alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







sabato 28 febbraio 2009

ATENTADOS Á COMUNIDADE JUDAICA DA VENEZUELA


ATENTADOS Á COMUNIDADE JUDAICA DA VENEZUELA

por Claudio Luiz Lottenberg

Presidente da CONIB


Em menos de um mês, a comunidade judaica da Venezuela foi alvo de dois bárbaros ataques, numa sequência que evidencia as precárias condições de segurança oferecidas pelas autoridades venezuelanas e que faz aumentar nossa preocupação em relação ao avanço do antissemitismo no país vizinho. Em janeiro, um bando invadiu uma sinagoga. Na última quinta-feira, uma bomba explodiu em frente a um centro comunitário, provocando crescente preocupação com os rumos da situação política e social na Venezuela.


Nos últimos anos, a América Latina conseguiu finalmente embarcar no caminho da democratização que, esperamos, seja irreversível. Mas o futuro da democracia em nossa região depende dos esforços da sociedade civil e do compromisso de seus governantes de garantir o respeito às leis e à ordem democrática. Lembramos mais uma vez que o presidente Hugo Chávez assinou em dezembro uma declaração conjunta com seus colegas Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, comprometendo-se a combater diferentes formas de discriminação, entre elas o antissemitismo.


Manifestamos nossa solidariedade irrestrita à comunidade judaica venezuelana. Manifestamos também nossa preocupação a autoridades brasileiras que acompanham de perto a realidade venezuelana. E externamos nossa esperança de que a democracia vai prevalecer em nosso continente, com a garantia de liberdade religiosa e de respeito aos direitos das minorias, alguns dos ingredientes fundamentais para a construção de uma sociedade livre e justa.


Claudio Luiz Lottenberg

Presidente da CONIB

venerdì 27 febbraio 2009

A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS ou, como pendurar a cabeça do amado num espeto

A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS
ou, como pendurar a cabeça do amado num espeto




por Pietro Nardella-Dellova

Não há mais passado
que resista ao esquecimento {cimento}
Não há mais amada
que se vista de ternura
...rasgou-se a partitura,
quebrou-se o violino...
...foi-se a fada (e o seu bellino)
arrastada pelo bumbo e rolo...
nada justifica o caminho
–não há caminho certo, aberto:
só deserto!
vencem o concreto, o tijolo, a areia e o ouro:
Bravo!
e o que semeia poesia é um estranho tolo
- recebe paulada!
-nem amado nem prado nem alado
- nem amada nem ninho-
apenas pó e aspereza
(nem pão nem vinho)
{a morte na estrada}
a falta de canto, de encanto, de manto
–tanto faz...
Por que a morte na estrada?

A louca com satisfação deseja paz:
está morta a amada! -viva em paz!!!
a porta bate, o cão late, late, late – e rouba o chocolate!
–ai!!! mate o cão que late!
ma-ma-ma-ma-tem o cão que late
Ai... late! Ai... late! Ai... late! E... late!
morde e late - e lambe mio caffellatte!
por que o cão morde e late?
A louca com satisfação deseja paz:
está morto o amado! -viva em paz!!!

Porque se perde a noção
de distância e de isolamento
E o toque,
o riso, o choro, o sangue, a saliva, o cuspe,
A dor, a alegria, o enfoque
– não há poesia nisso!
Não há poesia na perdição das pedras
{só fantasia}
agora se perdem de vista
o penhasco, o abismo e a dor,
e se perdem o contentamento e o amor
–amor de pele...
e se perdem, ainda,
o coração,
a ânsia, o vento, o frasco, a flor,
sem lamento, sem emoção,
sem calor...

Por que se perdem o coração,
a ânsia, o vento, o frasco, a flor?

-porque o mercado abre suas portas
e ai daquele que se esconde!

-porque o cimento sufoca o mundo
e ai daquele que planta um jardim!

-porque o concreto tudo esconde
e ai daquele que ama amar
sem fim!

-porque a tumba tudo apaga e derrete,
tudo verte em pó!

e ai de mim que não acredito em reencarnação
nem em santinhos !
e ai de mim que não acredito em macumba
nem em encruzilhadas!
Gargalhadas!
As bundas, tetas e barrigas se erguem da tumba...
Não há seios, há tetas
- branquinhas, amarelinhas e negrinhas...

...as mortas voltaram...
e se agrupam no pátio festejando,
se mijando de rir...

as mortas voltaram...
e riem, fotografando, psicografando
– satisfeitas -

...as mortas voltaram...
e chupam o sangue da carne
malpassada pelos poros...

...as mortas voltaram...
e mostram as tetas!
- e carregam o amado no espeto,
e gritam,
as mortas gritam:
-Temos o amado no espeto!

Quanto vale o amado agora ?
{uma mexerica}
e as mortas ao som do bumbo
se pintam de dois sonoros vivas:

está morta a amada – Viva!!!
está morto o amado – Viva!!!

...o riso é riso mesmo,
o choque é choque mesmo...
o riso o riso o riso o riso o riso
o riso o riso o riso o riso o riso
isso, isso!
[A esmo o riso das mortas e sou pisado]

não me deram um franguinho assado
no natal
nem cebolas assadas
no natal
nem farofa nem fanta
nem bolinhos de queijo nem groselha
nem palitos de dente
no natal
nem uma pinguinha
nem uma espumante
nem uma cervejinha
nem um pente
–só uma escova-
ai de mim
que ganhei uma escova
para os dentes!

Ai de mim que gosto de banana
e me deram uma mexerica,
nem um paõzinho português, francês,
árabe, judeu ou italiano,
não me deram um chocolate na páscoa
–nenhum bombom-
nem um sabonete nem um alfinete
nem um tapete
-ai de mim
que não ganhei um tapete:

está morta a amada – Viva!
está morto o amado – Viva!

Guardinhas da noite,
empregadas domésticas, faxineiras ,
venham!
venham, agora, e vejam:
horrores e açoite!
E vejam amores de beco
com flores na bunda
corredores vazios
...abunda o silêncio...

Prostitutas do beco,
venham, agora, e vejam:
a luta acabou!
...abunda o silêncio...

Rios, muitos rios:
os rios de todos,
os lodos e os rios...
O que importam
os rios perdidos nos mares ?

donos da noite, venham!
venham todos!
Venham e cantem!
donas da noite, venham!
venham todas! Venham e comam!
construtores, malfeitores,
festeiros, chacareiros, venham!
cantem, comam, bebam, dancem:
contem o ouro!
- as horas passaram
e os amores não venceram –

ai de mim
que os amores perderam:
comam e bebam!
Principalmente comam!
-
Venham todos:
alegrem-se, festejem, toquem, comam
espetinhos malpassados,
verduras, tomates e moscas
e bebam... fanta!

-é festa!
A poesia e o amor perderam - Viva!
A amada está morta!
Está morto o amado - Viva!

Donos e donas
dos prostíbulos arrendados,
prostitutas do beco
e guardinhas da portaria, o que vêem?
-Penhascos, pedras, mares
(muitos mares, todos os mares)

Por que lançaram
o corpo do amado neste penhasco, entre pedras?
Por que penduraram
a cabeça do amado num espeto?
E dividem a carne da amada
entre as mortas e os pedreiros!
E o grito seco...
a festa acabou!

Venham todos!
O que vêem, agora? – Nada!

O poeta
não come carne, verdura e tomates
com moscas
Nem morre entre pedras
no penhasco:
O poeta não morre...
o poeta é alado!

ah, principessa,
tire esta carne malpassada dos dentes...
venha, todos já se fartaram
(estão calados, fecharam as portas)
venha, escovemos os dentes
porque de repente lançaram o poeta,
mas o poeta não morre
entre pedras e entre mortas
–o poeta é o seu anjo!




Campinas, são Paulo, 10 giugno 2002

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor de Direito.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato/Autorização: professordellova@libero.it

mercoledì 18 febbraio 2009

AO RABI, ou ao Giam, HaZaken!


AO RABI, ou ao Giam, HaZaken!
de Pietro Nardella-Dellova

A voz de D'us me chamou: levanta-te, profeta, vê, ouve,
e percorrendo mares e terras, queima com a Palavra o coração dos homens!
(Aleksandr Puchkin – 1826)

Rabi, Maestro mio, entre as folhagens viçosas, os arbustos verdejantes, as árvores imponentes: o limoeiro, a figueira, a palmeira, o cafeeiro, a amoreira, o bambual, a bananeira, a goiabeira, a laranjeira, e as flores perfumosas do seu jardim, entrecortado por passagens, bancos e muretas de paralelepípedos -tudo plantado e feito pelo seu coração- caminhei, na minha última infância e primeira juventude, tantas vezes, de um lado para o outro, preso à sua mão, pulando o caminho das formigas, emudecendo-nos, atônitos, diante dos beija-flores. Descobrindo, a cada canto, a santidade do mundo das larvas, casulos e borboletas, a sabedoria das aranhas coloridas no alto das árvores, o calor dos ninhos de passarinhos, a vida em sementes explodindo ao vento.

Naquele tempo, convidava-me a estar diante do poço e beber dele uma canecada de água fresca e, orientava-me, também, a ver tudo ao seu redor (porque o poço no seu rancho, meu bom homem, é o centro de tudo) mostrando como a natureza e o homem são o corpo e alma da Terra. E como os olhos iluminados pela bondade podem encontrar poesia e música puras, e harmonia, e afeto, e respeito pela vida.

Ah, jamais me esquecerei daquela ponte que você fez entre uma árvore e outra com um galho ressequido para que as formigas pudessem passar pelo alto, protegidas!) E com aquela caneca à mão, plena de água fresca, descobri para sempre que estes são os milagres mais próximos da manifestação de D'us! E entendi, então, por que se comovia com os cães enxotados, sarnentos e famintos nas calçadas, e os tomava nos braços, sarando suas chagas com carinho, banhando-os e alimentando-os, dando-lhes nomes (zé, caçula, preta, marrom...) e a amizade da sua casa.

Entendi por que arrebanhava das ruas para a sua pequena varanda tantos gatos quantos podia salvar do veneno da vizinhança. E por que alimentava centenas de pombos, recebendo-os na palma da sua mão, medicando os de asas e pés quebrados pela violência das pedras da ignorância. Entendi, também, por que dava morada a um sapo à direita da sua porta, e por que mantinha uma tampinha com açúcar para as grandes formigas pretas e um vaso mais adiante com água limpa para os passarinhos se refrescarem. E entendi, por que certa vez chorou profundamente, durante uma semana, a morte de um besouro grudado à tinta nova de um portal. Porque as tuas mãos, rabi, foram ungidas para abençoar!

Por isso mesmo, eu ficava ali muitas horas e, ao anoitecer, dividia o seu pão comigo, para depois me postar diante da sua mesa e caminhar, madrugada adentro, por cada uma das letras da Torá, ouvindo do seu peito a angústia e a ansiedade de Abraham, a solidão de Isaac, a força de Jacob, a determinação de Moshé (Moisés) pela liberdade. E depois, fazia- me ouvir o choro de Yirmiahu (Jeremias) pelas ruas de Jerusalém, e descer aos infernos de Yoná (Jonas), e cantar com os Tehilim (Salmos) e construir com os Mishlei (Provérbios) e com o Cohélet (Eclesiastes), e renovar esperanças com Yeshayahu (Isaias), e amar a beleza singular da mulher com os Shir Harishim (Cantares). E nessas madrugadas tantas, ouvíamos o barulho dos grilos, dos sapos, dos ventos, no seu quintal feito Éden. E, dentro, sobre sua mesa tantos livros abertos, convertendo sua casa numa singular Beit HaMidrash, onde eu era tocado no espírito, inspirado na alma e estimulado no corpo, a um verdadeiro Bar Mitzvá e, por tantas vezes, a uma T’shuvá,, o caminho de volta, à nossa Sinagoga do Comune di Fondi, cantando, misturadamente, o’ sole mio e Hatikvá.

Mas, às vezes, atrás do ungido aparecia o homem, o poeta, e escondidos entre seus livros, mantinha seus versos e na profundidade de cada um deles, a sua própria angústia e ansiedade diante de D'us, a sua própria solidão, a sua própria força e fraqueza, a sua própria determinação pela liberdade e os seus próprios pés estrepados, o seu próprio choro, o seu próprio grito, o seu próprio inferno, o seu próprio terno cobrindo as mãos, o seu próprio amor perdido no passo delicado de algum palco, a sua própria humanidade!

Porque, caro Rabi, para isto fomos feitos: para salvar larvas e nelas, as borboletas, esperando em suas asas encontrar os olhos da mulher amada. Para amar a Torá, e esconder entre suas páginas as folhas que ninguém compreende de amor humano. Esperando encontrar alguma Dalila, alguma Betsabá, alguma Rainha do Sul, que nos arrebate no seu encanto, que nos faça sofrer e, depois, nos faça remover colunas, vencer guerras e amar outras mil mulheres, procurando por detrás de cada coluna, em cada palácio e em cada dança de uma hebréia, o rosto único, o perfume único e a dança única da mulher amada.

Por isso, a um só tempo, somos tão frágeis e tão fortes. Por isso, nosso jardim é, a um só tempo, Éden e Caos. Por isso vivemos com um dos pés no leite, no mel, no pão e no vinho de Canaã e, o outro, nos tecidos finíssimos do Egito. E transformamos, às vezes, nosso Talit, o manto das Mitzvót, em própria mortalha. Porque somos humanos, a despeito de toda maldade e de toda violência e de tantos obstáculos nestes quatro mil anos.

E, como humanos, nos reerguemos, sempre, em nossa Bimá, porque ali se faz iluminar a Torá C’haim. E é o humano que compreende e salva os cães, e os gatos, e os pombos, e as formigas, e os sapos, e tudo. Porque queremos descobrir em cada um a amizade que humanamente nos falta.

2 febbraio 2004 – 1O shevat 5764 © copyright do autor

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola/Beit Midrash/Casa Degli Spiriti. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor de Direito.

© caso queira copiar, mencione os dados da autoria e a fonte http://nardelladellova.blogspot.com/, como sinal de respeito e atenção à legislação. Não mude nada no texto, nem o título nem o conteúdo.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato/Autorização: professordellova@libero.it

martedì 3 febbraio 2009

Entre Nicéia, Wittenberg e Gaza ou, RESPOSTA A VÁRIOS TEXTOS ANTI-SEMITAS

Entre Nicéia, Wittenberg e Gaza ou,
RESPOSTA A VÁRIOS TEXTOS ANTI-SEMITAS
por Pietro Nardella-Dellova

Resposta aos seguintes textos foram postados no grupo virtual de ex-alunos do Programa de Ciências da Religião da PUC/SP, em fevereiro de 2009.


Ao texto “A morte de Deus na faixa de GAZA”, pelo Prof. Eduardo Oyakawa (sociólogo, professor de religião no curso de Relações Internacionais da ESPM, Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP), e a resposta ao mesmo, pelo Dr. Ariel Finguerman (doutor em Estudos Judaicos pela USP e Universidade de Tel Aviv);


Ao texto “Que Guerra é Essa? Árabes Contra Judeus ?”, de Dom Robinson Cavalcanti, ose (Bispo Diocesano, Secretaria Episcopal, Diocese do Recife - Comunhão Anglicana), postado por Reverendo Ivo Xavier (divulgando o texto do “seu” bispo).


Pois bem, senhores, vamos à resposta.


Os textos do Prof. Oyakawa e do bispo Dom Robinson Cavalcanti, seriam mais bem aproveitados no púlpito de suas Igrejas, católica ou protestante, e não em grupo virtual de ex-alunos “cientistas” da Religião da PUC/SP, pós-graduados estes, de variadas correntes e formações! São textos esvaziados de sentido, sem análise objetiva e sem consideração multifacetada. Pobres em descrição geográfica e distorcidos em relação à História! Quando muito, sua leitura é apenas panfletária!!! Em que pese o respeito que devo a quaisquer pessoas e, neste caso, aos mencionados autores, antecipo não me referir a eles, mas aos TEXTOS!


São textos pobres e temerários, de construção escorregadia e superficial e absolutamente inoportunos, arrogantes e sem méritos!


Ao receber, e ler tais textos, fiquei pensando se o “silêncio” não seria a melhor resposta aos mesmos, mas, por respeito à minha inteligência, e a todos os participantes do grupo, Mestres e Doutores, muitos dos quais ex-colegas de módulos acadêmicos, e cafés nos corredores da PUC/SP e neste meu “mui querido programa de pós-graduação”, resolvi, então, responder.


O texto de autoria do bispo pretende informar que há uma História começando a partir dos anos 40, quando, na verdade, a História de Israel começa há 4.000 anos! E, desde sempre, Israel tem sido o alvo de ataques e insultos, vale dizer, desde Avraham avinu aos nossos dias. Nossa História não começa a partir dos anos 40, do século passado, mas há quase 40 séculos! Esse texto foi construído pelo sacerdote, como se a História Judaica estivesse em suas mãos, como se o universo judaico, cultural, religioso, jurídico e político, estivesse sob as mãos cristãs, quando, na verdade, é o contrário! O Judaísmo, sim, emprestou, até certo ponto, as bases para o Cristianismo inaugurado no Concílio de Nicéia, no ano 325 da era comum.


Este presente teria sido um grande avanço e uma grande conquista para os povos pagãos, sobretudo, os romanos (instituidores da Religião Cristã) não tivessem deformado o que receberam da Cátedra de Rabinos que viviam em Roma (mas, não eram de Roma), com inserções da, então, decadente Filosofia grega, dualismos religiosos persas e misticismos celtas, no mérito dos quais não entrarei agora, mas, fico à disposição para encontros mais científicos.


Esta mistura de categorias, conceitos e mitos gregos, própria dos romanos, vai inspirar Maomé (Muhammad) e seus seguidores na formação do Islamismo (ou dos Islamismos), em 610 da era comum, vez que esta Religião também aproveita fantasias pagãs gregas, persas e árabes, além de, como os cristãos, desvirtuarem as Escrituras. Refiro-me ao Tanach!


Mas, em vez de recebermos a gratidão pelo legado do monoteísmo, pelos princípios, pelos avanços científicos e pelo conhecimento geral, fomos perseguidos e massacrados. Bastaria lembrar que expoentes do Pensamento Filosófico e Científico moderno, beberam, todos, enquanto judeus que eram, nas mesmas fontes judaicas, ou seja, na Torá, nos Profetas, nos Cabalistas e em nossos Sábios. Vale citarmos, como exemplos, os Estudos de Karl Marx, na Economia; de Albert Einstein, na Ciência; de Freud e Fromm, na Psicanálise; de Hannah Arendt Arendt e Hans Kelsen, na Política e Direito.


E, ao contrário do que se pressupõe, enquanto os gregos, verdadeiros inspiradores do pensamento eclesiástico medieval, estavam se destruindo em suas várias “polis”, ou formando sua aristocracia excludente, nossos pensadores, os Nevi’im, muito mais antigos, séculos antes, já discutiam e abordavam questões como Justiça, Economia, Direito, Bem-Estar social, Reforma agrária e inclusão social. E mais, muitos séculos antes dos pré-socráticos Tales, Heráclito e Empédocles, nós já sabíamos sobre os elementos básicos, tais como fogo, terra, água e ar, e de sua composição orgânica!


Enquanto os romanos, formadores do Cristianismo, estavam arrancando raízes dos solos da península itálica, nossos Reis, David e Sh’lomò compunham Poesia e Louvor ao Eterno e à mulher amada, construíam Templos e julgavam com Justiça! E o que mais dizer? Talvez, que quando Constantino, fundador da Igreja, imaginava como salvar seu reino, nós já tínhamos, fazia mais de dois mil anos, nossa Legislação, nossa Jurisprudência, nossa Literatura e nossa Doutrina, ou seja, já tínhamos a Torá, os Nevi’im, os Ketuvim, o Talmud e uma vasta rede de Escolas, as nossas Sinagogas!


Mas, tudo isto que foi dado, como presente, aos pagãos romanos, não teve gratidão. E por que não citar o próprio Jesus, que nasceu, morreu e foi sepultado como judeu, a quem os romanos enlouquecidos transformaram em “deus”, em uma de suas lições, enquanto Rabino: “dez receberam, mas, apenas um voltou a agradecer”! Apesar de nós, judeus, ensinarmos “coisas escondidas desde a fundação do mundo” não tivemos o respeito devido. Nós, verdadeiros (e únicos) portadores da Instrução do Eterno, fomos esmagados durante toda a Idade Média, tanto por cristãos, quanto por islâmicos! Fomos expulsos de nossas casas em Portugal, Espanha, Europa oriental e, finalmente, enquanto “cristãos” católicos e protestantes cantavam “Glória, Glória...” nas capelas e igrejas alemãs, os alunos de suas Escolas Dominicais nos destruíam, levando 6 milhões dos nossos à morte insana e covarde!


Quando pareceu que os que de nós sobreviveram teriam paz, após o Holocausto, sob dos coturnos nazistas e fascistas, ocorreu que em nossas próprias terras e em meio às nossas preces fomos, e somos, atacados por grupos árabes, persas, islâmicos ou não! A diferença é que nos defendemos, e defendemos nossos filhos e filhas e a tantos que vivam, ou queiram viver, em Israel!


O texto do bispo, ainda, pretende apresentar os Judeus como divididos em askhenazim, sepharadies, falashas e, na explicação, aponta, ainda, judeus-cristãos. Obviamente, trata-se de um imperdoável equívoco, de desconhecimento inaceitável de alguém que se pretende líder de uma Comunidade religiosa. Existem, sim, judeus ashkenazi (oriundos do leste europeu), judeus sefaradi (oriundos da península ibérica),mas, existem os judeus ebrei (oriundos da Itália “que não são sefaradi”), judeus persas (que vivem desde os tempos de Esther no atual Irã), os judeus etíopes (negros), os judeus indianos (de uma antiga tribo, possivelmente, de Menassè), apenas para citar os mais expressivos! Não existe essa classificação de “judeus-messiãnicos” ou judeus-cristãos e, sim, cristãos com alguns costumes judaicos, com objetivos pérfidos de converter judeus ao cristianismo!


Ademais, é preciso conhecer geográfica e juridicamente Israel. É preciso andar nas ruas de Israel, de norte a sul, visitar as cidades israelenses para falar de Israel! Israel não é apenas uma “mesquita de cúpula dourada”, nem cavernas em que se pressupõe ter sido alguém sepultado ou outro ambiente turístico e religioso. Israel é mais, bem mais que isso!


Entrando em alguns museus, como o do Holocausto, é possível sentir o cheiro de morte de 6 milhões de judeus queimados, sob os olhos “piedosos” de religiosos nazistas! Entrando em outros, é possível encontrar “ossários” de pessoas que viveram e “morreram” nas primeiras décadas desta era comum, inclusive, de alguns pescadores, carpinteiros e suas respectivas esposas.


Em todos os textos citados, para os quais respondo, nada se fala de “irmandade muçulmana”, da qual fazem parte ou nela se inspiram, os grupos terroristas do Hamas, do Hisbolá, da Al-Qaeda, do Talibã, entre outros. Nada se menciona do odioso “Estatuto do Hamas” e, maliciosamente, fala-se em “palestinos”, quando Israel nada tem contra os palestinos, mas, contra os terroristas do Hamas e dos seus grupos fratricidas.


Ainda, como ato de absoluta injustiça nos textos, citam-se ícones do Judaísmo, como Martim Buber e Baal Shem Tov, sem nenhum conhecimento das obras destes luminares “judeus”, colocando-os de forma descabida ao lado de terroristas que se escondem, covarde e violentamente, atrás de mulheres e crianças, na Faixa de Gaza!


Entre as impertinências do texto do bispo, indicam-se cinco itens sob o título “o Novo Povo de Deus”, o autor apregoa o fim “do povo judeu”, tomando dele sua “Escritura”, e, assim como fizeram seus correligionários mais antigos, os romanos, “integram” o patrimônio judaico ao romano, dando-lhe a forma, ia dizendo, a deformação, que quer e o chama de “novo”, demonstrando absoluto desconhecimento de suas próprias origens. Aliás, este é, também, o discurso do Islã, atribuindo-se a si mesmo, a soberania e a substituição do Povo Judeu, por qualquer que seja ele, “islâmico” ou não, substituindo, em seus textos, por exemplo, Itzchak por Ishmael!


Mas, diferentemente dos cristãos e dos islâmicos, NÓS, judeus, não pregamos nossa Fé, nossa Cultura nem entregamos nosso D’us! Não queremos que o mundo se converta ao Judaísmo nem queremos dominar o mundo, objetivos, sim, destas agremiações cristãs e islâmicas. Apenas, queremos viver em paz com nossas famílias, educando nossos filhos na cultura e tradição judaicas, fazemos nossas preces diante do Eterno e, muitos de nós, esperamos que um dia o Mashiach venha! Os islâmicos já têm seu “messias”,a saber, Maomé. Os cristãos, também, criaram (ou recriaram) seu messias (ou seu deus), Jesus.

Nós, judeus, temos as nossas próprias convicções acerca do que seja “Mashiach”, temos a nossa Torá, fonte maior da nossa Educação e Cultura (mas, não é a única) e pretendemos viver, onde quer que nos encontremos, em absoluta paz com nossos vizinhos. Os nossos que vivem em Israel e o governam, têm meticuloso respeito pelos muitos cristãos e muçulmanos que lá vivem, pelos seus lugares sagrados e de culto! Nada obsta que tais pessoas pratiquem sua religião em Israel!


Pois, em Israel, somos um Estado de Direito. Temos uma Constituição e todos as Instituições democráticas. Também, temos, como qualquer país, as nossas Forças Armadas que demonstraram, mais de uma vez, que o Eterno está conosco! Toleramos e vivemos bem com os palestinos e outros povos que vivem em Israel, sejam ou não judeus, mas odiamos, com ódio implacável, os terroristas, sobretudo, terroristas que matam seu próprio povo, as suas próprias crianças,as suas próprias mulheres e, covardemente, convertem seus familiares em “escudo humano”!


Obs.: caso queiram receber o textos dos autores citados,contra os quais, foi escrita esta “resposta”, pedimos que solicitem no e-mail abaixo!


SP, 3 de fevereiro, 2009


© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Professor de Direito.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato/Autorização: professordellova@libero.it