alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







venerdì 3 febbraio 2012

: SEUSOLHOSAMANHECEMSETECÉUSAZUIS: Sabe Mergulhar?


Sabe mergulhar?
Tem fôlego para ir ao fundo,




onde apenas seres de verdade se encontram




e se descobrem,




onde pérolas se fazem com o ritmo do tempo




sem pressa e sem contas?




Se nada sabe de Poesia e se não tem fôlego




nem coragem,




não poderá mergulhar com o Poeta




nem dialogar diante de quem estende a mão




para o movimento musical.




Mas, quando pensar na pérola,




vencerá o medo,




e a Poesia se intensificará em seu corpo




e lhe dará vida.




Seus poros respirarão dentro das águas profundas.
Não é uma lição




– é um fogo de vida e intensidade!
O Poeta não ensina – o Poeta vai!




Ele leva você a ver do alto, a voar alto,




a mergulhar, a mergulhar ao fundo.




Quer a lição ou o voo?




Quer o conceito ou o mergulho?
A mágica da Poesia




é receber asas de águia, para voar alto




- quer?
E receber fôlego,




para mergulhar com o Poeta ao fundo,




e encontrar pérolas – quer, também?
Então, se você ouvir a Poesia
e descobrir de que são formados os beijos do Homem-Poeta,
descobrirá a sua Poesia-Mulher,




e pedirá para voar alto, bem alto.




E para ver as pérolas




que lhe fazem falta ao fundo,




se vencer o medo do profundo.
Tuoi
occhi
sono
miei
occhi,
quem dera,
principessa,
pudesse contar tranquilamente,
sobre os dias
daquele tempo distante,
daquela terra remota, da dor bastante,
e desatar as cordas que prenderam
o suspiro de vida da tenra idade.
Ah, não houve Poesia:
houve gritos que se encravaram em mim
quando fomos partidos pela mão da maldade...
eu estava ali, preso a correntes que arrastaria tanto,
ouvindo a gritaria e a loucura da turba insana:
nada parece mais triste:
você presa e no ventre o prêmio do meu amor,
e o silêncio do algoz...
eu estava ali, preso, e no peito um grito seco.
(e esta foi a pena do meu amor)
e você sem voz, sem canto e sem vida,
desfeita
em
chamas...
atravessei aquelas chamas que levaram você e o seu ventre
e viajei por desertos, e mares, e cidades, e tempos
e trouxe no peito a marca do amor distante e a dor,
porque em cada tempo
deixei parte da corrente,
mas, as minhas roupas não envelheceram...
principessa
o vinho que hoje bebo
na sua boca dispensa
taças.
Enquanto a noite não vem, desenharei as asas
que erguerão você ao alto, para o bem alto,
e juntarei o ar de que precisa para o mergulho.
E, se o Poeta estender a mão, diria:
sim, Poeta, quero voar alto – leve-me!
Sim, quero mergulhar fundo, leve-me.
Leve-me às pérolas, porque preciso de pérolas.
E, se o Poeta levasse você, perderia o fôlego e as asas?
–Não, não perderia,
leve-me ao alto porque preciso de plenitude.
E se você perder as asas, será trazida de volta à terra.
E, se perder o fôlego, será trazida de volta à superfície.
Porque os beijos têm diferentes faces,
e cores,
e sabores,
e duração,
e profundidades,
e energias,
e tessituras,
e geografias...
Nos
seus olhos
amanhecemsetecéusazuis
e
doismaresesverdeados
que a alma espelha...
e entre seus cabelos de alva,
feitos véus dourados
descubro o rosto suave e mudo,
tanto beijado,
e os lábios que se abrem em flor,
vermelhos,
ao amor,
ao beijo,
ao sorriso – ao sonho e tudo!
ah querida, não passe o tempo, ainda!
nãodesfaçaaexistênciaonossoninho..
ficasse eu beijando a sua boca neste dia,
acariciando a sua face,
de amor rosa – e linda,
bebendo no cálice do seu umbigo
o vinho e a água,
e voz rouca, numas horas fugidias,
cantando e amando,
explodindo,
e ser riso e ser desejo que arde,
e um beijo colado, único,
que não finda no entardecer
porque no seu abraço
(em que me faço homem que ama)
aperto o laço – para sempre – de jogo,
e vida,
e ternura,
por que dura o fogo ao meio, e o perfume:
o anseio, em que venço o tempo
na tessitura da sua pele
agora ungida, do seu corpo,
jardim de flores únicas,
porque repouso,
tranqüilo, no seio do afago...
e tê-la, nua e úmida,
é Poesia que trago para sempre!
ah, principessa,
o seu corpo
pleno-luz,
insinuante e aberto,
rosado e gracioso,
sem túnicas,
é suave brisa que vivo em
noite de estrelas, esperando que os olhos
amanheçam
em sete
céus azuis
e dois mares
esverdeados.
*
Pietro Nardella-Dellova,




in A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS




E OUTROS MONÓLOGOS.




Ed. Scortecci, 2009, pág 61-68
(disponível pela Livraria Cultura)




*




*

2 commenti:

Analuka ha detto...

Infindos, intensos, indeléveis são os vôos e mergulhos propiciados pela Arte, pela Poesia, pelo Amor, em suas tantas matizes e variedades!!!

Caríssimo Poeta Pietro, estas tuas palavras estão especialmente encantadoras!

Beijos e abraços surreais e alados.

Anonimo ha detto...

Poeta posso te ouvir. As tuas palavras me tocam no mais profundo. O dia cinza passa a ter cor. E sonho, volto a sonhar, e percebo que a liberdade se encontra nos sonhos, e sonho com o passado e futuro,e neles refaço laços desfeitos pelo tempo e torno-os PLENOS.

Mulher-poiesis-bacialegretti