alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







martedì 15 febbraio 2011

RELAÇÕES VAMPIRESCAS ou, QUANDO DEVEMOS MOSTRAR A ESTACA!


por Pietro Nardella-Dellova


Se um Ano Novo (quero dizer, um “Capodanno”, a virada de um ano para outro) tem algum mérito, creio que seja o da reflexão. E mais, muito mais, que estourar champagne ou contemplar fogos de artifício, está o minuto em que paramos, para dentro de nós mesmos – e contemplamos este universo chamado Eu Mesmo!

Seja um período anual deste ou daquele grupo, seja desta ou daquela religião, desta ou daquela cultura, deste ou daquele povo. Seja de hoje ou de ontem, dos orientais ou ocidentais, dos africanos ou dos indígenas, de brancos ou negros. O fato único e incontestável é que, deixando à margem os debates sobre os muitos calendários, solares ou lunares, toda a humanidade sempre entendeu e compreendeu haver ciclos de inverno (como agora na minha amada Itália), primavera, verão e outono.

É verdade que nossos invernos são diferentes. Na Itália é inverno, enquanto meus amigos do Brasil vivem o verão. Mas todos nós temos um inverno, uma primavera, um verão e um outono. Todos nós temos os ciclos lunares. Para mim, que sou judeu, vibro na Lua Nova, enquanto meus amigos nem sequer olham para o céu. Mas a Lua Nova está lá, para todos. E a Lua crescente, a Lua cheia e a Lua minguante – para todos, em todos os lugares! E, por isso mesmo, ou seja, porque esta Lua se apresenta assim, viva e maravilhosa para todos, temos, também, todos, os dias da semana! Eu levanto uma taça de vinho e acendo duas luzes em uma sexta-feira, ao pôr do sol, em homenagem ao que chamo, na minha cultura, Shabat. Para todos os outros este dia chama-se “sábado”. E, seja para mim ou para todos os outros, todos temos sete dias semanais! E para todos nós, pela manhã, acordamos e vemos o sol. Sim, enquanto na Itália bebo o meu primeiro macchiato, pela manhã, as pessoas a quem amo na América do Sul, estão no meio de suas noites, sonhando! Mas, todos temos uma manhã, uma tarde, uma noite, uma madrugada!

Então, temos o tempo em comum, o tempo para todos, de todos, em função de todos! O tempo igual – o mesmo tempo que se chama hoje! A questão não está no meu calendário judaico nem no calendário gregoriano e nem, muito menos, nos calendários indígenas. Mas, simplesmente, o que quero – e posso – fazer com o meu tempo! Para quem quero dedicá-lo? Com quem quero estar desfrutando desta verdadeira “bênção” chamada Tempo? Quais relações merecem mais – ou menos – tempo?

E nesta reflexão – que vale mais que sete pulinhos sobre as ondas na praia – penso no meu pescoço e nas veias do meu pescoço – e no sangue que está nas veias do meu pescoço. Com quem quero estar no meu tempo? Neste período novo, com quem quero conviver? E, por pensar no período novo, penso, também, no período que se encerra aqui. Com quem estive? Com quem me sentei para o café? Com quem brindei? Com quem chorei ou ri?

Porque comumente reclamamos de que as pessoas nos consomem e sugam as nossas energias e nos levam o tempo, em vão, à toa, de tal modo que nos cria aquela sensação de “tempo perdido”! Mas, é uma reclamação sem fundamento porque damos o tempo a quem queremos, a quem pode nos dar mais vida ainda, tornando-se um companheiro (com quem divido o pão), tornando-se aquela pessoa que nos indica um caminho, que nos ajuda a atravessar a ponte, os rios caudalosos e as dificuldades, que entende o nosso choro e o nosso riso, nossos fracassos e sucessos, que nos abraça simplesmente pelo abraço – porque abraçar parece ser uma salvação!

Ou, ao contrário, damos o tempo a quem nos mata, a quem nos rouba o pão, e, por inveja e perfídia, nos detona em cada esquina, em cada mesa, em cada bar, em cada festa. A quem, impiedoso, arranca-nos os pés do chão, explode nossa única ponte, ridiculariza nosso choro e desdenha de nosso riso, excita-se com nossos fracassos e irrita-se com nossos sucessos, abraça-nos porque o abraço fecha o contrato e alimenta o caixa e, finalmente, acompanha-nos ao velório para ter certeza de que realmente morremos!

Aquelas são relações de amizade e de afeto, de força e de vida: para tais pessoas mostramos o caminho do coração. Estas são relações vampirescas: para tais pessoas mostramos a estaca!


Saravá!

31 dezembro, 2010 – Véspera de Ano Novo gregoriano

© Pietro Nardella-Dellova

professordellova@libero.it

2 commenti:

Leila S Ribeiro Uzum ha detto...

Meu querido mestre, poeta e amigo Dellova...Salve!!!
Tive a felicidade de vivenciar o encontro do afeto e aceitação contigo e com certeza mostraste-me o caminho ao construir a ponte da amizade.
Por isso o amor fraterno se eternizará em meu espírito, pois deixaste em minha vida o perfume das flores que cultivas em seu jardim.
Para o veneno dos vampiros impessoalidade é o melhor antídoto.
Bjs

Isabel bell ha detto...

Querido Pietro teu texto traduz em palavras o delicado sentimento que envolve relações de amizade e de carinho. Em especial quando falas sobre o abraço, que fecha o contrato e alimenta o caixa, revela o quanto se vulgariza expressões essenciais para o cultivo de uma relação honesta e verdadeira. Experiências vampirescas nos lançam em um estado contemplativo e recluso, receioso da ferida exposta pela ponte detonada. Ponte que não se constrói ou reconstrói com facilidade... Beijo afetuoso.