alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







mercoledì 14 aprile 2010

DA IGNORÂNCIA MÓRBIDA ou, coma-se merda, milhões de moscas não podem estar enganadas!

DA IGNORÂNCIA MÓRBIDA ou, coma-se merda, milhões de moscas não podem estar enganadas!

por Pietro Nardella-Dellova


Todo processo de desenvolvimento social ou individual passa, necessariamente, por relações dialógicas, ou seja, para que se alcancem novos postos no conhecimento humano, os vários saberes até aqui conquistados devem dialogar, em um confronto saudável, cujo resultado é um avanço, ainda que apenas conceitual (mas, mesmo assim, um avanço), nunca uma anulação!

Oxalá, pudessem os conhecimentos, integrados – e avançados - concretizar-se em conquistas, em realizações à humanidade, como um todo. 

Humanidade é um termo amplo e complexo demais? Va bene, pudessem realizar-se para benefício da sociedade ou de um bom contrato social.

A ideia de desenvolvimento é que, a cada geração, novos avanços pudessem se observar e todos conseguissem, afinal, desfrutar de alguma coisa boa. Mas, para esse resultado, tudo o que se tem à mão deveria sinalizar o caminho – sempre para adiante! É como fazer uma determinada trilha em lugar desconhecido, na qual a cada trecho percorrido, vai sendo marcado com fitas amarradas às árvores e plantas. Não podemos desprezar o caminho ou nos perder das realidades plurais dos trechos!

Após o percurso de anos (décadas mesmo) o que se percebe é o andar em giros, não em torno de um determinado ponto, mas ao léu, em um tempo de cegueira - com os méritos a Saramago!!! Não há caminho de volta e não há caminho de ida, nem tanto porque o caminho (ou estrada) não foi sinalizado, mas por uma razão ainda mais dramática (o termo me parece oportuno), pois, há um culto desqualificado, uma excitação incompreensível, um estado de comunhão com o desconhecimento e fumaças do caminho. Para muitos (quase todos!) é bom estar assim, idiotizado, sem rumo, sem alcance e sem meta!

Assim como ocorre com o peso (refiro-me ao corpo humano) em que se chega a um ponto de “obesidade mórbida”, diante da qual nenhuma esteira ergométrica funciona – exceto a cirurgia, ocorre com o estado de ignorância mórbida. É aquele estado, em função do qual, nenhum grito, reunião, clamor, encontro, seminário, exames, testes, provas, aconselhamento, sentença, embargo e outros meios de “tentativa de comunicação”, funciona razoavelmente!

A ignorância do próprio estado de ignorância levou ao desmanche do diálogo (ou possibilidade de diálogo) e, giramos, então, sem sinalização no caminho (trilha ou mata fechada). 

E, bem pior que o estado de ignorância do próprio estado de ignorância, é o processo pelo qual todos (ou a maioria) vivem, ou seja, alimentando-se da própria ignorância. O grande “deus” da atualidade é mesmo o “deus ignorância” que, como outros deuses ditos pagãos, vai exigindo, cada vez mais, sacrifícios humanos (e desumanos!), cultos, estado de sonolência, energia enfim, a vida toda...

Ignorância básica em relação à organização social e política. Ignorância básica em relação à história. Ignorância básica em relação ao estelionato religioso. Ignorância básica em relação ao mundo (ou submundo) jurídico. Ignorância básica em relação aos governos. Ignorância básica em relação aos relacionamentos humanos (principalmente, o sexual). Ignorância básica em relação ao toque feminino e seu poder criativo. Ignorância básica em relação aos processos de humanização do mundo. Ignorância básica em relação à educação dos filhos. Ignorância básica em relação à higiene pessoal (e social). Ignorância básica em relação à Ética. 

Ignorância básica em relação à ignorância básica!

Por isso mesmo, idiotas eleitos (ou não) se tornam chefes de nossas casas. Por isso mesmo, o número de religiosos aumenta, quando deveria diminuir, caso vivêssemos um tempo de clareza e conhecimento e, proporcionalmente, aumenta o número de líderes religiosos, como resultado de uma massa disforme que azurra apenas entre um curral e outro. Por isso mesmo, as rezas são ensinadas, cada vez mais, quando deveríamos simplesmente viver sem rezas (pois foi isto que o Eterno determinou: vida!). Por isso mesmo, o mundo jurídico tornou-se uma caixa vazia ou um conjunto de instrumentos desafinados e desarmônicos (inclua-se aí, com veemência, o Ensino Jurídico). Por isso mesmo, não há projeto político e os candidatos são, a um só tempo, exterminadores e coveiros exemplares. Por isso mesmo, os relacionamentos são (e cada vez mais) um processo de autodestruição, vampirismo e virtualidades. Por isso mesmo, nossos filhos estão entregues, geralmente, nas mãos de genocidas. Por isso mesmo, estamos em um tempo de “máscaras e álcool gel”. Por isso mesmo, perdemos nossas vidas em uma “existência” idiotizada na ignorância e na falta de ação!

Va bene. Que os vírus dos porcos mexicanos, e os vírus das galinhas chinesas, e os vírus dos produtores de álcool, e os vírus dos pecuaristas, e os vírus da Internet, e os vírus de todos os legislativos, e os vírus de todos os executivos, e os vírus jurídicos, e os vírus dos laboratórios, enfim, que todos os vírus dos vírus sociais, coloquem, ainda mais, máscaras sobre as máscaras da ignorância, e matem todos, embriagados no álcool gel

Enfim, coma-se merda, milhões de moscas não podem estar enganadas!


Setembro, 2009 (12 Elul, 5769 – Ki Tavô Devarim 26:1 - 29:8)


© Pietro Nardella-Dellova. Em 2009 era Professor de Direito e Literatura. Mestre em Direito pela USP. Mestre em CRE pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil, Processo Civil e em Literatura. Bacharel em Direito e Licenciado em Filosofia. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores e do Gruppo Martin Buber (Roma/Napoli). Autor dos livros AMO (1989), NO PEITO (1989), ADSUM (1992)  e FIO DE ARIADNE (org./co-aut.,) (1994), das traduções FILOSOFIA DEL DIRITTO PRIVATO (de P. Cogliolo, 1996) e GIUSTIZIA (de Z. Zini, 1997), bem como, da A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (PUC/SP, 1998) e A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (USP, 2000). Autor, também, do livro A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS (2009). Consultor de Direito.





lunedì 12 aprile 2010

RIVKAH ou, uma nova canção para uma mulher amada


RIVKAH ou, uma nova canção para uma mulher amada
por Pietro Nardella-Dellova

Ah, minha cara, entrei em teu Jardim, e caminhei por entre imagens, sons e almas dos teus universos. Entrei pelo Leste do teu Jardim, e ouvi vozes, muitas vozes, que vêm de todos os centros, de todos os poros e de todas as bocas, mas, entrarei, ainda, pelo Oeste, e pelo Norte e pelo Sul e cercarei teu Jardim, farei jorrar um rio dali e mergulharei bem no seu meio.

Estas vozes me chamam de alguma forma, e se abres tuas asas, abro, também, as minhas...

Então, depois do mergulho, voaremos alto, bem alto, onde alcançamos estrelas, de onde veremos o teu Jardim, e por onde molharemos os lábios no gotejamento poético....

Ah, meu Beija-flor, vens à mão de um Poeta, e me provocas com a tua Música, com os acordes da tua presença, vens em nome do "impulso poético" e me convidas a um Jardim de delícias. Eu vou, então, e tenho olhos para tuas Flores, e tenho ouvido para tua Canção, e tenho asas para o teu Vôo.

Vens, assim, como beija-flor, mas és deusa encandescente, e tuas asas não são brancas, são multicoloridas, a voz ecoa e faz vibrar as pétalas e a cada passo um encontro se estabelece. Ao final, tudo será música nestes Alpes.

Espera um pouco, ainda não. Primeiro entrarei mais, pelo Oeste, Norte e Sul do teu movimento, e vou ouvindo tua canção, se sabes tomar com uma das mãos as sete notas musicais, enquanto a outra desenha um busto, se perdes a gota do vinho nos cantos da boca enquanto cantas, e se tuas pupilas ficam, assim, dilatadas ao encanto enquanto brilham os olhos na dança. Ao passar, verei se teus lábios se intensificam e se sopra uma brisa sobre as flores...

E vou ao Centro criando passagens e, antes que percebas, colocarei minha mão à terra para sentir-lhe a umidade e substância, enquanto, com a outra, afastarei os arbustos. Depois, Rivkah, a emoção será apenas um detalhe quando jorrarem as águas da intensidade e tua canção se transformar em urro, grito e gemido, ecoando por todo espaço.

Quando voltar, teu Jardim terá caminhos perfumados, e cada flor terá um nome. Cada nota terá um sentido musical para os teus pés. E tua dança será um estado de plenitude, de comunhão e feminilidade, porque ao dançares terás as asas no alto, os pés na terra, o perfume das flores, e a pele molhada nas águas deste rio. Tua dança será, então, o conhecimento e a umidade de corpos e almas, de Poesia e Música, de perfumes e brisas, da consciência absoluta de um jardim visitado, mas, ainda assim, mantido no segredo de um toque apenas...

Sankt Gallen, Svizzera (Schweiz, Swiss), 11 novembre 2009.

© Pietro Nardella-Dellova. É Professor e Consultor de Direito. Mestre em Direito pela USP. Mestre em CRE pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor das Obras: AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS (2009). Confira mais no Blog Café & Direito http://nardelladellova.blogspot.com/

domenica 11 aprile 2010

PACTA CORVINA ou, o porquê de odiar Brasília


PACTA CORVINA 
ou, o porquê de odiar Brasília
por Pietro Nardella-Dellova


Eu odeio Brasília. Definitivamente odeio Brasília!

Não odeio Brasília apenas pelos casos multiplicativos e vergonhosos de dengue, mas porque desde suas origens cansa e esgota as energias de um povo que teima em viver – ou existir! Odeio-a por todas as décadas perdidas, entre alcoólatras, soldadinhos de papel, escória maranhense, caçadores de marajás, idiotas indignos de academias paulistas, loucos nauseabundos, sindicalistas pelegos e retirantes perdidos. E por ser a encruzilhada onde todos se aglomeram em torno da carne moribunda, moída e exposta às moscas!

Porque nela o descaso alcança todos os setores, engrenagens viciadas, escalões, cabides, poderes. Porque suas ruas não dizem coisa alguma e concentram um cheiro de morte. Ali se abrem os lençóis da perversidade na Praça dos Três Poderes, canalhas ocupam assentos do Parlamento, andarilhos se vestem de togas e marionetes sancionam leis estúpidas, desconexas e inúteis! 

Odeio Brasília neste sentido, e ainda mais profundamente, porque o Brasil precisa urgentemente de homens e mulheres éticos, de princípios e inteligência, homens e mulheres que saibam enxergar o pluralismo multicultural, as necessidades de um povo cuja vida é desperdiçada na lufa-lufa, e que realmente se importem em fazer nascer uma nação, um país – uma grande polis! Odeio Brasília porque aqueles que julgam nos Tribunais Superiores deveriam vir de regiões remotas, deveriam ter começado há décadas em comarcas distantes e jamais passarem pela porta do Executivo e Legislativo.

Brasília é como um buraco negro que a tudo engole - e a tudo desfaz - e a todos transforma em pó.

Brasília concentra gente ruim – muito ruim! Gente ruim de corpo, gente ruim de sentimentos, gente ruim de intelecto e gente ruim socialmente! Os piores estão em Brasília – e como uma força atrativa irresistível, continua a concentrar gente mentirosa, sem discernimento nem critério – concentra gente não gente - indecente!

Brasília é um grande acampamento de garimpeiros, sejam do Legislativo, do Executivo ou do Judiciário. Todos querem as pedras preciosas e o ouro, mas deixam atrás de si um lamaçal de vergonha, de indignidade, de desprezo – uma história sem méritos! O que se encontra, tristemente, são os lugares de exploração, especialmente, na Praça dos Três Poderes, repletos de mercúrio e contaminação, que avança, profundo, nos lençóis de todos os recantos.

Nada se cria e em nada se pensa em Brasília que sirva para a Política ou organização de um Estado de Direito, plural e democrático. 

Obviamente, estou me referindo à Política como a imaginaram homens esclarecidos e não ao que ocorre na capital brasil(eira)! Estou me referindo a um Estado de Direito, plural e democrático, não às combinações escusas e trocadilhos de tribuna recorrentes neste lugar!

Há lugares cujo símbolo é uma águia - para Brasília deve ser um abutre, um corvo! Há lugares, ainda, cujo símbolo é um leão - para Brasília deve ser uma hiena! Há outros lugares cujo símbolo da solidariedade é o encontro de duas mãos - para Brasília deve ser o encontro de dois ganchos! Brasília é mesmo (etimologicamente) de brasil(eiros) – não de brasilianos nem brasilienses!

Odeio Brasília porque nestes anos todos roubou os recursos do povo brasiliano, despiu os brasilienses originais, criou monstros nas florestas, impediu a vida de várias gerações, desprezou a liberdade, ridicularizou a esperança e criou vermes públicos! Brasília não presta! Tudo o que nela atua ofende a inteligência e os princípios mais elementares de Direito e Justiça, de Política e Educação, de Projeto e Economia! Brasília não presta e merece as emblemáticas dez pragas do Egito ou, ao menos, o enxofre apocalíptico!

Pois, então, Brasília representa um tipo de encontro de agentes (mas, não necessariamente gentes) a que os romanos chamariam “pacta corvina” ou, em vernáculo, “pactos de corvos”!

E, finalmente, odeio Brasília porque lá ninguém ainda se suicidou diante de denúncias de corrupção, como fizeram alguns que viveram em países de primeiro mundo!


7 de Adar 5770

© Pietro Nardella-Dellova é Escritor e Poeta. Coordena Curso de Direito e é Professor Direito Civil e Crítica Literária em graduação e pós-graduação. Mestre em Direito pela USP e Mestre em CRe pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil, Processo Civil e em Literatura. Formando em Direito e em Filosofia. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores e do Gruppo Martin Buber (Napoli/Roma). Autor dos livros AMO, NO PEITO, ADSUM, FIO DE ARIADNE (org/tex), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (tesina, PUC/SP), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (tesina, USP, 2000) e, também, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. 

A EXCELÊNCIA CORRUPTA OU, A SUJEIRA NA TOGA



A EXCELÊNCIA CORRUPTA
OU, A SUJEIRA NA TOGA!


Pietro Nardella-Dellova
dam
Há poucos dias, no Estado do Mato Grosso, descobriram-se às quantas andava a Magistratura daquele Estado, em várias instâncias e entrâncias! Tenho que seja apenas a ponta do iceberg (ou de forma "abrasileirada", aicebergue)! Mas, independentemente da corrupção e desonestidade, seja continental ou apenas em um pedaço de gelo perdido em alto mar, o desdobramento que se pretende dar, e se está dando a respeito, é, no mínimo, surreal! Os juízes afastados por corrupção e desvio do Erário (dinheiro sagrado do povo) receberão como castigo e penalização, a aposentadoria - aliás, receberão a pena da aposentadoria integral! Qualquer outro funcionário público perderia seu posto - sem vencimentos! E qualquer trabalhador da iniciativa privada seria demitido com justa causa!
tzfardea
O que se passa, afinal, na organização do sistema público e na legislação que disciplina tais e quais matérias? Eu direi – um estado de inércia! A situação fruto de uma história que se perde no tempo, em vergonha e desvirtuamentos de quaisquer naturezas. O Erário, que significa dinheiro público, é tratado no Brasil com o desprezo de quem não se preocupa nem se importa com ética, organicidade e respeito sociais! O Erário, esta energia coletiva, está sob a administração de gente ruim, de gente que não presta e nem vale um voto do eleitor consciente! Os agentes públicos corruptos (corruptos por má-fé e dolo, corruptos por inércia e analfabetismo funcional) não apenas utilizam de forma estúpida e burra os recursos financeiros, deixando-os perdidos e esgotados de forma brutal e inconcebível, bem como e, sobretudo, lançam mão do que não lhes pertence para enriquecerem, de forma absolutamente ilícita, os seus bolsos, carteiras, contas, cuecas, calcinhas de loucas televisivas, meias, malas, partidos, empreiteiras, bancos, além, lógico, de enriquecerem seus filhos, afiliados, mães, pais, irmãos, amantes, correligionários, netos, sobrinhos, amigos de taverna, votantes, eleitores inescrupulosos, mercenários, paqueiros e cachorrinhos de estimação!

kinim
Eu sei que o nome "juiz" não caberia aqui para qualificar os delinqüentes, pois poderia arrastar tantos outros que são juízes em honra, conhecimento e ética, mas, deixemos que a Magistratura mostre sua cara e decida pelos seus membros e revele, ela mesma, o grau de constrangimento a que se submentem magistrados honestos e competentes, pois aqueles juízes serão aposentados como "juízes" mesmo! No caso, então, dos criminosos do Mato Grosso (mascarados de juízes), houve o desvio indecente do dinheiro público para o seu próprio benefício, ou seja, para o benefício daqueles que, investidos de autoridade judicial e cobertos pela toga, usurparam uma função e sujaram um posto de atividade que repercute não apenas no “dizer o direito”, mas na educação de um povo.
arov
O direito, especialmente o direito "dito", expresso, visível nas decisões judiciais, a que os "gregos" da época de Hesíodo chamariam Diké vale e serve para formar a consciência de um povo! Não basta o sistema jurídico posto como um todo, desde a Constituição, a que os "gregos" da época de Homero chamariam Themis. Portanto, Diké e Themis deveriam se completar, sendo aquela o cumprimento da justiça, e esta a autoridade e validade do direito. O povo, e até criminosos comuns, têm por costume e tendência acreditar de forma quase religiosa na figura de um magistrado - ainda que ele não preste técnica e moralmente! Por isso mesmo, o direito assim concebido em suas duas facetas integrativas, Diké e Themis, converte-se em educação e formação do povo! Se aqueles "bandidos" forem aposentados por força de uma legislação vigente, então, a Themis terminará como uma estátua em praça pública coberta de merda de pombos! Mas, quem sabe, a Magistratura de qualidade, respeito e consciência, ainda presente no Judiciário brasileiro, possa salvar a sua pátria "amada", fazendo valer a força da Diké, com justiça e retidão, impedindo a esses marginais o acesso fácil e prazeroso à aposentadoria, e determinando a sua prisão, preferencialmente, comum?
dever
Estes delinqüentes inseridos como vermes na Magistratura mato-grossense sangraram o Erário e, agora, o mesmo Erário deve ser aberto uma vez mais, e de modo perpétuo, para o pagamento de aposentadorias destes que deveriam simplesmente ser presos, destituídos de qualquer benefício e, finalmente, entregues aos corvos! Eles agiram de forma contrária ao direito e a resposta, via aposentadoria, é, neste caso, igualmente uma violência ao direito e ao sentimento e concretização de justiça! Outrossim, sabemos que o sistema jurídico e sua correção de percurso dependem do Congresso Nacional, isto é, do Legislativo, composto por Deputados e Senadores - porque estamos em uma democracia constitucional - e assim devemos ficar, apesar do material político que se encontra ali!

shchin
E eu, que devo ensinar o Direito, e falar sobre a boa-fé, os princípios norteadores do direito, como, por exemplo, "não causar prejuízo a outrem, dar a cada um o seu direito, e viver honestamente", pergunto a mim mesmo (antes que me perguntem os alunos): se apenas passasse os olhos por sobre o Planalto Central, seria possível encontrar alguém disposto a isso, a corrigir o percurso? Afinal, com o que se preocupam os senhores e senhoras congressistas no Brasil?
barad
Alguns, em criar, manter e esconder “atos secretos”, baratas e ratos em seus escaninhos. Outros, em receber mesadas em suas contas. Outros, ainda, em fazer uma oposição insipiente, com discursos que beiram ao infantil e ridículo, quando não ao rasteiro! Teriam aqueles senhores - e senhoras - do Congresso Nacional brasileiro alguma luz? Teriam alguma alma? Teriam alguma preocupação com o público? Teriam alguma ética que lhes causa constrangimento diante de tanta inércia e sujeira? Teriam alguma percepção, ainda que superficial, do justo e do injusto, do moral e do imoral, do decente e do indecente, do público e do privado? Saberiam eles o que significa "polis"? Têm eles conhecimento da diferença entre povo e massa, de pessoas e bois, de cidadãos e contribuintes? Teriam algum projeto nacional amplo e suscetível de concretização? Saberiam, e em que medida, a sua inércia é uma ação contrária ao direito e um criadouro de vermes, baratas, moscas e lixo sociais? Sabem eles o que significa dinheiro público e dinheiro particular?
arbe
Eu respondo e os fatos também: não!! Os parlamentares não têm luz, nem alma, nem preocupação ou ocupação com o público, nem ética capaz de causar ânsia, incômodo e constrangimento, nem percepção ou discernimento do justo e injusto, do moral e imoral, do decente e indecente, do público e privado, nem sabem o que é "Polis", pois imaginam o Brasil como um grande curral, nem sabem o que é povo (mas, sabem o é que massa e a manipulam muito bem, mantendo-a no fundo, no baixo, na escuridão, narcotizada no discurso religioso multifacetado, comendo a grama de estádios futebolísticos, lambendo o suor de seu dono nas passarelas carnavalescas, absorta pelo buraco das fechaduras dos BBBs, na desventura de esmolas governamentais e, finalmente, atrofiada em mito virtual de propriedade e sexo). Eles nem diferenciam pessoas e bois, exceto que os primeiros parecem andar sobre duas pernas e estes, sobre quatro, nem sobre cidadãos, nem contribuintes, nem têm projeto político e sócio-econômico, científico ou tecnológico algum, nem sabem (ou fingem não saber) que sua inércia é contrária ao direito!!! O Congresso Nacional é hoje, por desgraça, parasitário, vampiresco, deformado, malévolo, típico, antijurídico e culpável!
choshech
Há uma infelicidade, uma desgraça monstruosa, um estado de esgoto, uma cegueira coletiva e contaminante (salve Saramago!), um abuso e um estado avançado de decomposição, a começar, então, do Congresso e do Executivo e, daí, espalhando-se e contaminando as estruturas do Judiciário para, ao final, poluir a Educação e áreas de formação, principalmente, as tecnológicas e científicas!
makat bechorot
E, enquanto a grande maioria do Congresso segue em seu pernicioso carnaval e o Executivo em sua conversa de boteco em dia de jogo corintiano, as moscas - sim, as moscas, sem controle e tresloucadas, de toga ou não, disseminam a sujeira e se procriam aos milhares, atrasando em mais dois séculos o desenvolvimento do Brasil (para o futuro!). Atraso que se verifica, igualmente, pelos últimos dois séculos, principalmente, da chegada de um monarca covarde em terras brasileiras, fugido assustadamente das flatulências napoleônicas! Tudo bem, um grupo de pessoas que já suportou bem os últimos duzentos anos, poderá, com certeza, suportar mais duzentos, desde que haja religião, superstição, BBB, esmola, passarela e muita, mas muita mesmo, grama de estádio!


9 de Nissan, 5770. (24 de março, 2010)



© Pietro Nardella-Dellova é Escritor e Poeta. Coordena Cursos de Direito e leciona Direito Civil e Crítica Literária em graduação e pós-graduação. Mestre em Direito pela USP e Mestre em CRe pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor dos livros AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92), FIO DE ARIADNE (org./tex), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICIAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS (2009).

Outros textos, contato e informações vejam nos links do


Blog Café & Direito: http://nardelladellova.blogspot.com/


e pelo e-mail professordellova@libero.it



sabato 10 aprile 2010

BELLA OU, UMA CANÇÃO PARA A AMADA VOAR





BELLA OU, UMA CANÇÃO PARA A AMADA VOAR
por Pietro Nardella-Dellova

Quem traz o segredo oculto da Poesia, desvela seus sete talentos faciais, e, em um toque apenas, cobre o universo de cores, porque as sete notas musicais aparecem entre fogos de arte e ofício – não artifício! Sete notas musicais e sete fogos... Faz-se música plena! Então, tocada pela voz distante, abre suas asas, e voa, e vai, e encanta, e avança – noite adentro – sobre os setes mares - cortando os sete céus. E, achando o Poeta, traz sete bênçãos femininas, e todas elas iluminam seu próprio ser, mas lançam sombras sobre marionetes...

Porque houve um dia (naquele dia em que se construíram pontes que resistem e unem espaços) em que ela quis aprender sobre o amor, ouvir sobre lições de ternura, e delicada e serenamente, trouxe a feminilidade. E trouxe, também, água de poços, jardins, bocas e pálpebras. E, enquanto caminhavam de um lado para o outro, ouviu-se Música e Poesia, pois, respingavam notas musicais sobre o pentagrama. Era Música, mas, no compasso, foi cristalizando-se e lançando-se sobre o chão levou Poeta e Poesia ao meio! Ela deixou ao chão, desfeito, o arame retorcido da privação, porque aprendeu que havia uma canção na madrugada inteira, cantarolada ao seu ouvido. E ela mesma vai se tornando uma canção, um céu, um sol, uma lua e uma sensação. E vai se tornando a descoberta de um tesouro, de um paraíso, da pérola, em função da qual o mergulho poético acontece em explosão de sentimentos bons.

E depois, quando havia ainda o clarão do sol, avistou-se, à distância, o Poeta voar pelos quatro cantos. Havia sete fotografando o espelho, mas somente uma, incandescente, desfez a cera, e movimentou-se, corajosa, em busca da Poesia única e do passo adiante, cobrindo-se com um manto de singular sensualidade. Era algo! O azul confunde-se, às vezes, ao verde, porque não se sabe mais o que é espelho e o que são as pupilas dilatadas. E, por vezes, encontramos em fontes distantes a água que nos mata a sede, pois, afinal, vivemos de sede em sede! O Poeta voou? O Poeta é, então, um anjo, um arcanjo ou um querubim? O Poeta vai, na brisa da sua própria humanidade, ao encontro da pele que perfuma de amor. E caminha, ainda, diante do mar aberto, esperando a espuma lhe cobrir os pés. A mulher é um desenho? Uma imagem formada do encontro da névoa e luz? A mulher vai, na brisa da sua anterioridade, ao encontro da pele perfumada de Poesia.

E eu contorno os lábios com Poesia e Música. Os cabelos, a pele suave, o umbigo pleno do vinho parecia um mar de vermelho espelho... De onde veio ela, que trazia o céu em seu rosto. E por que portava serenidade em brisa de primavera, se a dor, contida, não havia sido surrada em uma boa gargalhada. E, no movimento decidido e libertário, saiu cantando aos ventos, e espalhando as sementes de sua ternura. E, novamente, o Poeta abriu suas asas e foi visitar o jardim que a mulher plantou, com flores multicoloridas. Mas, ela não tinha asas – tinha flores, apenas flores! E tinha, também, um espelho...

Quando volta? Quando passará pela ponte correndo e dançando? Estendi a mão e ouvi o barulho das piscinas artificiais. Vem, abra sua asas e voe, e cante uma canção noite adentro, uma canção que ressoe pelos montes. Quando voltar, mulher plena, deixará um rastro de fogo e encanto, e os poros ficarão plenos de intensidade, e música e perfume. Porque há mulheres que nasceram para amar sete mil anos.

Pouco a pouco, a mulher vai se fazendo e se construindo, com sua força e determinação, com sua graciosidade e beleza, com sua inteligência e “poiesis”. A mulher se faz – não pode ser feita!

Recife, Pernambuco, 19 de outubro, 2009


© Pietro Nardella-Dellova. É Professor e Consultor de Direito. Mestre em Direito pela USP. Mestre em CRE pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor das Obras: AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS (2009). Confira mais no Blog Café & Direito http://nardelladellova.blogspot.com/


contato: professordellova@libero.it

sabato 3 aprile 2010

NÓS E A ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA CONTRA A ANISTIA AOS TORTURADORES NO BRASIL

ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA
Rua Maria Paula, 36 - 11º andar - conj. 11-B - tel./ FAX (11) 3105-3611 - tel. (11) 3242-8018
CEP 01319-904 - São Paulo-SP - Brasil
http://www.ajd.org.br/ - juizes@ajd.org.br

SALVE!!!!
Nós, Professores dos Cursos de Direito, Profissionais Éticos e Cidadãos conscientes, estamos junto com a AJD: ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA DEMOCRACIA contra A ANISTIA AOS TORTURADORES NO BRASIL.

Informamos que o Supremo Tribunal Federal marcou o julgamento do processo (ADPF 153) que requer que o STF declare que a Lei de Anistia não se aplica aos crimes comuns praticados pelos agentes da repressão contra os seus opositores políticos, durante o regime militar.

O Manifesto já recebeu 15.800 assinaturas
Se você conhece alguém que possa aderir, encaminhe link para possibilitar o conhecimento do apelo, os subscritores e outras informações

http://www.ajd.org.br/contraanistia_port.php


Os crimes praticados durante a ditadura, como tortura, assassinato, desaparecimento forçado, são crimes contra a humanidade e nesta medida não podem ser anistiados .
A decisão do STF estabelecerá um novo marco de democracia para o Brasil.

O julgamento será:

Dia: 14/04/2010
Hora: às 14 horas
Local: Supremo Tribunal Federal, em Brasília,

O julgamento é público.
Compareça!!!



Comitê Contra a Anistia aos Torturadores.

Pintura de Andrew Atroschenko

Pintura de Andrew Atroschenko