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ברוך ה"ה







sabato 25 dicembre 2010

TEMPO e AÇÃO ou, FELIZ ANO NOVO!

por Pietro Nardella-Dellova

I
Apesar do valor relativo do novo período anual e de um estado de torpor a que muitos ficam sujeitos é, contudo, indiscutível, que nossas ações foram convencionalmente organizadas em face dele e que, apesar de sua inconsistência histórica, marca mesmo o tempo geral (ocidental) das ações individuais, sociais, privadas e públicas. Refiro-me, aqui, ao mal explicado calendário gregoriano.
II
Mas, temos outros calendários, como, por exemplo, o calendário dos povos pré-colombianos, o calendário babilônico, o calendário egípcio, o calendário judaico (hebraico), o calendário chinês, o calendário islâmico, apenas, para citar alguns poucos.
III
Em qualquer deles, do ponto de vista comparativo, ou mesmo em aspectos internos de cada um, como, por exemplo, o calendário judaico, no qual temos três anos novos (o das árvores em Israel “chamisha assar be-Shevat, o religioso “Nissan/Pessach” e o civil “Tirshrei/Rosh Hashana), encontramos sinais gerais de “oportunidade” ou, na expressão italiana, de “fortuna”. Daí que “buona fortuna” nos indica, não uma ilusão ou fantasia, mas o preparo para enxergar a “ocasião”. Há um tempo maior, infinito, no qual se encontra este tempo menor, finito, com o qual tentamos certo controle e contagem.
IV
Ao calendário gregoriano que não resiste muito a uma superficial análise histórica e científica, mas, efetivamente adotado, então, pela civilização ocidental, chamamos simplesmente de “calendário da era comum”. Pode-se dizer, então, 2010/2011 e.c. (2010/2011 da era comum).
V
Afastadas quaisquer análises transcendentais, místicas ou religiosas, sobretudo, aquelas que colocam nas mãos do tempo uma bandeja com “graças” e “bênçãos”, simplesmente porque milhares de encontros, brindes, rezas e orações resultaram não mais do que na morte de, igualmente, milhares de perus e franguinhos, podemos, ao menos, concordar que se trata de um específico novo período. Um tempo que se faz anteceder de uma parada, de um recesso na lufa-lufa e em outras atividades, sejam ou não meritórias.
VI
Podemos, também, mudar o referencial, já que todas as atividades festivas não melhoraram o mundo nem aperfeiçoaram as relações interpessoais e, provavelmente, por si mesmas, não melhorarão em nada, pois a cordialidade, a gentileza e certo senso de fraternidade, nestas festas, começam, duram e terminam, quando muito, em um minuto de fogos de artifício que enchem o espaço de luminosidade multicolorida, em qualquer parte do mundo.
VII
Mudemos o referencial! Não é o novo tempo que traz algo de especial, de luminoso ou de riqueza. O tempo em si já é a "coisa" boa, seja ele o tempo anual, mensal, semanal ou diário - seja, ainda, o tempo reduzido a horas, minutos e segundos. O tempo sempre é a oportunidade: a terra fértil que convida a semente; a lousa que convida o giz; o intervalo que convida o café; a dilatação das pupilas que convida o amor; o livro que convida a leitura; os lábios que convidam o beijo.
VIII
O tempo é como o novelo de linha para ser trabalhado pelas hábeis mãos na realização do tapete, do tecido e da roupa. O tempo é a folha branca com pentagramas esperando o músico, o compositor, lançar ali as notas musicais e transformá-la em partitura. É a pedra bruta diante dos olhos do escultor. O tempo, assim como a terra, a lousa, o intervalo, a dilatação das pupilas, o livro, os lábios, o novelo de linha, a folha com pentagramas e a pedra bruta, apenas se oferece à ação determinada de quem age - a ação do semeador, do mestre com o giz, do que toma a xícara com a mão esquerda, do amante, do ledor, do que beija, da tricoteira, do musicista e do artista.
IX
O tempo não traz coisa alguma, não esconde mistério algum nem abençoa mais este que aquele. É absolutamente inútil esperar, com místicos ou filmes, uma resposta ou uma fala do tempo. O tempo não é uma boca falante, apenas um ouvido para escutar. Não é um vaso repleto de doces e novidades, apenas a argila esperando ser feito em vaso! O tempo é a tela esperando a tinta.
X
Enquanto isso, perdidas, milhares de pessoas esperam ouvir algo ou receber algo, mas, o tempo espera ouvir algo ou receber algo. E outras milhares buscam seus livros esotéricos, códigos secretos, filmes de impacto, datas de destruição cósmica ou lutas apocalípticas. E, buscam, ainda, gênios e lâmpadas, vigílias de oração e preces e, finalmente, abrem livros sagrados e põem seus dedos indicativos a esmo a fim de encontrar uma palavra, uma mensagem ou qualquer coisa que lhes diga respeito. Eis o tempo: a terra, a lousa, o intervalo, a dilatação das pupilas, o livro, os lábios, o novelo de linha, o ouvido, a argila e a tela!
XI
Então, podemos avançar para a realização! Podemos ser proativos! Podemos manusear o tempo - qualquer tempo! Podemos buscar - e encontrar - a referência maior, a sabedoria, o entendimento, o conhecimento, o rigor, a bondade, a beleza, a gloria, a eternidade e o fundamento e, simplesmente, reinar como humanidade, em um estado de absoluta paz e vida!
XII
E, então, o que podemos fazer a respeito?
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New York, USA, 25 dicembre 2009

© Pietro Nardella-Dellova. É Professor e Consultor de Direito. Mestre em Direito pela USP. Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor das Obras: AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS, SP: Ed. Scortecci, 2009, 312 p.. (obras disponíveis pela Livraria Cultura http://www.livrariacultura.com/)
Confira mais no Blog Café & Direito http://nardelladellova.blogspot.com/
e para contactar utilize o e-mail: professordellova@libero.it*

5 commenti:

Coisinha do pai ha detto...

Sorrir é o que liga, ser feliz o que importa!!!
Feliz Natal e um Próspero Ano Novo com saúde, alegria e muita aventuraaaaaaaaaaa!!!!!
Bjs

Monique ha detto...

Esse texto me fez pensar naquilo que muito me irrita em mim e no resto da humanidade: a mania de atribuir a um dia os valores que seriam de todo dia.

Analuka ha detto...

" Eis o tempo: a terra, a lousa, o intervalo, a dilatação das pupilas, o livro, os lábios, o novelo de linha, o ouvido, a argila e a tela!"... Querido e luminoso amigo Pietro , que maravilha o teu texto! Tessitura poética pulsante e provocativa, intelifente e intrincada, me fez lembrar do "instante-já" de Clarice Lispector, mas, também, fez pensar nas viagens diárias humanas, em que cada amanhecer é um despertar, um partir, um recomeço nesta obra de tecer destinos, sonhos, histórias!... Não importa tanto o tempo, a cultura, o calendário... mas sim, o modo como cada ser desfruta de sua existência, deste milagre, desta aventura: alguns, com maior poesia e plenitude... outros , atravancados por seus medos, receios, cautelas, covardias. Que cada tempo possibilite a reinvenção dos seres e do cosmos, da pulsação e da luz, do amor e da arte, é o meu desejo!!! Seja em que calendário ou tonalidade ou espaço for... Beijos e abraços alados, e com gratidão por tua amizade.

adv.michelle ha detto...

Professor, não sei ao certo te dizer o que devemos fazer neste momento, o que eu fazer, mas sei que em primeiro lugar vou colocar Deus, pois nele encontro paz, vou tentar ser uma pessoa melhor, fazer escolhas melhores, acho que é isso que tenho de fazer, amo ler suas palavras, neste momento estava eu precisando de palavras e suas palavras confirmaram este momento, momento este que podia estar melhor antes tivesse mais paz, tenho que ocupar o tempo, verdade, não há outra coisa senão fazer isso, vou almoçar com meus familiares, familiares que amo incondicionalmente, eternamente, familiares que muitas vezes entram em desavenças que não valhem a pena, familiares que muitas vezes quando eu precisei estava do meu lado e outros não, familiares como eu, em busca de ser um ser melhor.
Desculpe lhe escrever estas bobagens que aos seus olhos podem não ter significado algum, mas saiba que o tempo esta sendo preenchido com isso e creio que para me fazer melhor.


Muita luz para todos nós.

Prof. Pietro Nardella-Dellova ha detto...

*
Vamos, amigos, vamos com sensibilidade, sentindo cada uma das notas da partitura da Vida. Vamos cantando, vamos dançando, vamos com nossos tenores, nossos sopranos, nossos baixos, nossos contraltos, nossos barítonos. Vamos com nossos olhos iluminados porque em cada nota encontraremos nosso sentido e o sentido de vivermos em canto!



Pietro Dellova, aos amigos que tenho (2010/2011 - 5771)