alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







giovedì 14 aprile 2011

IL CAPODANNO (ANO NOVO) ou, uma viagem ao centro da simplicidade

IL CAPODANNO (scritto nel 2002 e tradotto in portoghese)

IL CAPODANNO ou, uma viagem ao centro da simplicidade (escrito em 2002)

Pietro Nardella Dellova


o tempo que voa...

Meu D'us,

que estupidez! os ríspidos atos de matar a cada minuto a própria vez de ser feliz

e de sorrir ante o fruto às mãos aconchegado: o existir numa fração de segundos,

pleno!

Pietro N-Dellova

No Peito Há Uma Porta

Que Se Abre”, 1989


Hoje parei, antes que este ano chegue ao final, porque não se pode esperar tanto: na noite de capodanno (ano novo) tudo é muito barulhento, muita gritaria, muito falatório. Não é noite de pensar em coisa alguma, apenas de beber um bom champagne, mangiare e nada mais!


Parei agora porque não acredito em ano novo que, por si mesmo, venha trazendo tudo o que necessitamos e todas as coisas boas, como se um caminho luminoso fosse se construindo, firmando-se, abrindo-se... Afinal, fazendo assim, ao menos não recomeçarei o ano com cara feia, não estragarei o brinde de ninguém, não ficarei num canto olhando o vazio. E, tampouco, desejarei um feliz ano novo àqueles que brindarem comigo, se eu, conscientemente, não puder proporcionar-lhes, ou, ao menos, com ele contribuir.


Eccomi. Hoje fico calado, pensando nos erros que cometi (apenas nos meus), nas palavras sem sentido por mim proferidas, nos meus pensamentos sem propósito, nos equívocos vividos, cheirados, ouvidos, tocados, degustados e vistos... Nos relacionamentos perdidos, nas oportunidades perdidas e no tempo perdido.


Ah, e nestes políticos maledetti, que povoaram e sobrevoaram o país: não roubaram, não mataram, não falaram, não criaram, não destruíram, não viveram, nada fizeram: é o final de anos de sono e, agora, esperamos que as estrelas não sejam cadentes... Vade retro Satana!


Meus olhos estão abertos - bem abertos!


A alma, também... Prendo un café na piccolina xícara branca esmaltada e faço uma longa caminhada pelos cantos da casa, procurando coisas que me fazem pensar – pensar mais e entreter menos...


Em um canto da sala de estar um grande vaso de barro, feito por índios do Pará (os índios fizeram o vaso que se tornou o presente de um fratello em projeto de trabalho por aquelas bandas em tempo quase histórico). Neste vaso postas – todas juntas - antigas ferramentas que pertenceram ao meu babbo: uma enxada com um canto quebrado, uma pá desgastada ao centro, uma picareta, outra picareta sem cabo, uma foice sem cabo e sem corte, dois machados, uma raspadeira de asfalto, duas colheres de pedreiro desgastadas, dois garfos grandes sem cabos, uma cavadeira, um serrote grande, uma marreta de muitos quilos, um pé de cabra, um martelo grande com uma face arredondada, três punções e duas talhadeiras, duas chaves de roda e uma alavanca de FNM D-11 (caminhão italiano), um prumo, um nível, uma botija de barro... Todas, agora, pintadas de verde, branco e vermelho (menos o nível, o prumo e a botija). Tudo transformado em adorno e testemunho.


Um pouco ao lado, um pequeno móvel-cristaleira (este eu comprei) e dentro pequenas coisas que importam... dois relógios de bolso: um, Roskoff, do nonno Giuseppe, outro, Omega, do babbo; duas canequinhas azuis de ferro esmaltado: bênçãos do babbo para mim e meu filho; algumas moedinhas de Lira (ah, a Lira, sufocada pelo Euro); a tesoura da nonna Rosa; a faquinha de serras com a qual meu babbo descascava laranjas e cortava-lhes as tampinhas (amávamos as tampinhas e estar assentados nos seus joelhos); o Tanach em italiano de 1912: presente da nonna Luigia, outro de 1950, bastante folheado e marcado pelo babbo; uma pedra de Venosa/Potenza e o rosto do poeta Orazio...; outra pedra do quartiere ebraico de Fondi/Latina...a foto do Castello e Palazzo del Principe; e o rosto com naso grande, feito de massinhas pelo meu filho, na primeira escola, com inscrição: babbo, io ti amo!


No centro de uma das paredes um quadro, pintado com profundidade: um jovem pastor e suas ovelhas subindo uma rua estreita de alguma cidade européia – talvez Monte San Biagio. Logo ali, na mesma parede, uma cadeira coberta com um couro de ovelha que antigamente cobria as pernas da nonna Luigia...


Na saleta, o piano fechado, desafiante: nem Beethoven nem Verdi - faz um ano: foi-se o filho tenor-pianista, agora homem, buscando o seu caminho em terra estranha. Na mesma saleta, sobre um móvel rústico, a balança de dois pratos e seus pequenos pesos, antiga, muito antiga: era do nonno Giuseppe, era do babbo, agora é minha! E, diante dela, estudei - e ensino o Direito.


Mais adiante, num corredor, os restos da minha primeira mesa, sobre a qual escrevi – muitos anos faz - os primeiros poemas para meninas do quartiere: a mesa é a armação de ferro da antiga máquina de costura Singer, da mamma.


Outro café e, finalmente, a biblioteca – à porta a estatueta do homem se esculpindo – e dentro milhares de livros (comecei a montá-la aos doze anos, quando ganhei vinte livros de uma pessoa que odiava livros). Nenhum desses livros tem sentido senão ao serviço da humanização... Hoje os deixarei fechados e calados: não quero ouvi-los!


Café! Preciso de um café!


Este mês ganhei um presente da Lúcia Elísia – uma amiga a quem não vejo há dez anos. É tão difícil nos vermos que ela mandou via postal. Uma grande caixa: chocolates amargos, café torrado em grãos e um moedor de café tradicional, manual, com fixador de mesa.


D-o Santo, um moedor de café tradicional, manual, com fixador de mesa! É tudo o que andava procurando... um moedor de café tradicional, manual, com fixador de mesa... Santo D-o, tem gente que conhece a alma da gente!



© Pietro Nardella Dellova, dicembre 2002 – 24 de Tevet, 5763

1 commento:

Isabel Bell ha detto...

Que graça de texto Pietro... veja que ao procurar um canto para refletir sobre o ano que vem você fez um mergulho nos anos que se foram... Que delícia os detalhes sobre as ferramentas de construção e a máquina de costura, tão peculiares também à minha infância. Em sua reflexão e mergulho acabei eu na mesma viagem e me vendo em minha infância sentada aos pés de alguém esperando as tampinhas de laranja, bem ao lado dos canteiros de cravos, de todas as cores, jardim perfumado de cravos coloridos. Talvez seja essa sensação que tenhamos que resgatar neste novo tempo... Abraço Afetuoso, Isabel