alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







domenica 11 aprile 2010

PACTA CORVINA ou, o porquê de odiar Brasília


PACTA CORVINA 
ou, o porquê de odiar Brasília
por Pietro Nardella-Dellova


Eu odeio Brasília. Definitivamente odeio Brasília!

Não odeio Brasília apenas pelos casos multiplicativos e vergonhosos de dengue, mas porque desde suas origens cansa e esgota as energias de um povo que teima em viver – ou existir! Odeio-a por todas as décadas perdidas, entre alcoólatras, soldadinhos de papel, escória maranhense, caçadores de marajás, idiotas indignos de academias paulistas, loucos nauseabundos, sindicalistas pelegos e retirantes perdidos. E por ser a encruzilhada onde todos se aglomeram em torno da carne moribunda, moída e exposta às moscas!

Porque nela o descaso alcança todos os setores, engrenagens viciadas, escalões, cabides, poderes. Porque suas ruas não dizem coisa alguma e concentram um cheiro de morte. Ali se abrem os lençóis da perversidade na Praça dos Três Poderes, canalhas ocupam assentos do Parlamento, andarilhos se vestem de togas e marionetes sancionam leis estúpidas, desconexas e inúteis! 

Odeio Brasília neste sentido, e ainda mais profundamente, porque o Brasil precisa urgentemente de homens e mulheres éticos, de princípios e inteligência, homens e mulheres que saibam enxergar o pluralismo multicultural, as necessidades de um povo cuja vida é desperdiçada na lufa-lufa, e que realmente se importem em fazer nascer uma nação, um país – uma grande polis! Odeio Brasília porque aqueles que julgam nos Tribunais Superiores deveriam vir de regiões remotas, deveriam ter começado há décadas em comarcas distantes e jamais passarem pela porta do Executivo e Legislativo.

Brasília é como um buraco negro que a tudo engole - e a tudo desfaz - e a todos transforma em pó.

Brasília concentra gente ruim – muito ruim! Gente ruim de corpo, gente ruim de sentimentos, gente ruim de intelecto e gente ruim socialmente! Os piores estão em Brasília – e como uma força atrativa irresistível, continua a concentrar gente mentirosa, sem discernimento nem critério – concentra gente não gente - indecente!

Brasília é um grande acampamento de garimpeiros, sejam do Legislativo, do Executivo ou do Judiciário. Todos querem as pedras preciosas e o ouro, mas deixam atrás de si um lamaçal de vergonha, de indignidade, de desprezo – uma história sem méritos! O que se encontra, tristemente, são os lugares de exploração, especialmente, na Praça dos Três Poderes, repletos de mercúrio e contaminação, que avança, profundo, nos lençóis de todos os recantos.

Nada se cria e em nada se pensa em Brasília que sirva para a Política ou organização de um Estado de Direito, plural e democrático. 

Obviamente, estou me referindo à Política como a imaginaram homens esclarecidos e não ao que ocorre na capital brasil(eira)! Estou me referindo a um Estado de Direito, plural e democrático, não às combinações escusas e trocadilhos de tribuna recorrentes neste lugar!

Há lugares cujo símbolo é uma águia - para Brasília deve ser um abutre, um corvo! Há lugares, ainda, cujo símbolo é um leão - para Brasília deve ser uma hiena! Há outros lugares cujo símbolo da solidariedade é o encontro de duas mãos - para Brasília deve ser o encontro de dois ganchos! Brasília é mesmo (etimologicamente) de brasil(eiros) – não de brasilianos nem brasilienses!

Odeio Brasília porque nestes anos todos roubou os recursos do povo brasiliano, despiu os brasilienses originais, criou monstros nas florestas, impediu a vida de várias gerações, desprezou a liberdade, ridicularizou a esperança e criou vermes públicos! Brasília não presta! Tudo o que nela atua ofende a inteligência e os princípios mais elementares de Direito e Justiça, de Política e Educação, de Projeto e Economia! Brasília não presta e merece as emblemáticas dez pragas do Egito ou, ao menos, o enxofre apocalíptico!

Pois, então, Brasília representa um tipo de encontro de agentes (mas, não necessariamente gentes) a que os romanos chamariam “pacta corvina” ou, em vernáculo, “pactos de corvos”!

E, finalmente, odeio Brasília porque lá ninguém ainda se suicidou diante de denúncias de corrupção, como fizeram alguns que viveram em países de primeiro mundo!


7 de Adar 5770

© Pietro Nardella-Dellova é Escritor e Poeta. Coordena Curso de Direito e é Professor Direito Civil e Crítica Literária em graduação e pós-graduação. Mestre em Direito pela USP e Mestre em CRe pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil, Processo Civil e em Literatura. Formando em Direito e em Filosofia. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores e do Gruppo Martin Buber (Napoli/Roma). Autor dos livros AMO, NO PEITO, ADSUM, FIO DE ARIADNE (org/tex), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (tesina, PUC/SP), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (tesina, USP, 2000) e, também, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. 

3 commenti:

Sebastião Marques ha detto...

Grande Rav Nardella-Dellova,
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Que texto maravilhoso! Você conseguiu expressar com palavras claras, poéticas e profundas tudo que sempre senti a respeito daquele lugar imundo.
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Somente um homem de sua elevação espiritual poderia captar tão profundamente o malefício que aquele antro de corvos representa para o Brasil
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Aproveito para pedir permissão para divulgar seu texto para o máximo de pessoas que eu puder.
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Que HaShem continue a iluminar seus caminhos!
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:)
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Atenciosamente,
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Sebastião Fabiano Pinto Marques
São João del-Rei, MG
http://delrei.wordpress.com

La fille du vent ha detto...

Se me permite, Brasília é onde vive exposta toda a nossa inércia e indolência. Uma cidade e um congresso que expõem a carência educacional de uma parte da população e a cegueira política da parte ‘intelectualizada’.

anna y valdez ha detto...

na verdade odeio todas as pessoas dos outros Estados que não sabem votar e enviam a própria podridão aqui para Brasilia!!