alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







venerdì 24 settembre 2010

O EU-TU e o EU-OUTRO ou, A DISTÂNCIA ENTRE AMAR E COEXISTIR

Pietro Nardella-Dellova

Um certo (e bom) aluno perguntou-me sobre as relações entre o amar e o direito, sobre o alcance das relações dialógicas e dialéticas. Então, disse-lhe que, primeiramente, o que se busca na longa luta pelo direito não é, certamente, o amar (ou se preferirem, “o amor” – eu prefiro “o amar”: o artigo definido e o verbo porque dou substância à ação). O amar, pois, está na dimensão dos seres integrais relacionados, descobertos ou redescobertos, enquanto o direito na dimensão do dever ser, do garantir dever ser e, sobretudo, permitir ser. O amar é a plenificação que se deseja ou, a consagração do Eu-Tu. Por outro lado está o direito, que é a delimitação das esferas de movimento do Eu-Outro, a contextualização.

Diante do Tu, descobrimos o Eu, ávido por amar: afeição, compreensão e força! Com o Tu entramos em diálogo imediatamente, em anéis de ternura, com os quais construímo-nos em todos os sentidos. Diante do Outro, descobrimos um sujeito de direitos e de deveres, com quem estamos em constante dialética, em tensão continuada, mas regulada pelo direito, suportada pelo respeito do contrato social e pelos limites que impomos em nossas relações multifacetadas.

Por isso mesmo, diante do Tu, constrói-se uma ponte, derrubam-se cercas, abrem-se portas, sejam físicas, emocionais, intelectuais ou sociais e, sobretudo, tem-se a experiência da convivência, da comunhão, do pão, do vinho, do vôo e dos enlevos da completude. Mas, diante do Outro, constroem-se cercas, fecham-se portas, criam-se regras (ou guerras) e, finalmente, cristaliza-se a coexistência (ou o ataque).

Há uma distância conceitual e experiencial entre convivência e coexistência, assim como há uma diferença insanável entre o dialógico e o dialético. Convivência é, enquanto expressão dialógica, a substância do amar, do envolvimento, do mergulho, do vôo, dos poros, da amizade, do “cum pagnis”. Coexistência é a função última do direito, é a composição dialética dos aspectos diferentes e tensionados, das percepções múltiplas, do equilíbrio multicultural, das divergências disciplinadas, ordenadas e processadas! Coexistir é tomar as rédeas da violência natural, da competição natural, normatizar o desejo mimético e sair pelo campo, cada qual com seu cesto, cada qual com seu pão, cada qual com seu milho e cada qual com seu espaço.

Porque na convivência, o afeto supera o respeito e a ética, avança com as mãos cheias na cumplicidade daqueles que caminham juntos. Afeto é maior, é o continente, é o gênero. O amar é a força da busca, do resgate e da entrega: é descer aos infernos, enfrentando Plutão, com as notas musicais; é doar o fogo, ainda que roubado de Zeus!

Na coexistência, porém, o respeito limita e regra, cria quadrantes de comportamento, de ética, para que cada um, sozinho, possa construir seu mundo juridicamente protegido. No mundo jurídico não é necessário amar, apenas ficar atento aos limites – é saber e conhecer do outro, como participante de um meio social! Amando, não é necessário ficar atento aos limites – não há limites para a experiência do amar! O universo jurídico não pode entrar na morada do amar, não pode regular nem regrar nada ali, não pode suprimir ou impedir, não pode reconhecer nem compreender. O amar independe do direito!

Amar é convergir e plenificar-se. Enquanto o direito é a expressão e o controle do diverso, do composto e do ético!

Assim, abandonada a idéia de amar no direito – e vice-versa, partimos para uma percepção realista dos relacionamentos e dos movimentos sócio-jurídicos, sócio-culturais e sócio-econômicos! Em outras palavras, todos precisam existir e, em situações normais, cabe ao direito garantir tal existência e, em extremos de injustiça, de exclusão, de desrespeito, cabe ao fato revolucionário (ainda que judicial) recompor o quadro de civilidade, impedindo que uns destruam outros, ou inibiam o seu desenvolvimento existencial!

Por isso mesmo, não precisamos amar no direito, bastando que haja a consciência de limites, respeito às regras de coexistência, respeito ao espaço alheio, aos direitos pessoais, de personalidade, aos seus direitos reais (e ao direito de ter direitos reais). Coexistir é, sobretudo, o direito de ir e vir - livremente! Direito simples: de fazer parte, de ser parte, de incluir-se e de atuar no contrato social. A idéia de amar o próximo como se todos fossem próximos é um engodo medieval, é o ópio agostiniano. Todos não são o próximo. A todos dou o direito e a atenção, o aperto de mão nas composições jurídicas e a garantia de liberdade econômica, cultural, social e jurídica: equidade! Aos poucos próximos, dou o amor, o beijo, o céu da boca, o abraço demorado, os poros, as meninas dos olhos: a bênção!

Na relação de amar, não entra o direito, mas, a mágica que transforma dois em um – diálogo e comunicação circular! Não há amor coletivo, grupal, nacional, étnico, cultural e, muito menos, religioso! O amor (eu prefiro artigo e verbo: “o amar”) é sempre uma relação de dois, uma experiência de dois, uma construção de dois integrados! E nem se pense que amar seja o encontro de uma mulher e um homem – isso pode ser apenas um encontro sexual bem-sucedido, ou não! Amar independe do gênero, independe dos laços consangüíneos, independe de paternidade ou maternidade, independe das opções sexuais, pois todas estas relações podem ser apenas um acaso, um por acaso, uma coincidência espaço-temporal!

O amar avança para além dessas relações que, no mais das vezes, demonstra unicamente a alteridade - ainda que bem articulada. O amar é a cumplicidade! No amar se descobre a vida, multiplicam-se os anos, toda energia é concentrada em um único toque e toda música se descobre em uma nota musical. Amar uma mulher, amar uma pessoa, amar um filho e até mesmo amar o Eterno, é o ponto da criação, da substância, em que os elementos são organizados! É a redescoberta do Éden!

Há pessoas que viveram a vida toda como bons pais, ou boas mães, bons cônjuges, bons concubinos, bons colegas, porém, no triângulo do pátrio poder, do matrimônio modelar, das fugas ao final da tarde, da exposição dos próprios interesses, justos que sejam. Mas, nada disso é relação dialógica! Porque tendo coexistido por um longo tempo, descobriram, finalmente, jamais terem conhecido e experimentado o amar. Amar avança adiante e sobre todas estas relações. É amizade. É tarde, noite, madrugada e dia. É escutar e compreender ansiedades e pensamentos do Tu, ainda que injustos!

Portanto, que existam, em paz e justiça, o Eu e o Outro, diante das páginas abertas do direito! Mas, que vivam, em intensidade e delícias indizíveis, o Eu e o Tu, diante dos poros abertos da afetividade!

Agosto 2010 – Elul 5770

© Pietro Nardella-Dellova é Escritor, Poeta e Professor. Leciona Direito Civil, Filosofia e Crítica Literária em graduação e pós-graduação. Mestre em Direito pela USP e Mestre em CRe pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – U. B. Escritores. Escreve em várias revistas e jornais. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92), FIO DE ARIADNE (org/texto 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (2001) e, agora, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. SP: Ed. Scortecci, 2009 ( disponível na Livraria Cultura www.livrariacultura.com )
Em preparo (prelo/breve) ESTUDOS CRÍTICOS DE DIREITO CIVIL e DERECH: CAMINHO PARA VIDA.
Outros textos, contato e informações vejam em seu Blog Café & Direito: http://nardelladellova.blogspot.com/
e pelo e-mail professordellova@libero.it

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1 commento:

Analuka ha detto...

Ótimo texto, caro Mago das Letras!... Uma bonita, rica e poética exposição sobre as diferenças entre o direito e o "amar"... onde em vez de limites, existem limiares! Abraços alados e um dia criativo e luminoso!!!