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ברוך ה"ה







venerdì 12 agosto 2011

o NASCIMENTO DO LIXO, a ILHA DAS FLORES e a MÁ-FÉ MINISTERIAL no BRASIL NO EMBATE COM O GOVERNO DILMA


o NASCIMENTO DO LIXO,
a ILHA DAS FLORES
e a MÁ-FÉ MINISTERIAL
no BRASIL NO EMBATE COM O GOVERNO DILMA

por Pietro Nardella-Dellova


“...Eu não sou lixo! Estes senadores não são lixo! Meu partido não é lixo!...”

Foi este o discurso que ouvi, faz alguns dias, encaminhado em vídeo por um amigo, meio que sem saber o porquê, do ex-ministro dos transportes! É uma frase intensa e cheia de segredos, cheia de profundidades, buracos e desvios. Fez-me lembrar tantas coisas, entre as quais, a Ilha das Flores – um curta-metragem que vi, faz muitos anos, produzido em Porto Alegre, que tratava mesmo do lixo e do esmagamento das classes oprimidas no Brasil. O filme é de Porto Alegre, sul do Brasil, mas serve em maior ou menor medida, para todo o Brasil e, por respeito à História, para toda a América Latina. Por comparação política serve, também, para minha Itália (do sul e do norte).

O discurso, visto e ouvido, fez-me lembrar os sonhos de uma democracia limpa, lúcida e libertária, que parecem desfazer-se a cada curva, a cada pasta, a cada gabinete!

O senador Nascimento em seu discurso no Senado estava se referindo a si mesmo, aos senadores de seu partido e ao seu partido – envolvidos, todos, em corrupção, desvios, superfaturamento, mazelas, crimes e uma ficha corrida interminável!

Na verdade, o ex-ministro não criou, sozinho, o lixo no Ministério dos Transportes - nem o de Brasília. Ele é criação do lixo. Seus mentores são bem melhor aparelhados, inteligentes, sorrateiros, velhacos e silenciosos. A corrupção sempre tem duas partes e cada qual com muitas cabeças. Os corruptos são uma espécie de criatura do lixo.

E haja energia para a Presidente do Brasil limpar o caminho da democracia, estabelecer seu governo e implementar mudanças de base!!! Ela é confiável, determinada e forte!

O nascimento do lixo (coincidentemente o ex-ministro, atual senador, chama-se Nascimento – nada proposital e ficam mantidas as diferenças de classes gramaticais: uso a expressão mais como verbo “ao meu modo” e não como substantivo) dá-se, inicialmente, pela fome insaciável de empreiteiros, latifundiários, madeireiros, bancos e um sem número de outros parasitas, legitimados por uma massa formada de lumpens (não confundir com lumpem). Explico melhor. O político corrupto, o empreiteiro (e similares) e aqueles que votam no político formam, sem dúvida, o triângulo do lixo!

Bem, a questão dos Transportes tem sua raiz na própria origem do Brasil – talvez, mais expressivamente no Rio de Janeiro enquanto antiga sede da Capital brasileira e, com alguma razão, na própria chegada de D. João em inícios dos 1800 quando de sua fuga dos trovões napoleônicos. E mesmo antes, no Brasil colônia, desde os famigerados anos 1549. Tudo ficou, e fica, no entorno dos Transportes, desde as primeiras embarcações que faziam transporte entre Portugal e outras regiões e que, estrategicamente, foram utilizadas para invasão das terras além-mar, aos primeiros jumentos, carroças e, mais recentemente, caminhões, que transportavam – e transportam - coisas do Brasil para os brasileiros, deixando brasilianos e brasilienses enganados, roubados, extorquidos, explorados para traz.

(brasileiros = comerciantes de coisas do Brasil, donos de embarcações de transportes marítimos; brasilianos = nacionalidade de quem, sendo branco ou negro, nascia no Brasil, oriundos das prisões portuguesas, prostíbulos ou correntes da escravidão; brasilienses = designação dos povos originais e verdadeiros donos da terra, ou seja, os índios e, neste sentido, o Brasil não foi descoberto, mas, invadido pelos portugueses)

No caso específico de Brasília, as primeiras cargas de asfalto (bem como outros materiais) para a construção de rodovias, ligando o litoral com o planalto central (quase uma rima!) foram objeto de corrupção entre empreiteiras e transportadoras. Muito material nunca chegou a Brasília!

Voltemos ao lixo. Não é lixo, concordo com digníssimo senador. O termo é politicamente incorreto. O termo, então, mais preciso, é “reciclável”. Sim, depois que se desenvolveu o conceito de reciclável não se pode falar mais em lixo. Tudo é separado, material por material, saquinho por saquinho, pacote por pacote. Tudo tem um destino e uma finalidade!

Não é lixo. É um aterro! E é difícil não acreditar nas boas intenções de limpeza da Presidente – ela mesma perseguida no tempo do lixo militar ditatorial pelo lixo da mesma Ditadura em porões fétidos! Mas o trabalho é hercúleo e exige o que ela tem de sobra: coragem! A praga – ia dizendo a peste de Camus - que tomou o Brasil inteiro, desde o início – e ossos - responsável pelo atraso no desenvolvimento sociocultural e econômico dos brasileiros (ainda prefiro por força de História e consciência a expressão “brasilianos”) é, por assim dizer, uma entidade com vida própria.

É uma entidade que toma, que incorpora, que encarna e reencarna e vai, de tal forma, olhando-se no espelho d’água do Planalto, que se torna quase impossível querer tirá-la dali. O Erário é seu alimento e os votos seu culto! Erário em torno do qual se reúnem patifes, canalhas, criminosos, inocentes, idiotas, lumpens, estelionatários, vampiros, parasitas, homicidas, enfim, tantos monstros, revestidos, travestidos e mascarados de empresários, políticos, lobistas, esquerdistas ignorantes, direitistas impermeáveis e centristas de platéia!

Sim, resguardo a dignidade de muitos que são, de fato, bons empresários, bons políticos, esquerdistas com conhecimento de causa, direitistas conscientes e centristas moderados. Não os menciono, aliás, nem aos outros, pois o trabalho de cada um, assim como, seus discursos, demonstram, com clareza o que cada um é – e faz, seja para manter o lixo ou para limpá-lo.

“...Eu não sou lixo! Estes senadores não são lixo! Meu partido não é lixo!...”

Lamento que uma mulher como Dilma, com tanta independência, história e inteligência, tenha que tomar uma vassoura às mãos e passar a maior parte de seu tempo na faxina!

E por falar em Ilha das flores e, para não dizer que não falei das flores, os militares brasileiros perderam o palreador Jobim, um homem realmente estranho (nunca lixo, mas estranho!). Ao atirar contra colegas de governo e, por via indireta, contra a Presidente, demonstrou aquele espírito masculino inconformado em dobrar-se diante de mulheres melhores do que ele. Recomendo-lhe um tempo de silêncio e leituras boas, digamos, Freud! Mas, se Jobim não pode ser classificado de lixo, embora seja um “estranho” e, não sendo ele inocente, ao menos pelos postos que ocupou em áreas importantes de sua carreira, poderíamos dizer que agiu com aquela má-fé que ele, como jurista, conhece bem – o conhecimento do mal e a intenção de praticá-lo! Pois, em face de tanta coisa a ser feita pelo governo Dilma (creio que a principal é mesmo limpar a área desse lixo todo para a criação de um Brasil, de fato e de direito, maravilhoso) o ex-ministro do STF, ex-ministro da Justiça e, agora, ex-ministro da Defesa, afeito às conversinhas de maledicência não poderia mesmo continuar a compor o quadro do governo de um país que não pode mais perder tempo com mexericos, babaquices, lixos e má-fé!

Nem tudo é lixo (muita coisa é lixo!). Nem tudo é má-fé (muita coisa é má-fé!). A Presidente do Brasil (ou como merece e deve ser chamada, a Presidenta) tem em suas mãos a possibilidade de escrever uma página da História, superando séculos de lixo putrefeito, arejando a Política, dando novos ares ao Governo e abrindo, assim, possibilidades para verdadeiros Congressistas, Empresários e outras pessoas de bem, construírem um país que não tenha “ex nunc” do que se envergonhar!

Agosto, 2011

© Pietro Nardella-Dellova, Professor de Direito e Consultor, Mestre em Direito pela USP e Mestre em Antropologia Religiosa pela PUC/SP. Pós-graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Autor de vários livros, entre os quais, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS, 2009 (disponível pela Livraria Cultura)

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1 commento:

Schetini ha detto...

Muito boa observação, caro Pietro!

Não devemos, nem podemos, perder a esperança de que nascerá flores e, por conseguinte, jardins em meio a tanto lixo ladeado de lixo, rodeado de lixo, superado por lixo etc's (affinal, "muita coisa é lixo!").

Abraços,
Schetini