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ברוך ה"ה







sabato 21 agosto 2010

PÓS-MODERNIDADE: ACERCA DA HORA E VEZ DOS RATOS (do livro A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS)


de
Pietro Nardella-Dellova


Os ratos também ficam em pé, sobrinho!
(Rav Giam, em um encontro)


Tentei ouvir o reitor falar. Ele havia convocado uma reunião – no caso, parecia mais um encontro de casais. Nada pessoal. Após tantos milênios em busca da própria humanidade, vencendo déspotas de todo gênero, opressores multifacetados, canibais famélicos, aristocratas perdidos na Ágora, homens-deuses enfurecidos, psicóticos medievais, senhores e reis enlouquecidos, descobridores e colonizadores impiedosos, exploradores de mão-de-obra branca, negra, indígena, amarela, azul e verde, manipuladores e destruidores de vidas e famílias inteiras, religiosos obscenos, mentirosos em cátedras, tribunas, púlpitos e praças, legisladores psicopatas, governantes delinqüentes e juízes fúteis, finalmente, perdemo-nos.

Após todas as lutas, deixando mitos soterrados, reis comendo a grama entre animais, opressores guilhotinados, religiosos limitados a espaços ínfimos e porões de rezas,
perdemo-nos, tristemente, na mediocridade.

E as vitórias se transformaram em lixo...
S
e
for
de Mengele a podre ossada
que estava no descanso do Embu
desfrutando do silêncio dos mortos,
e
n
t
ã
o
não houve pena a isso.
e se for o corpo que boiava, inerte,
nas águas do canal de Bertioga
sem que soubessem tentaram salvar,
e
n
t
ã
o
não houve morte a isso.
nada importa, víbora maldita!
se não houve pena à carne disso,
e se não houve morte ao corpo disso,
está no abismo, na treva,
demônio!
onde quisera mandar pessoas outrora
e
s
t
á
queimando
d
i
u
t
u
r
n
a
m
e
n
t
e
sem
p
a
z
Após tanta filosofia, tantos debates acadêmicos, tanto progresso econômico, entregamos, por fim, nossas almas para os nazistas e fascistas, sob as bênçãos das cruzes, dos padre-nossos e das políticas ocidentais. E, depois de tanto sangue derramado, em nome da democracia e da liberdade, deixamos que os fabricantes de armas e comerciantes de petróleo dominassem o mundo.

Enquanto parecia ainda ecoarem as vozes de Luther King e Gandhi, entre as linhas de Imagine, fuzilamos milhões de civis, de todas as cores e credos. Enganamos todos e tudo e, quando a grande bolha criou feridas nos nossos olhos incautos, investimos trilhões
de dólares para salvar instituições
que
nos
matam
a
cada
dia,
em
cada
fatura
e em
cada
extrato!
É
preciso
b
e
b
e
r
continuamente sem tréguas nem
ressacas
é preciso fumar todo cigarro e outras drogas,
é preciso
drogar-se – a toda hora e freqüentar todos os bares todas as noites e fazer sexo em todos os
b
a
n
h
e
i
r
o
s
(muito sexo, em todas as camas, de todas as casas)
sexo sem limite com todas as mulheres
e com todos
os homens doentes,
pedófilos,
sifilíticos,
negros,
brancos,
amarelos,
tarados,
bi-étero-homossexuais,
e com todos os
b
u
r
r
o
s
e todos os
cães,
e todos os
cavalos,
e todos os
porcos!
é
p
r
e
c
i
s
o
devolver
D’US
aos hebreus
no
d
e
s
e
r
t
o
e ficar livres, para matar, e roubar, e cobiçar, e mentir, e desonrar,e blasfemar, e idolatrar,
enquanto estes pais e estas mães fizerem
crianças de
m
e
n
t
i
r
a
e em todo canto existirem
mentirosos
sejam padres, pastores, pais-de-santo,
gurus, médiuns, profetas, rabinos, mulás,
guias, santos, sectários, fiéis, governos, políticos, empresários,
professores, jornalistas, sindicalistas, juristas, economistas, médicos, agricultores, empregadores, empregados,
cientistas, estudantes, artistas, filósofos, escritores, poetas, transeuntes, mendigos:
porque há
m e n t i r o s o s !
porque existe fome,
e peste,
e ignorância,
porque fizeram de D’us uma coisa,
porque existem favelas,
e genocídios,
e avareza,
[n e u r ó t i c o s, p s i c ó t i c o s, e s q u i z o f r ê n i c o s]
e não há diálogo nem fogueira nem estrelas nem luz nem sol
nem direito nem lágrima nem sorriso nem afeto nem amizade
nem trigo nem leite nem Poesia nem teto nem honra nem
sangue
nem legumes nem misericórdia nem justiça nem arroz
nem tolerância nem feijão
nem
n
a
d
a.

Quando pensávamos que Geni e o Zepelim se referissem aos desmandos das marionetes militares, descobrimos que servem, tanto quanto, para o baixo clero, alto clero e respectivos. Enquanto ainda falávamos dos cafés impedidos no Largo de São Francisco, descobrimos que centenas de delinqüentes, escondidos sob a vestimenta do inspirador nome de Congresso, por omissão ou por ação, por negligência, imprudência ou imperícia, violava o pressuposto básico da boa-fé e destruía, por completo (e por tempo duradouro) o princípio de não causar prejuízo a outrem! Enquanto ensinamos o sistema jurídico pouco eficaz, os seus criadores usam o dinheiro público, tirado de forma violenta e indefensável do salário (que nunca será renda!), para o pagamento das viagens (e das orgias) de suas mães, de seus irmãos, de seus correligionários, dos sem-terra, dos com-terra, dos sem-teto, dos com-castelo, das namoradas e de suas prostitutas televisivas!

Transformamos um sonho delicado e poético em concreto sufocante, sufocante, sufocante...
O
sonho
e
a
Poesia foram de graça, espontâneos; o concreto, roubado! E medimos o amor pelo tamanho da conta bancária e tudo que era sagrado, humanamente sagrado (jamais, religiosamente sagrado!) foi coisificado, reificado, reduzido a coisas! E transformamos o corpo em uma imagem distante e vazia. E trocamos o abraço, próximo e intenso, por salas virtuais, grupos virtuais, encontros virtuais, por bonequinhos virtualmente idiotas que riem sem parar, sem razão e sem verdade.

E tudo o que era suor e saliva, perfume e sons da pele, foi deixado em uma tela, e transformado em resíduo cancerígeno e asfáltico! E o que era sábio e inteligente, pulverizou-se e perdeu-se entre milhares de livros-lixo em estantes de mercado. Obras inteiras, pagas com o tempo diuturno de estudiosos dedicados, foram esquecidas e substituídas por resumos, sinopses e cópias de esquina. Conduzimos às cadeiras dos antigos Mestres da literatura, alguns pervertidos esotéricos, alguns senadores hipócritas e donos de redes de televisão, e deixamos passar velhos poetas, ainda que “passarinho”, e os deixamos morrer em algum quarto do Sul. E as nossas mentes reduziram-se a pó, plástico, imagens e outras invenções noturnas e bestiais!

Rompemos o diálogo aberto e pontual, profundo e analítico, programático e ético, com os professores de nossos filhos, porque queremos que eles os elogiem, digam algo que legitime nossas condutas indesculpáveis. Porque precisamos de boletins com notas para justificar o preço das escolas e não importa quais os critérios pelos quais se obtenham tais notas, afinal, o fins justificam os meios! Não queremos saber o quanto nossos filhos cresceram por dentro, o quanto se tornaram éticos ou o quanto podem interromper a destruição que iniciamos do planeta. O mais importante, afinal, é que sejam melhores do que todos os outros, mais fortes, mais sedutores, com celulares mais modernos, que ostentem
o
poder
de
booling
sobre todos os outros, como sinal ariano de superioridade.

Por isso mesmo, fazemos fila dupla na frente das escolas e buzinamos (às vezes até gritamos), para que os guardinhas vejam nossos carros, para que os professores vejam nossos carros e para que todos vejam os nossos carros. A escola foi transformada em um curral! Esquecemos a noção e o conceito de estudo, de pesquisa, de investigação!

Rezamos por iluminação, queremos que a divindade nos ilumine! Tornamo-nos asnos religiosos, pelo cérebro e pelo coice. Queremos títulos, diplomas e certificados de participação em cursos, ainda que tenhamos passado o curso inteiro trocando mensagens ao celular, colando e falando mal uns dos outros (e todos do professor). Ainda que não tenhamos elaborado uma única questão ou criado uma única idéia original, verdadeiramente original, queremos, mesmo, que o mundo diga que somos instruídos, por isso mesmo investimos nas colações de grau e nos bailes de formatura, nos anéis de formatura (colocados em patas e garras) e nos álbuns, reais ou virtuais! Por isso mesmo, investimos em becas e togas, para nos cobrirmos e escondermos a vergonha da ignorância e as tendências vampirescas. Não queremos ser esclarecidos, não queremos pensar, não queremos desenvolver nenhum raciocínio crítico. Não queremos aperfeiçoar nada.
Não
queremos
trabalhar
em
projeto
algum.
Queremos o projeto alheio, baixado da internet!

Apenas precisamos de uma imagem, de uma fantasia e de uma personagem. Não queremos discutir o direito material, substantivo nem seu sentido nas relações humanas. Queremos, apenas, saber como se faz uma petição inicial (para iniciarmos um processo do qual nunca mais nos ocuparemos). Não queremos explicar a quem nos procura quais sejam os seus direitos, mas queremos que ele saiba profundamente sobre os nossos honorários! Não queremos desenvolver uma inteligência e uma ética social,
queremos
apenas
um
emprego público e estável.

Não queremos pagar, queremos apenas receber! Não queremos o café que nos inspire às grandes idéias e projetos, queremos apenas a oportunidade de falar qualquer coisa que seja simplesmente mal da vida alheia. Porque descobrimos, agora, que nada é descartável, mas deletável!

Aliás, precisamos mesmo nos alimentar da maledicência infecciosa, da sujeira que formamos no curral, do pó e do plástico noturnos, do serviço público, do resíduo, da lágrima de quem teve seu direito violado e jamais reparado, das pétalas de flores murchas que entregamos no dia da formatura, do guardinha que esmagamos na porta da escola, dos preservativos usados pelos delinqüentes no estupro contra a pobre Geni, da mediocridade e do lixo (ainda que virtual), e das ruínas do Judiciário, usado de forma pessoal, econômica e política,
para sentirmos, em plenitude evolutiva, a vida vibrante em
nossa longa cauda, escura e escamosa,

desprovida de pêlos, responsável pelo nosso equilíbrio sobre os

v a r a i s

d

a

s

roupas

s

o

c

i

a

l

m

e

n

t

e

sujas!
A
U
S
C
A U S C H W I T Z
W
I
T
Z
venho
de
abismos e profundezas:
hades

onde há ranger de dentes
enxofre-resíduo-asfáltico
onde as
almas
se largam e não há dor nem frio não há sede nem fome,
apenas calor de infernos somados que seca lágrimas remanentes
e as almas se alargam e se espremem
e se dilatam e se transfiguram
e se afiguram a coisas
que diluem
eu
v
e
n
h
o
de
lagos-densos-desoxigenados-de-fétidas-misturas-fixas
onde não há coisa alguma
e não se enxerga o azul
e não se ouve qualquer canção
e não se toca com a pele
e não se cheira
perfumes
e
não
se saboreia o
m
e
l
a fruta-leite-verdura
apenas,
c
a
i
n
d
o
VÊESCUTAAPALPACHEIRARUMINA
o fedor de cadáveres abandonados o desgosto de abismos
do
delírio-cancro-inserto
n
o
s
coturnos engraxados no
ó
d
i
o
Às vezes, agrego pessoas perversas,
ignorantes, insensatas e infantis e
as deixo por perto
(e com determinadas janelas abertas),
por não saber exatamente
a diferença entre umas e outras...
Às vezes, menciono pessoas perversas,
ignorantes, insensatas e infantis,
para tentar identificar e diferenciar
umas das outras...
Às vezes, até elogio pessoas perversas,
ignorantes, insensatas
e infantis,
para que mostrem, em ação ou omissão,
as diferenças entre
umas e outras...
Às vezes,
deixo que pessoas perversas, ignorantes, insensatas
e infantis
se manifestem no meu espaço,
para que eu perceba nelas
a cor,
o peso
e o cheiro de sua perversidade,
ignorância,
insensatez
e infantilidade...
Às vezes, encontro-me no meio delas,
na condição de estudioso e pesquisador,
a fim de saber quando e como,
umas se transformam
em
outras!
E
então
D’us
chamou hasatan e lhe perguntou:
de
onde
vieste?
d
e
rodear
a
t
e
r
r
a
respondeu,
hasatan,
s o r r i d e n t e


© Pietro Nardella-Dellova. In Pós-modernidade: acerca da hora e vez dos ratos. A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. SP: Ed. Scortecci, 2009, pág 243 ( aquisição pela Livraria Cultura http://www.livrariacultura.com/ )

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