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ברוך ה"ה







giovedì 1 luglio 2010

AO LÍRIO ou, À AMADA, PORQUE ELA É AFEIÇÃO, RISOS E BÊNÇÃO


AO LÍRIO ou, À AMADA,
PORQUE ELA É AFEIÇÃO, RISOS E BÊNÇÃO
por Pietro Nardella-Dellova


Então, passei pela Via Appia, abrindo as janelas do carro para ver estrelas - eu precisava das estrelas e do ar da Campània. A face amada se desenhava naquelas regiões do firmamento e, também, naquelas luas todas, porque em cada semana e em cada lua eu passava por ali, e ela estava na brisa e no vento, na escuridão e nas luzes naturais. Às vezes, eu parava em algum lugar de Gaeta durante a madrugada e me deixava no sopro dos ventos daquela baia que trazia a sua voz e os seus perfumes. E quanto mais longe, mas corria para chegar à mulher amada - primeiro na alma, depois no corpo. E tanto mais me guiava pelos sabores da experiência plena de estar com ela.

Porque ela, a mulher amada, é feita da dança musical veneziana e dos perfumes naturais que cobrem os montes itálicos. A sua voz é melodia e seu perfume é vida. E com ela os dias são multicoloridos e intensos. Ao seu lado encontro o afeto continuado, o afeto feito vida eterna. E feito café na xícara de ferro esmaltada, feito gargalhadas noite adentro, feito caminhada diante do mar, feito pipoca doce e salgada misturada, feito teatro com café intermédio, feito abraço incondicional, feito pizza no quartiere ebraico de Fondi ou pasta e música de uma cantina paulistana, e feito verso riscado, mas, não jogado – guardado entre páginas de qualquer livro ou agenda. Feito bolo de fubá no entardecer ou, ainda, compras na madrugada em mercado 24h!

Há algo de edênico na amada, porque em cada verso encontro sempre, forte e intensa, a poesia e os jogos das palavras com beijos e carícias, que desenham a eternidade e criam jardins por onde passamos no amor, rindo entre flores e arbustos. E nos banhamos em rios que correm - em rios que vêm de nós mesmos, e ficamos, assim, lançados em lençóis umedecidos de amizade intensa. A amada é a amiga que me leva à humanidade de mim mesmo, onde me vejo e me estabeleço, onde me constituo e me faço gente plena. A amada, que é amiga, guia-me para encontrar a sua voz, porque ela abre seus olhos, nos quais me espelho, e sua boca sussurra uma palavra que me desperta e me faz voar às alturas, e faz o dia tornar-se vida plena. A amada é a amiga de quem não faltam o beijo delicado e o beijo amoroso, o braço e o abraço no encontro.

A mulher amada é a bênção! A única bênção possível a um homem. A mulher amada é a Poesia! A única Poesia possível a um Poeta. Porque nela se encontram o sorriso e os olhos de D’us - e por ela encontro D’us. Por ela dou nome aos seres do Jardim (e nem faço muito caso dos frutos proibidos), e por ela ando entre cardos e espinhos, e não importa muito que querubins não me permitam voltar ao Éden, que fiquem com suas espadas em ameaça constante, que me atrapalhem o caminho à árvore da vida, porque saio enfrentando feras e monstros, comendo raízes e me escondendo em cavernas, mas a amada - que é amiga, a mulher amada, que é a vida, vem comigo acendendo nossas luzes festivas e agraciando minha vida com a música de seu ventre. A amada acendeu duas luzes diante de meus olhos e as colocou na minha mesa...
Por ela transformo o Neguev em terras verdejantes, onde monto minha cabana, porque ali a noite é fria. Então, cubro-me com o seu abraço e o conforto da sua pele. E ali, ainda, os dias são quentes, muito quentes, então, trago-lhe, em canecas, a água fresca que busco nos poços que eu mesmo cavo na terra. Por ela separo o leite da carne, e visito anjos e mestres em desertos sem fim, e escrevo livros e partituras, e por ela perco o sono abraçado à minha lira e, de longe, espero seus dias para o amor feito de gente e feito de música. A amada é Música! A única Música possível a um homem que vem da sombra do Vesúvio!

Eu risco um pentagrama no vazio, mas ela se lança em notas. Ela tem as notas. A mulher amada tem as sete notas musicais, e brinca com elas em todas as escalas, e ritmos, e tempos. Pensar a amada é pensar Música – estar com ela, é comunhão de Poesia e humanidade! Porque a amada afinou suas cordas nas forças da Creação, quando estas forças eram felizes e cantavam, enquanto teciam os mundos e brincavam com fogo, e terra, e água, e sopravam Poesia e alegria pelos espaços da terra.

Por isso amo a mulher amada nos corredores, desprezando transeuntes encurralados, e a amo, ainda, na biblioteca – eu amo a amada na biblioteca, jogando livros ao chão, desprezando teólogos e doutrinadores, porque aqueles são como hienas em busca da carne dilacerada; e estes, idiotas solitários que desconhecem a comunhão da alma do universo e a alma humana! E apesar deles, eu transito com a amada pela terra respirando pelos poros, e vôo aos montes distantes, e não acordo pela madrugada perturbado nem na angústia da indecisão – na madrugada acordo apenas para amar a mulher amada.

Por isso corro ao encontro da amada, e por isso a amada estende a sua mão e me afaga. E nesta mulher amada coisa alguma sobra ou falta. Se ela fala, sua voz é uma canção. Se ela cala, é um beijo que se desenha na face que se completa em sincronia corporal. Mais do que escrever e rezar, prefiro andar ao seu lado pelos caminhos do parque, no giro das lagoas, porque a sua presença é única e seu respirar é um estado de alegria - a amada é meu texto e minha prece. A amada alimenta a minha alma de encanto e doçura - e meus braços de força - ela é a razão de vívidos versos e taça vazia sobre a mesa. Por ela viajo perto e longe!


28 de abril, 2010


© Pietro Nardella-Dellova é Escritor, Poeta e Professor. Coordena Curso de Ciências Jurídicas e Sociais, leciona Direito Civil e Crítica Literária em graduação e pós-graduação. Mestre em Direito pela USP e Mestre em CRe pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – U. B. Escritores. Escreve em várias revistas e jornais. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92), FIO DE ARIADNE (org/texto 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (2001) e, agora, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. SP: Ed. Scortecci, 2009. Outros textos, contato e informações vejam em seu Blog Café & Direito: http://nardelladellova.blogspot.com/ e pelo e-mail professordellova@libero.it

6 commenti:

Leila S Ribeiro Uzum ha detto...

Salve Dellova!

Esplêndido!

És o poeta que conhece o sabor da emoção, que vem nascida da alma,e penetra ao coração.
Suas palavras são abraços, calor e proteção.
Fala de sentimentos presentes, assim é o mais sublime companheiro, presente no amigo, que faz o amor ter sentido.
És alguém que não se pode esquecer, pois faz de suas palavras sementes, que sempre tendem a florescer!
Beijos querido e amado mestre e amigo. Saudades!

Lilian ha detto...

Fascinante!!!
Sensibilidade à flor da pele....
Um grande abraço

liribas ha detto...

Complimenti!! grande Poeta!!

lidia ha detto...

Bravo Dellova!

Analuka ha detto...

Belíssimo e inebriante texto, caro Poeta Pietro!!! Degustei lentamente cada linha, parágrafo, letra, sinuosidade, som, sabor, sentido, sensação, pulsação presentes em tua escrita prenhe de amor, "passione", poesia! Enquanto bebo uma boa taça de vinho tinto, vou sorvendo, sem pressa, tua prosa poética apaixonada e embriagadora. Te agradeço por ofertar aos visitantes este regalo! E deixo beijos pintados, e abraços alados, querido amigo.

Lilian Cardilli ha detto...

Caro Poeta!!

Che testo bello e profundo! Poetico e pieno di l'anima!
Unico, come te!!!

Amo-te!

Lilian Cardilli