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ברוך ה"ה







martedì 13 ottobre 2009

"SEM-PARAR", NÃO!!!! Porque é preciso resistir ao ritmo tresloucado...

SEM-PARAR, NÃO!!!! Porque é preciso resistir ao ritmo tresloucado...
por Pietro Nardella-Dellova

Tenho percorrido estradas do Brasile, especialmente, as de São Paulo e, ao passar pelos Pedágios (críticas à parte), vejo o nome do funcionário que arrecada (ou recebe) gravado em uma plaquinha, e pelo nome, então, faço cumprimentos ou gracejos, no tempo entre o pagamento e o troco, normalmente, levando e deixando algum riso ou sorriso. Já deixei chocolates também. Tudo isso não leva mais que uns trinta segundos. Alguns daqueles funcionários já me conhecem e, a despeito de serem treinados para o automatismo, muitos resistem e, ao me verem chegando, escancaram um belo e humano sorriso de satisfação! Eu, idem!

Mas, sistematicamente, recebo o convite "pelos" funcionários para utilizar o sistema SEM PARAR. Sorrio, e pergunto-lhes, sempre, por que razão eu utilizaria o sistema? Por que deveria colaborar para retirada de postos de trabalho e tudo o que isto implica? Além disso, brinco sempre, por que razão deixaria de ver aquelas pessoas, que têm nomes e rosto? Afinal de contas, muitas funcionárias, normalmente educadas, entregam-me um belo sorriso, cujo preço é o de trinta segundos de calma e bom humor, mas com resultados para o dia todo!

Ocorre que, além da fome das concessionárias, estamos em um ritmo “sem parar” excessivo. Corremos feito loucos, de um lado para o outro, matando grandes oportunidades de viver! Ainda, a imbecilidade nos leva tresloucadamente a um ponto de chegada, subtraindo o percurso, o meio, a via de relacionamentos. E, assim, vamos deixando o maior (e melhor) tempo na lufa-lufa cotidiana. Temos pressa para chegar, e chegaremos, bem próximos da tumba, sem deixar rastro ou história. Por isso mesmo, nossas fotografias, marcadas de morbidez, registram instantes de chegada, mas, dificilmente, de percurso. É preciso desacelerar, parar um pouco!

O ritmo doentio de uma pressa injustificada esgota os recursos naturais. Sim, existe um ritmo na natureza, que é o ritmo do entrelaçamento, do envolvimento, das composições. É como o ritmo musical. Na natureza há um ritmo musical desde os tempos mais remotos, que pressupõe recomposição, impedida, violentamente, pela pressa humana de chegar a lugar nenhum! A natureza se esgota, e tudo vira chão esburacado, água suja, deserto e sujeira, muita sujeira! Os homens tratam a natureza a golpes de picareta e machadada, com uma violência incontrolável, daquelas que fazem inveja a qualquer filminho de terror. É a relação estúpida e agressiva contra os elementos dos quais - e com os quais - o homem é feito. Pois é na natureza, e é ela mesma, a que deveríamos compreender e encontrar a “árvore da vida”.

Mas, o processo desenfreado, a loucura do “sem parar”, o excesso, a ansiedade, o desvario em abandonar o caminho para se alcançar o destino, conduz a outra destruição, igualmente violenta. Trata-se da decomposição do universo emocional. Todas as redes e teias, todo o tecido subjetivo fica roto, comprometido, pois não se dá tempo, o mesmo tempo da natureza, para se construir, estabelecer e harmonizar-se. A tessitura brutaliza-se. A pressa leva a um processo pelo qual todos os sentimentos e percepções, todas as projeções interiores e toda recepção exterior, confundem-se, misturam-se e se transformam em feijoada emocional. Daí nascem monstros, demônios, traumas, oscilações, conflitos, maledicências, estupidez e um mundo superficial e inconsistente! Não se dá o tempo necessário de percurso, para que um determinado sentimento possa ser, efetivamente, conduzido a um processo de construção da subjetividade e conseqüente harmonização e diálogo com outras subjetividades - de outras pessoas. Estamos tocando em desafinação absurda!

A aceleração e excitação levam à enfermidade do corpo, aos pontos vazios, nos quais se desenvolvem doenças e enfermidades. Do modo que se trata a natureza exterior, trata-se, igualmente, a natureza interior, como relação de continuidade! O lixo que, na pressa, o homem joga nas vias públicas, é o lixo do qual ele se alimenta! É preciso comer “sem parar”, é preciso se relacionar sexualmente “sem parar”, é preciso ir e vir “sem parar”. Até as Escolas, fundamentais, médias e superiores são, geralmente, centros de desfazimento. É preciso cumprir programas “sem parar”, sem se dar tempo para a construção do saber e do conhecimento, com base no discernimento.

Violentados assim, todos e tudo, ou seja, a natureza externa, o universo emocional, relacional e o corpo, restam, apenas, a destruição do espírito, da razão, do intelecto! Não há nada que resista à aceleração ininterrupta. Tudo vira fumaça de churrasco - funeral de bois e vacas, o cérebro se cobre de gordura e pasta de lava-rápido, os corvos religiosos abrem suas asas e bicos insaciáveis, os relacionamentos terminam ou, começam, em salas virtuais multifacetadas - basta um "deletar"! E, então, sem parar, nos perdemos todos dentro de uma bolha perversa ou em pratinhos cheios de patê de fígado de ganso!


Campinas, SP, 13 de outubro, 2009 (25 Tishrei 5770)



© Pietro Nardella-Dellova. É Professor e Consultor de Direito. Mestre em Direito pela USP. Mestre em CRE pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União dos Escritores. Autor das Obras: AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS (2009). Confira mais no Blog Café & Direito http://nardelladellova.blogspot.com/



2 commenti:

Lu ha detto...

Rav Pietro, achei essa sua reflexão extremamente pertinente. Há muito penso nesta questão do "sem parar", em relação ao meu trabalho, especificamente. Há anos me mantive nessa vida frenética, trabalho sobre-humano, várias responsabilidades, vidas dependendo do meu esforço pessoal, enfim...hoje penso que esse modo de vida expresso, não me fez melhor médica, nem melhor mulher, nem mais generosa e gentil.
Muito pelo contrário, acabou me afastando de coisas que hoje vejo que são realmente importantes e essenciais na minha vida, como o judaísmo.
Quando tive essa percepção, surgiu a possibilidade de um novo relacionamento amoroso, que acabou antes de começar, exatamente pelo o que o Sr citou no texto. A pressa desmensurada do outro em criar vínculos, sem julgamentos, sem ao menos abrir a possibilidade de visão para o que deveria ser uma escolha consciente: um parceiro afetivo. A pressa em ter uma vida "sem parar" fez com que todas as pessoas pudessem ser potenciais parceiros, e claro, de nada adiantou, sobrando apenas mágoas e frustrações e um rastro de mentiras, que em tese, serviram para justificar intenções e promessas feitas na ânsia de uma resposta mágica. Como se qualquer relacionamento pudesse ser construido em poucas horas, passando pelo guiche e com um pequeno investimento. E que depois, tal investmento desvalorizado, por ter sido, afinal, tão pouco.
A pressa do viver não nos faz viver melhor.
A passagem rápida pelas situações, nos faz perder sorrisos e gentilezas que melhoram o dia e a vida.
Compromissos da vida moderna exigem uma demanda intensa, seja por necessidade financeira, exigencia da profissão ou mesmo uma fuga velada do cotidiano.
Há tempos me limito ao meu melhor, com calma e parcimonia. Aprendi a lidar com limites, principalmente profissionais, a ter um ganho financeiro menor, mas o convívio com minha familia e com meus amigos maior.
Ganhei com isso tempo, que é claro, ocupo, na Shill, nas discussões com meu Rav, ou mesmo em uma mesa de bar com meus colegas de trabalho, meus alunos, meus amigos.
O tempo ainda é curto para tanta coisa. Sempre teremos momentos que é melhor passar pelo "sem-parar". Mas perceber e fazer com que esses momentos sejam a exceção e não a regra do dia a dia, é o que torna a vida cheia de sorrisos e gratificações.
PS. Estou impressionada com seu livro.Muito contundente e muito sensível.
Bacci
Luciana Giusti

Coisinha do pai ha detto...

Deee... Meu Poeta Querido!!


Incrível Poeta, parece que descreveu minha vida.
Lendo seu texto, tive a impressão de estar me assistindo.
E vc tem razão, realmente temos que parar e refletir sobre isso.
Afinal, temos somente uma vida e o tempo não espera ninguém.
Perdemos muito.
E concordo com a Doutora Luciana, até temos alguns pontos em comum...
Com uma diferença, ainda continuo com a minha vida acelerada,
Meu dia a dia exige essa correria “sem parar”, fica difícil desacelerar.
Mas, com certeza, refletindo muito, esse ritmo acelerado, não me fez melhor.
Conversei com minhas filhas a respeito, questionei, e as respostas me chocaram.
Percebi que, também, não fui melhor mãe. A pressa de viver levou muito de mim.
A ânsia de fazer o melhor e dar o meu melhor, nem sempre foi o melhor.
E... Agora, acho que em tempo, não sei bem, entendo que preciso me reencontrar observar os detalhes, o simples, as pequenas coisas, elas fazem a diferença.

Parabéns Meu Querido Poeta!
Faz jus ao Título e ao Sucesso que possui!!!
Seu texto é uma lição de vida.

Un bacio grande per te, sulle labbra.