alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







venerdì 11 settembre 2009

SETE DE SETEMBRO, em 2009 ou, este é o Brasil que vence!


SETE DE SETEMBRO, em 2009 ou, este é o Brasil que vence!

por Pietro Nardella-Dellova


Estava em viagem no dia 7 de setembro, quando parei em um posto para o café. Na parede um televisor transmitia a programação de determinada rede de televisão. Chamou-me a atenção os vários quadros, tais como, os jogos em que a seleção foi vencedora, os campeonatos em que Guga levantava sua raquete, vitorioso. Vi, também, as cenas marcantes das muitas vitórias de Senna, dos nadadores e ginastas em seu desempenho impecável, das belas meninas e dos bons rapazes do vôlei e, ao final, alguém dizendo: “este é o Brasil que vence!!!”

O café estava à mão esquerda (café com espuminha característica) e revisitar cenas do mundo esportivo, sobretudo, a dos ginastas e dos jogadores do vôlei, é sempre uma coisa boa e prazerosa. Mas, a frase final do apresentador da programação, causou-me estranheza. Realmente, a frase não cabe naquelas cenas, nem ao seu final, pois o que se via ali eram pessoas que, por esforço e talentos próprios, participaram de embates esportivos e saíram vitoriosos, sem que jamais recebessem algum incentivo do “Brasil”. Ao contrário, bem ao contrário!

Obviamente, aquela rede de televisão fazia uma transferência de vitórias do individual para o coletivo, dando a entender que aquelas vitórias, por exemplo, as do Senna, pertencem a todo mundo (e as derrotas do Barrichello, pertencem a quem?). Setores específicos, como Educação, Esporte, Cultura, Meio Ambiente,Tecnologia, Ciências, Música, Literatura, Artes Cênicas, Saúde, Turismo, Segurança Pública, Habitação, entre tantos outros, mostram índices de derrotas (a quem pertencem essas derrotas?).

Assim como o Hino Nacional é executado, com detalhamento da Bandeira do Brasil, diante dos gramados futebolísticos, nas quadras de vôlei, nas piscinas olímpicas e ao zunido das raquetes ou ventos dos veleiros (de forma imprópria, pois aquelas vitórias continuam sendo individuais ou, no máximo, do grupo e técnicos que delas participam), poderia, também – agora, de forma apropriada e eloqüente, ser executado (com detalhamento da Bandeira) em face de crianças violadas e violentadas pelo “Brasil” que dorme e ronca, em homenagem às milhares de pessoas que não têm nem acesso nem informações sobre quaisquer pandemias atuais (e devem ser muitas mesmo!), diante de cada hectare (entre os milhares) de árvores amazônicas derrubadas por madeireiros e pecuaristas doentes e excitados. O Brasil que vence, tem no seu Sete de Setembro, muito por cantar o Hino Nacional e se envolver com a Bandeira, assim como o fazem os senadores, deputados federais, deputados estaduais, vereadores, presidente, governadores e prefeitos corruptos (tudo com letra minúscula mesmo, pois me refiro a criminosos!). Por questões pessoais, ficarei apenas no Legislativo e Executivo (hoje!)

Aquelas vitórias individuais ou de grupos de atletas, atribuídas ao “Brasil que vence” é uma incoerência, quando não uma falsidade coletiva. É a mesma coisa, quando ouvimos: “a humanidade chegou à lua”, quando sabemos que a humanidade não chegou à lua - alguns homens chegaram à lua a partir de alguns organismos, entre os quais, a NASA. A humanidade continua nas cavernas, nas lutas canibais, nos esgotos metropolitanos, nos grunhidos virtuais.

Pois bem, aquelas vitórias são dos atletas ou de seus técnicos! E basta! Os desvios, cuja lista alcança a lua, dos usurpadores do Legislativo e do Executivo (neste caso com letras maiúsculas, pois me refiro ao conceito maravilhoso de dois dos “Poderes” da República, e não aos homúnculos que os tomaram), sem dúvida, são de todos! Cada desvio, cada discurso e salivas babadas desses homúnculos, cada contrato assinado às escuras, cada mala de dinheiro público disponibilizada em farras oficiais, cada ato secreto, enfim, cada item desta longa lista, pertence ao povo brasileiro, com direito à Bandeira e Hino, pois os homúnculos, diferentes dos atletas, não são de geração espontânea, mas criados na escuridão de cada uma das seções e urnas eleitorais que a todos pertencem, a menos que realmente concordemos que o povo brasileiro é mesmo hipossuficiente, continua em cavernas, pratica canibalismo, habita esgotos metropolitanos, comunica-se com grunhidos e acredita, ainda, no grito de liberdade de D. Pedro I!

São Paulo, 11 de setembro, 2009


© Pietro Nardella-Dellova. Mestre em Direito pela USP. Mestre em CRE pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), das traduções FILOSOFIA DEL DIRITTO PRIVATO (de P. Cogliolo) e GIUSTIZIA (de Z. Zini), bem como, das teses A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (PUC/SP) e A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (USP). Professor de Direito e Consultor Jurídico.

Contato: professordellova@libero.it

4 commenti:

Fernanda Dutra ha detto...

Salve! Querido Mestre!
Lendo o seu texto, “Sete de Setembro, em 2009 ou, este é o Brasil que vence”. Volto no tempo, não muito distante, vejo você com o giz na mão e ao fundo uma lousa. Tenho saudades das suas aulas e de você falando e passando para nós, alunos, toda a sua rica sabedoria em um dialogo inteligente e humano.
bjs

ALESSANDRO SANCHEZ ha detto...

Mestre Dellova! Concordo com cada uma das palavras acima. Faço uma ressalva. A dedicação quase que integral que nos últimos meses depositou na redação dos livros me trouxe uma impressão. O que já era muito bom em sua escrita, conseguiu melhorar, acreditava que isso não era mais possível, tudo em vista de uma técnica equilibrada e apurada de forma descomunal. Inclusive, recebi a sua mensagem com um fragmento de sua obra. Bravissimo! Abraço. Alessandro.

Renato Dellova ha detto...

Caro Professor Dellova!
Texto rico e inteligente, portanto, o que nos resta, é desenvolver nossas potencialidades e deixar de viver em mentiras quase que conscientes!
Um forte abraço,

Analuka ha detto...

Que tal postar mais alguns textos poéticos por aqui, meu caro? (ou será que este espaço é apenas para discussões mais sérias e sisudas?). De qualquer modo, meu abraço alado para ti!