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ברוך ה"ה







martedì 6 settembre 2011

YOM KIPUR ou, A CONCENTRAÇÃO DAS FORÇAS DA "CREAÇÃO"



por Pietro Nardella-Dellova

Yom Kipur – e melhor seria dizer Yom Kipurim (Vayicrá 16 e 23) é, digamos, o ápice de um período que começa no primeiro dia de Tishrei, isto é, no Rosh Hashaná ou Yom Hashofar. Assim, Rosh Hashaná, o primeiro dia de Tishrei, e Yom Kipur, o décimo dia de Tishrei, estão intrinsecamente relacionados. São dez dias em que o som do shofar reverbera em nossas almas e nos faz rememorar momentos maravilhosos da formação do homem, os processos de fortalecimento e, finalmente, a concentração de energias e das forças da “Creação”!

Rosh Hashaná é a data em que se comemora a criação do homem, digamos, o momento em que o homem recebe o sopro e a completude da Ruach HaElohim (espíritos do Eterno). Quando o homem fora formado (Bereshit 1: 24-31) aparecem por dez vezes a palavra Elohim (אלהים) que é o designativo (no plural) do Eterno, sua força criativa, sua presença, imanência! Dez são o número do Eterno e a expressão “Elohim” vale sete (7). Ou seja, em termos matemáticos, temos, sempre, o resultado de 7 (sete) que nos remete aos Sete Espíritos do Eterno (Yeshayahu, 11:2).

O momento em que o homem fora formado constitui-se no fato marcante da “Creação”. O homem, ou seja, a humanidade, companheiro do Eterno no processo, pois enquanto o Eterno “crea”, o homem, “cria”. O homem dá continuidade ao processo. Como encontramos em Bereshit: “ao homem foram trazidos todos os animais, a fim de que ele os nomeasse”. O homem é o trabalhador, o benfeitor e, por isso mesmo, merecedor de um Shabat – dado na seqüência de sua formação, como presente. O Shabat apenas tem razão de ser em face da criação do homem, ou seja, o Shabat existe para o homem!

Aliás, não apenas o Shabat, Rosh Hashaná, Yom Kipur, mas, todas as festas e dias especiais foram feitos para o homem, como uma espécie de bênção, seja ele judeu ou prosélito (Vayicrá 16 e 23) ou, simplesmente, simpatizante e amigo (Bereshit 12:3). Todas estas festas judaicas carregam uma energia, uma força e uma experiência singulares!

E porque somos “especialmente” humanos, a cada dia, no embate dialético, desajustamos ou perdemos um pouco de nossas forças, de nossas energias, em todos os setores do que somos nós. Perdemos a saúde física, o equilíbrio emocional, a lucidez criativa e o discernimento em nossas relações sociais. Enfim, no tempo anual, na fragilidade, cometemos erros, alguns grosseiros – outros mais leves, mas todos eles, pequenos ou grandes, profundos ou superficiais, criam um obstáculo no nosso caminho, criam uma crosta que mata e envelhece, entristece e desfaz – adoece-nos a cada dia.

Vai se criando uma centrífuga, cujo poder é de atrair a todos e desfazer todos! Um estado de letargia, de desrespeito aos outros, aos distantes, aos próximos. Um estado de desprezo pelos filhos e companheiros, familiares, amigos, alunos, mestres, enfim, vamos, no mesmo tempo em que construímos algo, tolhendo-nos e nos monstrificando um pouco a cada dia. Faz parte do processo!

A este estado de desfazimento e monstrificação, podemos chamar “rebarbas” ou “arestas” da formação – são absolutamente necessárias! O movimento de cada um no tempo e no espaço gera atritos, repercute, desgasta, tanto no campo individual quando no social. Vamos perdendo a saúde e a paciência porque o mundo não é um Éden, mas uma terra de abrolhos e cardos, pedras e pó!

Por isso mesmo, o Eterno, B”H, nos deu o Yom Kipur. O momento para tirarmos a crosta, para reafirmamos a vida, a saúde física, emocional, espiritual e social. E isso ocorre exatamente no início do novo ano, porque o período anual, e de resto qualquer tempo, no mundo judaico, é um tempo de oportunidades, de realizações, de movimento construtivo, de desenvolvimento das idéias, projetos e sua concretização.

Mas, uma pergunta se impõe nestes primeiros dez dias: “o que fizemos e como utilizamos nossas energias no período anterior?” Daí, o Yom Kipur! Um dia completo de reflexão sobre o que fizemos com nossas vidas, com o nosso tempo, com nossas energias e, obviamente, descobriremos que podemos fazer melhor e mais humanamente quase tudo!

É a consciência que se impõe, em primeiro lugar. Refiro-me à consciência de si próprio em relação aos equívocos, aos desacertos e aos desencantos! É o momento de parar – parar tudo. Parar o trabalho, a lufa-lufa, as correntes cotidianas, o estado de alimentação sem fim, suspender projetos, relações e ficar quieto! Na quietude que nos faça enxergar os pontos iniciais e medir a distância que percorremos. Que nos faça entender o quanto nos afastamos do que é justo e certo, do que é correto, do quanto que nos afastamos das Mitzvôt (palavras-princípios da Torá) e fomos, pouco a pouco, nos perdendo nesta imensidão da existência.

Então, verificamos e compreendemos que determinados comportamentos, determinadas atitudes, determinadas palavras, determinadas relações, determinados juízos e julgamentos, foram, na realidade, criando atos injustos de maldade, palavras injustas, relações injustas e juízos iníquos! No final de um ano, o peso é grande e insuportável! Ao final de um ano, perdemos o colorido e vamos ficando meio que “imagem branco e preto”, “amarelada”. Em vez de andar, arrastamo-nos. Em vez de cantar, gritamos. Em vez de dialogar, apenas resmungamos. Em vez de vida, vamos morrendo...

Do estado de consciência de nossos comportamentos equivocados e injustos, em relação a nós mesmos, passamos a um estado de reflexão e convicção de que fomos injustos com as pessoas que nos cercam, que as aborrecemos e que fomos intolerantes ou presunçosos, desrespeitamos nossos mestres e matamos nossos filhos um pouco a cada dia. E, ao olhar para elas – para estas pessoas - vemos que estão um pouco doentes e aflitas porque agimos mal contra elas. Em Yom Kipur, precisamos desta consciência das nossas próprias loucuras para, em um movimento determinado, buscarmos a T’shuvá (o ponto de retorno), com a certeza de que precisamos reviver – Yom Kipur é uma espécie de ressurreição, de revigoramento, de reavivamento: é a reenergia, o reencontro com nossa consciência, a experiência de força e preparo.

Por fim, não passamos o dia apenas em rezas ou preces, em gemidos ou cantos, em silêncio ou em abstenção de alimentos. A maior aflição que podemos impor a nós mesmos chama-se consciência, discernimento – tem que ser dentro, no fundo, na alma, para, neste sentido, recuperarmos algo que se perdeu, ou seja, a confiança do Eterno de que podemos e queremos usar o tempo vindouro em atos de bondade, de justiça e equidade! Reagrupamos nossos familiares, nossos filhos, nossos amigos, para, então, caminhar em construção, em vida, em saúde! O resultado da consciência de erros, com determinação de recuperar os pontos iniciais e o amor às Mitzvôt, reequilibrar e harmonizar os nossos elementos físicos, emocionais, espirituais e sociais, produz, sempre, um corpo saudável, um universo subjetivo arejado, uma mente propícia para criar relações que edifiquem e construam, tudo como uma experiência única, superior e maravilhosa. Ao final, abraçamos, ainda, o Eterno, novamente e, sob Suas Bênçãos, saímos para a luta, para o novo o tempo, para humanizar, para vencer feras, espinhos e pedras!

Nas bênçãos
Na véspera de Yom Kipur 5771 (setembro 2010)


© Pietro Nardella-Dellova é Escritor, Poeta e Professor. Leciona Direito Civil, Filosofia e Crítica Literária em graduação e pós-graduação. Mestre em Direito pela USP e Mestre em CRe pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – U. B. Escritores. Escreve em várias revistas e jornais. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92), FIO DE ARIADNE (org/texto 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (2001) e, agora, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. SP: Ed. Scortecci, 2009 ( disponível na Livraria Cultura www.livrariacultura.com )
Em preparo (prelo/breve) ESTUDOS CRÍTICOS DE DIREITO CIVIL e DERECH: CAMINHO PARA VIDA.
Outros textos, contato e informações vejam em seu Blog Café & Direito: http://nardelladellova.blogspot.com/
e pelo e-mail professordellova@libero.it

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