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ברוך ה"ה







sabato 26 febbraio 2011

NO MODO VIRTUAL ou, A FAKERIZAÇÃO


NO MODO VIRTUAL ou, A FAKERIZAÇÃO
por Pietro Nardella-Dellova


Por onde andam os sentidos efetivos e as experiências epiteliais? Por onde andam os risos de doer o abdômen? Por onde andam os debates em que se olha no olho e a exposição não escapa aos limites do encontro, da dialética e da comunhão? Por onde andam os gostos de fazer escorrer suco pelo queixo e mel pelos cantos da boca? E por onde andam as oscilações naturais dos humores e das percepções espontâneas? Por onde andam mulheres e homens reais na era da virtualização?

Trocaram-se os bancos pelas cadeiras sofisticadas (duas vezes sofisticadas em seu sentido etimológico) e os seres humanos se apresentam diante de imagens montadas em qualquer canto. As imagens de criação multifacetada – e sem limites, substituíram a pele e a lágrima, o sorriso e as nuances faciais. Presos, então, ao computer e conectados diuturnamente, homens e mulheres perderam a relação de humanidade e, agora, não têm a capacidade de processar os encontros e suas variáveis, não enxergam e não vêem, sobretudo, não percebem e não atuam. As imagens se oferecem aos milhares, fakes escondem abismos inimagináveis e noctívagos perdem o sono e desmaiam no espasmo, cada vez mais afastados de parte de sua salvação: o “eu”! Exatamente isto: o “eu” é uma parte da salvação - o "tu", a outra!

E porque se perdeu o “eu”, perdeu-se, também, o “tu”: eis o deserto da solidão! As pessoas (reais) estão ficando solitárias, demasiadamente solitárias, e imagens sem dor nem sabor, sem amor nem ódio, vão se reproduzindo aos milhares.

O mundo virtual tornou-se o modelo, o exemplo, a aparência de verniz e, atualmente, define um modo, um “ethos”, ou seja, o “modo virtual” de viver. Os virtuais (ou fakes) juram amor uns pelos outros nos vários meios e sites de relacionamento, mas, sabem mesmo o que é o amar? Sabem transitar sobre a pele do “tu”, sabem quais são as reações plurais de cada poro e o arrepio da penugem? Sabem as diferenças entre um gosto e outro, entre um perfume e outro? Sabem mesmo o que significam pupilas e lábios dilatados? Sabem lidar com as diferentes temperaturas emocionais do outro – este não “tu” – e processar a diferença em termos reais? Chega, então, um tempo de saudade do outro, o inferno de Sartre, que, embora não fosse um “tu”, realizava a grande obra das diferenças, das tensões evolutivas, da dialética produtiva e reprodutiva – o outro fazia avançar!

Agora, nem o “outro” dialético, a quem se podia matar ou diante de quem se morria ou, simplesmente, com quem se construía uma coexistência juridicamente suportável, nem o “tu” dialógico, a quem se podia levar para a cama ou à mesa, com quem se construía uma convivência poeticamente substancial. Nem o “outro” nem o “tu”, apenas o virtualmente deletável – o fakerizado! Mais que isto, ainda, o modo virtual determina uma falsa percepção – a fakerização que resulta, por sua vez, em ações unilateralmente virtuais – o estado de tristeza e esvaziamento!

O esvaziamento da mente fakerizada de quem, conectado durante o dia (e a noite) vai se transformando em nada e perdendo a sensibilidade com o mundo em redor, imaginando projetos absurdamente inexeqüíveis, preparando discursos e aulas de cocô com talquinho perfumado do PowerPoint, buscando respostas inseridas no kaos virtual, jurando paixões à tela e gemendo noite adentro. Tudo isso conduz, invariavelmente, a um comportamento vazio de sentido. Não a um comportamento mau ou bom, por princípio, mas a um comportamento que, vazio ou esvaziado de sentido, resulta em algo apenas mau – o mau, então, por resultado!

E este resultado mau, criado na virtualização do mundo, evolui para um ethos de perversidade e timidez. Ou seja, diante da imagem e da idéia criada e mantida pelos meios virtuais, do esvaziamento de sentidos e perda das relações efetivas, escreve-se o que se quer, produz-se o que se quer, transmite-se o que se quer, diz-se o que se quer, faz-se o que se quer. Mas, no encontro direto e pessoal, o que se escreve não encarna, o que se produz não se concretiza, o que se transmite é irreal e dissociado da experiência humana, o que se diz não se confirma e, por desgraça, o que se faz não se expressa no corpo presente!

É o momento da completa idiotização ou, em outras palavras, o momento do esvaziamento ou da fakerização do mundo, e por mais que se venda outra coisa com aparência de bom, ainda assim, é uma coisa vazia, em um ciclo fake-faker-fake – o falso, o falsificador e este mesmo, o falso!

Va bene, eu desço, avanço e explico um pouco mais!

A relação fake-faker-fake desenvolveu um comportamento feudal de opressão e domínio, com intensa perversidade religiosa, seja pelo desdobramento do pensamento agostiniano ou das variáveis luteranas (no conjunto, uns e outros, são a mesma coisa, criada em Nicéia!). É um modo fakerizado de ver o mundo, ou seja, dualista, maniqueísta e eclesial, cujo atraso e desvirtuamentos exigem dez mil anos de purificação! O “deus” e o “diabo” medievais, bem como, anjos e demônios, santos e santinhas, virgens grávidas e deuses encarnados, resultam do fake-faker-fake! Até aí, nada de mais, exceto pelas mulheres e homens que foram mortos no óleo fervente ou em fogueiras juninas, e pelos seres humanos cortados ao meio, arrastados exemplarmente pelas vias públicas ou, simplesmente, condenados e esquecidos em buracos sob igrejas e castelos. E, mais efetivamente, pela construção nos púlpitos e preces católicas e protestantes, dos fornos que destruíram dez milhões de pessoas sob os coturnos nazistas em campos de concentração, e outros quarenta milhões no front, mas, sempre, com as bênçãos de um grupamento insano!

A relação fake-faker-fake criou, também, o comportamento stalinista (bem distante de suas bases marxistas) desnudado pela Perestróika e, finalmente, implodido. Criou, ainda, e com perversidade excludente, o mundo econômico cocacolizado da bolha financeira – explodido pouco tempo faz, cujo pesado efeito perdurará por décadas.

Assim como nos exemplos expressivos da Idade Média, da Inquisição (ou Inquisições), dos Juízos de “deus” (e do diabo), do Holocausto – situações criadas e desenvolvidas pela visão falsificada de mundo (fake), bem como, do status econômico e financeiro, stalinista e americano, atualmente, vê-se o esvaziamento por conta do mesmo processo de fakerização agravado com o poder da virtualização. Pior que um inimigo real é um fake! Pois, o inimigo é mantido a uma relativa distância, mas o fake não, e, pior, a relação virtual que alimenta os fakes, é incontrolavelmente imperceptível.

Enquanto isso, o mundo vai se transformando em uma grande privada não virtual, em uma lixeira não virtual, em um depósito de seres humanos não virtuais e em um gemido não virtual – tudo em um processo centrífugo em que nada escapa, a não ser que se escute um grito, que se faça um corte e que se acorde depois desta noite!

5 de julho de 2010

© Pietro Nardella-Dellova é Escritor, Poeta e Professor. Coordena Curso de Ciências Jurídicas e Sociais, leciona Direito Civil e Crítica Literária em graduação e pós-graduação. Mestre em Direito pela USP e Mestre em CRe pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – U. B. Escritores. Escreve em várias revistas e jornais. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92), FIO DE ARIADNE (org/texto 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (2001) e, agora, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. SP: Ed. Scortecci, 2009. Outros textos, contato e informações vejam em seu Blog Café & Direito: http://nardelladellova.blogspot.com/ e pelo e-mail professordellova@libero.it

13 commenti:

Analuka ha detto...

Caro poeta Pietro, teu texto me fez lembrar de algumas observações de um professor de filosofia, Jason, que em suas aulas do curso " A Estética da Existência", falava sobre o "sujeito egocêntrico e individualista contemporâneo" - aquele que vê (e vive?) através da tela, da televisão ou computador, sem ter contato carnal e real com o mundo, com as pessoas, sem vivenciar na pele os afetos, um ser empobrecido pelo excesso de informações , e pela falta de vivências humanas concretas...
Sim, tua visão desta "comunidade contemporânea" que prioriza demais o virtual é muito arguta e certeira!... mas, como sonhadora, otimista e utópica que sou, devo dizer que, apesar desta "realidade", ou deste fato evidente, de um empobrecimento humano por conta das poucas relações em que acontecem encontros e trocas verdadeiras, apesar de tudo isso, ainda percebo (e experimento!) a existência do calor corpo-a-corpo, da troca de olhares e salivas e perfumes, da confusão e confronto, no melhor dos sentidos, de idéias, cheiros, desejos, discordâncias, dores e prazeres... de tudo isso que propicia a vida verdadeira, o sentimento real, de amar, viver e respirar, enfim!... E, se existe uma grande parcela que está enclausurada em sua prisão pessoal, em seu eu alienado e egóico, temeroso, se multidões preferem a pobre experiência virtual à intensidade do real, ainda existe também uma parcela de sujeitos desejantes, sedentos de vida, de seiva, de sabor, de saber, que se arriscam aos vôos, às saídas do casulo, das prisões do entorpecimento, que vão além do plano das fantasias e delírios, que se exercitam em sua humanidade, na troca de energias, calor, amor, idéias, coragem de seguir em frente na viagem da vida, apesar da idiotização de uma multidão à beira da esquizofrenia coletiva. Se não acreditar, e vivenciar, ainda isto, como posso sonhar, pintar, sorrir, acreditar que a vida vale a pena, e ter prazer?... Sigo sonhando e voando e vivendo, pois! Abraços alados.

*(e, quanto às crenças:não me parece que umas sejam tão melhores que outras, e, para dar um exemplo, posso citar meu pai, um luterano, que foi quem me ensinou a viver a vida com amor, coragem, intensidade e respeito às diferenças, sem radicalismos nocivos ou que impeçam o exercício da liberdade...).

Analuka ha detto...
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Analuka ha detto...

...Mas, como sonhadora, otimista e utópica que sou, devo dizer que, apesar desta "realidade", ou deste fato evidente, de um empobrecimento humano por conta das poucas relações em que acontecem encontros e trocas verdadeiras, apesar de tudo isso, ainda percebo (e experimento!) a existência do calor corpo-a-corpo, da troca de olhares e salivas e perfumes, da confusão e confronto, no melhor dos sentidos, de idéias, cheiros, desejos, discordâncias, dores e prazeres... de tudo isso que propicia a vida verdadeira, o sentimento real, de amar, viver e respirar, enfim!... E, se existe uma grande parcela que está enclausurada em sua prisão pessoal, em seu eu alienado e egóico, temeroso, se multidões preferem a pobre experiência virtual à intensidade do real, ainda existe também uma parcela de sujeitos desejantes, sedentos de vida, de seiva, de sabor, de saber, que se arriscam aos vôos, às saídas do casulo, das prisões do entorpecimento, que vão além do plano das fantasias e delírios, que se exercitam em sua humanidade, na troca de energias, calor, amor, idéias, coragem de seguir em frente na viagem da vida, apesar da idiotização de uma multidão à beira da esquizofrenia coletiva. Se não acreditar, e vivenciar, ainda isto, como posso sonhar, pintar, sorrir, acreditar que a vida vale a pena, e ter prazer?... Sigo sonhando e voando e vivendo, pois! Abraços alados.

Analuka ha detto...
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Prof. Nardella Dellova בן עבדיה ha detto...

Sim, minha querida Ana Luisa (Analuka), o texto é para fazer refletir mesmo, para inspirar às resistência á "centrífuga" que vai, pouco a pouco, forçando a um mundo fakerizado e virtualizado. Eu sei que, como você e eu, muitos outros ainda sentem a vida em seu ponto original e substancial e, por isso mesmo seguimos colorindo o mundo e escrevendo sobre ele. Quando você pinta é a sua resistência a tudo isso. Quando eu escrevo é a resistência a tudo isso!
E o fazemos porque vivemos a vida, se não ainda na plenitude, ao menos na intensidade bem fora do processo de fakerização ou de virtualização!
Quanto à sua observação acerca das crenças, embora eu não tenha falado sobre crenças, e sim sobre a perversidade religiosa que, por conta da própria história católica e suas variáveis começou em um processo de "fakerização" com os detalhes que eu apontei (maniqueísta, dualista, eclesial, deus e diabo em disputa, demônios etc). Va bene, não há mesmo crença que seja superior a outra (todas são crenças). No entanto, refiro-me a outra coisa e situação que levou o mundo (e ainda leva) a um estado de destruição física, emocional e intelectual.
Quanto ao seu pai, sei que ele te criou a viver a vida com respeito, coragem, intensidade e sem radicalismos. Mas, foi o seu PAI e não o luterano (nem o católico, nem o judeu, nem qualquer outro religioso). Seu PAI merece honra de ter sido lembrado aqui, por você e, agora, por mim!
Beijos

Prof. Nardella Dellova בן עבדיה ha detto...

”...o nosso tempo é um misto de espanto e inércia, idiotice e fantasia, coisificação e anulação completa. E, no meio dessa espessa e sufocante nuvem de fogos de artifício, encontramos a carne suave e a feminilidade daquela mulher, feita de variadas pedras, variados elementos e multifacetada música corporal. Nela percebemos a terra, a água, o ar e o fogo, organizados de forma plena sob a unção feminina, “lugar” em que os elementos se organizam, completam-se e fazem sentido. A feminilidade dessa ragazza é mesmo um lugar, germinação de algo que vem de dentro, de uma natureza interior, que vai brotando pelos seus poros e tecidos suavemente dispostos em sua tessitura epitelial (...). Não, ela não é apenas o corpo em si, mas a harmonia entre o corpo e a alma (...). Não é inteligência residual, emocional ou artificial, mas substancial...”

Pietro Nardella-Dellova. A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. Ed. Scortecci, 2009, pág 264.

Natasha ha detto...

Meus queridos amigos e amigas, façam um visita na nossa comunidade e vejam os novos tópicos e toda a riqueza cultural de cada um deles!
Confiram os tópicos

1) SPIRIT, CAVALLO SELVAGGIO (tópico com o filme Spirit completo em italiano)
2) LA SIRENETTA ( a pequena sereia 3) (tópico com este filme completo em italiano)
3) I BELLI FILM E LORO MUSICA (cenas de filmes em desenho com música italiana)
4) MUSICA E STORIA
E muito mais!!!!!
Comunidade dedicada ao Poeta e Escritor PIETRO NARDELLA-DELLOVA: Venham conosco http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=53170806
Beijos,
Nath, Fernanda e todos os moderadores

Ana Hickman ha detto...

Excelente texto! um retrato profundo e uma visão real do ser etnocentrado e internalizado. Finalmente encotrei um blog de conteúdo. Parabéns!

Prof. Nardella Dellova בן עבדיה ha detto...

Ana Hickman, obrigado pela visita e pelas considerações.
Afinal, é um processo de "centrífuga" diante do qual buscamos resistir, respirar e, viver!
Seja sempre bem-vinda!
Até a próxima

Analuka ha detto...

Está muito bonito o novo visual do blog, caríssimo. Abraços alados!

Natasha ha detto...

"A diferença fundamental entre o homem comum e o guerreiro,
é que o guerreiro encara tudo como desafio, enquanto o homem comum encara tudo como bênção ou maldição.''"Devemos construir diques de coragem para conter a correnteza do medo."

(Martin Luther King)

Myriam Valentina ha detto...

É uma grande e imensa verdade. Estamos fugindo de relacionamentos, buscando nos anestesiar atráves de um monte de porcaria, sem sentido. Na realidade estamos nos tornando o quê. Seres sem percepção do outro. Ligados num mundo imaginário e unilateral, onde a qualquer momento posso simplesmente deletar o outro sem nenhum peso na consciência, afinal, ele (outro) não existe e apenas uma projeção na tela.
Todos usando falsas imagens, falsos perfis, negando a si mesmos como seres humanos. Abrindo mão do que mais de bonito existe no ser humano que é a troca fisica, espiritual, amorosa e real. E pessoas vão perdendo sentimentos, tornando-se frias. O verbo amar sendo conjugado sem seu real valor. Afinal amar é comunhão de opostos. Estamos perdendo a inocência e a espontâneidade de ver o belo nas pequenas reais coisas, como estar junto conversandoe rindo de bobagem, apreciando a presença do outro. Agimos como se o outro incomodasse e retirasse nosso tempo de estar online, quando na verdade o momento de estar com o outro é o mais importante. É se relacionando com outro ser humanos que criamos, crescemos, existimos e fazemos o mundo; é nas troca afetivas; é no abraço e carinho entre amigos; é no estar, sentir, tocar a pele e admirar a pessoa amada que nos tranformamos em alguém real e com sentido de vida.

Myriam Valentina ha detto...

E concordo com a Analuka, prefiro ser sonhadora, otimista e utópica, ainda acredito no calor, corpo-a-corpo, troca de olhares, salivas e perfumes, da confusão, confronto, no melhor sentido das dores e dos prazeres do real sentimento.