alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







venerdì 3 febbraio 2012

SCARPE DA DONNA ou, PORQUE É PRECISO DANÇAR







SCARPE DA DONNA ou,





PORQUE É PRECISO DANÇAR
Pietro Nardella-Dellova






Ela entrou pelos corredores apressadamente e foi deixando os sapatos pretos pelo portão. Era preciso libertar-se, e era preciso despir-se completamente deles em busca de ritmo sensual, de vida e música, de olhos que enxerguem e percebam a delicadeza dos pés soltos – porque em cada dia ela precisava do caminho que a levasse a si mesma. E ela tinha os pés, os pés finalmente desnudos na poeticidade plena, e dela – somente dela - e não tinham marcas nem correntes.

Aqueles sapatos lançados ao chão resmungaram uma voz concentrada, como se fosse possível ouvir por intermédio deles uma voz musical distante, mas, intensa. Porque há mulheres que usam os pés para dançarem, mas, outras, usam-no para primeiro gemerem e, depois, se libertarem e darem o salto que as tire da cola asfáltica e o impulso que arrebente paredes – e muros.

É preciso ver, e enxergar, quando uma mulher tira os sapatos e os lança em qualquer canto, em qualquer chão, em qualquer lugar, ainda que tenha que pisar em solo causticante e refrescar os pés em pano umedecido, pois existe aí uma voz, um grito, uma provocação ao diálogo, daqueles diálogos de enfrentamento, de contato com o solo poético e humano, enfim, para ser o encontro com a música feito dança – a música dos pés libertos!

Sapatos lançados ao chão funcionam como as claves musicais, sobretudo, se forem pretos, pois abrem e norteiam a partitura - indevassável aos mórbidos, irreconhecível aos indolentes, inexpressiva aos cegos e impossível aos que passam, insensíveis, diante de uma mulher que se desnuda, assim, em busca da plenitude.

Quem tira os sapatos busca a leveza e o conforto de um ato libertário – busca o mar, e busca a brisa, e busca o estado de comunhão, e busca a poesia, e busca aqueles olhos que enxerguem, e busca o espaço, e busca o vento, e busca a tempestade, e busca o toque das mãos feito escultura renascentista.

Em algum ponto dos pés femininos começa o paraíso!

Ela, então, agora descoberta mulher, tirou os sapatos e os manteve ali, jogados, feito símbolo de resistência, marco de libertação, desenho melódico, expressão de inteligência, convite ao encontro dialógico pleno. Esta mulher tirou os sapatos em busca da pele, dos poros e do corpo – em busca da alma que transita pelas veias, da vida que organiza os músculos e arrebata os seios, da luz que cintila nos lábios e faz dilatar as pupilas.

A mulher tirou os sapatos porque as asas não estão em suas costas, mas, nos pés – e ela buscou asas em seus pés que a levassem para as cabanas alpinas, para beber na mão da Poesia ou, quem sabe mais próximo, ao alcance de um dedo, nas vias e pousadas andinas ou, simplesmente, para o risco de um verso possível no encontro de gente e seres apenas.

Esta mulher, tão próxima assim, com os pés soltos – sapatos jogados - pisaria uvas com intensidade, cantando e dançando por toda a noite. Ela ergueria os vestidos para pisar uvas ainda mais profundamente e, ao amanhecer, lançaria mais uvas ao lagar e continuaria cantando alegremente com os vestidos levantados, mergulhada em vinho e poesia napolitana.

6 de Iyar, 5770

© Pietro Nardella-Dellova é Escritor e Poeta. Coordena Curso de Ciências Jurídicas e Sociais, leciona Direito Civil e Crítica Literária em graduação e pós-graduação. Mestre em Direito pela USP e Mestre em CRe pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – U. B. dos Escritores. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92), FIO DE ARIADNE (org/tex), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS (2009). Outros textos, contato e informações vejam em seu Blog Café & Direito: http://nardelladellova.blogspot.com/ e pelo e-mail professordellova@libero.it

9 commenti:

Fernanda Dutra Tiisel ha detto...

Poeta, querido Poeta!!!!!
Ahh, como é preciso dançar!!! É preciso dançar com os pés desnudos para sentir sua poesia, Poeta!!!!! Simmm, é preciso dançar para enxergar a “poeticidade plena” e libertar-se dos “sapatos pretos” e transformá-los em “claves musicais”. Que texto!!!!! Maravilhoso, estou com os “pés desnudos” e busco asas para eles - busco na música, na poesia e no diálogo – para saciar minha sede nas mãos do Poeta!!
Beijos querido Poeta Pietro Nardella-Dellova!

Fernanda Dutra Tiisel

Luiz Otávio Ribas ha detto...

A mulher que esmaga a uva com a dança será uma amante voraz, insaciável.
Escondam-se os que não tem coragem, as mulheres libertar-se-ão pelos pés!

Em tempo: "Com o pé que é um leque", expressão regional que significa pronto para a dança, no Rio Grande do Sul.

Anonimo ha detto...

É por isso que me livro dos sapatos sempre que posso, e quase sempre posso.

Bacione

Daiane

Hannah ha detto...

E dançaremos sempre....pq as asas estão nos pés..amei..sinplismente perfeito! shalon!

neusa margy ha detto...

Desconfie das pessoas que,ao tirarem seus sapatos,têm o cuidado de arrumá-los lado a lado,em ordem.Delas você não vai ter nunca um gesto espontâneo de afeto,amor,paixão...
Quem exala vida joga-os longe...pisa com força e graça o chão que a apoia...e dança...e seus pés agitados exibem o frescor da alma jovem,calorosa,impaciente.Seus sapatos são suas amarras,suas correntes,seu cárcere.Jogá-los longe é libertar-se...
E assim,desnudos,seus pés a levam para a dança,o prazer de ser livre,de se soltar ao sabor da música...mesmo que ninguem mais a ouça.
Dessa mulher-vida faz-se a vida plena...
Filmes italianos de 40,50 anos atrás mostravam aquelas mulheres divinas,seios fartos,coxas à mostra,semi-desnudas na medida...e elas dançavam...e esmagavam a uva,se lambuzando...e enrolavam os vestidos molhados nos corpos suados...Silvana Mangano,Sophia Loren,Gina Lollobrigida...mulheres-fêmeas inesqueciveis !!!

Analuka ha detto...

Caríssimo Pietro, que texto liiiiiiiindo!!! Adorável, aliás. Todo o texto está lépido, lírico, pulsante, e tuas letras são notas musicais e partituras, penas e asas, pés e mãos e almas em movimento dançarino!... Só uma criatura criativa apaixonada pela Vida pode escrever desta maneira. Grata pelo convite, saio daqui levando nos lábios, na boca e na alma o perfume e sabor do vinho tinto poético indispensável a quem deseja existir com plenitude. Beijos pintados e alados!!!

Alba Maria ha detto...

Caro Pietro,ti ho trovato per caso... tra le cose belle che cerco per leggere ogni sera prima di andare a letto: un'abitudine, un rituale per dormire sicura di che i sogni se ci saranno mi ci porteranno altrove...
Vorrei dirti, inoltre, che ho condiviso la tua poesia con i miei amici via Facebook... si non ti dispiace. Un bacio affettuoso, Alba Maria Rocha Pirola.

Stelladalba ha detto...

Caro Pietro,ti ho trovato per caso... tra le cose belle che cerco per leggere ogni sera prima di andare a letto: un'abitudine, un rituale per dormire sicura di che i sogni se ci saranno mi ci porteranno altrove...
Vorrei dirti, inoltre, che ho condiviso la tua poesia con i miei amici via Facebook... si non ti dispiace. Un bacio affettuoso, Alba Maria Rocha Pirola.

Stelladalba ha detto...

Caro Pietro,ti ho trovato per caso... tra le cose belle che cerco per leggere ogni sera prima di andare a letto: un'abitudine, un rituale per dormire sicura di che i sogni se ci saranno mi ci porteranno altrove...
Vorrei dirti, inoltre, che ho condiviso la tua poesia con i miei amici via Facebook... si non ti dispiace. Un bacio affettuoso, Alba Maria Rocha Pirola.