alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







sabato 16 luglio 2011

O NOVO DEUS na EDUCAÇÃO ou, DIÁLOGOS no C. do MUNDO



O NOVO DEUS na EDUCAÇÃO ou,

DIÁLOGOS NO C. DO MUNDO
por Pietro Nardella-Dellova




especialmente dedicado

aos amigos-irmãos

Luiz Otavio Ribas e Rafael Eisinger Guimarães,

porque amizade não se descobre -

constrói-se a cada sorriso e luta!


α β
Pois, então, meus amigos do sul, finalmente, do mundo foi feito um hospício, das relações um tempo perdido e, sem vinho, condenaram o nosso discernimento aos rios turvos que correm, contaminados. As pessoas parecem ter uma atração pela sujeira, interna e externa, que ali se lança – rios e corredores escolares parecem servir ao mesmo fim! Não sabemos mais nada de realidades humanas, ou de humanidades, ou de emoção, ou de criatividades, ou de energias, ou de pensar, ou de justiça, e, desafinadas, as palavras são utilizadas como se pudessem, sozinhas, criar um mundo edênico ou justificar o kaos.
γ δ
Mataram a Poesia, sufocando-a, sem dó nem misericórdia, na impermeabilidade do Poema! E, depois, prenderam, com correntes, os nossos tornozelos na limitação e estupidez virtuais. Entre um rosto e outro, todos se transformaram em fakes! Não fakes, assim, de fotografia e perfil, mas, fakes que arrastam inocentes e culpados (tanto faz) pela cidade, e que transitam como vampiros sugando a vida (e o saco) alheios. Fakes que decepam braços e troncos (de pessoas e árvores), transformam mulheres em bonecos infláveis e homens em saco de pancada. E, assim, os fakes estão, pouco a pouco, transformando o mundo em pó.

ε ζ
São fakes porque se apresentam com sorriso odontológico nos lábios, com paramentos (tipo sacerdotais) para esconderem a vergonha do pênis, da vulva e da perversidade. Fakes com carteirinha de ocupação profissional. Fakes com anel de formatura tipo soco inglês, sapatos engraxados por crianças que devem continuar aos pés, de cabeça baixa. Fakes do tipo torres gêmeas que se erguem sobre tudo, mas, sem inteligência, tombam no peso do silicone e, ainda, fakes de terno escuro ou taier – nestes casos nem sei o motivo.... São fakes por construírem um mundo falsificado e estabelecerem em cada esquina uma nova mentira – seja religiosa, política, judiciária, jurídica, psicanalítica, social, policial, sindical, legal ou escolar. Em cada cidade, novas mentiras se transformam em praças públicas, em lojas, em clubes, em igrejas, em escolas, em câmaras, em partidos, em prédios escolares e, conforme a mala ou o desatino, a multidão sem rosto nem alma, vai pousando aqui e ali e, em promiscuidade, clamando por novas mentiras (lógico, quando se cansam das anteriores). Salve Voltaire!

η θ
E erguemos pulsos doloridos pela inutilidade cotidiana, ainda que seja para carregar um giz ou uma foice. Pois o giz foi jogado na privada (pulverizado nos mesmos rios, ou corredores, para onde vai, também, a sujeira de cada dia; a foice perdeu o corte. Porque nestes dois casos, (especificamente neles) encontramos pedras no caminho! A inteligência foi violentamente implodida e a sensibilidade perdeu-se em chiclete asfáltico, resina e silicone. Há, agora, um amor incontido pelas privadas, uma excitação pelas privadas, um estado de suspensão e enlevo pelas privadas, e uma corrida tresloucada de norte a sul, de leste a oeste, que termina naqueles pratos do congresso, sempre, para que o mundo veja a obra criada na privada! Venham! Venham todos! Venham, e vejam a obra criada na privada!
ι κ
Amigos queridos, as pombas voaram, foram-se. E as que ficaram - sobras de garimpo - tanto comeram o lixo, o plástico, a resina, o silicone, as apostilas inventadas; tanto se drogaram, tanto se venderam aos falocêntricos, tanto se embriagaram, que carregam, agora, nos ares e céus azuis (quando voam) a mesma natureza dos bichos, quando correm aos esgotos. É um estado de esvaziamento de sentidos e promiscuidade: e, assim, vão se dando os dedos, os pés, as pernas, as coxas, as barrigas, as tetas (os seios foram-se com as pombas salvas!), os cabelos químicos – mas, ninguém se atreve a beijar de boca!
λ μ
Como cegos e tolos vibram, em masturbação acadêmica, pelos quadradinhos de PowerPoint, sempre em combinação trifásica: imbecilidade de quem o faz, imbecilidade de quem o suporta e imbecilidade de quem o defende! Jogam o encontro humano, a relação de envolvimento, a construção do saber, o aprofundamento científico e a efetividade de resultados sociais, em uma mesa de plástico e nos arquivos de secretaria! Tudo virou canudo, festinha junina e programas zumbis universitários!
ν ξ
E, confundindo tudo, sem mais discernimento, criou-se um novo deus, o deus na Educação, que nos emociona a todos, para o qual cantamos, e em nome do qual prometemos tempos messiânicos, salvação do mundo, vida eterna, libertação, justiça aos condenados, terra aos sem-terra, preservação ambiental, conhecimento sagrado e, por desgraça, voltamos às práticas de sacrifício humano. Entregamos um sem número de jovens (e outros alucinados) ao novo deus na Educação que vai, pouco a pouco, sugando suas energias, seus olhos, sua pele, seus cérebros, suas unhas, seu sexo, suas línguas (e seus lábios), suas vidas, seu tempo e, por fim, seus ossos. Salvam-se os bustos siliconados! Ao final, ficam as bexigas de aniversário e os confetes do baile! Este novo deus na Educação, idolátrico e mercenário, capitalisma, que exige culto a si mesmo, mas, que no falso discurso apenas serve aos eternos e imortais faraós – manutenção do status quo!
ο π
Emprestamos dos gregos (mais propriamente dos atenienses) a idéia de Paidéia, de Ágora, de Filosofia e, destemperados, esquecemos de trazer os pensadores, de aumentar a praça pública para incluir todos e, sobretudo, esquecemo-nos de livrar o processo filosófico das pestes medievais! É um estado de idiotização (e morte) que a todos engole, que a todos marca, que a todos tatua, que a todos transforma em pó e, em troca da idéia ateniense, o atual deus na Educação, um predador insaciável, exige o cérebro e o coração! Aquelas partes do corpo que são (ou deveriam ser) responsáveis pelo domínio, resistência, reflexão, sensibilidade e criação!
ρ σ
E como quaisquer dos deuses criados pela debilidade e engodo humanos, o novo deus na Educação, também tem suas cerimônias, seus serviços, seus sacerdotes, seus pregadores, seus missionários e seus momentos de luxúria ritual. E, assim, como nas religiões (todas hipócritas), é preciso drogar o povo e ocupá-lo com fantasias de um saber cartesiano ou Frankensteinm - diria Jason.

τ υ
Va bene, queridos irmãos do sul, irmãos de choros e noites de indignação diante de garimpos sem fim, de desertos latifundiários, do giz feito cal e pó, de Freuds e Castros calados na perversidade que deixa mestres desprezados em sala de aula ou os expulsa em carroças e jumentos, engordando mentes confusas. E, ainda, irmãos de indignação, diante de Genis arrastadas pela turba ululante e tresloucada, do sexo dominus dei feudal, da excitação no cortar, abater, "fakerizar", usurpar, enganar - e de observação de asnos que sobem e descem, de mulheres que esperam cavalos brancos e príncipes libertadores. E, por fim, diante de todos, juntos e solenes, na audição da cantoria daqueles que, defecando no mundo, balbuciam o hino nacional...

φ χ
O que nos resta, meus amigos e irmãos do sul? O que nos resta ragazzi? Lançar milho às mesmas pombas que "voam" sem parar, dançar capoeira, acariciar um cão surrado aqui e acolá, riscar um verso em papel de guardanapo, girar o mundo de bicicleta clássica (tipo Il Postino e Il Poeta), beber café com rapadura, amar a mulher alheia (mas, nunca a do próximo) e gastar todo o salário em chocolates e cachaça.
Ψ ω
E, por falar nisso, ragazzi, vocês ainda têm algum Chico Buarque aí pra mim?






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© Pietro Nardella-Dellova é Escritor, Poeta e Professor. Coordena Curso de Ciências Jurídicas e Sociais, leciona Direito Civil e Crítica Literária em graduação e pós-graduação. Mestre em Direito pela USP e Mestre em CRe pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – U. B. Escritores. Escreve em várias revistas e jornais. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92), FIO DE ARIADNE (org/texto 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (2001) e, agora, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. SP: Ed. Scortecci, 2009 (veja os livros na http://www.livrariacultura.com/ Livraria Cultura).



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1 commento:

Luiz Otávio Ribas ha detto...

Olá
Me encantou o relato ácido e lúdico, como de costume.
Saudade dos cafés e filosofia.
O pensar para continuar vivo, lúcido, alerta, em prontidão.
A indignação ética que é fundamental em momentos de amargura.
O sul continua gelado por fora. As pessoas são distantes. Não tocam, não sorriem com facilidade. Num primeiro momento é comum confundir com antipatia.
Com o tempo as coisas se ajeitam, como as melancias que se acomodam o andar e balançar da carroça.
O silêncio se transforma em brincadeira. As velhas amizades se renovam e se multiplicam. Em pouco tempo já estas enturmado. E o mais importante. Novamente de prontidão.
Olha para os lados e vê muitos outros ombros em fileira. Pois como o nosso amigo poeta Benedetti já disse: "na rua, ombro a ombro, somos muito mais que dois".
Vim recuperar minhas forças. Beber da água do movimento estudantil e da luta pela terra. Retomar os esforços suspensos para viver o sonho utópico da terra sem mal. Na floresta mãe do mundo.
No final das contas, a vontade de voltar é um alimento para dedicar-se até os ossos por aqui. Fazer valer a pena, a saudade, o choro amigo e o voar nas bicicletas.
Abraços emocionados