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ברוך ה"ה







sabato 13 marzo 2010

YAHRTZEIT do RAV BIAGIO ou, POR QUE ACENDER UMA VELA PARA MEU BABBO


YAHRTZEIT do RAV BIAGIO ou,
POR QUE ACENDER UMA VELA PARA MEU BABBO

Pietro Nardella-Dellova

B"H
Estamos no oitavo dia do Yahrtzeit (ou Iortseit), data da rememoração do falecimento do Rav Biagio, meu babbo, de abençoada memória. Seu desaparecimento (falecimento no modo judaico) deu-se aos 18 de Adar, 5758 do calendário judaico (resp. ao 16 de março, 1998).
Faz doze anos!

É uma praxis judaica o acendimento de uma candela (vela) nestes dias de Yahrtzeit em homenagem à memória de um ente querido.

Rav Biagio foi (e para mim, como judeu, ainda é) um luminar, uma figura emblemática. O meu amigo de todas as horas e de todos os assuntos, judaicos ou não. Tudo o que sei sobre Torá, e sobre humanidade e humanização do mundo, e filhos, e família - e sobre mulheres, e tudo o que sei sobre Direito e seus princípios, tudo o que sei das relações interpessoais, tudo o que sei sobre amar pai e mãe, e sobre o Eterno, e sobre estrelas, e sobre formigas, e sobre mares, e sobre florestas, e sobre a Poesia, tudo enfim, que norteia minha vida, aprendi ao seu lado, de abraço em abraço, de café em café, de sorriso em sorriso!

Meu babbo, meu Rav querido, falava-me de seu babbo Giuseppe e de sua mamma Luigia, e de seu afeto por eles - e quanto mais falava, mais me fazia amá-lo na mesma intensidade. Meu babbo, meu amado Rav Biagio, ensinou o caminho do shalom e da ternura diante do Eterno...
Quando viajava ao seu lado pela madrugada, ainda em idade tenra, ele me fazia olhar as estrelas e dizia-me: "vê estas estrelas? São o brilho da presença do Eterno..." Meu amado babbo e Rav me levou aos estudos jurídicos e me presenteou com ensinamentos que me fizeram gente apenas! Ao seu lado aprendi a optar pelo bem, decidi ser bom e fazer coisas boas! Ao seu lado a vida era uma canção e, por ele, atravessava o oceano por um café! Ficar ao seu lado era um estado de bênção, de graça, de Poesia, de luz, de esclarecimento, de comunhão.

Às vezes, estávamos longe, em lugares distantes, e eu recebia uma cartinha sua. Recebia como uma presente e me demorava para abri-la, pois cada uma das letrinhas do envelope me remetiam a todos os universos. Seu destinatário era sempre “Ao meu amigo e filho...”. Recebia a carta com as duas mãos e ficava acariciando os lados do envelope suavemente em um estado de vivificação! Dentro, quase sempre uma poesia de sua lavra e entre os papéis, uma folhinha qualquer de árvore... Ele me levava a um estado de vida inimaginável!

Ele era dos que beijavam respeitosamente a mão de uma dama. E eu lhe perguntava, então: "babbo, por que beija a mão das mulheres?" E ele me respondia com sua voz maravilhosa: "porque as mulheres são a Bênção do Eterno sobre a terra"... Um dia, quando eu ainda era um menino de quinze anos, ele foi me falando por toda a tarde e noite sobre a mulher, o que era para ele, e de como sua felicidade era completa ao lado de minha mamma. Confessei alguns fogos da minha idade no que respeita às sensações mais naturais e esperei algum corretivo. Ele me abraçou, sorriu, e me disse: “...o Eterno fez tudo isso, e mais alguma coisa...".

E quando ele se sentava comigo debaixo das árvores, vendo passarinhos namorarem, ou a chuva cair, as formigas de um lado para o outro, o vento e a brisa, ou quando víamos o pôr do sol, tínhamos as canequinhas azuis de ferro esmaltado em nossas mãos, com o café, e ele parava e me olhava nos olhos, olhava no profundo dos meus olhos e dizia: "filho, seus olhos são verdes, como você é um rapaz belo..." E ao ouvir aquilo era a voz de D'us para mim, ele era o que mais próximo me dizia algo do Eterno ou que me fazia entender o Eterno!!! Suas palavras não deixavam dúvidas em minha caminhada nem me fragilizavam – suas palavras me faziam forte e determinado! Com a sua voz, que ainda ecoa em minha alma, aprendi a olhar a distância, e a ler entre as linhas, e discernir. Com sua voz e não morri – vivi!

Meu babbo, meu Rav, que felicidade ter nascido dele! E ter vivido ao seu lado, ter viajado em sua companhia, ter aprendido com ele! Que felicidade saber que ele me levantou nos braços, ao nascer, e me abençoou com sua alma! Que felicidade ter me alimentado com o pão que ele ganhou em suor justo e que felicidade ter o seu nome, e o nome de seu babbo, de quem ele falava com ternura e emoção! Que felicidade ter aprendido uma Torá que me mantém à distância de desvarios religiosos!

E quando lhe perguntava algo, porque vivia perguntando algo a ele, sobre tudo e sobre todos, sobre o céu e a terra, sobre tempestades e ventos, sobre amores e vida, e lhe perguntava como saberia se o Eterno havia ou não me abençoado de alguma forma, ele me respondia, invariavelmente: "...filhinho, fique bem e calmo, sereno e sensível, o Eterno já te abençoou desde sempre, dizendo que tudo é bom, tudo é muito bom, aprenda esta lição e viva sua vida com intensidade..."

Pois, agora, relembro o dia de seu desaparecimento, não apenas acendendo minha candela em sua abençoada memória, mas, relembrando tudo o que ele foi, e sempre será para mim. Então, uso as mesmas canequinhas azuis de ferro esmaltado com meus filhos, e lhes conto sobre seu nonno, e sobre seus bisnonni, com afeto e ternura, e mostro as estrelas, as formigas, e olho nos olhos de meus filhos para falar-lhes de sua beleza e ensino a serem calmos, serenos, sensíveis, poéticos e humanos, pois o Eterno lhes abençoou desde sempre, dizendo que tudo é bom, tudo é muito bom!

Um dia terei, também, uma candela em minha memória e, oxalá, seja chamada de abençoada!!!

Nas bênçãos do Eterno

25 de Adar, 5770.(11 de março, 2010)

© Pietro Nardella-Dellova é Escritor e Poeta. Coordena Curso de Direito e leciona Direito Civil e Crítica Literária em graduação e pós-graduação. Mestre em Direito pela USP e Mestre em CRe pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92), FIO DE ARIADNE (org/tex), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. Outros textos, contato e informações vejam em seu Blog Café & Direito: http://nardelladellova.blogspot.com/ e pelo e-mail professordellova@libero.it

7 commenti:

Jônatas Félix ha detto...

B"H

Grande lição rav, esse respeito esse amor pelo pai que infelizmente os jovens não tem mais. Fico feliz em ler algo dessa forma, e que HaShem possa me abençoar para que eu possa ser assim com meu filho também!

Shalom!!!!

Anonimo ha detto...

Prezado amigo e Professor Pietro Nardella-Dellova!
Perdoa-me a invasão, mas achei seu blog lindíssimo e de conteúdos maravilhosos.
Li o texto sobre o Babbo e senti-me comovido. Muito enternecedor. Meus parabéns!
Cumprimentos poéticos e de luz em teu coração!
POETA CIGANO - 12/03/2010

carlosrimolo.blogspot.com

Estevão Machado Athaydes ha detto...

Sono commosso e toccato come io sono uno studente per tutta la vita.
Forse forse un giorno anch'io possa avere un figlio così, ma mi considero privilegiato io sono un maestro di teologia di laurea in Lingue e Letteratura, Viaggi legge, scrittore, e insegno nelle scuole pubbliche statali, il mio tempo libero mi sono sempre accanto alla moglie che con molto sforzo e la cura alimentato i miei sogni di mia nonna.
Shalom!
Stephen Machado Athaydes

ha detto...

Salve Salve Grande Mestre, certamente seu Babbo iria se sentir o mais feliz de todos os homens, ao observá-lo mesmo que de longe. Afinal, ele atingiu o mais importante de todos os objetivos de um pai. O de ensinar o que não está nas doutrinas, nos códigos e nem nos dicionários. Seu Babbo, Grande Mestre, lhe ensinou a ser humilde, generoso e acima de tudo um homem de caráter. Como já disse William Shakespeare: "há mais dos seus pais em você do que você supunha". Seu Babbo está enraizado nas suas palavras e no seu modo de agir.
Obrigada Grande Mestre, por compartilhar conosco essa riqueza imensurável deixada pelo seu Babbo.

Shalom!!!

Luciane Cristina Menegaz

Natasha ha detto...

"...pus a mão na água fria, muito fria,e tive a sensação de que o mundo não pode acabar. A Poesia salvará o mundo da perdição, a Poesia fará o cego enxergar e fará mulheres e homens melhores, sãos e humanos, mas, se a Poesia não salvar o mundo, ao menos, salvará a mim mesmo e já é bastante!..." (trecho da obra A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS, Ed. Scortecci, 2009, 312 pág, de Pietro Nardella-Dellova)
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O dia 14 de março é o Dia Nacional da Poesia!

As moderadoras e moderadores da comunidade dedicada ao Poeta PIETRO NARDELLA-DELLOVA prestam-lhe uma homenagem, pois sabemos que, embora Mestre em tantas áreas, a sua Poesia nasceu primeiro! Por isso mesmo o chamamos carinhosamente de Mestre-Poeta!

Parabéns por toda obra poética produzida ao longo destes 20 anos (livros AMO, NO PEITO HÁ UMA PORTA QUE SE ABRE, ADSUM, FIO DE ARIADNE, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS, Blog CAFÉ & DIREITO e mais...), além de todos os outros textos, sempre marcados pela Poesia, ainda que sejam textos em Prosa!

Parabéns pela Poesia e pelo Poeta!
Moderadores e Moderadoras
da comunidade PIETRO NARDELLA-DELLOVA

Monique Rosa Brasil ha detto...

O senhor me acalma com esse texto... sinceramente me faz ver poesia e beleza em algumas relações.
Seu pai talvez seja uma certa idealização paternal (minha).

Carlos Rímolo ha detto...

Caro amigo professor!!!!
Muito lindo teu blog e conteúdos maravilhosos. Encantei-me com ele.
Um texto bem sensível e enternecedor. Gostei. Meus parabéns!!!

POETA CIGANO - 17/03/2010

carlosrimolo.blogspot.com