alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







venerdì 26 febbraio 2010

DO ABISMO ou, OS RUÍDOS DE CASCOS PELOS CORREDORES ABISSAIS


DO ABISMO ou, OS RUÍDOS DE CASCOS PELOS CORREDORES

por Pietro Nardella Dellova

noi conosciamo la terra con la terra,
l’acqua con l’acqua,
il fuoco con il fuoco,
l’amore con l’amore
e l’odio con l’odio

(Empedocle di Agrigento)

O mundo a que os pressocráticos (ou, se ainda quiserem, pré-socráticos) voltaram as costas e tentaram suplantar, ou seja, o mundo da mitologia, é, hoje, muitas vezes mais tenebroso, confuso e ramificado. Vivemos, assim, um tempo de entremeio. Um tempo de abismo!

Então, desde os pressocráticos (pelo ângulo grego), houve uma tentativa de superação da mítica e, mais dramaticamente, da mística! Os primeiros sábios (conhecidos) abriram um caminho de análise real do mundo e dos seus elementos constitutivos – a análise da Física e da Natureza das coisas. Foram experiências da inteligência humana para melhor e mais razoável utilização da “technè”, em um processo que apontava para o esclarecimento, ou seja, para aquela capacidade de verificar, discernir, relacionar, decidir e, de modo efetivo, dar curso à “criação” do mundo (amigos religiosos, com "criação" estou querendo dizer “humanização”). Em outras palavras, o homem deu passos para sair de suas cavernas e de seus labirintos, de seus temores e de suas superstições, enfim, da fumaça que o rodeava, para, ousado, determinar este processo de humanização!

Assim que o homem quebrou as correntes da mitologia e começou a organizar-se, passou, também, a questionar e conhecer os meandros do seu comportamento, de sua organização em grupos e, conseqüentemente, desses grupos na “polis”, atribuindo-se pesos e limites, sejam da afetividade ou da juridicidade. E, entre uma e outra, desenvolveu-se a idéia de “ethos”, isto é, daquele comportamento norteador das relações, em graus e nuances de responsabilidade diante de grupos familiares ou cidadãos. Digamos, uma consciência ou, ao menos, um debate sobre Ética e Direito!

Os mestres da antigüidade escolhiam seus discípulos e investigavam tudo ao seu redor, ora andando (peripatéticos) em torno dos templos (mas, nunca dentro deles), ora plantando jardins da simplicidade e correção (epicuristas). O estado de superação da caverna, ainda que representasse as espirais de sofrimento cultural (Prometeu), caracterizava-se por um coroamento do homem e da sua humanidade independente! O processo de educação e de formação completava-se com as várias ramificações do saber e de sua constante perquirição. Uma elevação humana capaz de colocar os vários grupos e povos em redor de um centro de estudos avançados - Atenas!

Porém, assim que este saber adentra o período medieval, vai adoecendo, envelhecendo, inibindo-se diante de uma realidade de submundo. Não é mais a simples caverna platônica. É, então, a caverna medieval: o feudo, a peste, o sino! Digamos, aquela antiga mitologia grega, vencida por Tales e outros, ressuscita e recrudesce, foge ao controle das narrativas e cenas teatrais antigas, e assume peso e forma, tamanho e perversidade monstruosos, e reina em todos os setores da vida humana. Por isso, desde os campos privados, nos quais entrou para destruir o elemento emocional, afetivo e subjetivo de cada pessoa e, ainda, o elemento intelectual, que transformou, finalmente, em pó, em rezas e em glosas jurídicas e canônicas, até os campos sociais, onde imiscuiu-se o quanto havia fundo e altura, largueza e possibilidade, para inibir comportamentos afetivos, jurídicos e políticos.

A praga, a peste e a morte medievais duraram tanto tempo, mas tanto tempo, que legou à modernidade o estado de descrença, de antipatia, de aversão e de intranquilidade, da qual, os últimos quinhentos anos faz mortos perambularem pelas ruas. Mortos desconfiados de outros mortos. Mortos que comem mortos. Mortos colados em mortos, e amarrados em mortos, e arrastados por mortos, e identificados por mortos. Mortos que amam esculturas antigas, fotografias e imagens postadas. E mortos que se embriagam de sangue. Mortos analfabetos funcionais. Mortos liberais e mortos comunistas! Mortos nazistas e mortos fascistas! Mortos da resistência: mortos drogados! Mortos migrantes e imigrantes: mortos escravizados. Mortos católicos apostólicos romanos: mortos mentirosos e celibatários! Mortos judeus: mortos dogmáticos! Mortos protestantes: mortos bíblicos puritanos! Mortos islâmicos: mortos neuróticos. Mortos pentecostais: mortos alienados. Mortos neopentecostais: mortos curandeiros "erga omnes". Mortos macumbeiros: mortos empesteados. Mortos espiritualistas: mortos cíclicos. Mortos militares comunistas, militares imperialistas e militares capitalistas e, alucinados, mortos paramilitares: mortos violentos. Mortos de direita e mortos de esquerda: mortos ultrapassados! Mortos de centro: mortos comerciais! Mortos de abismo: mortos de palavras e de linguagem!

Perdemos, de uma só vez, a humanidade e a sua linguagem. As palavras não carregam mais sentido algum – são palavras zumbis! Perdemos a comunicação, a capacidade de enfrentamento cotidiano para o "devir" dialético! Perdemos a sensibilidade para o diálogo e o encontro Eu-Tu. E cada palavra lançada na rede e na tela, arrasta-nos ainda mais profundamente para o abismo, pois desprovidas de conteúdo e de almas, as palavras se entupiram de chumbo, mercúrio e fumaça. As palavras são deletáveis, os nomes são deletáveis - os pronomes perderam o sentido. Isso e Ele, Aquilo e Ela, Ele e Nós. Os verbos não se conjugam no abismo: amar, viver, respirar, pensar, decidir, ser, criar. E os substantivos perderam-se: Amor, Direito, Palavra, Pessoa (pessoa?), Poesia, Poema, Prosa, Justiça, Direito, Lei, Erário, Educação, Amizade, Deus (deus?).

No abismo, onde a percepção virtualizada leva ao engodo, ao engano, à injustiça, onde o discernimento perdeu-se, e a capacidade de reflexão fragilizou-se, onde, por desgraça, o orgânico cedeu lugar ao mecânico, a palavra perdeu para o vocábulo, a poesia perdeu para o poema e, ainda, o amar perdeu para o amor. A pessoa - social, de carne, ossos, emoção e intelecto - perdeu para o fake: fakes negros, fakes brancos, fakes indígenas, fakes orientais e ocidentais, fakes religiosos, fakes políticos, fakes acadêmicos, mestres, doutores, especialistas, graduados, licenciados, tecnólogos: fakes titulados, diplomados. E fakes tipo analfabetos de forma e colorido, de serpentina e fogos de artifício. Fakes sindicalistas sem ringue, gordos e licenciados. Fakes criadores do abismo, o largo e profundo abismo, onde a Política perdeu para partidos feitos em esgotos, e caixa registradora dos governos, tipo abre e fecha sem parar. Os mortos comem dinheiro, bebem dinheiro – comem e bebem o Erário! É o abismo, onde não há povo nem massa – ninguém pensa nem se ocupa! Ninguém morre mais na contramão de Chico Buarque, nem quebra o violão com Vandré! O abismo engoliu a todos - engoliu os que se fazem de plástico e telas, e os que perderam a capacidade de se envergonhar diante de um mundo transformado em privadas!

Mas, em que pesem as privadas, o abismo, os fakes, a narcotização das palavras, os mortos multiculturais, a peste medieval e, ao final, tudo quanto agride a inteligência, tudo quanto gruda como cola asfáltica aos pés e entre os dentes, tudo quanto recria aquela caverna sombria e, com gizes, pincéis e mouses (feitos porretes), faz professores um tanto mortos, um tanto zumbis, a andarem, agora patéticos, pisando em jardins. Em que pesem os políticos serem esses vampiros famélicos. Enfim, em que pese o próprio abismo, virtual e integrado, ser esse abismo global, interdisciplinar, transdisciplinar, ainda assim, é possível frear o processo, desligar a centrífuga e, como ensinou Natália Ginzburg em seu “Lessico Famigliare”, "...voltar a escolher as palavras, observá-las, para sentir se são verdadeiras ou falsas, se possuem ou não raízes em nós, ou se possuem apenas as efêmeras raízes das discussões..." (sem mérito) ou os ruídos de cascos pelos corredores abissais! É possível interromper o desfazimento, o vazio, a superficialidade e a morte dos carcomidos. Basta pensar, ou seja, por em pratos de balança, e voltar à experiência humana de arrebentar algemas, viver, afinar a alma para a música e descobrir que as meninas dos olhos ainda podem dilatar-se!

Agosto, 2010 (Elul 5770)

© Pietro Nardella-Dellova é Escritor, Poeta e Professor de Direito Civil, Filosofia e Crítica Literária, em graduação e pós-graduação. Mestre em Direito pela USP e Mestre em CRe pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Membro da UBE – U. B. Escritores. Escreve em várias revistas e jornais. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92), FIO DE ARIADNE (org/texto 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (2001) e, agora, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. SP: Ed. Scortecci, 2009, 312 p., disponível na Livraria Cultura.

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lunedì 8 febbraio 2010

Midrash sobre a Parashá de Shemot ou, Elohim e as Forças da Criação

Midrash sobre a Parashá Shemot ou, Elohim e as Forças da Criação
por Pietro Nardella-Dellova
da Sinagoga Scuola

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Quando amargamos a experiência de nossos filhos sendo condenados à morte, como o que ocorreu naquele tempo, conforme Shemot 1: 15-22, em relação às crianças hebréias, algo em nós pode mudar. E, vencemos o estado de letargia do resmungo noturno por ações mais objetivas, positivas. A isto chamamos proatividade. E uma voz em nós clama por Justiça, e quando esta voz em nós clama por Justiça, as forças luminosas da criação se concentram sobre nós! Mas, também recebemos ajuda horizontal, das pequenas luzes, daqueles que estão ao nosso redor, daqueles que caminham conosco e se incomodam com a injustiça imposta sobre nós. É a Luz e são as pequenas luzes! É o Eterno e são aquelas pessoas formadas em seu coração e intelecto, em sua alma e seu espírito, por critérios e princípios de Justiça.
(....)
Veja a Midrash completa no Blog da Sinagoga Scuola
http://sinagogascuola-casadeglispiriti.blogspot.com/

Midrash sobre a Parashá Shemot ou, Elohim e as Forças da Criação

sabato 6 febbraio 2010

HOMOFOBIA

NÃO SEJA BOSTA NO MUNDO,
HAI CAPITO?

Tu, não precisas ser gay, transexual, bissexual ou lésbica, e nem precisas viver em homoafetividade ou pluriafetividade, para defender gays, transexuais, bissexuais e lésbicas contra a homofobia e, também, os homoafetivos e pluriafetivos contra a estupidez do "ato jurídico" - e todos, da pesada mão conservadora, fanática, maniqueísta, punitiva, fundamentalis...ta e dogmática!


Hai capito?


Precisas, apenas, não ser bosta no mundo, não ser patife no mundo e não ser um matador calado. Precisas, apenas, não ser mudo, quando o sangue respinga na tua cara. Precisas, apenas, não ser insensível diante do massacre. Precisas simplesmente ser gente, pois é de gente que estamos falando! 


Mas, se fores bosta, bosta preconceituosa, silenciosa e indiferente, serás, então, uma bosta homofóbica silenciosa, uma bosta que consente com o apedrejamento e, por fim, depois de tanta violência multifacetada contra pessoas, serás, uma bosta coberta com o sangue humano!


Hai capito?

Pietro N Dellova, Contra a Homofobia e Bostas, 2014