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ברוך ה"ה







sabato 13 marzo 2010

TORÁ E UM POUCO DE KABBALLAH ou, COMO VENCER CONCENTRANDO ENERGIA




TORÁ E UM POUCO DE KABBALLAH ou,
COMO VENCER CONCENTRANDO ENERGIA

por Pietro Nardella-Dellova
da Sinagoga Scuola

Os nossos maiores dissabores estão, normalmente, nas nossas criações cotidianas. Criamos demônios, vampiros, doenças, perturbações, fraquezas, angústias e uma série de debilidades, mais ou menos, reforçadas por superstições, medievalismos e religiosidade agressiva.

Contra tudo isso houve, um dia, a emergência da Torá, ou seja, da Instrução. Os antigos sábios ensinam que o Eterno tinha pressa para presentear o mundo com a Torá, e encontramos na Midrash (conjunto de textos e folclores antigos de caráter judaico) que Ele a ofereceu para setenta povos distintos que, sistematicamente a rejeitaram. Por fim, restavam os filhos de Israel e, não a tivessem aceitado, o mundo retroagiria ao ponto animalesco, às camadas inferiores de seres que rastejam, a hominídeos que não são homens plenamente. Os filhos de Israel a aceitaram e, desde então, a formação judaica se faz, principalmente, pela experiência da Torá! Estudar a Torá é vivê-la!

A Torá é a Instrução, o meio pelo qual, em estudo continuado, descobrem-se os segredos da existência e, em uma marcha constante, o caminho que possa levar o homem à Etz Chaim (árvore da vida). Cada detalhe da existência, cada minuto, cada dia, cada semana, cada mês, cada refeição, cada entrar e sair, enfim, em qualquer setor ou movimento cotidiano eis que a Torá se faz presente de modo determinante na vida judaica! A Torá forma, constitui, estabelece e robustece a existência, levando-a ao status de vida! Um dos aspectos mais importantes da Torá é o preparo e o exercício para o embate, para o dialético, para a tensão e, finalmente, para o desfecho de qualquer situação aparentemente difícil.

E um dos segredos da Torá reside no fato e ensinamento de que nossas fragilidades estão mesmo dentro de cada um de nós e, por isso mesmo, a cada dia ensinamos nossos filhos a olharem para dentro de si mesmos e vencerem seus conflitos.

Outro segredo judaico para a vida é o aproveitamento do tempo. Então, o carpe diem (aproveitar o dia) adquire um sentido vital entre judeus, pois conforme nossas práticas, o viver intensamente é como um princípio imutável e irrevogável. Tudo nos leva ao processo da consciência para concentrar energias onde elas realmente importam. Além disso, sabemos pedir, e sabemos, também, agradecer invariavelmente.

O Rabino Berg lembrou em uma de suas obras, uma determinada pesquisa feita na Universidade da Pensilvânia. O resultado é expressivo! Vamos a ele! Chegou-se à conclusão que, ao utilizar sua energia, sua força diária, seu elemento vital, as pessoas gastam-na da seguinte forma:

40% são gastas com ilusão, fantasia e com o imaginário;
30% são gastas com problemas do passado;
12% são gastas com preocupações alheias, dos outros;
10% são gastas com doenças imaginadas no cotidiano;
08% são gastas efetivamente com coisas que importam.

Obviamente, ao olharmos o resultado acima, o mesmo traz um entendimento que salta aos olhos. Senão vejamos.

Se gastamos 40% das nossas energias com fantasias simplesmente as perderemos sem mérito algum, pois não há como concentrar energia e obter resultados na ilusão. Se gastamos 30% de nossas energias com problemas do passado, fazemos investimento perdido, pois, nada pode mudar o passado. Se dedicamos 12% de nossas energias com preocupações relacionadas aos problemas alheios, também, não obteremos nada, pois cada um deve dedicar-se a resolver seus problemas e, em muitos casos, as pessoas nem querem resolver tais problemas. E, ainda, se gastamos 10% das energias com doenças imaginárias que sequer existem, outra vez perdemos o tempo vital. Resta-nos apenas 8% de energias e será bem difícil que consigamos realizar algo com tão pouca energia.

Digamos que com 100% de nosso combustível consigamos rodar por 500 km. Com 8% dele, rodaremos apenas 40 km. Não surpreende, então, que a maioria das pessoas tenham suas vidas desperdiçadas e não alcançam seus objetivos, posto que não têm energias com as quais avançar adiante. São vidas abandonadas pelo caminho.

Então, o primeiro passo é organizar este combustível e vencer esta perda, esta sangria, este gasto inútil de energia vital. Concentrar e valorizar questões que valham a pena. Há pessoas que perdem sua vida aceitando guerrilhas de esgoto, aceitam o desafio de rastejarem cotidianamente ou convivem com vampiros. Há pessoas que aceitam conviver com pessoas negativas e, não precisa de muito tempo, tornam-se, igualmente, pessoas negativas, sem perspectiva e sem direção. Acabam lhes sobrando aqueles 8% de energia e, ao final de 40 km param e lamentam que outros continuam sem parar nem reclamar.

Energia é o tempo que nos foi dado como presente. Energia é vida e tudo aquilo que transformamos em pão ou em bens. Energia é, também, o dinheiro que ganhamos com nosso trabalho. Energia é cada minuto de existência cotidiana. Por isso mesmo, ao vivermos nossas vidas com objetividade, proatividade e força, podemos rodar os 500 km.

Há determinadas pessoas, em determinadas reuniões, que viajam, falam de todos e de tudo, lamentam, reclamam dos políticos, transformam uma mesa em algo desagradável de tanta maledicência. Há pessoas que perdem seu tempo ao telefone, fixo ou celular, fiscalizando a vida alheia, disseminando mentiras e discórdias, atropelando os princípios mais comuns de cordialidade e etiqueta, de privacidade e intimidade. Há pessoas que gastam seu dinheiro com carne e cerveja para apenas passarem seu dia de tédio o mais rapidamente possível. Há pessoas que visitam outras, mas, antes, passam pela locadora e carregam dezenas de fitas, em cujos filmes projetam suas fantasias e ruminam o passado como se ele fosse importante.

Tudo bem, cada qual vive ou rasteja como quer. O problema é ser levado por esses! Em várias oportunidades quando percebi que em certos encontros o assunto girava em torno de um barril de vinho furado, ou de assuntos vampirescos e sem base, levantei-me e fui à pia lavar pratos, talheres e xícaras. Nada é melhor em uma reunião como essas do que levantar e virar literalmente às costas ao grupo e lavar pratos! Posição privilegiada!

O processo pelo qual as pessoas sugam o tempo e a energia é algo sistemático e continuado. É preciso levantar ramos de alho contra elas e, quem sabe até fazer-lhes o sinal da cruz!!!!

Mas, vencida esta etapa, ou seja, concentrando energias para si mesmo e para sua viagem de 500 km (e não de 40 km!!!) é preciso verticalizar e buscar a Luz do Eterno, dirigir em sua direção seus pedidos e clamores mais profundos. Verticalizar no modus judaico é alinhar-se ao Eterno e às suas Mitzvôt, abençoando seu Nome de forma intensa e precisa, consciente e libertadora! Pois, organizadas as nossas energias, as mesmas entram em comunhão com a Energia do Eterno e formamos um elo de ajuda e, ao mesmo tempo, contribuímos com Ele no mundo ao qual Ele chamou de muito bom, Ele contribui com cada um de nós (nesta situação) dando-nos a força motriz para caminharmos sobre desertos secos e escaldantes!

Mas, este é o ponto vertical! Há ainda a dimensão horizontal, pois nem todos formam uma mesa de horror e vampirismo patológico. Não é em relação a todos que devemos nos levantar e procurar a pia, com pratos, xícaras e talheres. Há muitos que, conscientes, querem também atravessar os 500 km. A esses podemos pedir ajuda e retribuir com ajuda, pois neste caso não será energia desperdiçada no caminho, mas investimento em um tempo futuro. Aqui estou falando de solidariedade e tendo, de forma efetiva, fazer entender que solidariedade depende de duas pessoas que se ajudam de tal forma que nenhuma tira a energia da outra! Ninguém precisa fugir para a pia!

Logo, no plano vertical, bem como, no horizontal, é possível encontrar apoio para a caminhada e para o embate diário, para o processo dialético cotidiano e, sob as Luzes do Eterno e apoio dos “amigos”, converter parte do processo em dialógico!

Mas, vem, ainda, o último segredo judaico. È preciso saber agradecer, tanto ao Eterno, como e, principalmente, àqueles com quem descobrimos solidariedade! O senso de gratidão é a maior das virtudes e mantém, assim, o ciclo de ajuda vertical/horizontal em funcionamento constante. O ato de gratidão, movido pelo senso de gratidão, aproxima ainda mais a Luz maior e as luzes menores, a Luz vertical e as luzes horizontais, a Energia vertical e as energias horizontais.

A gratidão é a cópia da chave de tesouros inimagináveis, entregue nas mãos de uma pessoa expressivamente grata! Agora, experimente viver e certamente você gostará do que vai encontrar no caminho!

Sadle Brook, NJ, 11 janeiro, 2010


© Pietro Nardella-Dellova. É Coordenador de Curso de Direito. Professor de Graduação e Pós-graduação em Direito Civil, Escritor e Consultor de Direito. Mestre em Direito pela USP. Mestre em CRE pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92), FIO DE ARIADNE (org./co-aut. 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS, Ed. Scortecci, 2009.

Mais textos, contato e informações, veja no

Blog Café & Direito: http://nardelladellova.blogspot.com/

11 commenti:

Eduardo Meirelles Grecco ha detto...

Excelente texto Professor!
Necessário relê-lo várias vezes e a cada vez surge um novo ensinamento.

Eduardo Meirelles Grecco

Anonimo ha detto...

ESCLARECEDOR......, é a palavra que encontrei pra expressar a minha opinião sobre o texto. Não que eu me atenha a crendices pra explicar meus insucessos, mas, às vezes, como uma pobre mortal - não conhecedora da Torá - perco a única coisa que Sei que me pertence, o Tempo.
Eh...mais uma lição! Só não vale prova oral, tah.
Bacione

Maria Thereza ha detto...

Sim, seu texto foi me esclarecedor em muitos pontos!
Parabéns!
Muita Luz!

Fernanda Dutra Tiisel ha detto...

Salve, meu querido e amado amigo.
Faço uma recomendação a todos os leitores desse blog: pegue esse texto, "TORÁ E UM POUCO DE KABBALLAH ou, COMO VENCER CONCENTRANDO ENERGIA", e leia, de preferência ao despertar do seu dia,todos os dias!!!! Assim você vai GANHAR tempo,energia e direcionar em assuntos e pessoas que valem realmente o seu precioso tempo.
E cada um cuidando da sua própria vida!!!!
Dellova, um carinhoso abraço.
Fernanda Dutra Tiisel

Anonimo ha detto...

Querido Dellova, como sempre seus textos me inspiram muito. Me inspiram a lutar, a resolver as coisas pendentes e a continuar vivendo. Eu estava precisando ler tudo o que você escreveu. As suas palavras abençoaram a minha vida nesse momento!!! Você não sabe o quanto.
Realmente eu também preciso me organizar mais; ocupar o meu tempo e energias em coisas que realmente importam. Eu em minha santa ignorância, achava estar no caminho certo mas, percebi que continuo poupando energias para o alcance do meu sucesso e mais, que ainda não sei de fato, o que é vida.
Gasto minhas energias com coisas inúteis. O tempo gasto assim não volta mais, mas, com certeza a partir de agora pensarei muito quando se tratar de desperdício de tempo e consequentemente, de vida.

Ana Carla A. Leal
Estudante de Direito - USF

Bacione, mestre eterno...

Carmen GarreZ ha detto...

Gostei muito de seu blog, parabéns pelo seu trabalho...fraterno abraço!

Manuela ha detto...

li e reli e continuarei lendo-o,pois sinto a força da vida me enchendo a cada leitura dessas palavras. Entretanto hoje tem um significado maior,pois aprendi com você que preciso uivar para me libertar da lama que me prende e viver mais, viver os 500 km! BARUCH HASHEM!!!

Manuela ha detto...

li e reli e continuarei lendo-o,pois sinto a força da vida me enchendo a cada leitura dessas palavras. Entretanto hoje tem um significado maior,pois aprendi com você que preciso uivar para me libertar da lama que me prende e viver mais, viver os 500 km! BARUCH HASHEM!!!

Patricia Serfaty ha detto...

Obrigada Caro Pietro pelo texto.
Uma análise brilhante. Até mesmo concentrando-nos no caminho da espiritualidade podemos tomar um atalho errado, se não ficarmos atentos. A ilusão principalmente é o fator preponderante para a falta de foco. Como sempre você talentosamente coloca muito bem em palavras sensações conhecidas e familiares difíceis de serem organizadas em idéias racionalmente.
Grazie
Baci

Patricia Serfaty ha detto...

Obrigada Caro Pietro pelo texto.
Uma análise brilhante. Até mesmo concentrando-nos no caminho da espiritualidade podemos tomar um atalho errado, se não ficarmos atentos. A ilusão principalmente é o fator preponderante para a falta de foco. Como sempre você talentosamente coloca muito bem em palavras sensações conhecidas e familiares difíceis de serem organizadas em idéias racionalmente.
Grazie
Baci

Isabel Bell ha detto...

Pietro... De tudo o que escreveu adorei a parte da pia de pratos, xícaras e talheres, um novo significado para o que considerava uma "obrigação", castigo necessário, posto que utensílios descartáveis não dão sabor aos momentos gostosos que compartilhamos em casa. Não combinam com vinho e castanhas... Retirar-se para lavar pratos e taças como uma opção ao vampirismo é algo efetivamente novo que aprendi hoje, um novo olhar, uma nova função, uma nova fuga a momentos indesejáveis. Obrigada! Beijo afetuoso. Isabel