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ברוך ה"ה







mercoledì 20 aprile 2011

REALENGO, RJ: FACETAS DA VIOLÊNCIA e BABACAS DE PLANTÃO


REALENGO, RJ:

FACETAS

DA

VIOLÊNCIA




Pietro Nardella-Dellova



Onde e como começa a violência? Estas e outras perguntas encheram minha caixa de mensagens – todos querendo uma resposta, imediata e definitiva, sobre o episódio de Realengo!

No Rio de Janeiro a violência se apresentou de forma dolorosa para centenas de pessoas e deixou, pelo Brasil, milhões de pessoas perplexas! Seria possível antever aquele massacre? Seria possível detectar o comportamento “estranho” daquele que deixou todos de joelhos?

Talvez coubessem aqui não respostas ao fato em si, mas reflexões sobre o estado em que se encontra a sociedade como um todo. Vamos a alguns aspectos – muito mais para reflexão, pois não há respostas prontas e acabadas!

A segurança pública é precária? Sim!

Após o evento, o governo do Rio (município) em flagrante autodefesa disse que a escola deve ser aberta por tratar-se de espaço público. Obviamente que o espaço é público, mas para um fim determinado: educação! Querendo que a escola seja “aberta” é mister a segurança em todo tempo/espaço escolar.

O criminoso estava sob influência religiosa? Sim.

Mas, não como querem muitos, transformando um mentecapto em suicida islâmico. O criminoso passou muitos anos de sua vida, ao lado de sua mãe substituta, de casa em casa, pregando a sua religião e, depois, teve “algum” contato com grupos islâmicos, mas não grupos terroristas!

A sua mente, já enfraquecida pela sua experiência de vida (amarga) foi ainda mais afetada pelos anos de pregação de porta em porta (como fazem os testemunhas de Jeová da qual fazia parte e, de resto, todas as religiões “missionárias”) e pelo discurso de purificação religiosa, tanto na mesquita por ele freqüentada, como e, principalmente, pela internet!

Para mentes enfraquecidas, e com pouco esclarecimento, a religião tem respostas para tudo – inclusive para a privação do mundo! E, no que respeita às agressões missionárias de catequização e desvirtuamento do uso (abuso) do espaço público (virtual ou real), as pessoas têm, ainda, seu direito à privacidade e intimidade, bem como, o direito jurídico de não ouvir nada de religião, violados por todo o tempo – e espaço!

O criminoso foi vítima de “bullying”? Sim.

A violência que ocorre dentro dos limites da escola é sim capaz de marcar uma criança e, como uma praga, arrastar-se com ela pelos anos de sua vida, estimulando pensamentos de vingança e ódio ao coletivo. Isso ocorre porque comumente o “bullying” não é um ato de violência particular, mas público, requerendo platéia – e sobretudo platéia que aplauda quaisquer dos tipos de violência que uma pessoa possa sofrer. A resposta – futura – acaba sendo coletiva, pois a vítima ouve mais as vozes dos torcedores da violência que os atos específicos do opressor.

Enfim, o episódio de Realengo “poderia” ter sido evitado caso houvesse efetiva segurança pública nas escolas. Mas, para haver segurança requer-se investimento e, enquanto houver corrupção em todos os graus do serviço público, o dinheiro e os recursos serão escassos. Acrescente-se à corrupção (desde o mandatário principal até o porteiro da escola) a absoluta falta de projeto educacional.

O Brasil é um gigante – e, agora, um gigante na economia, mas um gigante sem “alma”, sem educação, sem plano/projeto educacional. É, por isso mesmo, um gigante abobalhado. A falta de um projeto gerou ao longo dos anos, não ambientes proativos na educação, mas currais, acampamentos coletivos. Alunado é apenas o nome coletivo de uma turba que vai, sem quaisquer desenvolvimentos humanistas! Escola boa é escola que faz ingressar na USP, UNICAMP etc. Uma concepção virtualizada, fakerizada e americanizada de “escola”, já que não é possível falar em Educação!

Na falta de educação e, portanto, de esclarecimento, sobra espaço para a religião que, por sua vez, está sempre em descompasso com a realidade, com o dia-a-dia, com as aspirações humanas (naturais). Normalmente, as religiões conhecidas e que, agressivas, tentam invadir o espaço público com suas pregações, buscando fiéis e seguidores, encontram material de sobra – vítimas de um discurso desorientador, o religioso!

O “bullying” é um fato cotidiano, uma situação diuturna, mas desconhecida pelos profissionais da educação. Ainda e, por desgraça, os profissionais não estão preparados para detectar o “booling” (como publicou-se em determinado jornal) e dar-lhe o devido tratamento.

A razão é simples! Normalmente, os profissionais não levam em conta o nascedouro da violência, sua origem, os primeiros passos, que são exatamente aqueles que fomentam e fortalecem a violência! É preciso estudar suas facetas e sua graduação.

É preciso, de início, entender que a violência não nasce, pronta e acabada, da forma que cause espanto, mas, é gradual! Um riso sarcástico, uma fofoca, um empurrão, uma pequena “zoada”, a fala do professor (em público), a bronca humilhante etc. Ademais, o “bullying” tende a começar em casa, pois ali mesmo as crianças sofrem todo tipo de violência dos seus pais ou responsáveis e depois, no espaço público, vão dando formas e movimento ao processo.

Desfazer o “layout” de “igrejinha jesuítica” no espaço escolar, tornando-o circular (sem frente nem fundão e, muito menos, a mesa sacerdotal do professor), afastar a religião e seu discurso do mesmo espaço, fazendo valer o respeito à idéia de uma escola laica e plural, preparar os profissionais para tratarem com seres humanos em “devir”, isto é, constante transformação, com clareza de que, conforme ensinou Heráclito, “uma pessoa não se banha duas vezes nas águas de um rio”, certamente, ajudaria muito!

Na área política o melhor é (e de forma definitiva) afastar idiotas, corruptos e “mamadores de Erário”, sejam do malfadado Poder Legislativo ou alienados do Poder Judiciário e, ainda, oportunistas do Poder Executivo - incluindo em todos os "podres" poderes os "de dentro" e os "de fora". Isso é fundamental para um crescimento de consciências públicas! O que se ouviu nos últimos dias dos políticos, especialmente, os do Município do Rio de Janeiro e do Congresso Nacional (brasileiro) é a expressão da mais sonora e impactante idiotice. Enfim, discursos pulverizados de babacas - que não sabem o porquê estão ali - com o agravante oportunista de um “re-referendo sobre desarmamento”, como se criminosos não fossem usar armas ou como se armas não chegassem às suas mãos, passando por fronteiras livres, completamente livres, entre o Brasil e seus vizinhos fornecedores de drogas, armas, terroristas e outras doenças sociais!


Por fim, no que respeita à segurança pública, às religiões agressivas - que querem salvar o mundo (e aumentar a base tributária) com a violência missionária - ao bullying, à ausência de um plano/projeto na educação e, por fim, aos "agentes" públicos alienados, o melhor, o melhor mesmo, é não despertar da "besta" escondida em cada pessoa!!!


Pietro Nardella-Dellova, Professor de Direito e Escritor, autor de vários livros, entre os quais, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS (Livraria Cultura). Outros textos e debates no seu Blog Caffè Poesia Diritto.


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