onde apenas seres de verdade se encontram
e se descobrem,
onde pérolas se fazem com o ritmo do tempo
sem pressa e sem contas?
Se nada sabe de Poesia e se não tem fôlego
nem coragem,
não poderá mergulhar com o Poeta
nem dialogar diante de quem estende a mão
para o movimento musical.
Mas, quando pensar na pérola,
vencerá o medo,
e a Poesia se intensificará em seu corpo
e lhe dará vida.
Seus poros respirarão dentro das águas profundas.
Não é uma lição
Não é uma lição
– é um fogo de vida e intensidade!
O Poeta não ensina – o Poeta vai!
O Poeta não ensina – o Poeta vai!
Ele leva você a ver do alto, a voar alto,
a mergulhar, a mergulhar ao fundo.
Quer a lição ou o voo?
Quer o conceito ou o mergulho?
A mágica da Poesia
A mágica da Poesia
é receber asas de águia, para voar alto
- quer?
E receber fôlego,
E receber fôlego,
para mergulhar com o Poeta ao fundo,
e encontrar pérolas – quer, também?
Então, se você ouvir a Poesia
e descobrir de que são formados os beijos do Homem-Poeta,
descobrirá a sua Poesia-Mulher,
Então, se você ouvir a Poesia
e descobrir de que são formados os beijos do Homem-Poeta,
descobrirá a sua Poesia-Mulher,
e pedirá para voar alto, bem alto.
E para ver as pérolas
que lhe fazem falta ao fundo,
se vencer o medo do profundo.
Tuoi
occhi
sono
miei
occhi,
quem dera,
principessa,
pudesse contar tranquilamente,
sobre os dias
daquele tempo distante,
daquela terra remota, da dor bastante,
e desatar as cordas que prenderam
o suspiro de vida da tenra idade.
Ah, não houve Poesia:
houve gritos que se encravaram em mim
quando fomos partidos pela mão da maldade...
eu estava ali, preso a correntes que arrastaria tanto,
ouvindo a gritaria e a loucura da turba insana:
nada parece mais triste:
você presa e no ventre o prêmio do meu amor,
e o silêncio do algoz...
eu estava ali, preso, e no peito um grito seco.
(e esta foi a pena do meu amor)
e você sem voz, sem canto e sem vida,
desfeita
em
chamas...
atravessei aquelas chamas que levaram você e o seu ventre
e viajei por desertos, e mares, e cidades, e tempos
e trouxe no peito a marca do amor distante e a dor,
porque em cada tempo
deixei parte da corrente,
mas, as minhas roupas não envelheceram...
principessa
o vinho que hoje bebo
na sua boca dispensa
taças.
Enquanto a noite não vem, desenharei as asas
que erguerão você ao alto, para o bem alto,
e juntarei o ar de que precisa para o mergulho.
E, se o Poeta estender a mão, diria:
sim, Poeta, quero voar alto – leve-me!
Sim, quero mergulhar fundo, leve-me.
Leve-me às pérolas, porque preciso de pérolas.
E, se o Poeta levasse você, perderia o fôlego e as asas?
–Não, não perderia,
leve-me ao alto porque preciso de plenitude.
E se você perder as asas, será trazida de volta à terra.
E, se perder o fôlego, será trazida de volta à superfície.
Porque os beijos têm diferentes faces,
e cores,
e sabores,
e duração,
e profundidades,
e energias,
e tessituras,
e geografias...
Nos
seus olhos
amanhecemsetecéusazuis
e
doismaresesverdeados
que a alma espelha...
e entre seus cabelos de alva,
feitos véus dourados
descubro o rosto suave e mudo,
tanto beijado,
e os lábios que se abrem em flor,
vermelhos,
ao amor,
ao beijo,
ao sorriso – ao sonho e tudo!
ah querida, não passe o tempo, ainda!
nãodesfaçaaexistênciaonossoninho..
ficasse eu beijando a sua boca neste dia,
acariciando a sua face,
de amor rosa – e linda,
bebendo no cálice do seu umbigo
o vinho e a água,
e voz rouca, numas horas fugidias,
cantando e amando,
explodindo,
e ser riso e ser desejo que arde,
e um beijo colado, único,
que não finda no entardecer
porque no seu abraço
(em que me faço homem que ama)
aperto o laço – para sempre – de jogo,
e vida,
e ternura,
por que dura o fogo ao meio, e o perfume:
o anseio, em que venço o tempo
na tessitura da sua pele
agora ungida, do seu corpo,
jardim de flores únicas,
porque repouso,
tranqüilo, no seio do afago...
e tê-la, nua e úmida,
é Poesia que trago para sempre!
ah, principessa,
o seu corpo
pleno-luz,
insinuante e aberto,
rosado e gracioso,
sem túnicas,
é suave brisa que vivo em
noite de estrelas, esperando que os olhos
amanheçam
em sete
céus azuis
e dois mares
esverdeados.
*
Pietro Nardella-Dellova,
Tuoi
occhi
sono
miei
occhi,
quem dera,
principessa,
pudesse contar tranquilamente,
sobre os dias
daquele tempo distante,
daquela terra remota, da dor bastante,
e desatar as cordas que prenderam
o suspiro de vida da tenra idade.
Ah, não houve Poesia:
houve gritos que se encravaram em mim
quando fomos partidos pela mão da maldade...
eu estava ali, preso a correntes que arrastaria tanto,
ouvindo a gritaria e a loucura da turba insana:
nada parece mais triste:
você presa e no ventre o prêmio do meu amor,
e o silêncio do algoz...
eu estava ali, preso, e no peito um grito seco.
(e esta foi a pena do meu amor)
e você sem voz, sem canto e sem vida,
desfeita
em
chamas...
atravessei aquelas chamas que levaram você e o seu ventre
e viajei por desertos, e mares, e cidades, e tempos
e trouxe no peito a marca do amor distante e a dor,
porque em cada tempo
deixei parte da corrente,
mas, as minhas roupas não envelheceram...
principessa
o vinho que hoje bebo
na sua boca dispensa
taças.
Enquanto a noite não vem, desenharei as asas
que erguerão você ao alto, para o bem alto,
e juntarei o ar de que precisa para o mergulho.
E, se o Poeta estender a mão, diria:
sim, Poeta, quero voar alto – leve-me!
Sim, quero mergulhar fundo, leve-me.
Leve-me às pérolas, porque preciso de pérolas.
E, se o Poeta levasse você, perderia o fôlego e as asas?
–Não, não perderia,
leve-me ao alto porque preciso de plenitude.
E se você perder as asas, será trazida de volta à terra.
E, se perder o fôlego, será trazida de volta à superfície.
Porque os beijos têm diferentes faces,
e cores,
e sabores,
e duração,
e profundidades,
e energias,
e tessituras,
e geografias...
Nos
seus olhos
amanhecemsetecéusazuis
e
doismaresesverdeados
que a alma espelha...
e entre seus cabelos de alva,
feitos véus dourados
descubro o rosto suave e mudo,
tanto beijado,
e os lábios que se abrem em flor,
vermelhos,
ao amor,
ao beijo,
ao sorriso – ao sonho e tudo!
ah querida, não passe o tempo, ainda!
nãodesfaçaaexistênciaonossoninho..
ficasse eu beijando a sua boca neste dia,
acariciando a sua face,
de amor rosa – e linda,
bebendo no cálice do seu umbigo
o vinho e a água,
e voz rouca, numas horas fugidias,
cantando e amando,
explodindo,
e ser riso e ser desejo que arde,
e um beijo colado, único,
que não finda no entardecer
porque no seu abraço
(em que me faço homem que ama)
aperto o laço – para sempre – de jogo,
e vida,
e ternura,
por que dura o fogo ao meio, e o perfume:
o anseio, em que venço o tempo
na tessitura da sua pele
agora ungida, do seu corpo,
jardim de flores únicas,
porque repouso,
tranqüilo, no seio do afago...
e tê-la, nua e úmida,
é Poesia que trago para sempre!
ah, principessa,
o seu corpo
pleno-luz,
insinuante e aberto,
rosado e gracioso,
sem túnicas,
é suave brisa que vivo em
noite de estrelas, esperando que os olhos
amanheçam
em sete
céus azuis
e dois mares
esverdeados.
*
Pietro Nardella-Dellova,
in A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS
E OUTROS MONÓLOGOS.
Ed. Scortecci, 2009, pág 61-68
(disponível pela Livraria Cultura)
(disponível pela Livraria Cultura)
*
*

2 commenti:
Infindos, intensos, indeléveis são os vôos e mergulhos propiciados pela Arte, pela Poesia, pelo Amor, em suas tantas matizes e variedades!!!
Caríssimo Poeta Pietro, estas tuas palavras estão especialmente encantadoras!
Beijos e abraços surreais e alados.
Poeta posso te ouvir. As tuas palavras me tocam no mais profundo. O dia cinza passa a ter cor. E sonho, volto a sonhar, e percebo que a liberdade se encontra nos sonhos, e sonho com o passado e futuro,e neles refaço laços desfeitos pelo tempo e torno-os PLENOS.
Mulher-poiesis-bacialegretti
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