!!!!!!!!

Mirian Baller ha detto...

MESTRE, ESTE TEXTO É SIMPLESMENTE INSUPERÁVELLLLLLLL!!!

PARABÉNS.......


ABRAÇOSSSSSS

Domenico ha detto...

BRAVISSIMOOOOOOOOOOOOOOOO

QUE TEXTO !!!!!

Irene ha detto...

MESTRE, MESTRE....
´
SUA CANETA (OU TECLADO) É FORMIDÁVEL....QUE FORÇA TEM SUA PALAVRA, QUE PROFUNDIDADE E QUE ALCANCE....

E, AO MESMO TEMPO, QUANDO FALAS DE AMOR E DE VINHO E DE POESIA ÉS UMA BRISA....

DE FATO, QUERIDO MESTRE, CARREGAS EM UMA DAS MÃOS O GIGANTE BLASFEMADOR E NA OUTRA, UMA TAÇA DE VINHO E POESIA....

VOCÊ É, ENFIM, VERDADEIRO E COMPETENTE!!!!

BEIJOSSS

Coisinha do pai ha detto...

Vc Poeta é o máximo!!
A referência feita a Saramago no texto dispensa “mais” comentários...
Deixo um trecho que diz muito neste momento oportuno!
• "O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos.
Então perguntou o velho da venda preta, Quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira. Ninguém lhe soube responder."
• "Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem"

Deixe que os mortos enterrem seus mortos!!
Devemos gritar, UNIDOS, porém com quem se possa unir... E assim ser mais fortes... Contudo, conscientes que uns nasceram para aplaudir e outros para serem aplaudidos, e isso, pq sempre encontram quem os aplaudam!!
As vezes é melhor não ver...
E eu lhe digo: não se doe tanto, ninguém merece sua preocupação e seu sofrimento..
Continue amando, sentindo, sendo...
e com seu imenso amor criando frases, versos e textos que nos completam!!!

Bjs Poeta Querido!!!

Prof. Renato Dellova ha detto...

Caro Professor Nardella-Dellova, salve!
Quando um texto evidencia verdades, penso logo em como encaminha-lo aos meus contatos, e penso também que essas mesmas amizades não me retornarão mais!
É um texto corajoso e construtivo!
Meus parabéns,
Prof. Renato Dellova

Paty ha detto...

Boa tarde. Foi com grande satisfação que me adicionei como sua seguidora, a inteligência, humildade e as sábias pelavras de um Ser Humano me faz sentir que este mundo.... Ainda pode ser e será modificado... só basta ter FÉ e Nós querermos isso. Grande Abraço. Patrícia/Blumenau/Santa Catarina/Brasil. Obrigada por ter lhe conhecido...

Jônatas Félix ha detto...

"Enfim, coma-se merda, milhões de moscas não podem estar enganadas!"

Essa frase mudou minha vida.

Shalom rav!

R.Dellova ha detto...

Giuseppe Dellova, salve!

Grande texto.

Gosto quando você trata as coisas humanas de forma pessoal e livre de "preceitos pornográficos" impostos pela sociedade infame.

Ninguém nos fará "comer merda..."

Abbraccio.