alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







mercoledì 22 settembre 2010

O LIXO HISTÓRICO-SOCIAL ou, UM RETRATO FALADO (2002 e 2010)



por Pietro Nardella-Dellova

Publicado em 2002, republicado em 2010

enquanto não houver justiça para os pobres
não haverá paz para os ricos

frase em um muro da Unicamp

O mundo assiste a uma (e uma) escalada da violência sem precedentes em sua história. Por todos os cantos, e lugares, e mesas, e quadras, e clubes, ouve-se a palavra violência, como se fosse, digamos, para os católicos, a palavra diabo.

Mas, assim como ocorre um equívoco, histórico e imperdoável, acerca da palavra e da compreensão do diabo (e de todos os nomes que o designam, posto serem muitos), ocorre, atualmente, um equívoco acerca da palavra violência, normalmente designando um homicídio, um ato de terrorismo ou um seqüestro (e só). E pior, chamam paz social ao fato de alguém poder sair livremente com seu carro sem encontrar algum delinqüente no seu caminho ou algum homem-bomba. Por isso mesmo, completamente equivocados os conceitos, igualmente equivocados os raciocínios e os argumentos - alguns falaciosos.

E, a conclusão de alguns, apenas para citar a mais idiota, é a pena de morte para os delinqüentes (e, desta forma, por que não, pena de morte para freqüentadores de semáforos, para habitantes dos vãos das pontes e viadutos, para catadores de latinhas e papelão, para crianças que mendigam, para favelados, para inquilinos, para correntistas sem saldo suficiente em suas contas, para alunos que colam, paras traficantes e consumidores de drogas, para desempregados, para sindicalizados, para grevistas, para ateus, para adúlteros e, finalmente, para empregadas domésticas – quando furtam iogurtes e chocolates.

No geral, o que se ouve é produto da ignorância adquirida -de outrem- pois, falta até mesmo aquela ignorância original, pessoal e característica. Comumente, as pessoas repetem simplesmente o que ouvem sem se darem um minuto de reflexão. Porque foi a ignorância adquirida que conduziu o Brasil a todas as suas eleições e desastres: transformou um esbulho em Entradas e Bandeiras; um alferes em Jesus enforcado; uma covardia em Vice-Reino; um alucinado lusitano desregrado em Imperador brasileiro; um golpe de espada escravocrata em Proclamação da República; e um golpe fascista-militar em Estado Novo; e outro golpe de direita, com coturnos e tanques, em Revolução e, ainda, os golpes globais nas últimas três Eleições presidenciais (E agora, José? – pergunta da sua tumba, o velho e querido poeta Carlos Drummond).

Pois bem, naqueles cantos, e lugares, e mesas, e quadras, e clubes, neuróticos de todas as formas e tamanhos não se dão conta de que as baratas e ratos (que voam e ficam em pé) não se multiplicam por conta própria, mas porque encontram um ambiente favorável ao seu desenvolvimento e proliferação.

É no lixo, seja histórico ou social, que as baratas se agigantam e os ratos se fortalecem.
Porque é nesse lixo, que as pessoas dos cantos, e dos lugares, e das mesas, e das quadras, e dos clubes, sempre se drogam e enriquecem, criando a um só tempo, traficantes e seqüestradores. De um lado, são sustentados por todas as classes sociais; por outro, pelo desfazimento da Educação, pela Segurança Pública cada vez mais corrupta e pela pobreza. Porque os corruptores, traficantes, estelionatários, políticos de carteirinha e tatuagem, ou seja, os formadores da sociedade, mandam nos filhos, sobretudo nos das classes média e média-alta, na segurança pública, na destruição da Educação e nos pobres.

Enquanto os condomínios particulares reforçam os muros, as favelas, que começam exatamente destes mesmos muros, tomam todos os arredores e centros urbanos, como uma praga que avança geograficamente, resultante da covardia da geração dos anos sessenta, da apatia da geração dos anos oitenta e da virtualização do final de século.

Mas, não é tudo: ainda os bancos fazem os lucros que querem e como querem; as televisões veiculam o que querem e como querem; os empreiteiros (donos de tudo e de todos) constroem o que querem e como querem; os políticos não dão nenhuma satisfação nem são responsáveis por coisa “pública” alguma. E as pessoas comuns, bem, as pessoas comuns sustentam os bancos, vêem novelas, vendem-se para os empreiteiros, e votam, sem medo nem conhecimento, nos mesmos políticos, e continuam comuns, cuspindo e jogando coisas nas ruas, falando ao celular em qualquer lugar e hora (inclusive na hora do sexo e da aula), doando seus filhos para babás, comendo hambúrguer, usando anel de formatura, visitando, às vezes, uma igreja ou centro espírita e, esperando, ansiosamente, o próximo feriado, para fugirem, horrorizadas, de si mesmas.

© copyright do autor

Febbraio 2002 – (5762)

© Pietro Nardella-Dellova é Escritor, Poeta e Professor. Leciona Direito Civil, Filosofia e Crítica Literária em graduação e pós-graduação. Mestre em Direito pela USP e Mestre em CRe pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – U. B. Escritores. Escreve em várias revistas e jornais. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92), FIO DE ARIADNE (org/texto 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (2001) e, agora, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. SP: Ed. Scortecci, 2009 ( disponível na Livraria Cultura www.livrariacultura.com )
Em preparo (prelo/breve) ESTUDOS CRÍTICOS DE DIREITO CIVIL e DERECH: CAMINHO PARA VIDA.
Outros textos, contato e informações vejam em seu Blog Café & Direito: http://nardelladellova.blogspot.com/
e pelo e-mail professordellova@libero.it

Nessun commento: