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ברוך ה"ה







venerdì 24 dicembre 2010

VÉSPERA DE ROSH HASHANÁ ou, OS DIAS VOLTARAM!

por Pietro Nardella-Dellova

especialmente dedicado à Gigia e Gigi

Os dias voltaram! Os dias voltaram! Venham todos, venham e vejam - meus dias voltaram! Redescobrirei a amada no Éden, e cantarei com ela as canções de paz e felicidade. Abrirei minha voz na fermata ecoante e todos os seres ouvirão, todos os seres participarão da minha festa, pois o Eterno beijou-me os lábios com suavidade, deu-me vida e a bênção da sua Presença!

Os dias voltaram! Os dias voltaram! Voltaram para mim, saíram das prisões da minha própria indolência...Os dias voltaram, sorridentes! Os dias voltaram e, agora, sairei pelos meus jardins perfumados, sairei e respirarei, mergulharei nestes rios edênicos e banharei a minha alma nas Mikvot de águas correntes, águas sem fim, e os meus amigos serão convidados - e ficarão comigo cantando Tehilim por toda a noite!

Eu estava uivando e urrando entre as matas, escondido em minhas cavernas, perdido em meus labirintos, com duas pedras lascadas à mão, comendo os vermes da terra e fugindo dos monstros famélicos. Mas, o Eterno visitou-me - veio e beijou-me. O Eterno me beijou na suavidade de Misericórdia e deu-me uma alma à mais...O Eterno deu-me uma alma à mais! Os dias voltaram, coloridos! Ah, amigos, os dias voltaram! Todos eles voltaram!

Porque antes, eu andara meio perdido, meio acabado, meio animal, meio tosco, meio embrutecido, meio voraz, meio sem voz, meio sem fala, gaguejando pelos corredores, balbuciando nas esquinas e lamentando nas estradas – e, então, os dias se foram, reclamando do meu desprezo e da minha negligência. E olhei, e meu feixe de dias - empobrecido – era apenas uma trouxa na ponta de uma vara às costas, um embrulho de dias mendicantes, um pano roto, frágil e sem vigor. Olhei para aqueles dias que restaram e perguntei-lhes: onde estão os outros dias? E eles me disseram que os dias tinham-se ido – foram-se embora, partiram, perderam-se, abandonando-me entre cardos e espinhos, deixando-me arrastado pelos cantos e lançado de penhascos, em berros incontidos! Os dias tinham-se ido e, assim, batido de um lado para o outro, fui empurrado aos subterrâneos da existência, sem luz nem ar, sem pão nem vinho! Apenas eu e minha trouxa com as migalhas dos dias que ainda estavam comigo. E enfraquecido, vomitando, finalmente, desmaiei com a cara na terra.

Mas, de longe, bem longe, ouvi o som do Shofar e alguém gritando que o Rei estava pelos campos e, eu, ainda um pouco nauseabundo, arrastei a trouxa com os dias que estavam nela em direção ao meu rosto – eram poucos – mas, deixei ali bem diante dos meus olhos e lembrei-me do nome de cada um deles e senti o seu perfume, substância, colorido, peso, forma, gosto, singularidade, e vi suas asas, e ouvi suas vozes. E eles ficaram alvoroçados, inquietos, meio que surpresos e felizes comigo. Porque cada dia tem o seu nome próprio. Cada dia tem o seu perfume próprio. Cada dia tem a sua substância própria. Cada dia tem o seu colorido próprio. Cada dia tem o seu peso próprio. Cada dia tem a sua forma própria. Cada dia tem o seu gosto próprio. Cada dia tem a singularidade própria. Cada dia tem as suas asas próprias. Cada dia tem as suas vozes próprias. E merecem, por isso mesmo, uma linha própria, um respeito próprio e uma identidade própria – e mãos dignas que os protejam e os reúnam!

E porque os tomei às mãos, e os chamei pelo nome próprio, eles se olharam, sorridentes, e, abraçados, começaram a formar um círculo de dança exuberante em torno de mim, festejando sonoramente, porque os meus sentidos os redescobriram, porque os liberei dos panos rotos, da trouxa amarrada à ponta do espeto e do desprezo! E enquanto dançavam, sentei-me entre eles, e comecei a sorrir também, comecei a gargalhar com estes dias fazendo festa. E alegrei-me com os meus dias libertos dos panos rotos. Então, enquanto estávamos felizes, tomei as duas pedras lascadas e bati uma contra a outra, de modo decidido e ininterrupto, bati com o vigor de quem se cansa da escuridão e das cavernas, dos labirintos e da ânsia, bati com a determinação de quem descobre seu tesouro, sua vida, seu tempo, seus dias e, assim, tanto bati uma contra a outra que destas pedras, com as quais cavara outrora o chão em busca de vermes, eu criei faíscas, e mais decididamente bati, quanto mais faíscas fazia – e vi que era fácil fazer faíscas! Então tomei aqueles panos rotos, com os quais sufocava meus dias, e os amarrei na ponta do espeto – meus dias estavam soltos, agora, dançando em torno de mim, cantando e celebrando. E, novamente, tomei as pedras e bati com vigor redobrado, e ao som da música dos meus dias e dos passos dançantes, fiz faíscas, e mais faíscas, muitas faíscas, tantas faíscas, no ritmo musical, que pareceu-me grudar as pedras às mãos e fazer fogo, vivo e contínuo, com o qual transformei os panos velhos e o espeto em uma tocha de luz..

Por isso mesmo, dois destes dias, mais ávidos e esclarecidos, enxergando o caminho da saída das profundidades mórbidas, abriram suas asas e voaram – voaram às moradas dos dias perdidos, desprezados e entristecidos. Voaram sem parar, voaram cantando, e tanto cantaram que despertaram de suas celas e de suas cadeias, os antigos dias e lhes disseram, em dueto:

“Venham,
Venham para festa de vida e intensidade,
Venham ouvir a música,
Venham dançar,
Porque aquele homem lançado dos penhascos,
Entre feras embrutecido,
Escondido e moribundo,
Escutou o Shofar, e
Lembrou-se do nome de cada um de nós
E do que somos,
Da nossa substância e do nosso perfume,
Do nosso colorido e do nosso peso,
Da nossa forma e do nosso gosto,
Da nossa singularidade - e libertou nossas asas,
E ouviu nossas vozes.
Aquele homem
Transformou os velhos panos
Que nos sufocavam
E o espeto nos quais íamos pendurados
E desprezados,
Em uma tocha que o ilumina e nos alegra.
Venham, estamos em festa!
Venham, estamos em festa com o homem
Que criou a tocha e o fogo: a luz!
Estamos dançando em um campo
Repleto de flores e alegria – venham!”

E os dias, assim, foram se erguendo desses passados abissais e labirínticos, alongando sua musculatura atrofiada nos processos coisificantes, lavando seus rostos empoeirados na virtualização, soltando seus cabelos ao vento da afetividade, abrindo suas asas ao sol de justiça e, voando, foram ao Eterno e lhe disseram:

“Vieram dois dias, ávidos e esclarecidos,
E cantaram em nossas moradas abissais e labirínticas,
Bateram suas asas,
Vieram nos convidar a voltar ao homem
Que está fazendo festa!
E nós nos erguemos, tanta a felicidade destes dias,
E queremos voltar ao homem
Que nos entristeceu e nos desprezou,
Queremos voltar, porque, agora,
Aquele homem faz festa com os outros dias,
E transformou panos rotos, sufocantes e o espeto,
dos quais fugimos ao desprezo,
Em uma tocha!
Agora, aquele homem, desperto de seu desmaio,
Chama os dias pelo nome,
E sabe o que são os dias,
E sabe o que é a substância dos dias,
E reconhece o peso e a forma dos dias
E sente o perfume dos dias,
E vê o colorido dos dias,
E saboreia os dias...
Agora, aquele homem sabe da singularidade dos dias
E libertou as asas dos dias
E ouviu as vozes dos dias”
Queremos voltar ao homem
Que preza e alegra aqueles dias”

Então, o Eterno, meio que desacreditado, disse aos dias que se ergueram dos passados abissais e labirínticos:

“Vocês ouviram esta história
Que aquele homem está fazendo festa
Com os dias?
Que ele está cantando e dançando?
Vocês ouviram que ele libertou os dias?
E ouviram que, agora, ele chama os dias pelo nome,
E sabe o que são os dias, e qual sua substância?
E ouviram que aquele homem
Reconhece o peso, e a forma, e o perfume dos dias?
E que ele vê o colorido e sente o sabor,
E sabe da singularidade dos dias?
Vocês ouviram, mesmo, que aquele homem
Que andou amarrando seus dias em trapos na ponta do espeto
Libertou os seus dias, e libertou as asas de seus dias?
E que ouviu as vozes de seus dias?
Ei, vocês, dias que estavam
Nos passados abissais e labirínticos, digam-me:
Como têm certeza de que, agora, aquele homem
Preza e alegra seus dias?”

Foi, assim, que os dias, todos os dias [que estavam presos em passados abissais e labirínticos, que haviam fugido dos trapos e do espeto, que estavam com suas musculaturas atrofiadas por terem sido transformados em coisas entre coisas, com o rosto remelado e sujo pela virtualização e os cabelos presos e oleosos do asfalto das cavernas] abriram suas asas diante do Eterno e lhe disseram:

“Como temos certeza disto, Eterno?
Pergunta-nos, como sabemos
Que aquele homem preza e alegra os seus dias?
Porque vieram dois dias, ávidos e esclarecidos,
Dois dias com seus nomes próprios,
Dois dias libertos, singulares,
Dois dias com substância, peso e forma,
Dois dias perfumados, coloridos e saborosos,
E estes dois dias estavam cantando,
Dançando no espaço, com suas asas abertas!
Como temos certeza disto, Eterno?
Venha conosco, e veja
Como aquele homem, agora,
Preza e alegra seus dias!”

Por isso, então, o Eterno abriu, também, suas asas e veio para a festa dos dias! Porque os dias voltaram! Por isso o Eterno sorriu e beijou-me os lábios com suavidade. Os dias voltaram! Os dias voltaram! Voltaram para mim, saíram das prisões da minha própria indolência...Os dias voltaram - sorridentes! Os dias voltaram e, agora, sairei pelos meus jardins perfumados, sairei e respirarei, mergulharei nestes rios edênicos e banharei a minha alma nas Mikvot de águas correntes, águas sem fim, e os meus amigos serão convidados - e ficarão comigo, cantando Tehilim por toda a noite!

Os dias voltaram! Os dias voltaram! Venham todos, venham e vejam - meus dias voltaram! Redescobrirei a amada no Éden, e cantarei com ela as canções de paz e felicidade. Abrirei minha voz na fermata ecoante e todos os seres ouvirão, todos os seres participarão da minha festa, pois o Eterno beijou-me os lábios com suavidade, deu-me a vida e a bênção da sua Presença!

Setembro, 2010 – final de Elul 5770,

véspera de Rosh Hashaná 5771.

© Pietro Nardella-Dellova é Escritor, Poeta e Professor. Leciona Direito Civil, Filosofia e Crítica Literária em graduação e pós-graduação. Mestre em Direito pela USP e Mestre em CRe pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – U. B. Escritores. Escreve em várias revistas e jornais. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92), FIO DE ARIADNE (org/texto 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (2001) e, agora, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. SP: Ed. Scortecci, 2009 ( disponível na Livraria Cultura www.livrariacultura.com )
Em preparo (prelo/breve) ESTUDOS CRÍTICOS DE DIREITO CIVIL e DERECH: CAMINHO PARA VIDA.
Outros textos, contato e informações vejam em seu Blog Café & Direito: http://nardelladellova.blogspot.com/
e pelo e-mail professordellova@libero.it


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5 commenti:

Natasha ha detto...

Mestre li estes dois últimos textos:

1) VÉSPERA DE ROSH HASHANÁ ou, OS DIAS VOLTARAM e
2) O EU-TU e o EU-OUTRO ou, a DISTÂNCIA ENTRE AMAR E COEXISTIR

São maravilhosos, intensos, pra cima, profundos!!!!

Beijos

Mirian Baller ha detto...

M A R A V I L H O S O!!!

Deyse ha detto...

Acabei de ler!
Estou sem fôlego!
Fantástico!!!

Deyse ha detto...

Seus textos, seus livros e sua presença no mundo fazem, com certeza, a diferença!
Beijos

NICE BLOG ha detto...

Pietro Nardella-Dellova
INTELIGENTE HOMEM SUAS POESIAS SÃO COMO LINDA CANÇÃO.
Só um coração aberto recebe Amor.
Só uma mente aberta recebe Sabedoria.
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