alla Filosofia Dialogica, Letteratura, Relazioni Internazionali, Scienze Interculturali, Diritti Umani, Diritto Civile e Ambientale, Pubblica Istruzione, Pedagogia Libertaria, Torah, Kabballah, Talmude, Kibbutz, Resistenza Critica e Giustizia Democratica dell'Emancipazione.



ברוך ה"ה







venerdì 6 aprile 2012

Ao Asno Esotérico (para que sua mulher não morra de depressão)

AO ASNO ESOTÉRICO
(para que sua mulher não morra de depressão)

(...)
Olhe nos olhos de sua mulher como nunca antes, abrace sua mulher nos ventos que cortam as rochas e esfriam as areias do vazio e abençoe sua mulher porque ela é a única bênção possível em sua vida: ela é o braço que segura e dá a resistência cotidiana.

Leve-a para ver as flores de que é formada, mas nunca lhe traga flores “cortadas”. Apresente a ela o perfume que reveste as flores.

Destaque folha por folha, espalhe pelos corredores e cante para ela o Cântico dos Cânticos (de Sh’lomò) em cada dia, noite e madrugada. E, cantando, ame-a e gozo solidário e multifacetado, e beba em seu umbigo o vinho de amores inimagináveis. Apresente e reconheça a coroa que a legitima como vida, e a aplauda, e a louve, e a reverencie, porque ela (e não você) é o braço do Eterno no seu mundo.

Que os seus olhos sejam dela – e os dela sejam seus! E, depois, que as mãos possam trazer o fruto do trabalho, do suor, da honestidade e da boa-fé. E possam abençoar a casa com o pão, fruto do apreço, reconhecimento e amor de quem sua.

Aprenda a levar este pão (justo) onde quer que vá e nunca chegue à casa de alguém com mãos vazias ou sujas de injustiças. Ao entrar, não avance para os ambientes internos, exceto a sala de recepção. E nunca use a cadeira sem que alguém lhe diga: <<é esta!>>
E não leve seus filmes preferidos nem suas desgraças pessoais – e nunca refira-se à sua mulher para dela desdenhar em público. Não fale de quem não esteja presente – nem de sua mulher. Ao sair, esqueça tudo o que ouviu e viu!

Volte os olhos para sua mulher, finalmente, antes que ela morra de depressão e procure o espasmo e saliva religiosos, antes que se destrua completamente nas fantasias erótico-medievais, antes que seque por tanto jejum contra demônios e diabos, e antes que engorde na ansiedade das madrugadas sem fim, e, ainda, antes que mate o tempo em programas de televisão ou em ligações telefônicas intermináveis. Volte os olhos para sua mulher, antes que ela se ofereça aos transeuntes virtuais e termine batendo contra o próprio ventre, porque ela, assim, passaria pelos esgotos da existência e pela demência religiosa, mas sobreviveria e ressurgiria como águia, enquanto você, assim idiotizado, seria privado de ar e humanidade nas águas paradas - sem vida! E sem ela, você ficaria dando nome aos bichos!

Parta disso, exatamente disto: sem a sua mulher você será pisado como verme! Sem ela, desaparecerá no vácuo e desintegrará no vazio da coisa nula em seis maldições sem fim!
(...)

© Pietro Nardella-Dellova, in “Ao Asno Esotérico, Para Que Ela Não Morra de Depressão”, trecho original do livro A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. Editora Scortecci, 2009. (Livraria Cultura)
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