alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







venerdì 29 maggio 2009

Da EXPERIÊNCIA POÉTICA ou, a mulher após os trinta anos


Da EXPERIÊNCIA POÉTICA ou, a mulher após os trinta anos

do Pietro Nardella-Dellova


Quem é esta que aparece como a alva do dia,
formosa como a lua, pura como o sol...?
(Cânticos de Sh’lomo)

Porque ela acontece onde quer que esteja, avança com a sensibilidade de quem já passou pelos assombramentos e desvarios e não quer perder seu dia, nem sua noite e nem sua alma nas gavetas e idiotices da sociedade. Ela observa com a sabedoria de quem vive para não confundir partituras, com ouvidos afinados no sopro poético. Essa mulher leva nos lábios a doçura e o conhecimento e o seu esmalte não é uma futilidade, mas a expressão dos dedos que desenham o encantamento humano, pleno e vivo!

Essa mulher que transita entre corredores da biblioteca, não como quem foge do enfrentamento de cada página, mas como quem volta agradecendo silenciosamente pelos mundos descobertos, porque ali ela reencontra os sábios e os poetas que iluminaram seus sonhos, abriram seus poros e apontaram uma direção. Essa mulher sabe de onde veio e onde quer estar!

Ela olha, ela se veste, ela se penteia, ela caminha e ela dança, sabendo que as meninas de seus olhos e os lábios de sua boca se dilatam e seu peito se ergue, porque esse é o seu corpo e sua alma. Então, ela se percebe superior, como quem deixa relacionamentos opressivos sob os pés. E ela vai, e ela voa, como quem deixa homens idiotas cultuando seus próprios órgãos, como quem conduz o mundo apenas pelo sussurro... Por isso mesmo, plena da virtude feminina e da experiência dialógica, da delícia poética, fortalecida pelas vozes e páginas iluminadas, completa dos sentidos descobertos, essa mulher, absoluta, abre suas asas ao sol.

Não como as aves que ciscam buscando vermes na lama nem como passarinhos de enfeite que se permitem, engaiolados, trocar liberdade por ração, enquanto satisfazem o ego pervertido de seus donos.

Não! A mulher após os trinta abre suas asas como águias que rasgam nuvens, sobrevoam mares e dominam o mundo apenas com um olhar preciso e um canto ameaçador. Como águia, essa mulher habita as rochas mais altas! E, apenas ao aparecimento da sombra de seu talhe voando, os ratos e cobras voltam para os seus buracos na terra e, ofegantes, os veadinhos correm desesperados pulando troncos e plásticos no mato!

8 de Tishrei, 5769, Véspera de Yom Kipur (7 ottobre 2008)

© copyright do autor (não reproduzir sem expressa autorização do autor)

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE. Autor dos livros AMO, NO PEITO e ADSUM. Advogado e Professor universitário.

Mais informações e textos: http://nardelladellova.blogspot.com/
Contato/Autorização: professordellova@libero.it

mercoledì 13 maggio 2009

IETZER HATOV, IETZER HARÁ e LIVRE-ARBÍTRIO ou, das inclinações graduais para o bem e para o mal e seus processos decisórios

IETZER HATOV, IETZER HARÁ e LIVRE-ARBÍTRIO ou, das inclinações graduais para o bem e para o mal e seus processos decisórios

Pietro Nardella-Dellova




Sou homem livre –livre para voar- e estar, e andar:
livre para viver
(NO PEITO, 1989, pág 40)

Os seres humanos são caracteristicamente inclinados aos atos bons e aos atos maus. São inclinados para o bem e para o mal! É uma característica apenas humana, alheia a quaisquer outros seres da natureza. Assim, o ser humano, e apenas ele, possui um poder decisório, conhecido como “livre-arbítrio”, cujo desenvolvimento se faz especialmente na experiência cotidiana, diuturna, e plural, com os atos de bondade e com os atos de maldade.

Nada há para além do homem e da mulher, que seja bom ou mau. Não há substância ou personificação do bem e do mal. Nada há, seja real, ficcional ou virtual, que possa ocupar-se das inclinações exclusivamente humanas, apenas (e tão-somente) a própria experiência humana, fundamentada no livre-arbítrio, ou seja, nos julgamentos e decisões que impulsionam o homem adiante ou o atrasam morbidamente! Reflitamos sobre o insuperável mito edênico da árvore do conhecimento do bem e do mal, registrado no Livro de Bereshit, na Torá. Na verdade, no texto hebraico, a tradução melhor é: “árvore do aprofundamento no bem e no mal” ou, simplesmente, “árvore da experiência com o bem e com o mal”, cuja mensagem primordial é o das inclinações para o bem e para o mal ou, em hebraico, Ietzer Hatov e Ietzer Hará.

Bom ou mau são categorias morais (de movimento). Bem ou mal (nada de letra maiúscula) são categorias indicativas e éticas (de comportamento). Movimento e comportamento, indicados pelo livre-arbítrio, traduzem a diferença, aliás, a única diferença entre seres humanos e outros seres da natureza!

Portanto, é no comportamento, na atitude, na realização continuada, na resposta face ao dia-a-dia, na maneira de abordar uma situação ou nos critérios de julgamento profissional, jurídico, familiar, religioso, empresarial, econômico, financeiro, acadêmico, social, que verificamos, de modo inequívoco, o nível de ietzer hatov ou de ietzer hará, de uma determinada pessoa! Quanto mais envolvida com práticas negativas e alheia a princípios bons, tanto mais as atitudes e os critérios de ação de uma pessoa serão negativos ou desprovidos de lastro moral ou ético bons.

Em outras palavras, a prática constante de atos maus, cria o ambiente propício para a formação de uma pessoa que, no tempo-espaço, não terá recursos para decidir e agir pelo bem. E neste universo de ietzer hatov e ietzer hará vale a graduação. Eu explico melhor.

Não importa qual seja o ato/atitude para o mal ou para o bem. Seja o ato de cortar uma flor, de esmagar um inseto, manter peixinhos em aquários, de responder rispidamente, de faltar a um compromisso, de lançar um papel de bala à via pública, de mencionar o nome de alguém ausente; seja o de destruir florestas inteiras, atirar uma pedra contra um passarinho ou prendê-lo em uma gaiola, matar golfinhos ou baleias, difamar ou desmoralizar uma pessoa, descumprir um contrato ou obrigação, lançar produtos químicos na terra, ar ou água ou caluniar alguém; seja destruir o planeta, matar uma pessoa (em todos os sentidos) ou não se importar com o que ocorre ao redor, ou qualquer outro ato/atitude negativos, tudo, tudo mesmo, está ligado em uma linha de graduação do comportamento humano para o mal ou de comportamento mau. Lançar um papel de bala à via pública ou lançar produtos químicos nos rios, terra ou atmosfera, é a mesma coisa. Esmagar um inseto, prender um passarinho ou manter no aquário um peixinho e matar uma pessoa, dizimar espécimes ou matar golfinhos e baleias, é a mesma coisa! Mencionar o nome de uma pessoa ausente, difamar outra, caluniar uma terceira e matar alguém, é a mesma coisa! Comer hambúrguer, com os dentes cheios de pão e carne é a mesma coisa que consentir que milhares de animais sejam maltratados, violentados, torturados e mortos com requintes de crueldade!

Seja o ato de não jogar sementes das frutas que comemos no lixo ou de investir no replantio de florestas inteiras, é a mesma coisa! Não ligar um carro desnecessariamente é a mesma coisa que plantar uma árvore. Salvar uma abelha que caiu no copo de suco e proibir a caça de qualquer animal em qualquer tempo, é a mesma coisa! Ser criterioso com o destino das coisas que não nos interessam é a mesma coisa que não destruir o planeta inteiro. Não falar o nome de alguém ausente é a mesma coisa que propiciar a vida das pessoas. E cumprir a obrigação cotidiana vale mais que reclamar no Judiciário! Qualquer ato/atitude de caráter benéfico está ligado a um ambiente de ietzer hatov, de comportamento para o bem ou, simplesmente, comportamento bom.

Quanto mais tempo alguém viver comportamentos negativos, em qualquer graduação, mais difícil será a experiência com o bem ou experiência boa. Assim, também, quanto mais tempo alguém viver e experienciar atitudes boas ou para o bem, em qualquer graduação, mais difícil será que se encontre em um ambiente maléfico ou negativo.

Pois o Ietzer Hatov ou o Ietzer Hará, inclinações para o bem ou para o mal, caracterizam, de fato, a pessoa humana, mas, no início da vida, nos primórdios, na infância, é apenas como o broto de bambu, leve e até comestível. É na sua infância que os seres humanos vão, com graduação, aprendendo a usar o livre-arbítrio para disciplinar suas inclinações. Mas, ninguém aprende ouvindo ou rezando, aprende fazendo, realizando. Enfim, ninguém, em sã consciência, diria de uma criança, adolescente ou um adulto, sobretudo, na terceira idade: “ele tem um bom ou mau coração e seus pensamentos são do bem ou do mal”. Em sã consciência, o que pode ser dito é: “ele tem uma atitude boa ou má e resolve seus problemas diários com critérios e princípios do bem ou do mal”. Pela experiência com a árvore do aprofundamento do bem e do mal, as pessoas desenvolvem, gradualmente, uma moral e ética, do bem ou do mal!


São Paulo, 13 maio, 2009 – 19 Iyar, 5769 (34º dia do Ômer)

© Pietro Nardella-Dellova. Mestre pela USP. Mestre pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Rav na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO, NO PEITO, ADSUM e FIO DE ARIADNE (org.), das traduções FILOSOFIA DEL DIRITTO PRIVATO (de P. Cogliolo) e GIUSTIZIA (de Z. Zini), bem como, das teses A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (PUC/SP) e A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (USP). Professor de Direito.

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