AUTO-ANARQUIA(para ser livre de mim mesmo)
Hoje quero contradizer
O que disse ontem,
E amanhã, o que disser hoje:
Quero ser livre de mim mesmo!
Se eu vir que a fronte é feita,
Vou falar isto,
Mesmo que tiver dito ser belíssimo
O perfil de alguém...
E irei para o gozo sem freios
Ou para o adeus entre montes de terra.
Quero ir vivendo assim – livre –
Olhar por todos os ângulos
E jamais ser imbecil:
Escravo do orgulho de ter falado!
...assim, estarei realizado em cada vida
que eu viver em toda a vida...
Quero ser o mais instável dos homens
E não pensar que isto tem a ver
Com a personalidade
-que não muda, muda-
Mas, ser instável no pensamento
E no modo de olhar as coisas
Para que aperfeiçoe a mim mesmo
E descubra cores maravilhosas
(ocultas aos imbecis-estátuas)
...não há limites para livros superarem livros
e teses superarem teses,
nem há limites para céus superarem céus
nem há limites para céus superarem céus
e mares superarem mares,
nem para mundos superarem mundos,
nem para perspectivas superarem perspectivas
nem para perspectivas superarem perspectivas
e ângulos superarem ângulos,
nem descobertas superarem descobertas:
há limites apenas para o ontem!
Quero concordar e discordar – livre –
Porque não temos que concordar
A vida inteira com o que concordamos
Um dia qualquer que passou, enfim!
...porque passamos pelo cinzel da existência...
E vamos aprendendo novas “cousas”
Descobrimento novos matizes e faces:
É maravilhoso seguir rumo à perfeição
De não ser, jamais, perfeito em nada...
Não quero soldar grades que me prendam
Mas, quero ir rumo a não-sei-o-quê.
Nunca quero dizer: cheguei!
E não quero chegar nunca em pensar: cheguei!
A vida perderia o sabor e amaria a morte:
Chegar é morrer!
Viver é superar a vida a cada instante!
Quero não gostar e amar depois,
Se eu sentir isto,
...e isto será vida, sim senhor, acredite-me!
há limites apenas para o ontem!
Quero concordar e discordar – livre –
Porque não temos que concordar
A vida inteira com o que concordamos
Um dia qualquer que passou, enfim!
...porque passamos pelo cinzel da existência...
E vamos aprendendo novas “cousas”
Descobrimento novos matizes e faces:
É maravilhoso seguir rumo à perfeição
De não ser, jamais, perfeito em nada...
Não quero soldar grades que me prendam
Mas, quero ir rumo a não-sei-o-quê.
Nunca quero dizer: cheguei!
E não quero chegar nunca em pensar: cheguei!
A vida perderia o sabor e amaria a morte:
Chegar é morrer!
Viver é superar a vida a cada instante!
Quero não gostar e amar depois,
Se eu sentir isto,
...e isto será vida, sim senhor, acredite-me!
© Pietro Nardella-Dellova,
in NO PEITO HÁ UMA PORTA QUE SE ABRE.
Editora L & S, 1989, pág. 58-59

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