alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







giovedì 27 ottobre 2011

ESTUDANTES DA USP E A INVASÃO DA REITORIA ou VARIAÇÕES DO MESMO TEMA


OS ESTUDANTES DA USP E A INVASÃO DA REITORIA ou VARIAÇÕES DO MESMO TEMA

Assisti – com uma relativa distância – os desdobramentos do embate entre Alunos e Policiais Militares de São Paulo. Talvez fosse melhor dizer: entre alunos e a atual reitoria! Os movimentos estudantis me interessam, pois neles sempre encontrei, enquanto aluno, a força da resistência e o dinamismo para as reformas sociais, seja na Itália ou na América do Sul. Como professor, encontro neles a parceria ideal para o desenvolvimento do que se pretende como Educação Emancipatória, Libertária!

Mas, neste caso há variáveis – e todas devem ser consideradas! Primeiro, a USP, uma das maiores universidades da América Latina, tem encontrado muita dificuldade de diálogo entre os governos tucanos e seu corpo discente (também, o docente). Houve – e tende a manter-se – um rompimento e um fechamento de pontes dialógicas! Caso exemplar é o do atual Reitor (nomeado pelo governo paulistano) que foi contemplado na FADUSP com o título de “persona non grata”.

A situação entre a Reitoria e corpo Discente/Docente é de constante enfrentamento. E, sendo ele, o Reitor, apenas uma ponta de lança, o enfrentamento é entre USP e o Governo do Estado de São Paulo. O desastrado convênio feito entre o Governo e a Reitoria, abrindo o campus para o policiamento militar foi – e é – danoso! Há na memória histórica da USP a imagem do policial militar a serviço da Ditadura Militar. PM é metáfora de espancamento! Obviamente que a PM de São Paulo (e aquela do Rio) nada têm feito para melhorar esta imagem – Ao contrário, a cada dia ela, PM, se distancia ainda mais da sociedade e se apresenta truculenta! Bem, poderia, ainda citar aqui a PM de outros Estados do Brasil, de outros países da América do Sul e, por uma questão de honestidade, a Polícia italiana. Todas (ressalvo alguns policiais "pessoas") são polícias do Estado – para espancamento!

O convênio é desastroso porque coloca no mesmo campus dois tipos distintos, com história de enfrentamentos. De um lado, o Estudante, naturalmente anárquico (no sentido proudhoniano); de outro, o PM, com sua truculência e, para piorar, sem nenhum nível acadêmico!

Quando os PMS encontraram os alunos fumando maconha no campus da USP (situação que fez estourar a revolta) houve uma excitação, uma necessidade incontida, dos despreparados policiais militares em “mostrar” que, apesar de sua origem, soldo, condição precária e atraso acadêmico, estavam ali em condição de superioridade, de autoridade: eles eram o Estado!

Por sua vez, os alunos que, apesar do “fumacê”, estavam ali na condição de anárquicos e idealistas (estivesse vivo, o estudante e poeta Álvares de Azevedo teria feito o mesmo). Ao virem os policiais, não enxergaram – nem poderiam – a pessoa do policial, mas, o fantasma da Ditadura, o anjo da Morte, o Estado opressor e, finalmente, o espectro do Reitor – persona non grata!

Por isso mesmo, os alunos escolheram a Reitoria, ou seja, a expressão física de tudo isto que eles odeiam! Na seqüência, ouviram-se os rumores de jornalistas despreparados, entre os quais, lógico, os da Globo, com afirmações ridículas, tais como “eles estudam de graça e fazem isto”, “eles não cumprem a lei”, “estes alunos são de classe média” etc etc... Uma enxurrada de idiotices impressas e televisivas.

Mas, por outro lado, ainda que legítimas as reivindicações (ou motivações) dos alunos, as mesmas não estão muito claras para a sociedade. E este foi um dos aspectos da onda "anti-discente" dos telejornais, revistas e outros meios, pois, ouvimos e lemos, aquelas afirmações idiotizantes.

O fato dos alunos estudarem na USP – e de graça – não significa que devam ficar calados, quietos, amordaçados. A sociedade e o governo não lhes fazem nenhum favor, ao contrário, nega a tantos outros o mesmo direito! Ser – ou não de classe média – não desautoriza os alunos a se manifestarem. Esta afirmação é um despropósito, uma violência à inteligência de quem não vive repetindo o telejornal, o jornal, a revista e os loucos gritões de programas de “ratos”.

Então, o erro dos Estudantes é a falta de clareza, de saber dizer, de comunicar melhor sua reivindicação e sua pauta (erro primário para quem se vê como anarquista). É o típico erro infantil que afeta todo um movimento histórico. O anarquista, refiro-me, ao anarquista político, o libertário, aprende duas coisas básicas:

1) Deve saber quais são seus objetivos, quais são seus inimigos;

2) Deve saber dizer, saber comunicar à sociedade seus ideiais, suas idéias, pois é ela, a sociedade, que ele, anarquista, pretende emancipar. Por isso mesmo, estes Estudantes (continuam a ser Estudantes para mim e não "invasores ou baderneiros", como quer a imprensa) se perderam no excesso de infantilidade, erro que os deixou sem base!

A violência do Estado “tucano” é não ter sensibilidade (como ocorrera outrora com os governos federal e estadual ao tempo da ditadura). Insensibilidade contra os discentes e docentes da USP. Parece haver uma idéia fixa "machadiana" entre os tucanos: é preciso bater nos estudantes universitários como se batessem no seu rival, o PT, que não conseguem bater nas urnas presidenciais. Aliás, o Estado “tucano” não tem sequer memória! O gravame é tratar a USP como um favor! A USP não é um favor, não é uma concessão do Estado paulista e seus alunos não são mendigos – a USP é o resultado de décadas!

Por último, não se pode confundir giz – e pó de giz – com cocaína! Também, não se pode confundir "militantes" do anarquismo (libertário) com crianças - jovens que terão que aprender melhor o movimento de luta e as estratégias de resistência. Anarquismo e Resistência Libertária não é para noviços nem arrebatados.

Finalmente, não se pode confundir segurança pública com o policiamento militar! Entregar o campus da USP ao policiamento militar é, diria alto e bom som, soltar leões e ursos famélicos em uma escola de bailarinas! Manter o atual reitor "persona non grata" com seu típico despreparo como negociador, sua inaptidão para dialogar é, infelizmente, manter a isca da violência e armadilha dos embates. Os jornalistas, por desgraça, fizeram "pacta corvina" (pacto de corvos) e têm desafinado muito nesta história!

Pietro Nardella-Dellova é Mestre em Direito e Filosofia. Escritor, Conferencista e Professor. Membro da UBE (São Paulo) e do Gruppo Martin Buber (Milano). Autor de vários livros, entre os quais, A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS (Livraria Cultura). Mais textos e estudos no seu Blog CAFFÈ DIRITTO POESIA.
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1 commento:

Blog da Família Serrano ha detto...

Excelente artigo, a discussão tem tomado um rancor por parte da mídia, como se fosse pecado cursar uma faculdade simbolo de excelência em todo país.
A verdade é que parte de nossa sociedade prefere aceitar o prato feito, a "verdade" sem discussão e teme enfrentar paradigmas. Esses alunos ousam em cutucar e provocar discussões que tendem a alterar o cotidiano da maioria da população.
Torna-se difícil encarar como o consumo excessivo, a falta de participação ativa nas questões sociais e nossa capacidade para desviarmos dos problemas são na realidade a peça propulsora da máquina da violência. A USP e a sociedade não precisam de polícia mas de coerência.
Abraços